Crise nas Coreias. Uma questão muito séria em matéria de política internacional e de estabilidade no Extremo Oriente. Um desafio à autoridade da lei internacional.
O euro a baixar novamente, reflectindo a perda de confiança no espaço económico europeu, que, de repente, parece a todos que nunca foi verdadeiramente um espaço económico, apenas um grande mercado.
O FMI a aconselhar a Espanha, para que torne menos restritivas as leis laborais e a contratação colectiva, diminua as indemnizações aos que são despedidos. E a lembrar a Madrid que os bancos estão com a saúde abalada. Precisam de proceder a fusões, reestruturar-se, recuperar a solidez.
Em Lisboa, continuamos a viver a mesma confusão a que já nos fomos habituando. Os dirigentes metem os pés pelas mãos, parecem que andam às aranhas, dizem coisas que ninguém aceita nem crê, perdem crédito e pontos quotidianamente. Não é bem uma crise. É o caos em auto-gestão.
O wadi de Iriba traz frescura à vida. Um wadi é um rio do deserto, que só corre uns dias por ano. Os animais aproveitam a sombra, ocupam o leito do rio. É como se vivessem apenas da beleza do local, que mais nada há para comer.
Estes bichinhos fizeram-me pensar no Bastonário da Ordem dos Advogados, em Portugal, a milhares de milhas de Iriba. O homem não andará a pedir bastão, mas anda a fazer umas declarações incendiárias sobre o poder judicial. Cada frase é mais uma acha para a confusão que se vive no nosso país. Estamos numa situação em que já ninguém acredita em nada. É o circo do desconcerto, do descrédito das instituições, do avilamento da vida pública. Os que deveriam ter uma atitude de apaziguamento e de responsabilidade estão a comportar-se como pirómanos.
Tudo isto só pode contribuir para que Portugal se afunde ainda mais.
Temos uma paisagem política que se aproxima da reflectida na fotografia.
Estamos num momento de fractura do nosso sistema de governação. Tempos de muita gravidade. Os principais actores políticos portugueses entraram num novo patamar de descontrolo emocional, que provoca crises atrás de crises, pela simples razão dessas pessoas se odiarem. Em vez de discutirem ideias, lançam farpas. À força de as lançar, perdem o sentido da razão. Deixam de ser racionais. Tornam-se meros caceteiros em exercício na praça pública. Perde-se a noção do interesse do Estado. Esquece-se o que é essencial para melhorar a vida de todos nós e garantir o nosso lugar no Mundo, como Nação, numa cena internacional cada vez mais complexa. É o caos.
Há que ver a realidade como ela é. Com estes dirigentes, Portugal vai continuar a afundar-se. Não há outra solução. Estes protagonistas têm que sair do sistema.
É a face agora visível de um Portugal em que os dirigentes, a gente com poder, não têm princípios, não sabe o que significa ser honesto, que não se preocupa com o interesse comum.
Como se deixou chegar o país a uma falta de moralidade tão grande?
De facto, quem pode compreender a votação em larga escala num candidato a presidente de câmara que foi reconhecido como culpado de actos criminosos e condenado, por um tribunal devidamente constituído, a uma pena maior de sete anos?
Será que uma boa parte da população pensa que os valores e os princípios não têm nada que ver com a vida política?