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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

As eleições numa Europa em crise

Em Portugal, os resultados das eleições europeias revelaram que é impossível, para já, fazer projecções prudentes sobre o que poderá acontecer dentro de um ano, quando as legislativas tiverem lugar.

 

A aliança que está no governo resistiu melhor do que se esperava. Digo isto tendo como elemento de comparação o que se passou em França. Seria acertado pensar que, depois de três anos de austeridade a sério, a coligação PSD-CDS acabaria por ter uma votação muito inferior à que teve.

 

Do lado do PS, o valor obtido é magro. Cabe à direcção do partido e aos militantes reflectir sobre as razões. Mas a continuar assim, o PS não terá, em 2015, as condições mínimas para levar a cabo a sua política governativa. Estará, se nada mudar, apenas em condições de liderar uma coligação coxa. Digo coxa porque em Portugal não há uma cultura política que seja favorável a alianças entre o centro-esquerda e o centro-direita.

 

A CDU fez uma campanha clara e ganhou com isso. Mas não é partido de governo.

 

O resto é paisagem, com ou sem votos, incluindo o “deputado acidental” que é Marinho Pinto.

 

Fora do nosso espaço, a extrema-direita ganhou peso no Parlamento Europeu. Em França, deixou os socialistas e a direita de Sarkozy em estado de choque. Na Grã-Bretanha, deu-se mais um passo, bem firme, para um confronto aberto entre esse país e a UE. E na pequena Dinamarca, que já foi um exemplo de tolerância e um modelo de cooperação internacional, os ultranacionalistas ficaram em primeiro lugar.

 

É importante sublinhar a vitória eleitoral do Partido Democrático do centro-esquerda na Itália. Matteo Renzi, o líder do partido e Primeiro-ministro de Itália, afirmou-se como um jovem que sabe fazer política nos tempos modernos.

 

Agora é preciso ver quem vai ser o Presidente da Comissão Europeia. Jean-Claude Juncker, o candidato que está à frente, não acredita que o deixem passar. Cameron ir-se-á aliar com Viktor Orban da Hungria, um homem ultranacionalista e habilidoso, para impedir que Juncker seja nomeado Presidente. Pensa Cameron que com esse golpe poderá ganhar alguns pontos junto do eleitorado inglês que votou contra a UE. O Primeiro-ministro britânico é uma das principais ameaças ao projecto comum.

 

Enfim, vai haver nos próximos tempos muita matéria para debater.

Portas e a cabeça do pargo

Jantei uma sopa de cabeça de pargo. Isto, só por si, não seria notícia. Mas aqui em casa, em Bruxelas, no contexto luso-belga da minha família, tratou-se de um grande acontecimento. A metade belga ficou a olhar com horror para a minha preparação do repasto e, depois, para o saborear da coisa. Em dezenas de anos, nunca tinha havido um cozinhado assim.

 

Estava um regalo.

 

Após o jantar, ao ver os títulos da imprensa portuguesa, fiquei a pensar no meu peixe.

 

Aconteceu quando li que uns senhoritos do CDS estão a lançar a isca para que o caudilho do seu partido seja visto como presidenciável, um candidato a sério à alta magistratura. Não sei porquê, mas pouco a pouco vi o Paulo Portas transformar-se em cabeça de pargo, com uns olhos grandes e meio embaciados, como qualquer peixe que já foi fresco, uma testa alta e um ar de quem ataca tudo o que lhe passa perto da toca. Pargo Portas.

 

No buraco que é a política portuguesa de agora, pensar que um peixe desses tem um mínimo de autoridade para poder vir a ser, um dia, um candidato credível à presidência da república, acaba por parecer normal. Mas não é. Portas é um peixote de águas turvas. Não tem, por isso, a visão que se requer. Nem a seriedade. É, isso sim, um perito em manhas e emboscadas, como os peixes que vivem nas cavidades dos rochedos.

 

Depois de escrever tudo isto, fico com a impressão que irão passar mais umas décadas antes da minha próxima sopa de cabeça de pargo.

Um miúdo chamado Portas

Dizem-me que Paulo Portas colocou na sede do seu partido, o CDS, um relógio especial. Tem como função contar as horas, os minutos e os segundos que faltam para que termine o programa financeiro que Portugal assinou com a chamada “Troika”.

 

Esta é mais uma criancice de Portas. É Portas igual a ele próprio.

 

Vinda do Vice-primeiro-ministro, trata-se, igualmente, de uma manifestação de hostilidade bacoca em relação a quem aceitou, mal ou bem, com muita ou pouca sagacidade, ajudar Portugal, numa altura em que as finanças públicas estavam de rastos.

 

Nunca entendi como é que gente com algum valor e com juízo na cabeça tem aceitado, ao longo dos anos, ter como chefe do seu partido um imaturo autoconvencido como Portas. O oportunismo político não pode explicar a coisa, pois os proventos em termos de cargos e de acesso que o CDS permite são raros e sem grande valor. Terá que haver uma outra explicação.

 

E essa explicação não pode estar baseada no valor de Portas. Não o tem. Terá que ver com a sua habilidade em controlar a máquina do partido, enquanto chico esperto que nunca deixou de ser.

 

De facto, a vida partidária portuguesa é feita de mistérios insondáveis.

O PS e Paulo Portas

No calor do debate em curso, sobre o Partido Socialista, as divisões no seu sei, as opções políticas, à esquerda ou à direita, alguém me perguntava hoje se seria possível pensar numa coligação dos socialistas com um ou dois partidos à sua esquerda. A resposta é simples: ser possível, claro que é. Se os resultados das próximas eleições o justificarem e se houver vontade e acordo entre os dirigentes dos partidos em causa, a possibilidade existe.

 

Trata-se, contudo, de uma possibilidade teórica. Não vejo a direcção socialista actual encarar uma tal hipótese. Também não consigo antecipar um acordo sobre um programa comum. E não acredito que o nível de confiança entre esses partidos seja suficiente para que possa permitir um entendimento e um mínimo de boa-fé entre eles.

 

Assim, as próximas eleições só podem levar a uma de duas: ou um dos paridos ganha uma maioria absoluta, ou então terá que haver uma coligação com a direita ou à direita. A maioria absoluta deveria ser o objectivo a atingir. Mas parece-me muito improvável. Resta-nos uma coligação à direita, o que no caso de uma vitória em minoria do PS acabaria por trazer o Paulo Portas de novo ao governo.

 

Paulo Portas, ouviram bem?

 

Teríamos então um PS preso às manhas políticas de Portas.

 

Um pesadelo, este país, por agora.

 

 

 

O aprofundamento da nossa crise

Como já havia deixado explícito neste mesmo blogue, há uns dias, a credibilidade financeira de Portugal está a perder terreno, na arena internacional. Está a atingir um patamar a partir do qual qualquer saída do buraco é extremamente penosa. Quem decide sobre estas coisas de emprestar dinheiro aos Estados pensa que a deriva política nacional, quer do lado do governo quer da oposição, vai levar ao agravamento da nossa situação de desequilíbrio orçamental. Irá mesmo provocar uma ruptura de pagamentos e do reembolso da dívida e dos juros.   

 

O momento exige uma liderança clara, inteligente e determinada. Infelizmente, do lado do governo, Paulo Portas e Maria Albuquerque não têm condições nem experiência para lidar com estas coisas. Não estão, de modo algum, à altura. Portas é um político especializado na politiquice e na intriga que definem a política nacional. Albuquerque é uma técnica sem perfil internacional. Não tem o calo necessário para estas coisas. Do lado da oposição, para além da algazarra dos extremistas, de vários bordos, mas unidos pelas mesmas ilusões e ideias irrealistas, temos um Partido Socialista que não percebe em que mundo nos encontramos e passa o tempo a falar do IVA da restauração e de uma Europa que virá por aí abaixo, cheia de solidariedade e de flexibilidade, pronta para nos salvar. É um partido dirigido por escriturários e advogados de província.

 

Que nos resta? Mobilizar os melhores, reinventar a política e tratar do país a sério. Com os pés assentes na terra, e os olhos virados para um mundo que é o de hoje e de amanhã, e não o Portugal do passado.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outra leitura do crescimento do PIB

A confirmação estatística de que o PIB português havia crescido no segundo trimestre deste ano não marcará o fim da crise. Mas é, no meu entender uma boa notícia que tem ainda o mérito de ser uma “vingança póstuma” do ex-ministro da Economia. Na verdade, algum crédito haverá que ser dado a Álvaro Santos Pereira.

 

A história deste ex-ministro ainda está por contar. Santos Pereira foi, desde o início do seu mandato, atacado por um grupo inspirado por Paulo Portas e pelo seu grupo de lacaios políticos. A comunicação social, sempre à procura de ruído e pronta a embarcar às cegas em campanhas que por vezes não entende nem sabe que interesses servem, aproveitou a boleia e lançou-se ao homem.

 

A verdade é que Santos Pereira foi um governante interessado em fazer coisas, em desfazer interesses instalados e em dar a volta à economia. Fê-lo com a inocência de quem de fora dos partidos e dos jogos de intrigas, convencido que, por ser ministro, tinha poder.

 

Esqueceu-se, no entanto, de várias coisas. De que em Portugal não vinga na política quem vem de fora e mantém uma posição independente. De que aqui não se dá autoridade nem respeito a quem não pertença às elites aristocráticas, ou maçónicas ou da Igreja. Ou às velhas famílias políticas do regime. Esqueceu-se também que temos uma economia de grandes empresas que se habituaram a viver à manjedoura do Estado. Quando se tenta cortar-lhes a ração, a resposta é a de dar coices. Não percebeu que para Portas, e o que ele representa, o controlo de parte da economia é vital para a sobrevivência do seu partido. E não entendeu que muita da nossa classe jornalística se deixa manipular, consciente ou inconscientemente, e vive do morder as canelas de quem por aí anda.

 

Assim, uma “vingança” de 1,1% de crescimento foi uma boa notícia. 

No limite da confusão

As funções do Vice-primeiro-ministro terão que ser definidas com clareza, para evitar choques de competência com a Ministra das Finanças e outros, incluindo os que giram à volta do Primeiro-ministro. As probabilidades de conflito já, por si, são grandes. Se se tiver em conta a personalidade do protagonista, passarão a ser muito maiores. Poderão, mesmo, entrar no campo da confusão e do confronto. 

Os negócios dos partidos

Vossas Excelências propõem a criação de um “Banco de Fomento”? Do tipo Caixa Geral de Depósitos, para financiar projectos sem asas nem hipóteses de serem rentáveis? Projectos dos amigos do partido e das cliques que vos rodeiam, como foi o hábito nos últimos vinte anos, em relação aos vários partidos de governo?

 

Projectos nos quais o sector privado não quer arriscar o seu próprio capital? Projectos que não conseguem financiamento nos mercados, por serem ideias coxas?

 

Disseram “Banco de Fomento”? Numa altura em que o imperativo é reduzir o número de bancos? E tirar o Estado dos negócios, que devem ser a responsabilidade do sector privado, nos momentos de ganho e também nos de perdas?

 

E o capital para constituir esse “Banco” virá donde? Dos impostos? De obrigações públicas?

 

Não acham que é uma ideia de outros tempos, quando o Estado era considerado um actor metido em negócios? Não se tratará de uma visão virada para trás e não para o futuro?

 

Quem vos anda a meter estas coisas na tola? 

Pela positiva, deliberadamente!

Estamos num momento que exige atitudes positivas e construtivas. Deixo, por isso, a crítica negativa para outros.

 

A declaração feita pelo Presidente da República terá os seus adeptos e os seus detractores. Mas tem, pelo menos, o mérito de pôr em evidência a gravidade da situação económica e social em que nos encontramos e de mostrar que não existem soluções simples nem tradicionais para a crise. Os partidos devem, de facto, procurar chegar a um compromisso alargado, tão amplo quanto possível. Um compromisso histórico para um momento histórico. Sem ressentimentos, com os olhos postos no futuro, não no passado. Ao responderem ao apelo, os dirigentes políticos terão a oportunidade de mostrar por que bitola vão querer ser medidos: a partidária, das vantagens de grupo e de clientelas, ou a do interesse nacional.

 

Um compromisso que deve igualmente mobilizar as organizações representativas dos interesses económicos e sociais, incluindo os principais movimentos sindicais. 

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