Portugal é grande quando abre horizontes

15
Dez 10

A missão operacional, no Chade, dos elementos do GOE da PSP ficou hoje concluída. Voltaram de N'Djaména num voo da ONU.

 

Desde inícios de 2008, houve cinco rotações, cada uma com 12 homens, o que permitiu a presença no terreno de cerca de setenta elementos da nossa polícia de operações especiais. A sua tarefa era a de assegurar a segurança pessoal da liderança da missão de paz das Nações Unidas naquele país e na República Centro-Africana. Essa missão, conhecida como MINURCAT, termina o seu mandato a 31 de Dezembro.

 

Foi uma contribuição muito apreciada pela ONU. Os nossos PSP mostraram um profissionalismo exemplar e uma capacidade de protecção a que as Nações Unidas não estavam habituadas. As equipas mantiveram, ao mesmo tempo, uma excelente relação com as autoridades chadianas. Impuseram respeito.

 

Portugal saiu pela porta grande e mostrou que tem condições para colaborar efectivamente em missões de paz da ONU. Além do GOE, houve vários oficiais e chefes da PSP que também estiveram no Chade, na mesma missão. O seu desempenho foi, igualmente, muito apreciado.

 

A participação neste tipo de missões multinacionais tem ainda a vantagem de abrir as vistas e a experiência de quem nelas participa. O fundamental é criar condições, na PSP, para que essas mais-valias possam ser partilhadas com os outros.

 

publicado por victorangelo às 20:58

07
Ago 10

Continuo a minha descoberta de um lado e do outro da fronteira. Como também continua, em Portugal, a saga triste da acusação pública, a procuradoria da república, que tem elementos que estão mais preocupados com questões de protagonismo e de imagem nos media do que com a isenção da justiça. São procuradores mais políticos do que objectivos. Disponíveis para fazer favores a quem manda.

 

Estão no sítio errado. Deveriam ser obrigados a sair da justiça e bater-se na frente partidária. A agir abertamente nos partidos de quem são tão amigos.

 

E os senhores do governo continuam a fingir que não vêem. A manter uma serenidade de estátua de pedra de granito perante uma problemática que diz respeito a uma função essencial do exercício do poder do Estado.

 

Convém-lhes. É que muitos anos de poder da mesma matiz deram para fazer entender aos senhores da acusação pública que é conveniente ser dócil para com o poder estabelecido. Faz bem às carreiras e à tranquilidade das suas vidas.

 

No Zimbabwe e no Chade, por exemplo, também é assim.

publicado por victorangelo às 22:03

22
Jul 10

A visita oficial do Presidente Cavaco Silva a Angola foi um sucesso. Conseguiu resultados concretos, nas áreas comerciais e dos interesses de Portugal. Certas concessões feitas pelos Angolanos so' foram possíveis por que foram solicitadas ao nível do Chefe de Estado. Assim se faz política externa, em países como Angola. Por isso, é importante organizar regularmente visitas ao mais alto nível.

 

Entretanto, com a cimeira da CPLP 'a porta, tem havido muita discussão sobre a eventual entrada da Guiné Equatorial para membro efectivo da Comunidade. Conheço relativamente bem o regime de Malabo. 'A partida, e' muito difícil justificar essa adesão. Por vários motivos, incluindo os ligados 'a língua portuguesa, enquanto idioma oficial. A decisão sobre esta candidatura vai certamente entrar para a história da ciência política.

 

De um modo mais geral, o parecer do Tribunal Internacional da ONU sobre a legalidade da declaração unilateral de independência do Kosovo, hoje dado a conhecer, abre novas ondas de choque em países com comunidades populacionais que aspiram ser independentes. Vai ser necessário muito juízo político para que Estados como a Espanha não entrem num processo ainda mais pronunciado de fragmentação e de crise civil.

 

Falando da ordem jurídica internacional, o Presidente Bashir do Sudão, contra o qual existe um mandato de captura, foi hoje a N'Djamena. O Chade e' um dos Estados signatários dos estatutos de Roma, que criaram as obrigações relacionadas com as decisões do Tribunal Penal Internacional. O mesmo tribunal que procura deter Bashir. O homem foi e regressou a Cartum, sem que nada lhe tenha acontecido. Não foi detido, não foi despachado para Haia. Terão ganho as relações bilaterais entre o Chade e o Sudão. Mas, perdeu a ordem jurídica internacional.

publicado por victorangelo às 22:02

06
Jun 10

 

Copyright V.Ângelo

 

A última missão que fiz no Chade levou-me ao deserto de Ouara, nas terras do Sultão de Ouaddai. Encontrei alguns dos habitantes. Sim, aqui vivem pessoas.

 

É uma zona de rara beleza, onde nos sentimos bem, mas com uma noção mais clara da nossa pequena dimensão. O deserto ensina-nos a o valor da modéstia.

publicado por victorangelo às 20:19

14
Abr 10

 

Gostava de convidar os leitores a ouvir a entrevista que a Antena 1 teve a amabilidade de me fazer. Está disponível em:

 

http://tv1.rtp.pt/antena1/index.php?t=Victor-Angelo.rtp&article=1857&visual=11&tm=16&headline=13

 

Com calma, falámos de política internacional, de interesses estratégicos e da resolução de conflitos.

publicado por victorangelo às 17:45

30
Mar 10

 

Copyright V. Ângelo

 

A isto se chama necessidades básicas. Faz-se o que se pode como se pode.

 

Tirei esta foto no campo avançado do contingente de capacetes azuis provenientes do Gana, numa zona da nossa área de operações em que os perigos têm sido grandes. É uma região perto da fronteira com o Sudão, a alguns quilómetros da cidade sudanesa de El-Geneina. O campo tem condições de vida muito rudimentares, como a fotografia revela.

 

Os homens são bravios nestas terras. Bandidos de grande porte e rebeldes de todas as cores circulam pelos caminhos áridos e rochosos. Para que os nossos soldados possam fazer as suas necessidades em paz é preciso muita vigilância.

publicado por victorangelo às 21:57

28
Mar 10

 

Copyright V.Ângelo

 

 

Este foi o meu carro blindado, durante dois anos, em N'Djaména.  Um carro que estava muito associado à minha pessoa. Que só saía comigo.

 

O meu motorista, Ousman Aballi, um Chadiano, foi treinado em Washington. Aprendeu a conduzir em situações de risco. Manteve sempre uma relação muito profissional com a equipa do GOE. E, tendo ouvido algumas conversas, que há quem goste de falar enquanto está a ser conduzido, foi sempre muito discreto, fingindo que não ouvia. Um homem grande. Um senhor de silêncios, que é uma das características de quem tem dimensão.

 

 

publicado por victorangelo às 20:30

22
Mar 10

 

A poeira entrou no nosso quotidiano. Vive-se com a obsessão do pó. A vida sabe a areia. O cheiro, é como um perfume seco que nos fecha as narinas e nos impede de respirar. Está tudo seco e meio parado, que este clima não dá para grandes saídas.

 

Entretanto, perto da minha residência, pelas 19:00, uma das nossas funcionárias foi bloqueada por um veículo de salteadores armados. Para roubar o carro, propriedade da ONU. Um todo-o-terreno, muito procurado, fácil de vender. Mais um veículo que se foi. Os bandidos começaram agora a perceber que é fácil atacar em N'Djaména e não se ser apanhado. É uma cidade com milhares de cantos, impossível de controlar. Um labirinto de areias deslizantes. Um pesadelo, em matéria de segurança.

 

As forças de reacção rápida da minha Missão chegaram ao local uns minutos depois. Mas o que a colega queria era apoio psicológico. Foi uma experiência de meter medo.

publicado por victorangelo às 20:45

16
Mar 10

 

Sigo de viagem para a Europa esta noite. Uma volta curta, apenas uns dias de ausência, antes de entrar na fase final de consultas sobre o futuro da missão de paz no Chade e na RCA. O Conselho de Segurança definiu, de um modo muito claro, os parâmetros desta nova fase de discussões.

 

Tudo isto abre um novo capítulo nas relações entre o Conselho e os países que beneficiam da presença de uma missão de manutenção da paz. Vão ser escritas teses sobre a matéria. A doutrina neste campo da lei internacional vai certamente ser influenciada pelo que está a acontecer à MINURCAT.

 

Só que, no meu caso, as coisas são bem mais terra-a-terra. Trata-se de tentar chegar a um acordo entre as partes. À partida, parece quase impossível, tal é a distância a percorrer. Neste caso, a distância não é a de uma viagem de avião, mas sim a que separa interesses bem opostos. Como acontece com muitas viagens, há o fascínio do desconhecido, mas também o receio a ele associado.

publicado por victorangelo às 19:55

15
Mar 10

 

 

Estou em Abeche para celebrar o segundo aniversário da MINURCAT e o primeiro da sua componente militar. Muito foi feito nos últimos dois anos. A segurança ao longo da fronteira e' hoje um facto. Os refugiados e as populações em geral confiam na nossa capacidade para as proteger.

 

Pronunciei dois discursos durante o dia, sobretudo para dizer que este investimento da comunidade internacional tem valido a pena.

publicado por victorangelo às 16:18

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