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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Trump e nós

O milionário das ilusões

            Victor Ângelo

           

            Donald Trump é o político de quem se fala. E, paradoxalmente, um político que nos faz pensar, que nos interpela. Digo isto, embora não seja, de modo algum, um fã. Antes pelo contrário! Há que reconhecer, porém, o sucesso da sua campanha eleitoral, que parece agora imparável do lado republicano, e tentar perceber as razões dessa popularidade. É igualmente importante que nos interroguemos sobre a possibilidade de um fenómeno semelhante poder surgir na paisagem eleitoral europeia.

            Uma boa parte do sucesso de Trump provém da prática de uma política de espetáculo. O homem é um artista que sabe de teatro, de palhaçadas e de exposição mediática. Não pratica a política do discurso chato e sinuoso. Não há aliás discurso, no sentido tradicional do termo, nem é claro que saiba articular um encadeado de ideias programáticas. Também não tenta. Vai de comício em comício, repetindo as mesmas frases simples e diretas, as mesmas palavras de empatia fácil com as audiências. É, embora a grande distância, uma edição bem mais popularucha e prosaica, um enorme exagero caricato do que foi a hábil campanha do próximo Presidente da República Portuguesa. Dá resultado, como se sabe.

            Trump não tem preocupações com o politicamente correto, nem porventura saberá o que isso é. Para mim, que passei décadas da minha vida profissional num ambiente em que primava e se cultivava a mesura do verbo e a diplomacia da frase, pode parecer-me uma falta imperdoável. Porém, para o cidadão comum, aparece como uma lufada de ar fresco. As pessoas querem entender o que os políticos dizem e Trump consegue explorar com mestria esse desejo. Como também sabe tirar vantagem da crescente rejeição popular das elites governativas, e dos intelectuais e outros círculos de influência que giram à volta do poder. Os sentimentos de desilusão e de impossibilidade de mudar a classe dirigente geram facilmente desespero, desnorte e revolta, nomeadamente junto de muitos dos que se sentem socialmente mais frágeis. O homem de quem se fala personifica essa ira e alimenta a esperança que o relacionamento entre os governantes e os governados possa mirificamente mudar.

            A globalização tem aberto oportunidades para muitos. Mas, para quem não tem as qualificações profissionais que permitam tirar partido dessas oportunidades, a globalização afigura-se como uma ameaça. Faz temer o futuro e cria um terreno fértil para os ultranacionalismos. Para muitos, na América como por cá, a liberalização das trocas internacionais e o crescimento dos sectores de ponta da economia significam empobrecimento, incerteza e mesmo exclusão. Tudo isto pode ser aproveitado por quem se sinta à vontade no campo da demagogia. Fala então de muros, de barreiras, da abolição dos acordos comerciais e do renascer da grandeza da nação. Trump sabe desbocar essas ideias descomplicadas com uma franqueza primária. E isso dá-lhe vantagem.        

             A base de apoio de Trump é conservadora e maioritariamente branca, com laivos racistas. Pode ir mais longe, ser mais alargada. Uma boa parte das explicações também podem atrair a massa de eleitores que circula ao centro e que vota umas vezes de um lado, outras do outro. São pessoas que partilham muitas das ansiedades e dos preconceitos a que acima aludo.

            E na Europa? Há espaço para que surja um Trump dos nossos?

            Claro que sim, podendo ser um radical quer à direita quer à esquerda. Estas coisas que dão votos aprendem-se facilmente. Pode é faltar o estilo e a postura de confiança que o americano projeta e que neste tipo de campanhas são questões essenciais. Sem elas, fica-se com uma imitação medíocre de um modelo já mau demais.

            E por falar em imitações falhadas, um dos nomes que vem imediatamente à lembrança é o de Nicolas Sarkozy. O antigo presidente francês quer voltar ao Palácio do Eliseu em 2017. A sua linha de atuação é básica e populista. Agarra-se demagogicamente a tudo o que possa dar votos, sem se preocupar com a coerência das suas posições. Mas não tem a prestança nem os recursos de Donald Trump. Contrariamente ao seu modelo americano, irá ficar para trás. É aliás o que já está a acontecer, nesta fase de aquecimentos, em preparação para as presidenciais francesas do próximo ano.

            Convém, no entanto, estar atento aos candidatos a líderes nesta nossa velha Europa. A demagogia floresce mais facilmente quando nos encontramos em alturas de crise. E a Europa está mergulhada numa crise profunda. Sem olvidar que a eleição de um fanfarrão na América só viria complicar ainda mais os nossos já muitos e graves apuros.

           

           (Texto que hoje publico na Visão on line)

Sobre o Brexit

            Cameron, um equilibrista sem rede

            Victor Ângelo

 

 

 

            Seria impensável não voltar a escrever sobre o Brexit. Trata-se de longe da questão mais importante da cimeira desta semana do Conselho Europeu. Depois disso, será a corrida para o referendo, previsto para finais de junho. Os eleitores britânicos terão na altura que se pronunciar sobre a permanência ou não do seu Reino na UE.

            Os chefes de estado e de governo deverão aprovar as soluções propostas por Donald Tusk há cerca de quinze dias. São razoáveis, inspiradas por uma vontade de se chegar a um acordo. Respondem, na medida do que é possível quando o que está em jogo é o consenso de 28 estados, às preocupações de David Cameron. E tudo isto deve ser dito de modo claro, pelos dirigentes dos estados membros.

            Não se pode, no entanto, ir mais além e abrir a porta a mais e mais concessões. O Reino Unido já está fora do Euro, de Schengen, das políticas comuns sobre a justiça, a segurança interna e as migrações. Ou seja, quando não lhe convém não aceita o princípio básico do projeto europeu, o da soberania partilhada. Tem, desta vez, que ficar claro que Londres não pode continuar a exigir sol na eira e chuva no nabal. É o momento da verdade. Ou o Reino Unido pega no que está agora em cima da mesa ou então, estaremos conversados. Já se gastou tempo e energia suficientes com um assunto que, à partida, era fundamentalmente um artifício de liderança partidária, um problema interno do Partido Conservador, e que acabou por se transformar numa ameaça muito séria à existência da UE.

            É sabido que muitos no Reino Unido consideram o acordo insuficiente. Dizem que Cameron está apenas a obter uma mão cheia de nada, simples vacuidades. Assim, para começar, iremos assistir este fim-de-semana ao esfrangalhar da unidade no seio do governo britânico. Um número significativo de ministros começará então a fazer campanha pelo Brexit, opondo-se deste modo à posição do primeiro-ministro. Esta cisão, reforçada pela que já existe no seio do grupo parlamentar conservador, e a vitória quase certa do voto pelo abandono da União, no referendo de junho, levam-me a pensar que David Cameron tem os dias contados, enquanto líder do seu partido e do governo.

            A rutura com a UE terá certamente um impacto económico negativo no PIB britânico. Mais grave ainda, uma votação contra a Europa voltará a colocar na ordem do dia a possibilidade da independência escocesa. O partido no poder em Edimburgo é europeísta. Se o campo do Brexit ganhar, os dirigentes da Escócia não perderão a oportunidade de reabrir o debate independentista. E o que foi uma derrota por poucos, em setembro de 2014, poderá tornar-se em breve num sim sem hesitações ao fim do Reino Unido.

            Seria um erro não falar dos riscos para o todo europeu. O mais perigoso, no meu entender, diz respeito à caixa de Pandora que o referendo britânico poderá abrir. Movimentos nacionalistas e partidos populistas, noutros estados europeus, poderão querer tirar vantagem política do precedente que se está a criar. Teríamos assim algumas tentativas oportunistas de referendos aqui e acolá, num jogo de demagogia e de luta pelo poder. Entraríamos, então, numa espiral incontrolável. E que seria aproveitada pelos inimigos, internos e externos, de uma Europa unida.

            Por tudo isto, a cimeira de Bruxelas tem que ser clara no tratamento do Reino Unido. E pôr um ponto final à discussão. Num clima como o atual, não deve haver espaço para mais hesitações. Quanto ao referendo, cabe a Cameron e aos seus compatriotas manter o equilíbrio até junho. E a melhor maneira de o conseguir, diz-nos quem sabe de coisas de circo e de política, é levantar o olhar e fixá-lo no futuro.

 

 (Texto que hoje publico na Visão online)

 

Onde se situam os europeus?

Será que os eleitores europeus estão cada vez mais conservadores?

Agora foi a vez da Polónia. Na primeira volta das eleições presidenciais, que ontem tiveram lugar, os dois candidatos da Esquerda, Magdalena Ogórek, que concorreu em nome da Aliança Democrática de Esquerda – o antigo Partido Comunista polaco – e Janusz Palikot, que teve o apoio dos socialistas e sociais-democratas, conseguiram apenas uma mão cheia de votos. A primeira teve 2,4% e Palikot não passou de 1,6%.

Estes resultados fazem da Polónia o país mais à direita da UE. É, igualmente, um dos mais nacionalistas e, ao mesmo tempo, um aliado seguro dos Estados Unidos. Tudo isto é importante se tivermos em conta o peso relativo do país no conjunto das instituições europeias – não digo isto apenas porque o polaco Donald Tusk é o Presidente do Conselho Europeu – bem como a sua influência nas questões de defesa europeias, uma ascendência que é maior do que parece.

Manobras eleitorais

As eleições britânicas vieram confirmar várias tendências, sobre as quais deverei escrever no próximo texto a publicar na Visão. Para já, quero apenas lembrar que a estratégia eleitoral dos Conservadores foi concebida e dirigida por um especialista australiano, Lynton Crosby, a quem o partido de David Cameron pagou uma fortuna. Crosby aproveita-se das divisões internas que possam existir no partido adversário. Explora-as de um modo muito hábil, acentua-as, de modo a fazer crer ao eleitorado que esse partido é um saco de gatos assanhados que não se entendem e em quem não se pode confiar, ou, pelo menos, um partido com uma liderança fraca, incapaz de se impor e que por isso não tem garras para dirigir o país. O objectivo último consiste em desgastar e descredibilizar a imagem do líder oposto. É uma táctica que é jogada, em simultâneo, de modo aberto e de maneira subtil, para aumentar a credibilidade dos ataques. Pressupõe a existência de uma equipa que, na sombra, só trata disso.

 

Ainda o Egipto

 

Na minha página da Visão que hoje foi posta à venda, volto a escrever sobre os acontecimentos no Egipto. Tinha que ser. O assunto continua a ocupar as grandes manchetes dos media. E tem havido, nos países ocidentais, quem tenha expresso profundas reservas e receios sobre o futuro do Egipto.

 

A minha tese principal defende que a mudança no Egipto deve ser encarada pela positiva. Não estamos em 1979, na situação que, na altura, prevalecia no Irão. Temos uma população bem informada, conectada com o mundo e com uma visão ampla das coisas da vida. É verdade que a Irmandade Muçulmana está bem organizada, tem uma vasta rede de serviços sociais, que toca a muita gente. Mas existem outras fatias da população que não se identificam com a Irmandade. A começar pelos militares.

 

Defendo também que esta é a última página da história colonial, no Médio Oriente. Depois da administração directa, pura e dura, tivemos várias décadas de controlo indirecto, à boa maneira anglo-saxónica. É essa fase que está, neste momento, em derrocada.

 

O meu texto pode ser lido no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/nao-ha-razao-para-pesadelos=f589462

 

Entretanto, Hosni Mubarak veio dizer-nos, esta noite, que não sai. Que vai continuar a ser o chefe, embora delegando poderes no Vice-Presidente.

 

Não se entende bem qual é a jogada em que esta cartada se insere, mas foi certamente uma mão terrivelmente arriscada. Amanhã, a rua vai estar cheia de gente. Com manifestações, por toda a parte, que não poderão deixar as Forças Armadas indecisas.

Os medos dos intelectuais conservadores

O Presidente do Egipto está por um fio. A autoridade do Estado deixou de ser exercida. Apenas a instituição militar se mantém de pé, mas ficou claro que não está disposta a agir contra a população. A nomeação de um Vice-Presidente não resolve nenhum problema. A personalidade escolhida é um fiel servidor de Mubarak. Tem influência nos serviços de segurança, mas esses serviços entraram em colapso total e já não pesam. Não tem, por outro lado, nenhuma influência nas Forças Armadas.

 

Houve, como seria de esperar, actos de pilhagem. Mas as populações e os militares estão a organizar-se, para que isso não se espalhe.

 

Entretanto, alguns blogs portugueses, de gente muito conservadora, já estão a ver fundamentalistas islâmicos em cada canto do Egipto. Começaram a aparecer, por estas terras lusas, os textos da intolerância e do medo. A aldeia sente-se cercada.

De padres e de políticos

O Cardeal-Patriarca, envergando a sua mitra de líder religioso, falou hoje sobre uma decisão política recente do Presidente da República. O homem da Igreja criticou o Chefe do Estado, através da Rádio Renascença, uma emissora católica portuguesa, por este ter homologado a lei que autoriza os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. As suas palavras tiveram um impacto político de alguma relevância. Podem, amanhã, ser exploradas ainda mais a fundo.

 

Nestas coisas de fé e de política, a melhor solução é a separação. Quando os políticos se metem na religião e os padres se perdem na política, estão ambos a contribuir para aumentar a confusão, que no nosso País, neste momento, já é bem grande.

As forças conservadoras num Portugal por modernizar

 

O Portugal político é ainda mais conservador que o Portugal sociológico.

 

Hoje, foi a vez da eutanásia. Foi posta na câmara fria. Os conservadores marcaram mais um ponto. Com a benção dos homens vestidos de negro.

 

 

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