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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Estar atento

A rentrée inicia-se de uma maneira curiosa. Neste início de Setembro, quem olha para o nosso país, a partir do exterior, vê duas coisas: uma certa serenidade, depois de um Verão que havia começado mal, do ponto de vista da instabilidade política; e um início de recuperação económica, graças à habilidade e criatividade de muitos dos portugueses.

 

Como recomeço das actividades, não é mau. Mas quando se entra mais a fundo no assunto, os de fora continuam a pensar que a classe política portuguesa é incapaz de – ou seja, não quer – levar a cabo as grandes medidas de reforma estrutural, quer ao nível do Estado quer ainda das grandes empresas do sector público. E pensam também que as tensões políticas continuarão a agravar-se nos próximos 12 meses.

 

Instados a dar uma opinião sobre a necessidade de um segundo resgate, acham que será necessário mas temem que certos parceiros europeus não aceitem que tal aconteça. Para esses parceiros, o esforço terá de vir de dentro, do lado de Portugal.

 

Bancos coxos

Os bancos portugueses estão numa situação periclitante. Os resultados negativos do primeiro semestre, que agora estão a vir a público, são apenas uma indicação do estado calamitoso em que a banca nacional se encontra. Cada novo anúncio de resultados revela, caso a caso, prejuízos de centenas de milhões.

A verdade é que não há actividade económica digna desse nome, sem contar com o crédito mal parado e as dívidas incobráveis.

 

Por outro lado, o negócio de comprar obrigações e títulos do tesouro portugueses aumenta a fragilidade estrutural da banca nacional, por se tratar de operações que são, tecnicamente, de alto risco. Mesmo que isso permita recolher uns juros interessantes, no curto prazo, a verdade é que os bancos internacionais acham que não revela boa gestão comprar dívida soberana de países como Portugal e olham para os bancos que o fazem como sendo imprudentes. Quer dizer, bancos com os quais não é conveniente fazer transacções de peso.

 

 

Estremoz

Almocei em Estremoz, numa passagem rápida pela cidade. No restaurante cinco estrelas com preço de duas estrelas éramos dois na sala. Disseram-me que à noite haverá mais gente. Assim o espero. É que a economia não pode estar parada nem continuar a fingir que turbina.

 

Ao fim e ao cabo, é a economia que conta. Será difícil entender isso? 

Hoje a janela da crise ficou fechada

Peguei no carro e como estava um dia lindo fui dar uma volta por Waterloo, Lovaina-a-Nova e Gembloux, a pequena cidade do sul da Bélgica que se tornou célebre, no passado, pela qualidade da sua Faculdade de Agronomia. São localidades bem organizadas, com um forte poder de compra, rodeadas de campos agrícolas bem cultivados e altamente produtivos. Viajar por essas terras faz esquecer a crise. A expressão “crise” não faz parte do vocabulário corrente dos habitantes dessas zonas. Haverá, nalguns casos, desemprego ou travagem económica. Mas, para o comum dos cidadãos, essas questões não surgem nas conversas do dia-a-dia nem são uma preocupação absorvente.

 

Ao regressar a casa, pensei quão distante estamos aqui de Portugal. 

Uma cimeira para nada, como de costume

A entrevista de Francois Hollande, sobre a Europa, que hoje foi divulgada em cinco jornais europeus de referência, precisa de ser estudada com cuidado. Nestas coisas, nunca é bom chegar a conclusões com base na aparência das palavras ditas. Voltarei, por isso, ao assunto. O que é verdade, desde já, é que a entrevista mostra existirem profundas divergências entre Paris e Berlim, no que respeita às soluções a preconizar para resolver as diferentes crises europeias. E que a cimeira da próxima semana não vai conseguir resolver. Será mais uma cimeira inconsequente. Isto é, logo à partida, uma má notícia para certos países, entre os quais Portugal. 

 

Também é uma má notícia perceber-se que os políticos portugueses não conseguem ter uma posição estratégica comum, que lhes permita negociar com clareza e medida com o resto da Europa. Para dizer a verdade, até parece mesmo que não têm posição alguma, quando se trata de abordar os nossos interesses num contexto europeu. 

Culturas

Existem salas de concerto e teatro em vários sítios e estão sempre cheias.

 

O guitarrista Jesse Cook e a sua banda deram hoje um grande espectáculo de rumba flamengo, como eles dizem, no auditório da Sala dos Congressos de Riga. Lotação esgotada, uma vez mais, num anfiteatro com mais de dois milhares de assentos. Os espectadores seguiram o concerto com grande interesse, mas, habituados ao respeito, não pulavam nem dançavam nos seus lugares. Tiveram que ser chamados à pedra, várias vezes, por Jesse. Então a calma do Norte transformou-se numa euforia do Sul. Embora mais contida. 

 

Já antes do espectáculo me havia sido dito que em 2008 o governo havia cortado os salários da função pública em cerca de 30%. A reacção foi a de aceitar sem fazer ondas, que por estes lados da Europa a disciplina cívica é entendida de outra maneira. 

 

Quando perguntei se já estão a sair da crise, quatro anos depois, a resposta também foi muito comedida. Sair, sair, talvez ainda não...

 

 

Há dias assim

A situação em Espanha continua a piorar, quer na frente política quer na económica. E a causar grande preocupação, no país e no resto da Europa. O nacionalismo catalão está a ser a gota de água que poderá fazer fazer transvazar o copo. 

 

A Itália vem logo a seguir, mais perto do que muitos pensam. Ontem, houve notícias pouco animadoras. Os juros da dívida pública chegarão aos 89 mil milhões de euros em 2013, um montante que assusta os mais ousados. Sem contar com o reembolso do principal e as outras necessidades de financiamento público para o próximo ano. Quanto a reformas, pouco ou nada, que o sistema político está paralisado.

 

E a França continua num plano inclinado. No sentido errado, claro. O presidente e o governo não parecem estar à altura dos desafios. 

 

Entretanto, os jornais da Bélgica dizem-nos que cada dia que passa vê chegar mais franceses "ricos" a Bruxelas, como "exilados de fortuna". Em média, vendem-se seis novas casa por dia, neste momento, a famílias francesas que procuram "refúgio" em Bruxelas. Todas as vendas em patamares superiores a 500 000 euros. 

 

Em Portugal, por seu turno, é o que se sabe. Ontem, foi a câmara municipal de Évora - uma administração com cerca de 900 funcionários num concelho que não tem 50 000 habitantes - a dizer que está confrontada com mais de 30 milhões de dívidas a curto prazo, sem ter dinheiro para as pagar. É apenas um exemplo.

 

A nossa economia não só não arranca como se está a contrair rapidamente. Não há investimento. O país deixou de ser atractivo para os investidores de longo prazo, os que criam empresas, postos de trabalho e riqueza. Não é um problema de salários, como por aí se diz, nem uma questão de rigidez do mercado de emprego. É pura e simplesmente porque certas instituições do estado não funcionam como deveriam, como a justiça, e também por se prever uma séria degradação do clima social, da ordem pública e da segurança interna, bem como do poder de compra, sem esquecer a imprevisibilidade do sistema fiscal e as complicações burocráticas sem sentido. É a espiral da falência, em que uma coisa arrasta a outra. Ninguém investe num país que perde. 

 

Estamos num estado em risco de derrocada, creio que não haverá dúvidas.

 

Nestas circunstâncias, que fazer?

Espanha, a pensar em Portugal também

O texto que publiquei quinta-feira na revista Visão está agora disponível on-line:

 

http://visao.sapo.pt/a-encruzilhada-espanhola=f685850

 

Convido à sua leitura.

 

Entretanto, a confusão à volta da Espanha chegou hoje a um novo patamar. Os Alemães dizem que Madrid não precisará de ajuda, os Franceses querem que Rajoy peça o resgate o mais rapidamente possível. 

 

Numa discussão que tive sobre a Espanha, esta manhã, um alto responsável de Madrid dizia-me que na Catalunha os Mozos de Esquadra, que é o equivalente da Guardia Civil na região, ganham quase duas vezes mais do que os seus colegas da Guardia, no resto de Espanha. Com autonomias assim, não haverá resgate que chegue...

 

 

 

Sem bater no fundo

A opinião pública é um campo de batalha política.

 

As medidas ontem anunciadas pelo primeiro-ministro abriram uma nova confrontação nos mais diversos órgãos da comunicação social. E os partidários do primeiro-ministro estiveram, ao longo do dia, ausentes deste campo de batalha. Se eu fosse o chefe dessa hoste ficaria muito preocupado. Muito, mesmo. 

 

Ou estaremos perante medidas indefensáveis?

 

Entretanto, alguém me dizia que estamos, com estas novas medidas, a bater no fundo. Respondi, baseado no que vi noutros países, ao longo da minha vida profissional, que não é bem assim. Que nestas coisas de crise nacional há sempre maneira, infelizmente, de ir mais ao fundo. E nós parecemos ter entrado nesse tipo de processo. 

 

Mas não é inevitável. A questão é simples: como dar a volta à situação? A resposta é que é bem mais complexa. Cabe a todos nós encontrá-la. 

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