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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O toque do despertador

Quando me desloco ao Luxemburgo, o hábito é almoçar no restaurante La Boucherie, no centro da cidade, na Place d’Armes.

 

No passado, arranjar mesa era uma questão de sorte, empurrado para um canto de uma das salas, tudo cheio, ou então, fazer uma refeição mais tarde, já perto das 14:00 horas. Este ano, as coisas estão diferentes. Das duas ou três vezes que lá fui, notei que a casa funciona a meio gás. Escolhe-se a mesa que se quer e os empregados dizem muito obrigado. Os jovens quadros, das empresas financeiras e dos bancos que definem esta parte cidade, desapareceram da Boucherie e dos outros restaurantes das redondezas. Muitos talvez até tenham perdido os seus empregos. Mas a maioria come agora de pé, na rua, depois de ter comprado uma sandes, que têm aliás um excelente aspecto. Não será, todavia, por razões de aspecto…

 

Nesta última visita dei comigo a pensar que afinal havia muita gente por essa Europa a viver acima das suas possibilidades…

Uma cimeira para nada, como de costume

A entrevista de Francois Hollande, sobre a Europa, que hoje foi divulgada em cinco jornais europeus de referência, precisa de ser estudada com cuidado. Nestas coisas, nunca é bom chegar a conclusões com base na aparência das palavras ditas. Voltarei, por isso, ao assunto. O que é verdade, desde já, é que a entrevista mostra existirem profundas divergências entre Paris e Berlim, no que respeita às soluções a preconizar para resolver as diferentes crises europeias. E que a cimeira da próxima semana não vai conseguir resolver. Será mais uma cimeira inconsequente. Isto é, logo à partida, uma má notícia para certos países, entre os quais Portugal. 

 

Também é uma má notícia perceber-se que os políticos portugueses não conseguem ter uma posição estratégica comum, que lhes permita negociar com clareza e medida com o resto da Europa. Para dizer a verdade, até parece mesmo que não têm posição alguma, quando se trata de abordar os nossos interesses num contexto europeu. 

Uma leitura do Nobel da Paz

A atribuição à União Europeia do Prémio Nobel da Paz 2012 pode ser discutida sob vários ângulos. Aprovada ou reprovada, objecto de escárnio ou de celebrações. Mas, para mim, depois de ler as razões da decisão, e de interpretar as entrelinhas, a mensagem é simples e clara: o Comité do Nobel está preocupado com as divisões, as fracturas, que hoje existem na UE e que ameaçam o seu futuro. Por isso, lembra aos líderes e povos europeus que a União é fundamental para a paz e a estabilidade na Europa, numa altura em que os riscos de implosão do projecto comum são reais e próximos. 

Horizontes

A crise fecha-nos os horizontes. Ora, sem uma visão ampla das possibilidades não há saída. Não podemos deixar que nos limitem as vistas e nos cerceiem as opções. 

 

Entretanto, foi uma boa notícia saber que a decisão do Tribunal Constitucional alemão é favorável ao mecanismo europeu de apoio financeiro. 

 

Mas as más notícias continuam a predominar. A enorme manifestação na Catalunha pela independência é uma demonstração massiva contra a solidariedade entre as regiões de Espanha. O valor da solidariedade está a ser atacado em todas as frentes, por essa Europa fora.  As eleições de hoje na Holanda poderão ser um outro sinal no mesmo sentido. Veremos.

Taxas de juro negativas

Quero registar que os seguintes países da UE emitem actualmente dívida pública com uma taxa de juro negativa, ou seja, os mercados acabam por pagar para lhes emprestar dinheiro:

 

- Alemanha

 

- Bélgica

 

- Dinamarca

 

- França 

 

- Holanda

 

Ou seja, vivemos na verdade numa União Europeia a velocidades variáveis. É possível manter uma União se não existirem mecanismos compensatórios entre os Estados?

A crise tem as suas histórias

Voltando ao tema da crise, soube-se hoje que a população belga tinha, nos finais de Julho último, 229 mil milhões de euros guardados em depósitos de poupança. Em um ano, o valor das poupanças das famílias registado nos bancos - não se sabe quanto está escondido debaixo dos colchões, nem quanto está em contas fora do país - aumentou de 10 mil milhões de euros. 

 

O valor dos depósitos de poupança é muito elevado e continua a crescer, por causa da crise. Sim, por causa da crise. As famílias estão com medo do futuro e poupam mais. E, por outro lado, não estão a investir as suas poupanças em acções e obrigações, por falta de confiança na economia global e, especialmente, na europeia. 

 

Entretanto, também durante o mês de Julho, a população espanhola retirou dos bancos cerca de 75 mil milhões de euros. A principal razão tem que ver com a pouca confiança na solidez do sistema bancário nacional.

Pesadelos italianos

O jornal italiano Corriere de la Sera revela que a Itália comprou menos carros novos em Agosto. A quebra, que é de mais de 20% em comparação com o mesmo mês de 2011, confirmou uma tendência para a baixa que se iniciou há nove meses. Neste momento, vendem-se tantos veículos novos como se vendiam em 1964. 

 

Este é um indicador importante. Outro indicador mostra que os fundos e os investidores estrangeiros têm vindo a sair da dívida pública italiana. Hoje apenas 30% dessa dívida está em mãos estrangeiras. Só que 30% representam 492 mil milhões de euros, um montante astronómico. Se a dívida da Itália entrar em derrapagem, o impacto externo será, por isso, enorme. Mas será ainda maior para o povo italiano. O total da dívida pública do pais é agora estimado em 1 648 mil milhões de euros. Há, assim, muitas razões, milhares de milhões de razões, para que haja muita gente por essa UE fora profundamente preocupada. 

Em Palencia

Fim de dia em Palencia, no nordeste da Espanha. A conversa é sobre as condições impostas pela UE relativas ao apoio ao sistema bancário do país. Apesar da retórica e das fanfarronices de Mariano Rajoy, a verdade é que se tratam de medidas de fundo e sob a supervisão apertada das instituições europeias. 

 

Vou ver com mais cuidado. Entretanto, as notícias vindas da Alemanha, pela manhã, não são animadoras. A corrente de opinião desfavorável à Europa do Sul é cada vez maior e ganha cada dia mais preconceitos.

 

 

A cimeira dos espelhos e jogos de sombras

 

Em Bruxelas, está a decorrer a cimeira dos ilusionistas. A minha maneira de ver é muito simples: remar contra a maré não leva a parte alguma. Há que reconhecer o estado a que as coisas chegaram.

 

Também não estou de acordo com Barroso, que disse que esta cimeira representava um momento decisivo, a expressão inglesa que utilizou...a defining moment...é inapropriada. Ainda não estamos lá. Continuamos a adiar a solução dos problemas. 

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