Portugal é grande quando abre horizontes

27
Fev 11

A capacidade de gestão de crises, bem como a capacidade de resposta rápida às crises humanitárias, são duas áreas em que a fraqueza das instituições europeias é bem clara. Tratam-se, no entanto, de matérias comunitárias, em que uma actuação conjunta faz sentido.

publicado por victorangelo às 10:38

26
Fev 11

 

Copyright V. Ângelo

 

Por que será que este pássaro me faz pensar na burocracia da União Europeia? Ou será que me faz pensar na competência dos líderes da máquina de Bruxelas?

publicado por victorangelo às 17:45

20
Jan 11

Ontem estive no Porto, para fazer um palestra pública sobre as questões de Segurança Humana e Nacional. Foi uma iniciativa do Instituto de Defesa Nacional. O Instituto tem uma direcção dinâmica, ainda em princípio de funções, que tem levado a cabo iniciativas interessantes, com o apoio de quadros superiores bem preparados e com empenho. É um instituto que abre a porta a debates corajosos e procura recolher opiniões diversas, para ajudar o Ministério da Defesa na tomada de decisões.

 

A conferência decorreu no auditório de uma das fundações sediadas no Porto, a Eng. António de Almeida. Esta fundação tem condições de trabalho e de logística muito boas. Está situada numa zona privilegiada da cidade.

 

A imprensa deu algum destaque ao debate. Só que confundiu "debriefing", o processo de recolha de informações e de experiências, após uma campanha de terreno, com "briefing". O "briefing" faz-se antes da partida para o teatro de operações, de modo a dar uma panorâmica geral, informações genéricas de base, a quem vai estar na frente de combate.

 

Foi curioso ver gente vinda de Aveiro, Lamego e de Vila Real, de propósito, para estar presente na palestra. Como também foi interessante notar a importância dada à capacidade de resposta às calamidades e desastres naturais. Existe uma preocupação sobre o assunto. Muitos pensam que é uma ameaça importante, incluindo no nosso país, e que não se dá atenção suficiente aos meios necessários para uma resposta rápida, em caso de crise. Como também se pensa que a União Europeia não está equipada para responder eficazmente a este tipo de problemas.

publicado por victorangelo às 21:02

16
Dez 10

Escrevo na revista Visão de hoje um texto sobre uma possível crise civil e humanitária no Sudão.

 

Creio que é fundamental chamar a atenção dos líderes da comunidade internacional.

 

O referendo no Sul do país vai ter lugar a 9 de Janeiro. Assim fora acordado quando a paz entre o Norte e o Sul foi assinada, em 2005. O Sul vai certamente votar pela independência. O Norte parece resignado. Não tem muitas outras hipóteses, para além de aceitar a decisão popular.

 

Mas há um problema que não está resolvido. É o da região de Abyei, uma zona de transição entre as duas metades do país. Também aí deveria haver um referendo em Janeiro de 2011. Mas Cartum e Juba não se entendem. O recenseamento eleitoral não teve lugar. As populações estão revoltadas e há armas em várias mãos milicianas.

 

O potencial de um conflito armado existe.

 

Cabe à comunidade das nações ajudar as duas partes a ultrapassar esta situação explosiva. Caso contrário, haverá muito sofrimento humano.

 

O texto está disponível:   http://aeiou.visao.pt/abyei-sudao-urgente=f582961

publicado por victorangelo às 21:09

18
Ago 10

O Presidente da Comissão Europeia, JM Barroso, respondeu à carta que recebera de N Sarkozy e que mencionei no poste de ontem. 

 

A resposta, bem articulada, lembra que a UE foi a primeira instituição que disponibilizou fundos e volta a acentuar o papel da Direcção Geral ECHO, a estrutura de trabalho humanitário, na coordenação das intervenções europeias. Refere ainda que a utilização de meios militares na área da logística humanitária, uma sugestão feita pelo Presidente francês, tem que obedecer a critérios muito estritos. A intervenção humanitária é sempre muito arisca a uma qualquer associação com meios militares. Contra, para ser mais preciso. Tive várias vezes a oportunidade de o notar, no meu trabalho de campo.

 

A questão é que a Comissão não tem gerido bem a parte relações públicas da sua resposta de urgência. Sobretudo numa crise marcante, visível, como esta do Paquistão. Ainda hoje, e um bocado por influência da carta do Presidente Sarkozy, tivemos um exemplo disso: 30 milhões de euros de ajuda suplementar, a juntar aos 40 que já haviam sido aprovados, foram decididos esta manhã. Mas quem ouviu falar disso?

 

A 23 de Agosto, a Comissária Kristalina Goergieva, a responsável pela pasta humanitária, visita o Paquistão. Dir-se-ia que mais vale tarde do que nunca. O que é indiscutível é que já deveria ter feito essa viagem. Agora, parece que vai a mando, ou por medo, de Sarkozy.

 

Não haverá no gabinete do Presidente da Comissão quem pense nestas coisas de modo um pouco mais atento, rápido e com a oportunidade estratégica necessária?

publicado por victorangelo às 18:46

17
Ago 10

Nicolas Sarkozy não morre de amores por JM Barroso. Acha que o nosso compatriota tem pouca genica, menos espírito prático e nada de liderança. São opiniões, claro.

 

Nicolas acaba de lhe pregar mais uma partida. No Domingo, dia 15 -- sim, no Domingo, que Nicolas gosta de mostrar que não dorme na formatura, nem trava o seu ímpeto em Agosto -- escreveu ao homem de Bruxelas, a dizer que a Europa deveria fazer mais e melhor, e sem demoras, para responder à grave crise humanitária que se vive -- e de que se morre -- no Paquistão.

 

A carta continha ainda umas farpas relacionadas com a fraca resposta europeia, no caso do Haiti, e com a falta de iniciativa, de ajuda, quando a Rússia se defrontava com os fogos.

 

Mais. Como já mencionei num poste recente, Sarkozy constatava, igualmente, que a Europa ainda não tem uma capacidade adequada de resposta às catástrofes naturais e às urgências humanitárias. Acrescenta que a França vai apresentar um certo número de propostas para que essa capacidade seja estabelecida.

 

A carta fez mossa, em Bruxelas. Imagine-se.

publicado por victorangelo às 21:36

11
Ago 10

Começou o mês do jejum muçulmano, o Ramadão. Quando o Ramadão cai num período de Verão, a penitência é mais difícil. Sobretudo, por não se poder beber durante as horas do dia.

 

 Este ano, um dos países islâmicos de maior população, o Paquistão, está a atravessar uma grande crise interna, que põe em jogo a sobrevivência de cerca de 14 milhões de pessoas. As chuvas torrenciais têm sido de uma intensidade extrema. As cheias, que daí resultaram, destruiram o modo de vida de populações que, já à partida, viviam em condições de grande pobreza e precariedade. Nem dá para pensar no Ramadão.

 

Há outras regiões do país que também poderão ser afectadas.

 

Trata-se de uma situação de urgência humanitária de grande envergadura. É preciso mobilizar muitos meios.

 

A ONU lançou hoje um apelo humanitário de 460 milhões de dólares, para que se possa ajudar os que estão em risco. As primeiras indicações são de que a resposta ao apelo vai ser diminuta e demorada. Para já, apenas quatro países estão a responder. A UE, para além de uns meros 5 milhões de euros que prometeu disponibilizar, está a mostrar, uma vez mais, que a ECHO, a organização humanitária da UE, e as estruturas de resposta a crises não funcionam com a celeridade que seria de esperar. Nem são eficientes. Nem na resposta às cheias na Polónia e na Alemanha, nem no caso dos incêndios em Portugal -- seria a altura ideal para mostrar que existe uma visão mais ampla de combate às catástrofes, juntando os meios de vários Estados, vendo a catástrofe como um problema transnacional e não apenas nacional. Quanto mais na ajuda a um país distante, de gente com uma cultura estranha, homens com ar de extremistas religiosos, de barbas e cara de poucos amigos do Ocidente.

publicado por victorangelo às 21:50

31
Jul 10

 

Copyright V. Ângelo

 

Para não esquecer que o mundo é maior do que nós.

publicado por victorangelo às 21:15

28
Jul 10

Depois do terramoto, teve lugar uma reunião de doadores. As promessas foram muitas, os anúncios de ajudas chegaram aos milhares de milhões.

 

Seis meses passados, apenas a Austrália, o Brasil, a Estónia e a Noruega cumpriram o que haviam prometido. As suas contribuições estão já a ajudar o Haiti. Os outros países, incluindo Portugal, não honraram ainda a sua palavra.

 

No total, apenas 10% do que fora anunciado na conferência de doadores foi efectivamente posto à disposição da reconstrução do Haiti. O resto vale o que valem as palavras ocas de governos que, depois do espectáculo, passam à frente e esquecem o que haviam dito.

 

Assim se está a fazer política internacional. 

publicado por victorangelo às 21:33

19
Jun 10

A tragédia do Quirguistão tem passado relativamente despercebida. Estamos numa altura de muitas notícias, do futebol ao desaparecimento do gigante literário que foi Saramago, com mais uns Pereiras pelo meio e umas mentiras que não cabem em nenhum saco, todos os partidos com receio de contribuir para a queda do Governo, que, coitado, anda de rastos, e mais espaço não sobra. Os media não são supermercados da informação.

 

O Quirguistão é duas vezes maior que Portugal. Tem cerca de 5,5 milhões de habitantes, encontra-se perdido numa das zonas geopolíticas menos estudadas. Mas é uma das zonas que se está a tornar estrategicamente muito importante. Na vizinhança do Afeganistão e do Paquistão, via de trânsito do ópio, alfobre de recrutamento de fundamentalistas, às portas de regiões muito instáveis da China, tudo isto tem que ser tido em conta.

 

 Se cerca de um milhão de pessoas foram, de facto, afectadas pela crise e obrigadas a fugir das suas áreas de residência, temos aqui um problema humanitário a sério. E uma questão política de grande complexidade.

publicado por victorangelo às 20:55

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