Portugal é grande quando abre horizontes

19
Abr 13

Dados revelados ontem pelo instituto francês de sondagens de opinião Ifop mostram que a credibilidade política do Presidente François Hollande continua a diminuir. Um dos pontos fracos, segundo a opinião pública, terá que ver com a falta de autoridade de Hollande. Apenas 14% dos inquiridos consideram que o presidente tem a autoridade necessária para se impor como líder do governo.

 

Esta é certamente uma questão primordial para quem tem a autoridade formal mas não consegue traduzi-la em poder político. O resultado é a falta de confiança generalizada na capacidade do presidente numa altura de crise. Gera-se, assim, a impressão que a mão que segura o leme não tem a firmeza necessária. Isso significa, para o comum dos cidadãos, que a crise de hoje será o naufrágio de amanhã.

 

Se se colocasse tudo isto contra um pano de fundo pintado com as cores actuais de Portugal, que paralelismos viriam à mente? 

publicado por victorangelo às 21:30

18
Abr 13

Termino o dia a pensar que muitos de nós não entendemos bem a situação em que Portugal se encontra.   

publicado por victorangelo às 21:40

17
Abr 13

O encontro de hoje entre a direcção do governo português e o secretário-geral do Partido Socialista durou mais de noventa minutos. Pode não ter havido qualquer concordância de pontos de vista. Mas que houve muita conversa, isso ninguém pode negar. Em noventa minutos discute-se muita coisa. E, mais cedo ou mais tarde, terá que ser a falar que nos entenderemos. O país precisa de mais encontros deste tipo. O diálogo não conduz de imediato a acordos. Mas é o caminho do futuro. 

publicado por victorangelo às 21:34

14
Abr 13

Continuo com a impressão que muita gente não entende ou talvez não queira entender que a situação em que Portugal se encontra – gravíssima – tem raízes profundas. Não vem de agora nem do passado recente, mas sim de um acumular, ao longo de décadas, de erros políticos e de fraquezas estruturais.

 

Por isso, quem pensa que a situação se resolve com mais do mesmo e sem modificações profundas na nossa maneira de organizar a vida pública, a economia e a sociedade, está bem enganado. Ou, simplesmente, não tem a coragem necessária para dizer a verdade.

 

Como também anda de olhos fechados quem pensa que isto se resolve em meia dúzia de anos, digamos, numa década. Convém, no entanto, começar a tratar das questões quanto antes…

 

É igualmente falacioso acreditar que a solidariedade europeia, se for restabelecida, será a solução dos problemas. É verdade que precisamos dos outros. Mas a história dos anos que se seguiram à adesão de Portugal à União Europeia mostra que a solidariedade, que nessa altura existiu, não é suficiente para resolver os nossos défices estruturais. É preciso um empenho nacional e uma direcção política esclarecida e patriótica.

 

Sem o nosso empenho a sério e sem uma classe política à altura, o atraso vai continuar a ganhar raízes mais vastas e mais profundas.  

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:33

11
Abr 13

Voltando ao tema de ontem, o da loucura perigosa que diz “não pagaremos!”, queria acrescentar uma nota mais. Sobre uma falácia perigosa, que é a da “ida ao mercado”, à procura de fundos, fora dos empréstimos da Tróica.

 

Com a dívida pública portuguesa classificada como “especulativa” – “lixo” na linguagem mais comum – pelas agências de notação, os únicos a ir ao mercado connosco, para adquirir títulos do Estado português, serão os investidores de fundos especulativos, do tipo comprar hoje para vender amanhã.

 

Os investidores institucionais, de longo prazo, como os fundos de pensões e os bancos não estão autorizados por norma a comprar dívida pública como a nossa, tipo “lixo”. E não o fazem, sobretudo depois das experiências da Grécia e de Chipre. Mais. Estatutariamente, pelas regras dos investimentos institucionais, têm que se desfazer rapidamente dos títulos de dívida portuguesa de que ainda possam ser detentores. É isso que têm estado a fazer nos últimos tempos. Chama-se a isso deixar de estar exposto ao risco que Portugal representa. Que é considerado enorme.

 

Ou seja, a ida aos mercados, enquanto as coisas não mudarem, fará pouco sentido. Pode ser apresentada pelo governo como um sucesso. Mas não o será, se não for acompanhada por uma revisão da nossa notação. Estranho que ninguém responda isso ao governo.

 

Que fique bem claro, então, que as nossas necessidades de financiamento de médio e longo prazo estão dependentes da nossa relação com a Tróica. Que deve ser firme e, ao mesmo tempo, previsível e feita com seriedade.

 

Quem diz, “não pagaremos!”, não sabe o que diz ou então, como disse ontem e repito hoje, é um incendiário. E todos os incendiários são criminosos.

 

 

publicado por victorangelo às 21:28

10
Abr 13

Corre por aí a ideia que “quando não há dinheiro, não se paga”.

 

É verdade que quando alguém deixa de ter meios deixa igualmente de poder pagar as suas dívidas ou empréstimos. Também se sabe quais são as consequências de uma situação dessas, em termos de acesso a novos créditos e outros aspectos da vida quotidiana, que impliquem transacções em dinheiro e pagamentos.  

 

Neste caso, o melhor é negociar com os credores e conseguir um reescalonamento da dívida, mesmo tentar um perdão total ou parcial. Ou, para quem tem uma tia rica no Brasil, pedir à velha que abra os cordões à bolsa. Só que, tias no Mato Grosso, há poucas e os sobrinhos são muitos.

 

Um país – Portugal, por exemplo – não é exactamente comparável à vida de uma família. Sou, aliás, dos que se opõem a que se compare um país e as suas contas públicas à situação de uma família tipo. Mas, neste caso, um certo paralelismo seria possível. Se Portugal não tem dinheiro para pagar as suas obrigações – sobretudo as externas – a melhor resposta é a de negociar. Nunca seria a de dizer que não paga. A decisão de não pagar, tomada unilateralmente, levaria à insolvência internacional, à exclusão do país de toda uma série de mecanismos financeiros e comerciais internacionais. Seriamos tratados como um estado pária.

 

Por isso, quem anda por aí a dizer que não devemos pagar, pura e simplesmente, só pode dizê-lo para radicalizar ainda mais um ambiente que já está a ferver. Se, ainda por cima de tudo, for uma pessoa grande a dizê-lo, temos que responder sem hesitações que assim não iremos mais longe do que ao caos generalizado.  

publicado por victorangelo às 18:00

06
Abr 13

No seguimento do que escrevi ontem, queria deixar claro que não compreendo a euforia politica que a decisão do Tribunal Constitucional tem criado, nalguns sectores da nossa opinião pública.

 

A decisão, cujos méritos não ponho em causa, tornou claro que existe uma profunda crise política em Portugal. O governo ficou com uma autoridade fortemente abalada. A oposição, por seu turno, e por si só, não parece ser alternativa. Mas, mais importante, vamos ter que encontrar argumentos de peso para que possamos ter uma negociação efectiva com os representantes dos nossos credores, numa altura em que a nossa economia não responde, a opinião pública não aceita as reformas do Estado que são necessárias, e as receitas fiscais ficam muito aquém das despesas que esperamos o governo faça.

 

Tudo isto num contexto europeu que é muito pouco flexível, numa altura francamente desfavorável, em que quem decide, na Europa, não está disposto a fazer concessões. Antes pelo contrário. Quem manda pensa que chegou a hora da verdade, das clarificações, da separação do trigo do joio, de refundação da Europa.

 

Ou seja, estamos, isso sim, a viver uma crise nacional profunda. Que não se compadece com euforias. Nem com ligeirezas. Nem clubismos. Nem ódios pessoais. Exige, sim, um vasto movimento de unidade e muita chama patriótica. Como também pede gente firme, que seja capaz de falar com a Europa de maneira que possamos ser ouvidos.

 

O oposto da euforia não é ansiedade. A verdadeira alternativa passa pela mobilização de todos nós. 

publicado por victorangelo às 20:47

05
Abr 13

Conhecida agora a decisão do Tribunal Constitucional sobre certas normas do Orçamento Geral do Estado para 2013, e tendo em conta o clima político actual na Europa, que deixa pouco espaço para manobras, caberá ao governo de Portugal, seja ele qual for, reorganizar as contas públicas deste ano, de modo a manter o défice dentro de limites que sejam considerados aceitáveis pelos representantes dos credores exteriores. E, claro, dentro das normas constitucionais.

 


publicado por victorangelo às 21:54

03
Abr 13

Temos em circulação, nesta cidade de Lisboa, um novo “manifesto”, subscrito por mais de setenta personalidades. O que sei deste documento -"Despesa Pública menor para um Futuro melhor"- é positivo. Vale a pena ler, tem ideias e informação.

 

Mas, na situação actual, há que ter em conta duas ou três preocupações.


Quem subscreve estas coisas deve ter um mínimo de credibilidade social e política. Quem assina agora, a propor o que não fez no passado, quando tinha poder político, perde peso e impacto. Abre a porta à crítica fácil. Fragiliza o projecto.

 

Depois, há que ser abrangente. Não podem ser sempre os mesmos e apenas os mesmos, nem ser apenas gente de uma tendência política, sem abrir espaço e cooperação a quem representa outros horizontes. Deve haver moderação, é verdade, e preocupação patriótica, assim será igualmente, mas estas características encontram-se hoje à direita e à esquerda do horizonte político nacional.

 

Abrangência é essencial, nesta fase da nossa vida colectiva. Há que congregar, que para nos dividir já temos políticos que bastam.

 

Mais ainda, é fundamental colocar o enfoque na modernização do Estado e da economia. Um Estado que responda às necessidades dos cidadãos e uma economia que gere emprego, oportunidades, valor e qualidade. Sem esse tipo de economia não há maneira de ter um Estado funcional. Nem de sair da crise. 

publicado por victorangelo às 20:44

02
Abr 13

A vida política portuguesa precisa de construtores de consensos. Não precisa de mais bairristas, de mais caceteiros, de mais pirómanos, nem de mais extremistas.

 

Quando se irá entender isto?

 

publicado por victorangelo às 20:10

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