Portugal é grande quando abre horizontes

14
Jan 13

Cheguei à conclusão, mais uma vez, depois da discussão estratégica de hoje, que as grandes mentes são as que sabem colocar as questões que contam, as interrogações que tocam no cerne dos problemas. São as que são capazes de identificar as questões que, se resolvidas, transformam uma sociedade.

 

Temos que aprender com essas pessoas e, nos momentos importantes, nas alturas de crise, saber decidir quais são as perguntas que interessam. Depois, é uma questão de nos focarmos na resposta, tão completa quanto possível, a cada uma dessas perguntas. 

 

Já dizia o velho Descartes, o pensador da interrogação metódica que vale sempre a pena ler, que "Dubium sapientiae initium", que a dúvida está na origem da sabedoria. Ou, como dizia um amigo meu, que estudou em Oxford, a primeira coisa que convém aprender é como pôr em causa as ideias feitas. No Alentejo, diriam "aprender a evitar a carneirada".

 

publicado por victorangelo às 22:31

06
Jan 13

Os pensadores que têm porta aberta para a via pública da política portuguesa, sejam eles, jornalistas, autores de blogs, escritores de opiniões ou de poemas, economistas ou comerciantes de favores, bispos ou oficiais na reserva, cantores de fado ou activistas de causas alternativas, especializaram-se todos, nas últimas semanas, em questões constitucionais. Os jornais e as televisões, a net, as assembleias e outras tertúlias transformaram-se em mini Tribunais Constitucionais.

 

E ainda há quem diga que os portugueses não sabem adaptar-se à crise. 

publicado por victorangelo às 20:54

01
Jan 13

Ao decidir enviar o Orçamento Geral do Estado de 2013 para o Tribunal Constitucional (TC), após promulgação, para que o TC proceda à verificação sucessiva da constitucionalidade de algumas das medidas orçamentais, o Presidente da República fez o que um político sensato teria feito. Nas circunstâncias actuais, não havia outra solução, apesar do que dizem muitos dos constitucionalistas. Não promulgar não era solução.

Cabe agora ao TC tomar posição.

 

Caberá, depois, ao governo aceitar o que venha a ser decidido, com seriedade e serenidade. Não poderá nem deverá, no entanto, criar uma crise política. Bem basta a que já temos, que se traduz num problema muito sério de credibilidade junto da população. Talvez seja altura, então, uma vez conhecida a decisão do TC, de pensar numa remodelação profunda da equipa do governo. 

publicado por victorangelo às 21:51

31
Out 12

No meio da confusão em que o país se encontra, há quem diga que uma das vias de saída passa pelo exílio de todos os distintos constitucionalistas para uma praia distante do Algarve, onde ficariam de quarentena até a crise passar. 

 

publicado por victorangelo às 20:28

13
Out 12

O meu texto desta semana na revista Visão está disponível:

 

http://visao.sapo.pt/desafios-ibericos=f690733

 

Na parte final do artigo mostro discordar da expressão "governo de salvação nacional". O leitor verá o que pensa sobre o mesmo assunto. 

publicado por victorangelo às 17:18

12
Set 12

A crise fecha-nos os horizontes. Ora, sem uma visão ampla das possibilidades não há saída. Não podemos deixar que nos limitem as vistas e nos cerceiem as opções. 

 

Entretanto, foi uma boa notícia saber que a decisão do Tribunal Constitucional alemão é favorável ao mecanismo europeu de apoio financeiro. 

 

Mas as más notícias continuam a predominar. A enorme manifestação na Catalunha pela independência é uma demonstração massiva contra a solidariedade entre as regiões de Espanha. O valor da solidariedade está a ser atacado em todas as frentes, por essa Europa fora.  As eleições de hoje na Holanda poderão ser um outro sinal no mesmo sentido. Veremos.

publicado por victorangelo às 11:11

11
Set 12

Seria um erro subestimar a crise política actual. É certamente a mais grave de que há memória. 

 

Também estaria errado não querer ver que o que está a ser posto em causa é o funcionamento das instituições, a confiança no sistema político, o consenso colectivo.

 

Tudo isto a acrescentar ao desespero de muitas famílias.

 

E à loucura de muitos que por aí andam.  A que se junta a demagogia de outros. Mais a irresponsabilidade, muito flagrante ao nível de quem tem acesso à comunicação social. 

 

Perante isto, aparece cada vez mais gente a perguntar se o modelo político actual ainda é viável. É, em democracia, um pergunta legítima. 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 22:15

07
Set 12

O primeiro-ministro, na sua comunicação ao país, não soube explicar por que razão é precisa mais austeridade, nem dar uma perspectiva temporal, um horizonte que abra alguma esperança. Dizia-se ontem, na convenção democrata nos Estados Unidos, que ninguém quer ter um líder que não tenha uma visão positiva do futuro e que não consiga criar esperança.

 

Também me pareceu errado tentar ligar as novas medidas à promoção do emprego. A questão do emprego cabe numa perspectiva de crescimento económico, não de novas taxas e contribuições dos privados para os cofres públicos. Precisa de ser apresentada como uma estratégia económica, bem articulada, não como uma componente meramente fiscal.

 

Hoje à noite o país ficou mais pessimista. 

publicado por victorangelo às 23:16

19
Jul 12

Estive no início da semana em Espanha e a crise era o tema de conversa, um pouco por toda a parte. Lá, como cá, falta informação, as pessoas não entendem as opções tomadas. A confusão é geral. Mas falta, sobretudo, confiança em quem dirige o país. Esse é hoje o grande défice. Um défice que pode levar a grandes catástrofes políticas. A extremismos, de ambos os lados.

 

publicado por victorangelo às 21:08

12
Jun 12

O post que publiquei ontem atraiu, em 24 horas, cerca de 8400 visitas. E dezenas de comentários, muitos deles, escritos por leitores bem informados. Agradeço a todos.

 

Queria lembrar, no entanto, que há cerca de 800 bancos na UE que recorreram, nos últimos seis meses, ao financiamento, a juros baratos, do Banco Central Europeu. Muito do capital que pediram emprestado, melhor, a quase totalidade do bilião (um milhão de milhões) de euros obtidos junto do BCE foram investidos na compra de dívida soberana dos estados membros da UE. Ou seja, os bancos foram apenas uma conduta, entre o BCE e os Estados. Uma conduta que tentou passar despercebida aos olhos dos eleitores europeus, que ganhou muitos milhões, entretanto, mas que está, neste momento, em muitos casos, descapitalizada de novo. Muitos bancos estão à beira da falência. O que significa que à fragilidade dos estados europeus se deve acrescentar a fragilidade dos sistemas bancários. Tudo isto é muito perigoso, para o funcionamento da economia, da sociedade e para a salvaguarda da democracia, sobretudo no caso dos países que têm uma "má imagem" internacional. 

 

Onde iremos parar? A que nos vai levar uma complicação tão grande como esta? Que líderes europeus terão a coragem de falar destas coisas e apresentar as soluções que se impõem? Onde encontraremos o sentido de urgência que se impõe? 

publicado por victorangelo às 22:05

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