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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Cada ser humano é um diamante

 

Estou cansado.  Viajei cerca de dois mil quilómetros, num dia que começou muito cedo, era ainda noite cerrada, para ir negociar com homens armados, gente muito violenta. São cem, neste sítio, têm estado a ameaçar de morte e destruição uma quinhentas famílias de refugiados provenientes do Darfur. Ameaçam igualmente muitos dos civis que vivem na zona.

 

As negociações tiveram lugar em Sam Ouandja, na República Centro-Africana. Tenham a paciência de procurar no Google.

 

Voltarei ao assunto. Que é muito grave. Está em causa a vida de muita gente, em terras isoladas, é verdade, são três a quatro dias de viagem com o todo-o-terreno, desde a capital do distrito, 120 marcos a Oeste, oito dias às cavalitas de um burro, a partir da fronteira com o Darfur. Os diamantes e o ouro, que são explorados artesanalmente na região, explicam muita coisa.

Viagens e conflitos

 

A visita de Luís Amado ao Chade, prevista para amanhã e Segunda-feira, incluía uma volta por um campo de refugiados, o maior e numa zona perto da fronteira com El Geneina, um importante centro urbano, no Sudão.

 

Por razões de última hora, completamente justificadas, o Ministro não pode fazer a viagem. Terá que ser em Janeiro.

 

Entretanto, está em preparação a minha viagem a Sam Ouandja, uma localidade 200 quilómetros ao Sul de Birao. É a ponta Sul da área de intervenção das tropas da MINURCAT. Uma região de refugiados sudaneses e de homens armados, pertencentes ao grupo rebelde centro-africano conhecido como UFDR. As duas partes estão em conflito. Com violência e com casos de morte. É uma terra com diamantes e caça grossa. São dois recursos naturais que levam a grandes disputas. Não há segredo. Trata-se de ver quem controla as riquezas. Lá como por cá. 

 

 

Violências

 

A ameaça de represálias contra os refugiados do campo de Sam Ouandja continou a ocupar as atenções de todos: governo, Nações Unidas, agências humanitárias. Os rebeldes exigem que o campo seja mudado para uma outra região da República Centro-Africana. Dizem que vão bloquear os acessos ao campo, impedir a passagem dos camiões do Programa Mundial de Alimentos. Na verdade, não querem estes refugiados nas suas terras, por razões tribais. É o problema das identidades e das diferenças. Quando há instabilidade, gente diferente faz medo.

 

Tive que enviar 18 militares para a zona. Amanhã irão mais. São tropas de elite, mas não tenho muitas, que o Conselho de Segurança só me autorizou um pequeno número de soldados nesta região, vasta e abundante em problemas. Um dia terei que contar as razões desta decisão do Conselho.

 

Tornei público um comunicado, para lembrar que todas as acções de violência contra os refugiados e os agentes das ONGs e da ONU caiem no âmbito da lei humanitária internacional e das violações dos direitos do homem.

 

Veremos.

 

Entretanto, mal tive tempo de ver a tragédia em que a Grécia se encontra. Os jornais falam já dos países da zona euro que estão com problemas fiscais semelhantes. Portugal aparece na lista. Estes factos vão ter um impacto sobre o euro. Mostram, por outro lado, que a disciplina macroeconómica da área do euro está de pantanas. Quando esta disciplina falha, o que se pode seguir é ainda pior.

 

Vi, no entanto, o drama pessoal que Berlusconi está a viver. As imagens foram repetidas por toda a parte. Uma vez mais, convém reafirmar que nada justifica a violência contra as pessoas. Nem em Sam Ouandja, no meio das florestas mais fechadas, na fronteira com o Darfur, num mundo que continua embrutecido, nem em Milão, às portas da moda e das catedrais que nos esmagam.

Os serviços secretos gostam de fazer das suas

 

 

 

Foto copyright V.Ângelo

 

Hoje tivemos mais uma emboscada contra uma coluna do Programa Alimentar Mundial e do UNHCR, o Alto Comissariado para os Refugiados. No sector centro. A zona mais perigosa. Homens como este, que a MINURCAT está a treinar, defenderam a coluna com valor e coragem.

 

Entretanto, um grupelho obscuro, que até pode não existir, e ser apenas a voz de um funcionário de uma das muitas agências de segurança do estado sudanês, fez ameaças públicas contra os humanitários que ainda se encontram em parte incerta, como reféns.  Foi um discurso contra a França.

Este tipo de manifestações, através dos media, é muitas vezes feito por gente que nada tem que ver com o caso, mas que tenta aproveitar a onda. Em certos casos, a autoria pertence a um qualquer serviço secreto, que se aproveita da situação para mandar um par de mensagens políticas. 

 

Quando há raptos em zonas de conflito, aparecem sempre muitos pescadores de águas turvas.

 

 Mas, nunca se sabe. Tudo tem que ser visto com muito cuidado.

Raptos de trabalhadores humanitários

 

Tivemos, na noite passada, mais dois raptos. Homens armados atacaram as residências de duas ONGs em Birao. Uma operação bem planeada. Levaram dois jovens agentes humanitários, gente que conheço bem, muito dedicada, que estavam há meses na zona do Nordeste da República Centro-africana. Participavam regularmente na distribuição de assistência alimentar, nos projectos de abastecimento de água e de saúde pública, tinham sobrevivido as crises violentas de Junho e Julho.

 

Os raptores só levaram os que tinham nacionalidade francesa. Deixaram para trás três outros estrangeiros.

 

A nossa força militar e os nossos serviços de segurança estão inteiramente mobilizados.

As organizações humanitárias face à insegurança

 

O tema do meu escrito de hoje na revista Visão centra-se nas questões de segurança nas terras hostis do Sahel, incluindo na fronteira com o Darfur.

 

A minha tese é que certas organizações não-governamentais não estão a perceber a natureza dos riscos que existem nessa região. Agem como se a insegurança tivesse motivação política. E falam, a torto e a direito, da neutralidade que é preciso manter.

 

Mas a verdade é que não se trata de conflitos políticos. São actos de banditismo, de criminalidade pura e dura. Ameaças concretas contra as populações e contra os agentes humanitários. As Nações Unidas têm duas grandes operações de segurança na zona, a MINUAD. no Darfur, e a MINURCAT, no Chade e na República Centro-africana. Ambas têm como mandato proteger as organizações humanitárias, os refugiados e deslocados, bem como as populações locais, que são presas fáceis dos homens armados.

 

Ser protegido pela ONU não faz perder a neutralidade nem a independência das organizações. E permite continuar o trabalho de assistência, salvando muitas vidas em perigo.

 

O texto está disponível no sítio da Visão:

 

http://aeiou.visao.pt/preocupacoes-desabafos-e-recados=f537366

 

Muito agradecido fico pela leitura. E por um ou outro comentário que queiram fazer. Não há medo das polémicas, nesta maneira de estar na vida.

 

 

Riscos e responsabilidades

 

Numa longa entrevista a Radio France Internationale, confirmei hoje que existem regiões no Leste do Chade (e no Darfur), que são de alto risco. A minha Missão de Paz está pronta para escoltar as colunas humanitárias que precisem de trabalhar nessas terras. Acrescentei que os humanitários que não queiram ouvir o aviso de perigo e que se aventurem sem protecção armada, põem em risco a vida dos seus agentes.

 

Mais uma vez, é preciso que fique claro a responsabilidade de cada um.

 

A representante do Comité Internacional da Cruz Vermelha fez, entretanto, uma pirueta no vazio da irresponsabilidade, ao afirmar que só não pedia as nossas escoltas porque as suas operações de assistência são junto à fronteira e que nós não temos funções de fronteira. Incorrecto, e é sabido. As nossas patrulhas militares fazem-se também junto à fronteira entre o Chade e o Sudão. Em todos os lugares onde é preciso proteger as organizações humanitárias, os refugiados e as populações em perigo.  A única função que nos está vedada é a de defesa da linha de fronteira.

 

Quando um agente humanitário levar um tiro ou for raptado, que vai o director dessa ONG dizer à família, quando esta lhe perguntar por que razão a coluna ou o agente andavam naquela zona sem escolta da ONU?

 

 

El-Fasher está para além dos limites

 

Devia estar em El-Fasher. Tinha previsto um encontro com a chefia da Missão da ONU no Darfur. UNAMID é o nome da Missão. A sua sede é em El-Fasher, a cidade mais importante de todo um Darfur a perder de vista.

 

O governo de Cartum não autorizou o meu avião a entrar no espaço aéreo do Sudão. Também não me concedeu um visto de entrada. É a velha guerra com as Nações Unidas, no que respeita à nossa presença no Darfur. Os ocidentais não devem pensar em visitar a região. Só gente vinda de África ou de países membros do G77.

 

Entretanto, o polícia chadiano, ferido há uma semana, foi hoje evacuado para a África do Sul. Meia hora após a sua partida em direcção ao Sul, recebi uma mensagem de Tripoli, para me informar que a Líbia estava pronta a receber o paciente e a tratá-lo de graça. Mas o homem já ia a caminho de Pretória. Não podia fazê-lo voltar para trás, seis horas de viagem para nada, regressar ao Chade, tratar de novos papéis para a tripulação, para depois seguir para Norte, acabaria por significar que um homem em cuidados intensivos, ligado a todo o tipo de máquinas, andaria às voltas nos céus de África, como um pássaro migratório que tivesse perdido o sentido da direcção.

 

Assim se vai escrevendo a história do quotidiano, nestas andanças de agora.

 

Ao anoitecer, foi roubado mais um veículo 4X4 do ACNUR. Numa zona central de Abéché, por dois militares do exército nacional. Foi uma maneira de pôr mais um pouco de picante num dia que já havia dado muitas cores à paciência.

 

 

 

 

 

 

 

 

Darfur para esquecer

 

O meu texto da Visão on-line desta semana é sobre o Sudão. O maior país de África, em crise profunda, e às portas de novos conflitos, à medida que se aproxima o referendo sobre a independência do Sul.

 

A política das grandes potências em relação ao Sudão, e sobretudo no que respeita ao Darfur, está a mudar. Escrevo sobre esse assunto.

 

Convido a ler e comentar.

 

Fico agradecido, antecipadamente...

  

http://aeiou.visao.pt/congelar-o-darfur=f535022

Notas de viagem e conflitos

 

Ontem, em Brazzaville. Hoje, Bangui.

 

Andei a percorrer a África Central, em consultas sobre a situação de segurança na região. Darfur, Chade, movimentos rebeldes, grupos armados. A perseguição do Lord’s Resistance Army (LRA). O Uganda despachou cerca de 800 militares para lutar contra o LRA, na República Centro-africana. Má ideia. Vão demorar anos para sair deste teatro de operações. Numa zona rica em diamantes.

 

Entretanto, os cavaleiros armados estão a voltar ao Leste do Chade. Os chamados Jenjaweed. Ontem, ao fim da tarde, atacaram uma guarnição da nossa polícia, acerca de 60 quilómetros a leste de Abéché. Temos um ferido em perigo de vida.

 

Estamos a entrar na estação seca. Os incidentes mostram que assim é. Já se pode circular, os bandidos e os rebeldes ganharam mobilidade.

 

As forças das Nações Unidas são insuficientes para que se consiga dar uma resposta adequada. Seis meses após o início da operação militar, temos apenas 53% dos efectivos autorizados.

 

Como explicar às ONGs e às agências humanitárias do sistema da ONU que os soldados prometidos ainda não estão disponíveis?

 

Porque será que os países prometem, mas não cumprem dentro dos prazos?

 

As operações de manutenção da paz estão sob stress.

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