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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Notas sobre Berlim

Comparada com as outras aglomerações importantes, Berlim é sobretudo uma cidade que vive do turismo e de congressos. A administração central do estado pesa pouco na economia da cidade e as indústrias e os serviços financeiros estão noutras partes da Alemanha.

 

O preço da habitação continua a ser muito mais acessível do que noutras capitais da Europa Ocidental.

 

É, por isso, uma urbe com um desemprego jovem relativamente elevado e com muita gente a ganhar salários baixos, nalguns casos, não mais do que 400 ou 500 euros, o que obriga quem se encontra nessa situação a fazer muitas horas extras ou a ter dois empregos, coisa que é mais frequente do que o que se pensa.

Incompetências preocupantes

Os novos dados do desemprego em Portugal são francamente preocupantes. Mas, eram de esperar. E a tendência é para a continuação do agravamento.

 

Também é preocupante ouvir, cada mês, quando aparecem as estatísticas do emprego, as asneiras que o homem que pretende ser o Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional debita, a título de análise das taxas. Ainda hoje, disse aos media umas coisas incompreensíveis, do género, o positivo é o significado negativo dos dados. Não disse bem assim, que ele não sabe falar com clareza, mas afirmou: "Durante 2010 o crescimento do desemprego desacelerou bastante em relação a 2009".

 

Isto, e muito mais, dito num tom que parecia o anúncio de uma vitória política.

 

Pior que ele é difícil. Mas a ministra da pasta, a ministra do atrapalho, não perde uma oportunidade para tentar ultrapassar o seu Secretário de Estado. Esta tarde, por exemplo, revelou, na Assembleia da Republica, que está em curso uma reflexão sobre a idade da reforma. Umas horas depois, os serviços do seu ministério publicaram um comunicado a dizer que não, que não é bem assim, que a subida da idade da reforma " não está em cima da mesa..."

 

Os problemas do governo são vários. Um deles é, certamente, o da incompetência de muitos dos seus membros.

 

 

O Inverno da Tunísia

Ben Ali, que dirigiu a Tunísia durante mais de 23 anos, foi forçado a abandonar o poder e o país. Deve estar esta noite em Valeta, a capital de Malta, à espera de um destino final. Não saberá onde irá acabar, mas sabe que tem dinheiro investido na Europa e nos Estados do Golfo.

 

O Presidente interino, que era até hoje o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, é um velho senhor, que vai tentar salvar os móveis do regime. Deverá ser Sol de pouca dura, que a rua, que tem revelado uma coragem invulgar, quer mais do que uma simples continuação dos senhores que constituíam a clique de Ben Ali. Quer uma mudança total da classe dirigente. Quer democracia.

 

Falta perceber qual será o papel reservado aos militares, que constituem um dos pilares mais estruturados da sociedade tunisina.

 

Entretanto, o que se passa na Tunísia é o resultado de uma ditadura que não conseguiu resolver os problemas de emprego dos jovens nem reconhecer que a corrupção e as falcatruas dos actos eleitorais são artimanhas com pés de barro. Os jovens concluem mestrados em direito e noutras matérias e depois são vendedores ambulantes, ou pior ainda. A corrupção, que tinha na senhora do Presidente o expoente mais ávido, levou ao enriquecimento dos fiéis e ao empobrecimento dos outros.

 

Mas há outro problema, de que se virá a falar em breve. Os fundamentalistas têm estado a organizar-se, por vias clandestinas, ao longo dos últimos anos. Ben Ali não os deixava pôr o nariz fora de água. Agora, o contexto é diferente. Creio que em breve vão passar a contar a sério, no novo xadrez político. 

Greves e orçamentos

Parte da Europa está paralisada. Em greve. O desemprego, as ameaças contra os direitos sociais adquiridos, o custo de vida, os impostos, o mal-estar e o sentimento de incerteza trouxeram para a rua muita gente. É um pico, no gráfico da desgovernação, que mostra a crise em que certos países se encontram. Por culpa de quem?

 

Infelizmente, o horizonte está manchado por mais incertezas e mais dificuldades. 

 

A espiral da austeridade, crise, precariedade e instabilidade social está longe de haver completado o seu ciclo. Os governos prometem cortes orçamentais e novos impostos, sem conseguirem sair do círculo fechado das ideias feitas. É preciso reestruturar as economias, apostar nas novas tecnologias, formar e reciclar os trabalhadores, melhorar os seus conhecimentos informáticos, incentivar os sectores que apostam na inovação, na criatividade, na qualidade e nos serviços à comunidade. Em vez disso, aumentam-se o impostos e corta-se o valor de certas regalias de base, que, à partida, já eram bem magras.

 

A OCDE referiu, há dias, quais as medidas que deveriam ser encaradas, no caso português. De uma maneira simplificada, as sugestões então avançadas equivaleriam ao arrancar de mais uns dentes como meio de resolver uma dor intensa nos queixos.

 

 Na realidade, o que é preciso é coragem política para reorganizar a máquina do Estado. Repensar o papel do Estado.

 

Um caso actual é o da polícia. Ainda hoje os media nos lembravam que há uma duplicação de meios entre a GNR e a PSP. Quanto seria poupado, em termos logísticos, se se pensasse a sério na integração destas duas forças? Sem falar nos ganhos em matéria de eficiência. E não seria preciso, despedir ninguém. Antes pelo contrário: esta via permitiria dar a reforma aos agentes e guardas perto da idade limite. 

 

Outro caso é o da reestruturação de vários ministérios, a começar pelo da agricultura, continuando na economia, passando pelo trabalho e a defesa, no que respeita ao exército, e terminando com uma revisão bem fundamentada de certos institutos públicos. Mais haveria a ganhar, se se acrescentasse a essas opções a simplificação administrativa. A desburocratização traria ganhos de eficiência para a economia e reduziria os custos. Mas estas são medidas que requerem tempo. Não são fáceis de completar no curto prazo.

 

Tendo em conta urgência da redução dos desequilibrios das contas públicas, para além de uns cortes mais imediatos, a única solução viável tem que ser encontrada nos vencimentos e regalias dos funcionários públicos. Não nos custos de funcionamento da administração, nem tão pouco na área da modernização e dos investimentos. Se o patrão Estado não tem meios suficientes, os empregados têm que ser realistas quanto às posses do patrão. Subsídios de férias e de Natal serão certamente candidatos a reduções excepcionais em 2011. Mas, quem vai ter a ousadia política de o propor?

 

Não me falem da crise!

Certos senhores, aqui entre nós, pensam que não se deve falar todos os dias da crise. Que nos estamos a transformar num muro de lamentações, a cultivar a crítica e o pessimismo, a não pensar no lado positivo das coisas. Que não vemos o valor que cada décima estatistíca tem, em termos de crescimento da economia e de boa política.

 

Esses senhores não conhecem, de facto, a crise. Ocupam posições sólidas, vivem com desafogo, gostam do que é bom e bonito.

 

Compreendo que os incomode que se fale de quem sofre, do desemprego, das dificuldades dramáticas em que muitas famílias se encontram, dos pequenos empresários que já nem sabem por que razão mantêm as portas abertas, do pavor que representa uma taxa de juro em alta.

 

Em África e noutros países de grande miséria encontrei, igualmente, gente assim. Achavam mal quando se lhes falava da luta contra a pobreza, da falta de condições em que viviam a maioria das famílias. Do estado alarmante da saúde pública. Acusavam-nos de navegar e pescar nas águas do pessimismo. De termos uma postura estruturalmente negativa. De viver à custa de relatórios alarmistas. Nalguns casos, chegavam a acusar-nos de falta de respeito pelo país em causa. (São senhores que gostam de cavalgar no patriotismo arrebatado).

 

Mas a crise não precisa de vuvuzelas para se fazer ouvir.

 

 

Mais uns cavacos para a fogueira

O artigo de Mário Soares, no DN de hoje, vem acrescentar mais confusão. As razões ou motivações ficaram por esclarecer. Mas o impacto, ao fragilizar ainda mais o Secretário-geral do PS, é grande.

 

Entretanto, o candidato ainda não disse uma palavra de agradecimento pelo apoio, mesmo se pouco entusiástico, que o PS lhe trouxe.

 

Vivemos num país que parece andar fora-de-jogo. Se assim continuarmos, não iremos longe. Nem no campeonato do mundo nem na resposta à crise.

 

Um que parece completamente fora das marcas é o Secretário de Estado do Emprego. O homem disse, no dia em que as estatísticas europeias afirmaram que o desemprego em Portugal continuava a aumentar, que os dados do governo mostram uma diminuição do número de desempregados. Sem mais, que dar conteúdo às frases feitas não está nos hábitos.

 

E a Ministra da Educação não quis ficar para trás. Meteu mesmo a mão à bola, a pedir uma grande penalidade, ao anunciar que uma centenas de escolas irão fechar num futuro breve. Em política, timing é um factor chave. A senhora escolheu o pior timing, a altura errada, ao acrescentar mais esta acha para a fogueira da inquietação nacional. Como se a agitação social precisasse de mais combustível.

 

Com jogadores assim , mesmo que o árbitro finja que não vê, o público assobia. Forte e feio.

Um país em cima do joelho

A falta de formação profissional dos trabalhadores portugueses continua a ser uma das razões fundamentais do nosso atraso económico. Basta andar por aí para se perceber que somos um país de amadores, de "soldados sem instrução" e de fazedores de coisas em cima do joelho. 

Engasgado

 

Hoje a Gare du Nord foi a de Bruxelas. Fui comprar a minha passagem para o aeroporto Charles de Gaulle. Volto no Domingo a África.

 

Há muito que não entrava nesta Gare. Foi uma surpresa. Numa das alas laterais, dei com um dormitório de gente sem abrigo. Contei 19 "camas", alinhadas lado a lado, bem encostadas à parede exterior da estação, numa área que embora esteja ao ar livre, está protegida por um tecto de cimento. Algumas, de gente certamente mais abastada, tinham um colchão. A maior parte, eram de cartão e trapos, que a vida de um sem-abrigo não dá para grandes luxos.

 

Vi todas as idades. Jovens e velhos, lado a lado. Alguns estrangeiros, de aspecto, pelo menos. Ao fim do dia, por volta das seis e pico da tarde, os moradores, ou já estão na cama, ou andam por ali perto, no espaço público da estação, a casa de todos. O tempo estava ameno, o que convidava um ou dois grupos a uma conversa mais desprendida, antes da hora do deitar. De que falam pessoas nestas condições?

 

Como se trata de um acesso lateral, penso que as autoridades fingem que não vêem. Os utentes habituais sabem, por sua vez, que é uma zona que é preciso evitar. A miséria, mesmo quando nos entra pelos olhos, com a habituação, torna-se invisível. Mas, sempre convém passar ao largo.

 

Comprei uma sandes. Enquanto a mordia, surgiu, de repente, do meu lado esquerdo, um jovem de pouco mais de vinte anos de idade. Delicadamente, pediu-me que lhe desse um pedaço. Olhei-o de frente e vi a fome com rosto de pessoa. Insistiu. Fiquei engasgado. Perdi o Norte. Afastei-me, ao acaso.

 

 

Que rico dia!

 

Um dia em cheio, para quem segue os assuntos internacionais. Dia Mundial de Luta contra a Sida. Nunca é demais falar na Sida. Conheço muita gente que vive os seus efeitos ao quotidiano. É um inferno. E um assunto de grande complexidade. Entrada em vigor do Tratado de Lisboa, com celebrações que ficaram marcadas pela ausência dos principais governantes europeus. Fim da Cimeira Ibero-Americana, com muita divisão sobre as Honduras e pouca substância, uma espécie de reunião só para a fotografia. A decisão de enviar mais 30 000 soldados americanos para o Afeganistão. Uma decisão difícil e de custos elevados. Uma guerra com uma estratégia que precisa urgentemente de ser revista. 

 

Depois, vieram os números mais recentes sobre o desemprego na UE. Um drama. Portugal continua a ver o desemprego aumentar. Os jovens europeus de menos de 25 anos são as principais vítimas do desemprego. A saída da crise a continuar sem saída. Uma crise de sistema que os senhores dirigentes apelidam pudicamente de crise financeira. Se fosse apenas uma questão de finanças...

 

E por falar nisso, o Euro está cada vez mais sobrevalorizado. Não se compreende que ninguém fale no assunto, mostre preocupação. Ora, é uma questão bem séria, com profundas implicações no futuro da economia da Europa.

 

O que continua por valorizar é o caso Face Oculta. Ou melhor, há quem o queira desvalorizar. Mas é um assunto de muito peso. Muito grave.

 

Finalmente, uma palavra caseira, com os pés assentes na terra. Descobri hoje o Jornal de Leiria, um semanário de valor e conteúdo. Que reproduz bem a riqueza da região. Faz bem à alma ver que certas regiões do país mantêm, apesar de tudo e de não estarem nas graças de quem manda, um dinamismo exemplar. 

Portugal precisa de reflectir sobre si próprio

 

Portugal encontra-se numa situação de grande complexidade e muito preocupante.

 

O caso Face Oculta esconde muita coisa, mas também revela ligações estranhas entre a justiça e a política. Ao ponto de se dever perguntar quem julga a justiça, quem investiga a Procuradoria-geral da República? Passam-se coisas de pasmar nestas instituições, não há dúvida. A justiça serve a política, diz muita gente, e os políticos não querem que a justiça funcione.

 

Os partidos políticos estão a voar baixinho. Parecem estar a enveredar por uma fase de conflito e de obstrução, sem que se vislumbre qual é a estratégia.  Eleições em breve, logo que possível? O que se passou ontem na Assembleia da República, uma coligação de facto, objectiva e interesseira, dos que estão fora da governação, foi apenas uma indicação do que nos espera nos próximos tempos. A escolha parece ser a de encurralar o governo, apostar na demagogia e na irresponsabilidade sem consequências de maior, por ser barata para quem está na oposição.

 

A identificação partidária cega-nos o discernimento. Vemos o país e os seus problemas pelo prisma da cor do partido que nos é próximo, sem independência nem equilíbrio de raciocínio. Somos cada vez mais sectários. Mais curtinhos na análise dos desafios. Mais estreitos na resposta.

 

O Presidente continua em Belém.

 

A economia está a perder o dinamismo e a confiança nas instituições. Sem confiança não há desenvolvimento. Não há investimento, nem se atrai os melhores cérebros.

 

Socialmente, temos mais desemprego, mais desespero, mais pobreza, e mais espírito de funcionário. A mentalidade de assistido social e de misericórdia, tão própria de outros tempos, está de novo a ganhar terreno. Em vez de se pensar em qualificação profissional, pensa-se em subsídios. Mesmo sendo estes uma miséria.

 

Os media vão dando uma no cravo e outra na ferradura. Mas, para além da televisão, pouco contam. Os jornais e as revistas de referência circulam sempre entre os mesmos, e pouco mais. Não pesam, não são capazes de influenciar o rumo que se deveria adoptar. Só os canais televisivos podem fazer a diferença. Mas existe receio. E há negócios a salvaguardar.

 

Resta a net. Hoje, muitos dos portugueses estão ligados à rede. Há que gerar um movimento de levantamento nacional através da net. Escrever sobre a mudança, falar do futuro com os olhos abertos e apostando em horizontes mais amplos. A net pode também criar espaço para os novos líderes.

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