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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Eleições em França

Na França, os resultados eleitorais de hoje são melhores do que se temia. A Frente Nacional de Marine Le Pen, um partido que é uma ameaça à democracia, à paz social e à Europa, um ninho de víboras racistas, xenófobas e de inadaptados face aos desafios actuais, víboras que vivem da exploração fácil do populismo e dos medos colectivos, não teve o sucesso que se temia e que todos anunciavam. Mesmo se um em cada quatro franceses vota na Frente Nacional, a verdade é que no momento decisivo, a maioria decidiu com moderação e disse não aos radicais de direita.

Constata-se uma viragem à direita, reconheço. Trata-se, no entanto, da direita republicana, sem extremismos. Uma direita que respeita a diversidade étnica e cultural, que define a sociedade francesa de agora. Uma direita que sabe que sem a participação construtiva da França o projecto europeu não terá futuro.

Quanto ao partido de François Hollande, o PS, os resultados preliminares mostram que a erosão política parece estar a ser contida.

Contra os reacionários

Ser reacionário hoje, no contexto europeu, é pensar que o futuro se constrói pela recriação do passado. É acreditar que a prosperidade passa pelo regresso às velhas fronteiras nacionais, à autarcia económica, ao viver do que a nossa terra dá.

 

E os reacionárias existem, de um lado e do outro do espectro político.

Falamos muito de política

Por onde ando, fora de Portugal, é raro aparecer alguém, nas discussões públicas ou privadas, que fale da direita ou da esquerda. São expressões que não fazem parte do quotidiano da esmagadora maioria dos Europeus. Quando lhes digo que em Portugal essas palavras aparecem frase sim frase não, nas conversas dos intelectuais, dos meio-intelectuais e dos que estão sempre a falar ou a escrever sobre política, ficam a olhar para mim com aqueles olhos que dizem não ser possível.

 

Mas é. Aqui, na nossa terra, somos os campeões da catalogação política. E somos, igualmente, uns doidos pela política.

 

Só não se percebe, contudo, a razão para taxas de abstenção tão altas, quando chega a altura de ir às urnas.

 

E, dentro de dias, a ver como param as modas, vamos ter um novo recorde de abstenção.

A segurança não é um monopólio da Direita

Alguém me dizia, aqui nesta parte da Europa por onde ando, que a Esquerda e os outros ainda mais à esquerda não gostam de falar de questões de segurança e ordem pública. Seria, para essa família ideológica, uma espécie de tabu. Como todos os tabus, não se falaria do assunto. E assim, deixariam o campo aberto para a Direita e os outros ainda mais à direita, se apropriarem do tema e, com ele, ganharem votos populares. Porque, na realidade, quem mais sofre com a insegurança são os mais fracos, os mais desprotegidos, os que têm menos meios para se defenderem. Votarão por quem prometer um país mais seguro.

 

Penso que há que ultrapassar essa maneira de ver a questão. A segurança é uma das funções primordiais de Estado, como costumo dizer com frequência. Um Estado de direito e democrático, que é o que a Esquerda protagoniza, é um Estado que garante a proteção dos cidadãos e que responde, de modo eficaz, às ameaças à integridade das pessoas e aos riscos contra os seus bens. Não há nada, aqui, de reacionário. A segurança é um direito fundamental. Um Estado que não consiga manter em funcionamento, de modo eficaz, as suas forças de segurança começa a revelar as características que definem um Estado em desagregação. Um colapso institucional. Ou seja, a caminho de um Estado falhado.

Os extremos

Um periódico francês, Le Journal du Dimanche, publica hoje uma sondagem relativa às próximas eleições europeias. Os dados mostram que o Front National, a extrema-direita chefiada por Marine Le Pen, poderia ser o partido mais votado, com 23% das intenções de votos. O partido de Sarkozy, UMP, viria em segundo lugar, com 21%. Em terceira posição, com 18% dos votos, estaria o Partido Socialista de François Hollande. Ou seja, 10 pontos abaixo do resultado obtido por Hollande, na primeira volta nas eleições presidenciais de 2012. Le Front de Gauche, na extrema-esquerda, teria 9%.

 

Estes dados são peculiares à França. Há, no entanto, um movimento ascendente de partidos extremistas, à direita, em vários países da UE. Os partidos do centro, de ambos os lados do centro, os partidos que se têm alternado na governação dos países europeus são, esses sim, os que perdem terreno eleitoral.

 

Embora ainda seja muito cedo para analisar a tendência – as eleições para o Parlamento Europeu só terão lugar em finais de Maio – há que estar atento. E que ter presente que uma Europa de extremos é sempre uma Europa em perigo.

Para onde vai a Social-democracia?

Nem sempre estou de acordo com a jornalista Teresa de Sousa, mas é certamente uma profissional que merece todo o respeito. E que vale a pena ler, sobretudo as suas crónicas de domingo, que aparecem todas as semanas no Público.

  

Recomendo a reflexão de hoje, sobre o estado da social-democracia na União Europeia de agora. Na verdade, o futuro político da social-democracia levanta muitas interrogações.  

 

O link para o texto é o seguinte:


http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-socialdemocracia-do-medo-1614561


Dinâmicas eleitorais

A primeira volta das eleições presidenciais francesas mostrou que o eleitorado de esquerda mais o da extrema-esquerda pesa cerca de 43% do total dos votantes. Estas pessoas votarão por Hollande a 6 de Maio, salvo raras excepções. A este número será possível acrescentar uma parte dos eleitores do centro-direita e da Frente Nacional (FN), a extrema-direita, e ganhar a segunda volta. Como a percentagem de eleitores do centro-direita, que apoiou Bayrou, não é muito significativa, e nem todos irão apoiar o candidato socialista, chega-se à conclusão que quanto maior for a margem de ganho acima dos 50% maior terá sido o número de simpatizantes da FN que terá decidido agora votar por Hollande. Não por causa do seu programa, mas para eliminar Sarkozy. 

 

 

Um cenário de horror

Cada um tem a sua crise.

 

No caso dos Estados Unidos, nem quero acreditar que um fulano como o ultra-reaccionário Newt Gingrich poderá estar, dentro de um ano, a semanas de ser investido como Presidente. Se isso vier a acontecer, e a possibilidade existe, a política internacional dos EUA será extremamente negativa no que respeita às Nações Unidas, à Palestina, África e a certas questões globais, como por exemplo, as alterações climáticas e a cooperação internacional. Internamente, haverá um retrocesso em termos sociais, de valores e de tolerância. 

 

Gingrich é mais um pesadelo num horizonte já bastante carregado.

 

Um pacto de direita?

Os dirigentes da Europa de direita estiveram reunidos na Sexta-feira em Helsínquia. 15 dirigentes de países europeus pertencem ao grupo do Partido Popular Europeu, incluindo Angela Merkel, Silvio Berlusconi, Nicolas Sarkozy e o novo Primeiro-ministro da Irlanda. Ao nível das instituições da UE, Van Rompuy, J M Barroso e o Presidente do Parlamento Europeu pertencem à família. 

 

Se acrescentarmos David Cameron, que embora de direita, deixou de pertencer ao PPE, vemos que a Europa é fundamentalmente dirigida por políticos conservadores.

 

Em Portugal, o PSD e CDS/PP são membros do PPE.

 

A reunião de Helsínquia serviu, sobretudo, para dar mais força ao "pacto de competitividade" proposto por Angela Merkel. O pacto será submetido, para aprovação, à próxima cimeira do Conselho Europeu, a 24 e 25 de Marco. É um assunto em relação ao qual convém estar muito atento.

Brancos e Negros

No Sábado, Washington assistiu a dois comícios políticos. Celebrava-se nesse dia mais um aniversário do discurso histórico de Martin Luther King intitulado "I have a dream".

 

Num deles, um mar de gente veio ouvir Sarah Palin, antiga governadora do estado do Alasca e candidata à vice-presidência dos EUA nas últimas eleições. Uma mulher ultra-conservadora que se está a transformar na porta-estandarte das ideias republicanas mais à direita. A quase totalidade dos presentes era branca.

 

Um par de milhas mais ao lado, uma outra multidão veio ouvir o líder negro Al Sharpton. O Rev. Sharpton é um homem de posições extremas, quando se trata da defesa dos direitos dos afro-americanos. É, como Sarah Palin, muito controverso. As muitas pessoas presentes eram, quase todas, negras.

 

Assim se extremam as posições nos EUA de 2010. Quer de um lado quer do outro, a questão da cor da pele continua a ter um peso desmesurado em matéria política.

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