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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Imigração

Portugal tem uma certa percentagem de imigrantes vindos de fora da UE. Mas, no geral, essas pessoas constituem uma camada invisível da nossa população residente. Por isso, as questões relacionadas com a imigração têm um muito menor peso aqui do que noutros países europeus, onde a presença de “culturas diferentes” é muito visível. Basta andar nas ruas de Bruxelas, por exemplo, para se entender o que quero dizer. E se pensarmos nisso, compreendemos melhor a razão que fez uma boa parte dos cidadãos da Europa considerar, na sondagem do Eurobarómetro que acaba de ser conhecida, a imigração como sendo a questão comum mais importante neste momento na UE.

Portugal: o ano 30.

30 anos após a adesão de Portugal à vizinhança europeia, o balanço parece-me francamente positivo. Somos hoje um país muito mais moderno, desenvolvido e arejado. Temos uma nova geração de profissionais e de empreendedores mais ousada e melhor preparada para os desafios do futuro. E estamos no espaço geopolítico que é o nosso, que nos protege de aventuras tresloucadas e de radicalismos catastróficos.

É verdade que também temos um país mais dual, mais dividido.

De um lado, está quem conseguiu, por diversas vias e esforços, reunir as condições necessárias para tirar partido da abertura ao exterior. Incluindo muitos dos mais jovens, mesmo sem esquecer que a taxa de desemprego entre esta categoria de portugueses é anormalmente elevada. Mas muitos deles estão melhor preparados para enfrentar os desafios. E assim acontecerá.

Do outro, encontramos os mais velhos, os menos escolarizados, os mais dependentes de actividades económicas tradicionais e pouco competitivas. Para estas pessoas a competição com o resto da Europa acarreta dificuldades adicionais. Muitos sentem, por isso, que a adesão está a jogar contra os seus interesses.

Há que tratar dos interesses de ambos. Uma comunidade nacional é uma realidade complexa, variada e marcada por contradições. O papel dos líderes é promover a coesão nacional, encontrar o ponto de equilíbrio.

 

Um outro tipo de emigração

Várias firmas portuguesas, sobretudo na área da construção civil e ofícios afins, operam na Bélgica e fazem aquilo a que se chama “dumping social”. Os trabalhadores são recrutados em Portugal, com base na legislação do trabalho e nas leis sociais portuguesas. As empresas que praticam esse tipo de contratação são firmas lusas com acordos e encomendas de empreitada na Bélgica. Os operários portugueses ganham cerca de 1200 euros por mês, ou seja, em média, menos 600 euros que os trabalhadores belgas do mesmo nível. Dormem muitas vezes no local da obra, ou por ali perto, e vivem com muito pouco. O poupado volta com eles quando do regresso às terras de Portugal. As permanências na Bélgica são, aliás, de apenas alguns meses, no máximo.

Este é apenas um exemplo de uma prática que é pouco falada em Portugal mas que leva vários milhares de operários para vários cantos da Europa, para as Arábias e outros sítios. Muitas das empresas e dos trabalhadores vêm do norte litoral português.

 

Erasmus

O programa Erasmus é uma excelente iniciativa da União Europeia. Permite a muitos jovens estudar noutros países e ganhar assim uma visão mais aberta da Europa. Ganham todos com este programa: os participantes e a coesão europeia. Agora, com a modalidade Erasmus + também é possível incluir os professores no intercâmbio.

Por tudo isso, a proposta agora apresentada pela Comissão de aumentar em 30% o orçamento do programa para 2016 deve ser reconhecida e apoiada. É, no meu entender, um dos aspectos positivos do próximo orçamento anual, um orçamento que todavia tem muitas propostas questionáveis, como por exemplo a diminuição em cerca de 16% dos fundos de coesão. Estes fundos são importantes para financiar infraestruturas e abrir novas possibilidades de desenvolvimento nas regiões mais atrasadas da União

Depois da conversa, fica tudo na mesma

A conferência organizada pelo Presidente da República sobre “Portugal e os Jovens” permitiu uma reflexão importante.

O estudo que encomendou ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sobre “EMPREGO, MOBILIDADE, POLÍTICA e LAZER: SITUAÇÕES E ATITUDES DOS JOVENS PORTUGUESES NUMA PERSPECTIVA COMPARADA” é particularmente elucidativo. Mostra, acima de tudo, uma juventude afastada da prática de cidadania, confusa e com pouca esperança, pronta, em grande medida, a emigrar e a procurar futuro noutros cantos da Europa.

A interrogação que fica, no final de acontecimentos deste género, é sempre a mesma: e agora?

Dito de outra maneira, que acções ou medidas vão ser tomadas? Quem toma a liderança? Quem deve ser responsabilizado para que as coisas comecem a mudar?

E, como noutros casos, a resposta é tristemente simples: as palavras esquecem-se, os diagnósticos não têm tradução prática, ninguém altera uma vírgula às políticas existentes, ninguém pega na bandeira.

Um futuro que não se quer ver

Estes encontros anuais dos ministros das Finanças, que têm sempre lugar nesta altura do calendário em Washington, no FMI, são conhecidos com as Reuniões da Primavera. A de 2015 terminou hoje. E pelo que sei, com três grandes preocupações globais, a esconderem-se por detrás das palavras dos comunicados oficiais: a fragilidade da recuperação económica, após a crise que vem de 2007-8; os grandes desequilíbrios de crescimento, ou seja, a desigualdade em termos de performance económica, quando se compara as diferentes regiões do globo; e as altas taxas de desemprego, em muitas e variadas partes do mundo.

A estas três inquietações junta-se, na nossa velha Europa, a questão da Grécia. As negociações com o governo grego estão praticamente num ponto morto. A UE, o Banco Central Europeu, o FMI e os principais credores repetiram, ainda hoje, que a bola está no campo grego. Que cabe ao governo de Atenas propor um programa que possa ser considerado credível. E acrescentam que uma declaração de insolvência teria consequências imprevisíveis.

Não será bem assim. Nestas coisas, é sempre possível desenhar um modelo que extrapole e clarifique as consequências mais prováveis. E esse modelo já existe. Tem-se uma ideia clara do que poderá acontecer se a insolvência vier a acontecer. Não se tem é coragem de olhar a sério para o futuro que o modelo nos deixa antever. Ora, governar passa por se ter a coragem de preparar os riscos futuros.

 

Divagações pascais

As caminhadas quase diárias no parque perto de casa põem-me frequentemente em contacto com uma categoria especial de funcionários da comuna onde vivo. Trata-se de um corpo de vigilantes (“gardiens de la paix”) que percorre, em grupos de três ou quatro, os caminhos do parque e as ruas da localidade. Fazem-no a pé, fardados com umas vestimentas roxas, mas sem armas nem outro meio de comunicação que não seja o telemóvel.

A sua utilidade levanta muitas dúvidas. Servem para assinalar aos serviços de recolha competentes casos de lixo abandonado em lugares públicos e colocar uns folhetos nos carros dos moradores, com uns conselhos básicos sobre a segurança pública, as precauções a tomar para evitar roubos e arrombamentos, e pouco mais.

O factor dissuasor, que é um argumento utilizado pelas autoridades municipais, é insignificante. Quando muito, leva os donos dos cães que passeiam no parque, quando se apercebem ao longe que esses guardas andam pelas paragens, a prender os animais com a trela, uma regra obrigatória mas pouco cumprida.

No total, são 75 postos de trabalho, para uma população residente de cerca de 130 mil pessoas.

De início, costumava criticar o esquema, que mais não seria que uma forma hábil de dar emprego a pessoas que o não tinham. Agora, com o tempo, habituei-me a aceitar esse grupo de funcionários. Parte da minha tolerância vem do reconhecimento que muito daquilo que fazemos tem pouca utilidade social e é apenas uma maneira mais de ganhar a vida. Com alguma dignidade, que é isso que importa.

A idade também me ajuda a aceitar melhor o faz-de-conta, desde que ele se aplique apenas aos que não têm poder nem meios de sobrevivência.

Os jovens e a política

A taxa de desemprego da população belga francófona no grupo etário dos 18 aos 30 anos ronda os 18%. É, assim, mais elevado que a média nacional de 8,3%, que é a taxa geral do desemprego no país. Reflecte um problema que é comum a vários países europeus: uma economia com uma dinâmica insuficiente e que por isso tem dificuldades em proporcionar emprego aos mais jovens. Sem esquecer muito do emprego existente é de natureza precária.

Um inquérito agora divulgado diz-nos que um em cada dois desses jovens considera que o actual sistema de ensino é inadequado e não corresponde nem às necessidades do mercado do trabalho nem dá a agilidade mental que um mundo em mutação constante requer. Assim, não é de estranhar que mais de 60% dos inquiridos tenha uma visão pessimista sobre o futuro da sociedade a que pertencem. Na mesma lógica, 1/3 dos jovens sente-se depressivo ou manifesta algum grau de ansiedade psíquica.

Os dados do inquérito são um verdadeiro desafio político. O problema é que a política tradicional, tal como tem estado a ser praticada, não tem conseguido responder as estas inquietações. Há aqui espaço, por isso, para novas maneiras de fazer política. Como também há campo para as manobras dos populistas e dos irrealistas.

Portugal e um euro mais barato

Neste momento, os meios financeiros e de negócios com influência no centro da Europa acreditam que o euro irá continuar a perder valor em relação ao dólar americano. Um número significativo – estimado em mais de 60% dos líderes económicos europeus – acredita que o euro vai chegar a uma situação de paridade com o dólar.

Um euro mais barato traz novas oportunidades económicas para os países da moeda única. Abre, além disso, novas possibilidades de criação de emprego.

Como vai Portugal aproveitar esta nova conjuntura?

Fica aberto o debate.

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