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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Imigração e integração

Muitos imigrantes de origem turca residentes na Bélgica têm dupla nacionalidade. São simultaneamente belgas e turcos. Mesmo os mais jovens, já nascidos e criados nas terras da Flandres, da Valónia ou em Bruxelas, acabam por optar pelo exercício e os direitos das duas cidadanias.

Por isso, todos puderam votar no referendo de ontem.

Agora, sabido o resultado, veio o choque. Sim, 75% dos belgo-turcos votaram a favor das propostas antidemocráticas de Erdogan. Uma percentagem muito elevada, bem acima de outras comparáveis.

E isso está a levantar sérias dúvidas sobre o grau de integração destas pessoas numa sociedade pluralista e tolerante como a da Bélgica. Dá, além disso, aos nacionalistas belgas de várias estirpes mais pano para mangas e mais argumentos contra a imigração.

 

Um "sim" tirado a ferros

O Presidente Erdogan passou os últimos meses a fazer campanha pelo “sim”. Como se a liderança da Turquia se limitasse a um exercício referendário, ainda por cima de legitimidade duvidosa. Foi uma campanha que ficou marcada pela intimidação de todos os que se opunham à reforma constitucional que propunha e que daria, quando aprovada, um poder quase absoluto ao presidente da república da Turquia. De tal modo foi a pressão que a comunicação social, com excepção de alguns casos raros e extremamente corajosos, não viu outra saída senão apoiar cegamente as instruções vindas do poder.

Seria de esperar, num clima quase totalitário como o que o país tem estado a viver, uma vitória sem espinhas do “sim”. Ora, os resultados do referendo dão a Erdogan uma vitória por uma unha negra. Em condições mais democráticas, teria perdido.

Depois de apostar forte e feio em ameaças e abuso de poder, conseguiu finalmente impor a sua pessoa e dividir ainda mais – e de modo profundo – a Turquia.

Nada disto augura tempos tranquilos.

Os comentários da semana na Rádio Macau

Esta semana, os meus comentários para o Magazine Europa da Rádio TDM de Macau centraram-se nas eleições na Holanda, na questão turca, quando vista do nosso lado, na reeleição de Donald Tusk e na saga que está a ser o Brexit.

Sofia de Jesus está como de costume do outro lado da linha e Rui Flores coordena e planifica o esforço comum. Em Macau, este trabalho conjunto é francamente apreciado.

O link do programa de hoje:

Magazine Europa (14 de Março de 2017)

 

A Holanda e o provocador

A Holanda está no centro das atenções.

A crise com a Turquia parece-me ter sido uma provocação deliberada. O Presidente Erdogan sabia que este era o último fim-de-semana, antes das eleições legislativas holandesas de 15 de março. Sabia igualmente que, durante um período como este, nada é inocente. Sobretudo quando questões identitárias, nacionalistas e anti-imigração islâmica estão no centro do debate político, como é o caso nos Países Baixos. Planear acções de campanha na Holanda, lideradas por ministros vindos de Ancara, com vista ao referendo turco, um referendo que só terá lugar a 16 de abril, nas vésperas de uma consulta tão melindrosa como a holandesa, só poderia ter como objectivo criar dificuldades adicionais aos moderados holandeses e dar pretextos aos extremistas que apoiam Geert Wilders.

Este é um jogo muito perigoso.

Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês, respondeu com firmeza e dentro dos limites. Mas ninguém sabe qual terá sido o impacto da provocação sobre as intenções de voto.

Veremos na quarta-feira. E estaremos sobretudo atentos aos resultados quando comparados com as sondagens. Serão um barómetro. Se se notar que a votação em Wilders é muito superior às previsões, deveremos ficar muito preocupados. Estaremos, então, perante uma situação que se poderá repetir em França: eleitores que votam pela extrema-direita, mas que permanecem calados durante os inquéritos de opinião. Ou que apontam num sentido, por medo da crítica social, mas disparam noutro, e claramente em apoio dos fascistas.

 

A UE face a um Presidente Trump...

Na UE, a eleição presidencial americana está no centro das atenções políticas e das conversas de quem sabe falar sobre essas coisas. Sobretudo agora, nas vésperas do dia eleitoral e por causa da progressão constante de Donald Trump, nas sondagens publicadas nesta última semana.

Uma vitória desse candidato parecia improvável, antes da famosa e ambígua carta assinada e divulgada pelo Director do FBI. Agora, é uma possibilidade. Na verdade, embora a composição do colégio eleitoral continue, nas previsões de quem as faz, favorável a Hillary R. Clinton, tudo pode acontecer, quando os votos tiverem sido contados.

A liderança política europeia preferiria ver Hillary Clinton eleita. Estou inteiramente de acordo. É a melhor candidata, a mais experiente e a mais madura, trata-se de uma aliada de confiança da Europa. Está, em termos políticos, a milhas de distância de Trump.

Mas se os eleitores americanos decidirem de outro modo, a Europa saberá aceitar o verdicto popular. E terá que encontrar maneira de responder ao enorme desafio que um resultado desse tipo representaria. Ficaria, é verdade, numa posição geopolítica difícil. De um dos lados teria Vladimir Putine e Erdogan, do outro, Donald Trump. Sem contar com as suas próprias contradições internas e lideranças ambivalentes, sobretudo em Varsóvia, Budapeste, Paris e Londres.

Vai conseguir encontrar o equilíbrio de interesses, se um cenário desses se concretizar? Não será fácil, mas acredito que haverá liderança suficiente para que se possa defender os interesses e os valores que, apesar de tudo, ainda fazem parte do nosso património comum. Podemos estar preocupados, mas não há motivo para pânico.

 

 

Sobre a Turquia de hoje

Estive recentemente em contacto com a imprensa turca. E fiquei enjoado. Os jornais e o resto da comunicação social transformaram-se em meros amplificadores das políticas inaceitáveis, obsessões e ambições perigosas de Erdogan. Parece que estão numa competição que procura mostrar qual deles consegue agradar mais ao líder. Na realidade, reflectem o clima de medo colectivo que se vive no país.

Para além da glorificação do Presidente da República, os outros dois temas abordados quotidianamente dizem respeito às conspirações recentes e em preparação, num clima em que imperam as alucinações e as teorias conspirativas, bem como à UE, que é sistematicamente atacada e ridicularizada .

Tudo isto faz pena e aumenta a distância entre a Turquia de Erdogan e a nossa maneira de viver a política e a vida.

Turquia: um problema de grande complexidade

Os acontecimentos que marcam a actualidade sobre a Turquia são bastante preocupantes. Têm, por outro lado, implicações profundas e complexas na política externa da UE e no funcionamento da Aliança Atlântica. Falar de democracia e da preservação do estado de direito não chega. É, no entanto, muito importante.

Uma cimeira de fracos contra fortes

A cimeira que vai decorrer esta tarde em Bruxelas entre a União Europeia e a Turquia causa-me algumas preocupações. A UE não está preparada para uma discussão em pé de igualdade com o governo de Ankara. No essencial, os dirigentes europeus têm apenas uma única preocupação: travar o movimento migratório e de refugiados que continua a chegar à Europa através do Mediterrâneo Oriental. Contam, para isso, com a ajuda da Turquia, país por onde transitam as sucessivas vagas de emigrantes e de candidatos ao refúgio.

É uma ideia fixa, sem estratégia, para além de acreditarem que se a Turquia fechar a torneira a avalanche humana ficará resolvida.

É a Europa na sua versão mais patética que se reúne hoje em Bruxelas.

O governo turco procurará tirar o máximo de concessões dos europeus. Tem todos os trunfos para o fazer. E a intenção também. A Turquia encontrou aqui um meio de fazer pressão sobre os europeus. Só assim se explica a política que tem seguido, ao longo deste ano, de deixar entrar qualquer pessoa, vinda dos cantos mais diversos do globo, desde que esse viajante esteja de passagem e a caminho da UE. O Presidente Erdogan e o seu Primeiro-ministro Davutoğlu são grandes estrategas. Sabem o que querem.

E neste caso, a aposta é tirar o maior partido possível das fraquezas, das indecisões e das fracturas que existem entre nós. Vão pedir muito dinheiro – querem uma ajuda orçamental de 3 mil milhões de Euros por ano –, abolição dos vistos para os turcos e, acima de tudo, um calendário preciso para o arrastadíssimo processo de adesão do seu país à UE. Irão também tentar implicar a Europa na confusão perigosa que criaram com a Rússia.

Escrevi há dias, no meu blog em inglês www.victorangeloviews.blogspot.com qual deveria ser a atitude dos dirigentes europeus. A ênfase deveria ser posta nos valores da democracia, da liberdade de imprensa, nos direitos humanos, no respeito pelos direitos constitucionais das minorias étnicas. Se assim o fizerem, a discussão será mais equilibrada. Esses são os pontos fracos da governação de Ankara. São, ao mesmo tempo, os pilares do espaço europeu.

Não penso, no entanto, que haja em Bruxelas coragem para tanto. Estamos entregues aos fracos. Assim o receio.

 

 

 

 

 

Erdogan e os salvadores da pátria

O meu texto na Visão em papel de hoje é sobre a Turquia de Erdogan.

 

O link é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/oq6fcva

 

e também

 

https://docs.google.com/file/d/0B7Mx3TqxEDLpSE5XRlFXM0JkY1U/edit

 

Transcrevo também a versão em Word:

 

Erdogan: uma metamorfose previsível

Victor Ângelo

 

 

Na cena política turca, Recep Tayyip Erdogan aparece como um gigante. Primeiro-ministro há mais de dez anos, reeleito pela terceira vez em 2011, com cerca de 50% dos votos, Erdogan herdou uma situação caótica mas soube dar-lhe a volta. A economia e o nível de vida cresceram, as finanças públicas estabilizaram, o que em 2003 parecia impossível, as infraestruturas e os serviços sociais foram modernizados e expandidos. No campo externo, fez surgir uma potência com ambições regionais. Basta passar pelo aeroporto de Istanbul para se perceber como o país se está a transformar numa placa giratória entre a Europa e os Orientes. Muitos observadores começaram a dar a Turquia como um exemplo de um país emergente com sucesso. Isto apesar de algumas reservas, ditas em voz baixa, sobre a inspiração religiosa retrógrada do primeiro-ministro.

 

No caso mais concreto dos círculos dirigentes da UE, a Turquia de Erdogan tem sido vista como um caso complexo, uma espécie de bom vinho passível de provocar uma ressaca penosa. A Europa mantém com a Turquia uma relação sol e sombra. O crescimento económico, que abriu novas oportunidades de negócios para as empresas europeias e baixou a pressão migratória, com uma redução evidente do fluxo de famílias turcas à procura de vida na Europa, é apreciado. Como também se dá valor ao papel que Ankara tem desempenhado em termos da segurança da região, na contenção do Irão, no apoio à oposição síria e no combate ao terrorismo. Ao fim e ao cabo, a Turquia é um pilar fundamental da NATO, o único de base islâmica e inserido numa encruzilhada geopolítica de importância estratégica indiscutível.

 

Do outro lado, a questão sem fim da adesão à UE é uma dor de cabeça recorrente, um problema que a França, a Alemanha e outros gostariam de varrer de vez para debaixo do tapete europeu. A resposta é claramente que não, adesão nem pensar, mas falta a coragem política para fechar um assunto que se arrasta desde 1987. E a essa locomotiva vacilante acrescentam-se outros vagões, que tornam a marcha ainda mais improvável: a teimosia turca face à partição de Chipre, a competição militar desenfreada com a Grécia, e, na frente interna, a corrupção, bem como as violações de direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e da independência do sistema judicial.

 

Na verdade, a governação de Edorgan, por muito que se possa dizer de positivo, entrou numa deriva autoritária, sobretudo a partir de 2009. Começou pela humilhação das forças armadas, feita com base em acusações e em julgamentos que não teriam sustentação num qualquer outro país da NATO. Continuou com a comunicação social. O poder soube utilizar a arma fiscal, multas e penas de prisão incluídas, para reduzir os grupos empresariais que controlam os principais medias à aquiescência política. A Turquia tem mais jornalistas por detrás das grades que muitas ditaduras reconhecidas. Recentemente, foi a vez de introduzir legislação que põe os juízes e os procuradores debaixo do arbítrio do governo. Procedeu-se, também, ao saneamento político das polícias. Agora, ao proibir o acesso ao Twitter – um meio que os jornalistas e outros activistas têm utilizado para ultrapassar a autocensura imposta à comunicação social – é a sociedade civil que está na linha de mira. Ou seja, o único pilar da democracia que ainda faz contrapeso a Erdogan.

 

Em política, é muitas vezes assim. Os que se tomam por gigantes crêem-se indispensáveis, salvadores da pátria. Procuram, por isso, eternizar-se e acabam por se metamorfosear em monstros políticos. Com o tempo, é certo que sairão de cena, mas aos empurrões, quando poderiam ter saído pelo seu pé e com glória.  

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