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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A saga do enforcado

Quem andar de olhos abertos verá que a actividade económica está a funcionar ao ralenti. Mesmo as grandes superfícies, os supermercados do consumo do dia-a-dia, se queixam. Compra-se menos e, tão apenas, o mais barato.

 

Os mercadores de esperança, verdadeiros malabaristas do optimismo político, dirão que não será bem assim. Que os indicadores estatísticos começam a ser favoráveis. Que existem sinais de retoma. Os seus jogos de espelhos mostram as imagens ampliadas de uma realidade que é frouxa e anã. Reflectem sorrisos, quando o quotidiano é uma mancha de esgares do desespero.

 

Falam-nos na confiança. Que é preciso ter confiança, mostrar energia e continuar a puxar para cima. O problema é que confiança neles, já não existe, e quando se puxa para cima, a corda aperta ainda mais o pescoço e deixa-nos a baloiçar no vazio de uma política oca.

O derrame do conflito

Na Visão, publico um texto sobre a BP, o derrame de petróleo no Golfo do México, as repercussões políticas, domésticas e externas, desta crise, partilho uma experiência de trabalho com as grandes multinacionais do petróleo, até falo mesmo de futebol...

 

O artigo está disponível no sítio da revista:

 

http://aeiou.visao.pt/para-desempatar=f562542

 

Agradeço a leitura e os comentários.

Crises e desafios

Depois de uma volta ao mundo dos conflitos, hoje foi altura de rever alguns dos traços mais salientes da economia internacional. No curto prazo, os elos fracos da cadeia, na UE -- a Espanha, em primeiro lugar, Portugal logo a seguir, por razões próprias e pelo efeito dominó da crise espanhola, da Grécia não vale a pena falar -- continuam a ser a preocupação mais premente. A prazo, temos os défices orçamentais de países importantes, uma nova crise do dólar, mais tarde ou mais cedo, e o impacto das crises sobre a estabilidade dos mercados e sobre os sistemas financeiros, os bancos, os fundos de pensão, as seguradoras, etc.

 

No caso da UE e dos EUA, a questão do modelo de desenvolvimento continua por resolver. Qual deverá ser o novo paradigma económico? Como também não há resposta para a questão da interacção entre o crescimento económico, as variáveis populacionais, o aumento do consumo per capita e os recursos naturais e ambientais. O problema do património ambiental é, aliás, um tema que tem que interpelar os filósofos, não apenas os cientistas e os economistas.

 

São toda uma série de variáveis que exigem que se faça uma reflexão estratégica muito aprofundada. Há aqui muito pano para mangas. Muitas interrogações sobre o futuro.

 

Entretanto, até deu para ver o desafio entre Portugal e a Costa do Marfim. Foi no aeroporto de Genebra. Eu viajava para um lado, que rumar para outros lados tem sido o meu destino, muitos portugueses viajavam para Lisboa. E o acaso fez bem as coisas. Primeiro, o instrumento de tortura, a televisão, encontrava-se ao lado da porta de embarque para Portugal. Muito cómodo. Segundo, os controladores aéreos franceses estavam, uma vez mais, em greve. Não querem mudanças, numa altura em que várias coisas são constantemente postas em causa. O que atrasou o voo e deu para ver a partida até ao fim. Só que uma das equipas andava no campo um pouco ao acaso das bolas e das artes de cada um. Não chega. Faltava uma linha orientadora. Um sentido, uma mobilização do grupo. Uma direcção clara. Uma vez mais pensei que o futebol e a política andam, de facto, de mãos dadas. Com uma liderança que ninguém entende e que alguns desafiam, a deixar recados que só fazem aumentar a confusão. A propor soluções que nada adiantam. Por isso, o resultado é que andamos todos muito empatados. 

O empate

A principal conclusão do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Caso da TVI foi tornada pública. É uma conclusão que, em qualquer democracia avançada, levantaria sérias questões políticas. Quantas carreiras políticas não terminaram por razões bem menores? Em Portugal, na Itália, e noutros países do mesmo género, não é bem assim. Acusam-se uns aos outros de serem o que de facto são e, depois, tudo é esquecido e cada um continua a fazer o que pode e o que quer.

 

Nos dias de hoje, dir-se-ia que foi golo mas que ficou tudo empatado. Como sempre.

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