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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma esquerda moderna e não a dos bacocos

Curiosamente, numa altura em que a UE é governada ao centro, com uma ligeira tendência centro-direita – mas capaz de combinar, embora nem sempre com a clareza que deveria, o liberal e o social – a política portuguesa parece querer apostar na contracorrente. Ou seja, dir-se-ia pronta a empenhar-se numa viragem na direção de uma esquerda estatizante, economicamente conservadora, protecionista e pequeno-burguesa.

Que fique no entanto claro que não há problema algum numa opção de esquerda, mesmo nesta Europa centrista. Mas que seja uma esquerda arejada e moderna, capaz de fazer funcionar a educação, tendo em conta os desafios da cidadania, da economia digital e da sociedade do conhecimento. Capaz também de fazer funcionar o serviço nacional de saúde, e não apenas uma parte desse xadrez, deixando o resto a fingir que existe. Capaz igualmente de reabilitar as instituições que se ocupam das questões fundamentais de soberania, a começar pela defesa nacional e a segurança interna, a justiça, a representação externa e a língua. E acima de tudo, uma esquerda capaz de promover uma economia que atraia os melhores investimentos privados possíveis, que crie emprego moderno e que seja ágil na resposta à concorrência e aos desafios da rápida modernização dos meios de produção, dos mecanismos de mercado e dos novos tipos de consumo.

Essa é a resposta que deve ser construída.

O resto é saudosismo do passado e poesia sem arte, com palavras ocas e declarações sem significado, a não ser o de embasbacar os bacocos.

Alianças com extremistas são inaceitáveis

Tenho defendido nos meus escritos e nas minhas intervenções públicas que qualquer tentativa de aliança com extremistas ideológicos é um erro político grave. Esta posição assenta na experiência que tenho de muitas décadas de trabalho em várias partes do mundo.

Ontem assisti a mais um exemplo. O novo primeiro-ministro da Bélgica esteve no parlamento do país, para tentar obter a confiança política da assembleia. Foi um caos. Charles Michel, o novo PM, um jovem centrista da direita moderada e francófona, havia constituído uma coligação que integra, entre outros, extremistas de extrema-direita de língua flamenga. A imprensa, na véspera do debate parlamentar sobre o programa do novo governo, revelou que dois membros dessa organização extremista – um ministro e um secretário de Estado – haviam expressado “simpatia e compreensão” pelos belgas que haviam colaborado com o nazismo. Michel tentou passar por isso como um cão por vinha vindimada. A sua preocupação era a de salvar a coligação governamental a todo o custo.

Foi um pandemónio.

Mas mais que o caos, o caso revelou que quem faz alianças com extremistas fica numa situação de grande precaridade política, altamente fragilizado e, acima de tudo, prisioneiro desses talibãs de ideias inaceitáveis. Assim acontece, por muito boas, puras, moderadas e patrióticas que sejam as intenções de quem defende esse tipo de acordos.

Os extremistas entram neste tipo de alianças para ganhar terreno, para promover a sua visão fundamentalista e linear da vida em sociedade e da política.

A única receita que funciona em relação aos extremistas de todos os bordos é o combate político sem tréguas.

Os negócios dos partidos

Vossas Excelências propõem a criação de um “Banco de Fomento”? Do tipo Caixa Geral de Depósitos, para financiar projectos sem asas nem hipóteses de serem rentáveis? Projectos dos amigos do partido e das cliques que vos rodeiam, como foi o hábito nos últimos vinte anos, em relação aos vários partidos de governo?

 

Projectos nos quais o sector privado não quer arriscar o seu próprio capital? Projectos que não conseguem financiamento nos mercados, por serem ideias coxas?

 

Disseram “Banco de Fomento”? Numa altura em que o imperativo é reduzir o número de bancos? E tirar o Estado dos negócios, que devem ser a responsabilidade do sector privado, nos momentos de ganho e também nos de perdas?

 

E o capital para constituir esse “Banco” virá donde? Dos impostos? De obrigações públicas?

 

Não acham que é uma ideia de outros tempos, quando o Estado era considerado um actor metido em negócios? Não se tratará de uma visão virada para trás e não para o futuro?

 

Quem vos anda a meter estas coisas na tola? 

O folhetim televisivo

Sarcasmo à parte, faz-me na verdade pena ver tanta boa cabeça a discutir uma questão como a do futuro da RTP sem ter em conta várias coisas: 

 

1. Que é preciso definir o que se entende por serviço público de televisão, na segunda década do século XXI.

 

2. Que não se conhece a posição do governo, que se tem mantido surdo e mudo sobre o assunto.

 

3. Que se desconhece o que irá acontecer à RTP África e à Internacional.

 

4. Que o debate ocupa todo o espaço de discussão disponível, por isso interessar às diferentes cadeias de televisão existentes.

 

5. Que há muito mais para discutir, no que respeita ao futuro de Portugal.

 

6. Que muito disto não passa de uma manobra de diversão.

 

7. Que falta muita serenidade e substância no debate público, quer em relação a este assunto quer em geral.

 

E a lengalenga continua.

Umas lojas inaceitáveis

Percorrer as ruas com os olhos abertos permite ver que muitas lojas estão fechadas. É o preço da crise, diriam alguns.

 

As únicas lojas que deveriam fechar mas que continuam a prosperar neste Portugal estranho são as da maçonaria.

 

Agora, até dão equivalências académicas.

 

Que país!

A cimeira dos olhos azuis

 

Ontem, a convite de David Cameron, realizou-se, em Londres, uma cimeira dos países do Norte da Europa. Foi a primeira vez. Da Islândia à Estónia, lá estiveram todos os escandinavos e os bálticos, à volta do primeiro-ministro britânico. Chamei a esta reunião a cimeira dos olhos azuis. Mas, não eram só os olhos. Dos sete homens presentes -havia também duas mulheres- seis apresentaram-se com gravatas de tons azuis. Ou seja, o azul era a cor dominante, nesta reunião de gente que se considera de grande seriedade e na ponta do progresso social.

 

Na realidade, e na simbologia, era um encontro de gente semelhante, "think alike people", como os ingleses gostam de dizer. Uma espécie de afirmação política contra a Europa do Sul. Para mostrar que há uma parte da Europa que funciona, que não está em crise, salvo, claro, o caso da Islândia, que aposta na inovação, na igualdade do género e que promove uma economia verde. Estes foram os três grandes temas do encontro.

 

No próximo ano vão voltar a encontrar-se, dessa vez, na Suécia.

 

Tudo isto mostra que a tendência para um rearranjo dos grupos de países, até mesmo no seio da UE, é cada vez mais evidente. Grupos que, há vinte ou trinta anos faziam sentido, estão agora, de um modo mais ou menos sub-reptício, a ser postos em causa. É tempo de novas alianças.

 

Mostra também que a aproximação geográfica traz consigo a proximidade cultural e esta leva à procura de novos entendimentos políticos. 

 

Feitas as contas, este tipo de iniciativas vem sublinhar, uma vez mais, a fragilidade da UE, que passa a ser cada vez mais, e apenas, um mercado que permite a livre circulação das mercadorias. Mas que não tem unidade política nem uma identidade comum.

Nevoeiros

Depois de 2270 km de estrada, só me falta ler algumas das chachadas da imprensa lusa, para ficar completamente fora de jogo.

 

Continua a haver muito fascínio na nossa imprensa e na nossa sociedade pelos senhores das grandes famílias e pelas gentes que enchem as colunas sociais. É próprio do bacoquismo aldeão que define o nosso nevoeiro político e mental.

 

 

Brancos e Negros

No Sábado, Washington assistiu a dois comícios políticos. Celebrava-se nesse dia mais um aniversário do discurso histórico de Martin Luther King intitulado "I have a dream".

 

Num deles, um mar de gente veio ouvir Sarah Palin, antiga governadora do estado do Alasca e candidata à vice-presidência dos EUA nas últimas eleições. Uma mulher ultra-conservadora que se está a transformar na porta-estandarte das ideias republicanas mais à direita. A quase totalidade dos presentes era branca.

 

Um par de milhas mais ao lado, uma outra multidão veio ouvir o líder negro Al Sharpton. O Rev. Sharpton é um homem de posições extremas, quando se trata da defesa dos direitos dos afro-americanos. É, como Sarah Palin, muito controverso. As muitas pessoas presentes eram, quase todas, negras.

 

Assim se extremam as posições nos EUA de 2010. Quer de um lado quer do outro, a questão da cor da pele continua a ter um peso desmesurado em matéria política.

Fronteiras, identidades e paciências

 

Passar quase quatro horas na Loja do Cidadão para renovar um passaporte foi a moeda de hoje. Às 09:30, a bicha nas Laranjeiras quase chegava à Estrada da Luz. Milhares de cidadãos pacientemente esperando por serviços burocráticos básicos. Santa paciência, que deve haver um canto no céu inteiramente reservado aos nacionais lusitanos. Bem merecido é!

 

A verdade é que os serviços administrativos são insuficientes, numa cidade como Lisboa, para as necessidades da população. Poupa-se em funcionários enquanto o pobre do utilizador perde em termos de tempo e de fé na eficiência da função pública.

 

Segui para os Restauradores. Antes das 10:00, a senha para o balcão de emissão de passaportes já apregoava o número 75. O que me deu tempo para ficar à espera, de pé, que só haviam cinco assentos disponíveis, até cerca das 14:00. Curiosamente, a maioria dos portugueses que me passaram à frente dos olhos eram crianças e pais jovens de origem africana. Todos com a nacionalidade de Portugal, todos, ao fim e ao cabo, com o mesmo documento que um desgraçado de um Alentejano como eu iria receber. Ou seja, muitos dos nossos concidadãos têm pouco a ver com a descendência que Viriato nos deixou.

 

Foi esclarecedor em termos das grandes mutações que as migrações recentes provocaram no nosso país.

 

Pensei que a imigração é um dos três grandes temas das eleições britânicas. Os outros dois são, obviamente, a crise económica e a falta de honestidade dos políticos. Lembrei-me das discussões sobre as questões da identidade, que estão a percorrer a sociedade francesa. No tema do véu integral, muito actual na Bélgica e noutros países vizinhos.

 

Tudo isto são assuntos muito delicados, fracturantes, fontes potenciais de conflitos cívicos. Esperemos que aqui, na nossa terra de santos pacientes, haja suficiente sabedoria para não entrar por esses caminhos.

 

 

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