Portugal é grande quando abre horizontes

03
Dez 15

Há por aí uma grande confusão à volta do conceito de igualdade. Vai ser necessário tratar do assunto.

Para já, convém dizer que nestes tempos de democratização do acesso à informação e à palavra, através nomeadamente da internet, mas também por motivo do liberalismo opinativo que faz agora parte da nossa vida, a questão da igualdade, num sentido de justiça social, é muito central e muito sensível. Por isso, deve ser discutida com toda a objectividade e sem receio.  

publicado por victorangelo às 21:55

23
Jun 15

Os negócios do Estado não incluem a administração de empresas sem valor estratégico. Também não passam pela gestão de empresas em falência crónica, que vivem pura e simplesmente à custa dos impostos dos cidadãos.

Este tipo de posição não tem nada que ver com uma visão liberalizante da economia. Tem, isso sim, uma relação directa com um Estado forte, capaz de desempenhar as funções de essenciais da soberania, de regulação económica e social e de criar as oportunidades que todos devem ter, desde a mais tenra idade.

Não cabe ao Estado gerir empresas de transporte. Também não é missão do Estado administrar unidades fabris ou bancos. Mas é função do Estado fazer com o sistema de justiça funcione a tempo e horas, e com equidade, ou que se possa andar nas ruas sem medos nem agressões. E assim sucessivamente, nas questões que saem do âmbito da iniciativa privada.

O debate sobre o papel do Estado continua a ser um assunto de grande actualidade, não haja dúvidas.

publicado por victorangelo às 20:53

19
Nov 14

Independentemente das opções políticas e das preferências partidárias, parece-me positivo que uma mulher com reconhecido mérito profissional tenha sido empossada como ministra da Administração Interna.

A experiência mostra que a melhor maneira de fazer avançar a agenda da igualdade entre os homens e as mulheres passa pela nomeação de mulheres competentes para cargos de grande responsabilidade política.

E em questões de igualdade do género temos que reconhecer que ainda há muito por fazer, quer em Portugal quer noutros países europeus. A esse título basta ver a mesma página da Presidência da República que reporta a tomada de posse da nova ministra e percorrer as imagens fotográficas de um grupo de senhores que está a promover um projecto sobre o talento português, sob o nome um pouco estranho de “Transforma Talento Portugal”. Só homens…Que isto do que eles entendem como talento é certamente coisa de homens, na cabeça de quem os nomeou e também nas vistas de quem aceitou fazer parte da coisa…

publicado por victorangelo às 20:00

01
Abr 14

Ser operado ao olho direito no Dia das Mentiras talvez não pareça coisa muito séria. Mas assim foi. Entrei às sete da manhã, passei para a sala de operações às oito, voltei ao meu quarto às 09:30 e tive alta pouco depois do meio-dia. Tudo exactamente como programado. Como o meu cirurgião é um dos grandes especialistas de Bruxelas, e como não havia urgência, tive que esperar quatro meses por vez. Faz oito cirurgias por semana, todas à terça-feira de manhã.

 

O hospital é privado, ou seja tem uma gestão independente do sistema nacional de saúde e é propriedade de investidores privados, mas o que que conta é o regime de segurança social dos pacientes. Um paciente no regime geral, público, pode optar por se fazer operar nesse hospital, se o seu médico operar aí. O sistema público reembolsa o hospital, de acordo com uma tarifa previamente estabelecida por acordo para cada tipo de intervenção.

É um sistema relativamente igualitário. Mas não totalmente. No meu caso, como não estou inscrito em nenhum sistema nacional de saúde – estou abrangido por esquema próprio da ONU – as limitações são menores. Isto que dizer que uma lente inserida na vista de um paciente do sistema público tem um limite de preço, e por isso, de qualidade. Ou seja, o que parece 100% igualitário acaba por não o ser.

 

Faz reflectir.

 

 

publicado por victorangelo às 20:24

08
Mar 13

Hoje a escrita só pode ser de apoio ao Dia Mundial dos Direitos das Mulheres.

 

Com uma nota para lembrar que a desigualdade não acontece apenas nos países menos desenvolvidos. Verifica-se também aqui, dentro do nosso país, da nossa casa, na mente de muitos de nós. O combate pela igualdade começa, por isso, ao nosso nível. Não é preciso procurar muito longe. 

publicado por victorangelo às 21:01

27
Dez 12

 

Os leitores, que foram centenas, dos blogs que publiquei ontem sobre o machismo institucional, têm hoje a oportunidade de ver uma das fotografias oficiais da apresentação de votos do Governo ao Presidente da República. E notarão que as mulheres que são ministros, duas apenas, não aparecem na fotografia. Ou seja, houve novamente, ao mais alto nível, falta de sensibilidade política para uma questão que deve ser central, que é a participação das mulheres portuguesas nos órgãos de decisão do Estado. 

 

O que já fora óbvio ontem confirma-se hoje. Somos, em muitas coisas, um país que precisa de se modernizar. 

 

Talvez fosse altura de sugerir aos chefes que mirem o que se passa em Madrid...que vejam a composição do governo espanhol, do actual e do precedente...Em ambos os casos, considerados exemplares, a par dos Nórdicos, no que respeita à paridade entre os homens e as mulheres. 

publicado por victorangelo às 21:17

26
Dez 12

 

Mais do mesmo, na continuação do post anterior. Desta vez, em Maio de 2012. Uma Presidência que ignora as mulheres portuguesas.

publicado por victorangelo às 21:09

24
Out 12

Hoje celebra-se o Dia das Nações Unidas.

 

Durante mais de três décadas, participei formalmente na comemoração da data. Desta vez havia sido convidado, enquanto antigo do sistema, para uma cerimónia no Senado belga, presidida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, mas por razões de agenda não me foi possível estar presente. Teria, penso, ouvido o ministro renovar o compromisso de uma maior colaboração entre o seu país e o sistema onusiano. É sempre bom ouvir declarações desse tipo, sobretudo quando a tendência é para que se tomem iniciativas internacionais à margem e revelia do quadro de referência que define a ONU.

 

Teria, igualmente, assistido à leitura da mensagem do Secretário-Geral. Ban Ki-moon lembra-nos, na sua mensagem, que vivemos num mundo em que a insegurança, a desigualdade e a intolerância são fenómenos em expansão. E acrescenta que a resposta passa pela paz, pelo desenvolvimento, pelo respeito pelos direitos humanos num estado de direito, e pelo reforço social e político do estatuto das mulheres e dos jovens.

 

Curiosamente, a referência aos jovens apareceu pela primeira vez numa declaração deste tipo. 

 

Também teria, creio, pensado que a ONU tem muitas imperfeições. Mas que um mundo sem a organização seria certamente um mundo ainda mais perigoso. 

publicado por victorangelo às 21:04

25
Fev 12

Vivemos cada vez mais em sociedades a duas velocidades. A desigualdade já não é como outrora, em que em alguns, poucos, tinham muito, controlavam quase tudo, e a maioria não tinha nada. Hoje a desigualdade é mais subtil. Continua a existir uma camada de gente muito rica --a Forbes define esse grupo como sendo os que têm um património acima dos 100 milhões de dólares. Mas, para além desses, há uma camada social que vive desafogada, com salários e rendimentos muito acima da média. São, em geral, os que trabalham nos sectores da economia mais avançados, mais modernos e de maior valor acrescentado. São, na maioria dos casos, pessoas com um nível de educação académica elevado, virado para a inovação, para a criação de novos produtos e de novas ideias. Ao lado, vivem os que não conseguem sair das profissões de pouco valor acrescentado, de empregos que requerem qualificações mais genéricas ou pouca qualificação. Em ambos os casos, nota-se que as pessoas continuam prisioneiras das suas origens sociais. Quem vem de baixo, fica em geral em baixo. Há menos mobilidade do que se pensa. 

 

Uma cidade como Bruxelas mostra claramente onde vive quem está num grupo ou no outro. A geografia social da capital da Europa é muito clara. Quem reside na zona de Anderlecht, por exemplo, tem pouco que ver com quem vive no bairro de Woluwe Saint-Pierre. Nas zonas ocidentais da cidade - Anderlecht é um exemplo - encontramos as pessoas que têm um poder de compra menor. Algumas delas, estão no limiar da pobreza. Do lado leste da cidade - Woluwe Saint-Pierre, por exemplo -, ou a sul, vivem as famílias com rendimentos mais elevados. Nesta parte de Bruxelas, as vivendas e os apartamentos mais caros são vendidos num ápice. 

 

Na periferia da cidade, temos uma situação muito diferente da que se verifica em Portugal. As terras da periferia são, em geral, zonas de habitat recente, com vivendas modernas. Quem aí vive tem um rendimento familiar elevado, por vezes mesmo superior à média dos rendimentos nos bairros mais ricos da cidade. 

 

A grande preocupação dos dirigentes com senso tem que continuar a ser a da igualdade de oportunidades. Apesar de tudo...

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 22:22

08
Mar 11

 

Copyright V. Ângelo

 

No Dia Internacional da Mulher, liberdade, igualdade e dignidade são as palavras que se impõem. 

 

Dizem tudo.

publicado por victorangelo às 20:10

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