Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Uma intelectualidade amarga e negativa

Os intelectuais de serviço, neste estranho país que é o nosso, continuam a primar pela superficialidade e a acreditar num mundo que já foi. São produtores de ideias reacionárias com sabor a radicalismo progressista.

Os directores dos jornais e das televisões, que pertencem o mesmo clube de aldeões iluminados, dão-lhes guarita e amparo.

E assim se forma uma opinião pública que nada tem que ver com a modernização da sociedade e a responsabilização de cada um de nós. Uma opinião que vê nos outros a culpa de todos os seus males.

Os nossos malucos e a política externa europeia

Alguns dos nossos desnorteados públicos continuam a dizer e a escrever que a Europa não tem uma visão geoestratégica, que anda por esse mundo às apalpadelas e ao sabor dos ventos mais fortes. Não é verdade. A UE tem hoje um serviço de acção externa de alto calibre, experiente, pertinente e capaz de propor direcções estratégicas. Tem também um novo tipo de competências em matéria de análise de conflitos e de identificação de crises potenciais. Nessa área, desenvolveu recentemente um quadro metodológico que tem servido de modelo para os estados membros mais atentos.

O problema é outro, quando se trata da política externa europeia. Os principais estados têm interesses internacionais que nem sempre coincidem uns com os outros. E por vezes não é possível chegar a uma plataforma comum. Daqui resulta, para os observadores menos sérios ou menos atentos, ou para os nossos demagogos, uma imagem de falta de direcção. Ora, não é bem assim. Às vezes, há direcções a mais, opções distintas e todas elas suficientemente pertinentes.

O caso da Rússia tem sido um bom exemplo de acordo estratégico entre os estados membros. Mas é cada vez mais um processo arrancado a ferros. E isso acontece não por falta de inteligência política, mas porque os interesses dos países são muito distintos, quando se trata desse grande vizinho da Europa.

Uma Direita confundida

Alguns “pensadores” da Direita portuguesa gostam de ir buscar ideias e inspiração ao Financial Times (FT). Depois, publicam uns textos de opinião, que pouco mais são que um aportuguesamento do que lerem no diário conservador inglês.

 

Como o FT publicou esta semana dois ou três textos de comentário contra Jean-Claude Juncker, opondo-se à sua candidatura à presidência da Comissão Europeia, os nossos brilhantes homens de ideias de Direita lançaram-se ao ataque do luxemburguês. Um deles até escreveu que Juncker vem de um micro-Estado e por isso não tem condições para estar à frente da Comissão. À falta de melhor argumentos, saem coisas deste género.

 

Na ânsia de copiar os conservadores ingleses, esquecem-se dos interesses de Portugal. O Luxemburgo é um país que acolhe uma vasta comunidade imigrante portuguesa. Juncker foi sempre a favor da presença portuguesa no seu país. Defendeu a nossa imigração durante os muitos anos que esteve à frente do governo do seu país. É, além disso, um político europeu que gosta de Portugal e que compreende que a Europa só se construirá se houver um equilíbrio entre o Norte e o Sul.

 

Sem deixar de mencionar que Juncker defende uma grande coligação com a família socialista europeia. Ou seja, entende bem que a Europa também só é viável se tiver uma base de apoio político muito vasta.

 

Mas, para a nossa inteligência de Direita, nada disso conta. O que é importante é parecer esperto, contrário e alinhado com as posições do FT. É uma inteligência sem visão, pobre e pobre de espírito.

Obrigado, José Medeiros Ferreira

José Medeiros Ferreira, que hoje faleceu, foi um intelectual íntegro e um homem inteligente, que soube amar Portugal com os olhos abertos, mas sempre pela positiva. Independente na maneira de pensar e franco de fala, Medeiros Ferreira tornou-se num paradigma do que acontece aos melhores de entre nós: os partidos excluíram-no da governação e da participação na vida política.  Foi, polidamente, marginalizado. Felizmente, Medeiros Ferreira não era um homem que se deixasse abater. Utilizou a escrita, o ensino e a comunicação social como meios de intervenção. E assim contribui para um país melhor.

 

Hoje só podemos dizer-lhe que ficámos muito gratos.

A impotência dos intelectuais

Li hoje mais um texto de reflexão de Pacheco Pereira e fiquei a pensar como é possível que um intelectual como ele se tenha tornado tão azedo e revoltado.

 

Uma revolta quase cega, num homem inteligente como ele, é ou não uma indicação clara do falhanço da nossa classe intelectual?

Os fraquinhos da mente

Dizia-me esta tarde um observador atento e objectivo da realidade intelectual portuguesa, um dos poucos que olha para nós, os portugueses, sem lirismos nem saudosismos:


"... A intelectualidade indígena sempre teve demasiadas certezas sobre tudo e pouquíssimas dúvidas sobre o que quer que seja – além de estar sempre pronta a fazer grandes diagnósticos globais e a responsabilizar terceiros…"


Bem resumido, diria eu. 

Estamos mesmo fora de jogo

Na Visão de hoje, António Mega Ferreira, que é considerado um grande pensador contemporâneo, ilustra a barbaridade do simplismo intelectual português de hoje. À pergunta sobre a Europa, "onde certas elites falam nos "preguiçosos do Sul" face "aos competentes do Norte", questão sugerida pelo jornalista, o brilhante responde assim, com este tipo de absurdidades:

 

"A raiz histórica está mais atrás, no luteranismo. O ódio do Norte ao Sul vem da inveja. Eles não suportam o nosso sol, a boa comida, certa moderação nos costumes, na maneira de viver e de trabalhar. Os povos do Norte foram sempre organizados, como queria Lutero - um bandido do pior. "

 

E vai por aí fora.

 

Com um nível de reflexão deste género e desta "profundidade", um país como o nosso não precisa de inimigos exteriores. Basta-lhe as "elites" nacionais que por aí andam a definir a linha de pensar. 

 

É de ficar muito preocupado. 

O debate em círculo fechado

Muitos intelectuais portugueses adoptaram a solução mais fácil: passam o tempo a repetir as mesmas coisas, não saem da sua zona de conforto nem põem em causa as ideias feitas.

 

Outros escolheram uma opção ainda mais fácil: serem os porta-vozes das opiniões maioritárias. Mesmo quando essas opiniões estão erradas, são ingénuas, ou assentam em bases que são mais imaginárias do que reais.

 

Deste modo, o debate de ideias é, em muitos casos, um exercício sem interesse nem criatividade. É um repetir do que já se ouviu noutros locais, provavelmente dito pelas mesmas gentes.

 

O desafio é enorme

Na viagem para Stavanger, perdi o telemóvel no voo para Frankfurt. Estava já no autocarro de ligação ao terminal quando um homem de meia-idade começou a perguntar aos passageiros se o telefone era de algum deles. Era, sim, senhor!

 

No terminal, comi uma sandes e a rapariga que me serviu tentou enganar-me com o troco. Em vez de 10 euros, devolveu-me uma nota de 5, mais as moedas. Disse-lhe que estava errado. Esperta, pegou numa das moedas e trocou-a por outra. Tive que chamar a atenção para a falta.

 

Em ambos os casos, os incidentes aconteceram com gente vinda do Médio Oriente. A diferença de comportamento entre os dois foi no entanto clara. Ficaram os médio-orientais empatados na minha consideração de hoje.

 

Depois, falei com os colegas alemães que se juntaram à minha viagem. Estavam muito preocupados com as notícias mais recentes sobre a economia portuguesa. Nesta parte da Europa dizem todos que somos bem comportados mas que estamos a perder a batalha. Os mercados e os investidores tradicionais estão a fugir do nosso país. Já ninguém acredita que Portugal consiga superar a crise sem um programa de ajuda diferente.

 

Que pensa o governo?

 

E que opinam os nossos intelectuais, quando não estão a discutir as questiúnculas que os ocupam ou a dar as cacetadas do costume nos bombos habituais da festa política portuguesa?

 

Voos rasantes e vistas largas

Hoje li, na imprensa portuguesa, umas opiniões sobre a actualidade que voavam baixinho. Dá dó ver gente conceituada perdida num emaranhado de ideias sem nexo, entretida a misturar, numa alquimia preguiçosa e envelhecida, desejos com realidades e debate de ideias com insultos e outras calinadas. 

 

Também faz pena ver a comunicação social a servir de plataforma a vozes que já nada têm para acrescentar ou que não fazem mais do que confundir as pessoas. 

 

Dito isto, perguntaram-me, da Suíça, que penso da ideia de uma reunião informal em Genebra sobre a Síria. Acho que sim , que deve ser organizada. Tão depressa quanto possível. E que os Russos estejam presentes. Pelo menos, os intelectuais próximos do poder e que estão ligados ao Moscow Institute of Near Eastern Studies. São gente que conhece bem a situação que se vive naquela parte do mundo e que tem influência no Kremlin. O mesmo Kremlin que fez ontem circular em Nova Iorque, no Conselho de Segurança, um projecto de resolução sobre a Síria que não trata do essencial: pôr um ponto final ao regime criminoso de Assad.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D