Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Ninguém fala no bife

Agora que se fala do programa do novo governo é bom lembrar que a prioridade das prioridades tem que ser o crescimento económico. Sem crescimento económico o que fica para repartir é a pobreza habitual. E por muito que se reparta, incluindo através de mais escalões do IRS, não dá para sair da cepa torta.

Até agora ainda não ouvi falar da economia e de incentivos ao investimento. Discute-se muito o social e faz-se silêncio sobre o emprego, a expansão do sector privado, bem como sobre desburocratização da economia.

Há aqui um desequilíbrio que é preciso corrigir sem demoras. Veremos se assim acontece.

 

A minha solução de governo

A quem me perguntou hoje, disse que, no meu entender, Portugal precisa de um governo ao centro. Um governo que esteja assente numa maioria de deputados do PS ou do PSD, ou numa aliança de ambos. Aquilo a que noutros céus se chama “uma grande coligação”.

A "grande coligação" seria, de longe, a minha preferida. Só assim se poderiam adoptar as reformas que o país precisa, com o equilíbrio que necessário. Ou seja, dando ao mesmo tempo atenção à modernização da economia e das instituições e às condições sociais dos cidadãos. Seria igualmente uma maneira de atrair os investimentos que o desenvolvimento nacional requer.

O resto não passaria de experiências de laboratórios políticos, nalguns casos, ou de mais do mesmo, noutros. Dito de outra maneira, tratar-se-ia de idealismos sem asas para voar, num dos modelos. Ou de parvoíce conservadora e insensível às realidades sociais, no outro.

 

Investimentos chineses

Segundo dados das Nações Unidas (CNUCED), em 2014 o investimento estrangeiro na China totalizou 128 500 milhões de dólares americanos. Por outro lado, o montante total investido pela China no resto do mundo foi calculado em 116 000 milhões. Ou seja, o estrangeiro ainda investe mais na China do que esta no estrangeiro.

Mas a tendência, desde 2005, tem sido para uma aceleração do investimento externo chinês. Dentro de um ou dois anos, as entradas e saídas de capitais deverão ser mais ou menos equivalentes.

Por muito que se diga, esta evolução é positiva. Tem em conta o imenso mercado que a China representa e o vasto potencial de crescimento que ainda está por explorar. E, ao mesmo tempo, permite a muitas outras economias tirar partido dos enormes recursos em capital que o país produz. E não se trata apenas de investimentos para captar matérias-primas em África ou noutros países menos avançados. Uma boa parte dos fluxos externos provenientes da China têm os EUA e a Europa como destinatários. No caso da Europa, são as economias mais sofisticadas que atraem, cada vez mais, os investidores vindos do extremo-oriente.

Há, ainda, a dimensão política. O entrelaçar de interesses cria uma aproximação política, que é fundamental para a estabilidade internacional. O crescimento do comércio e das trocas entre os Estados ajuda a construir a paz.

Nisto, como em tudo, é preciso saber aproveitar o lado bom das coisas.

 

 

 

Os chineses

Há por aí uma certa dose de racismo contra os chineses. Convém estar atento. Trata-se de um sentimento que é preciso combater sem folga. O racismo é a forma mais acessível de resolver uma série de frustrações. É uma maneira primária de encarar a concorrência ou a percepção de uma ameaça exterior. Começa por uma ponta e depois abrange toda uma variedade de casos.

É evidente que há que proteger o que possa ser considerado de interesse nacional. Mas é preciso fazê-lo com muita inteligência, que o mundo de hoje já não é o de há vinte ou trinta anos. E é igualmente importante fazê-lo num quadro mais amplo, que multiplique as nossas forças e as nossas capacidades de resposta. Por isso, muitas destas coisas relacionadas com os investimentos estrangeiros e o comércio internacional devem ser vistas no conjunto europeu.

A China é um país extremamente poderoso. Tem a força dos grandes números. Mas é igualmente um estado que sabe quais são os limites da soberania. Responde bem quando lhe lembramos esses limites. É tudo uma questão de se saber negociar e de ter a coragem das nossas ideias e dos nossos interesses colectivos.

América Latina

Passo a transcrever o texto que hoje publico na Visão.

Boa leitura.

 

Olhando a América Latina

            Victor Ângelo

 

            Dizer que a UE acaba de redescobrir a América Latina seria um exagero. Mas é certo que em Bruxelas há agora mais interesse por essa parte do mundo, como ficou claro na cimeira da semana passada, que reuniu os líderes de ambos os lados. E ainda bem. No entanto e apesar da beleza das estatísticas, o entusiasmo político do lado europeu continua a parecer algo frouxo. Durante o encontro ninguém quis falar de reticências… Ora, quando se procura estabelecer um relacionamento político e económico mais aprofundado com a América Latina, incluindo as Caraíbas, é preciso ir ao fundo das questões, de modo construtivo, embora sem soberbia nem voos ideológicos próprios de outras épocas.

            Estas relações transatlânticas parecem-me condicionadas por três tipos de fatores. Primeiro, porque quem tem influência na Europa pensa que uma boa parte da América Latina sofre de instabilidade política crónica. Quem decide sobre investimentos e parcerias não gosta de regimes políticos instáveis, suscetíveis de gerar conflitos nacionais fraturantes e populismos desastrosos. Os exemplos da Venezuela e Bolívia causam arrepios. Segundo, os altos índices de criminalidade violenta, evidentes sobretudo na América Central, metem medo e desencorajam. Em terceiro lugar, temos a concorrência. A região é comparada com o potencial de negócios que existe noutros espaços económicos. Os mercados asiáticos afiguram-se hoje como mais atraentes, quando se trata de processos produtivos de ponta. Assim, a atenção dos que querem internacionalizar as suas empresas vira-se primeiro para o Oriente. Sem esquecer que é mais fácil encontrar na China e sobretudo na Índia as qualificações que contam na economia digital do futuro, ávida de engenheiros, programadores e outros profissionais do género.

            A esta encruzilhada de condicionantes convém acrescentar uma outra observação: não há, de momento, no conjunto dos governos dos países mais significativos da América Latina, um só que esteja em condições de assumir a liderança do movimento de aproximação com a Europa. O do Brasil era uma das grandes esperanças. Deste lado do oceano, existe contudo a impressão que Dilma Rousseff e os seus estão cada vez mais prisioneiros de uma situação política interna complexa, que não lhes dá margem para desempenhar um papel de peso na cena internacional. Além disso, a colagem aos BRICS, e em particular à Rússia, é vista como avessa às posições da UE. O silêncio da diplomacia brasileira face à ocupação da Crimeia contrasta com o hábito que até agora prevalecia em Brasília de comentar de modo oficial todo e qualquer incidente internacional.

            Há quem pense no México, que teve direito a uma cimeira à parte, após a regional. O país não será um modelo em termos de ordem pública, mas é visto como relevante para a segurança energética da Europa, sem esquecer a pujança da sua economia. Poderá ser, igualmente, um intermediário político de valor na transformação de Cuba e mesmo da Venezuela. O México, por seu turno, procura um efeito de alavanca na Europa, que lhe permita reforçar o seu diálogo de vizinhança com os EUA.

            Para completar o quadro, creio necessário mencionar a Colômbia, o Peru e o Chile. Diz-se, nos nossos corredores do poder, que estes estados estão no bom caminho.

            A verdade é que a parceria com a América Latina é boa mas ainda tem muito pano para mangas. Portugal pode ter aqui um papel bem mais ativo. E não apenas porque o futuro cabo transoceânico de fibra ótica entre os dois continentes vai partir de Lisboa.

 

 

 

 

Quando se é ignorado, há que perguntar porquê

Os grandes investidores económicos tomam decisões com base em cenários de situações a médio e longo prazo. São, por isso diferentes dos operadores financeiros, que apostam no curto prazo.

Não é de admirar que alguns dos melhores cérebros em matéria de visão estratégica trabalhem para os grupos económicos que têm ambições globais. Como também não será surpresa verificar que vários desses estrategas tenham vindo dos sectores da defesa nacional e afins, áreas onde aprenderam a pensar de modo prospectivo, a ter em conta as possíveis iniciativas provenientes da competição e as alternativas que possam ser criadas ou simuladas pelos opositores.

Muitos destes profissionais produzem o que de melhor se faz em matéria de análise de riscos políticos. É pena que, na grande maioria dos casos, esses relatórios de análise não sejam acessíveis. Mas não pode ser de outra maneira, quando o que está em causa tem que ver com a imagem e os recursos de grandes empresas internacionais.

Existem, no entanto, maneiras indirectas de perceber o que pensam do futuro de um país concreto ou de uma região geopolítica específica. Uma delas passa pelo interesse que possam manifestar na aquisição de empresas de relevo no país em causa. Quando esse interesse não é significativo ou a potencial aquisição não atrai os grandes nomes do sector em que se insere a empresa, temos gato escondido com rabo de fora. Ou seja, há dúvidas, nos círculos internacionais, sobre viabilidade de um grande investimento nesse país ou região. Convirá então perceber quais as razões dessa falta de confiança no futuro desse país ou região.

 

 

 

Os chineses do Pingo Doce e o trabalho de casa

A presença de empresas estrangeiras, de grandes grupos económicos, é cada vez mais visível em Stavanger. É verdade que Stavanger é a “capital” do petróleo norueguês e que por aqui dinheiro e poder de compra não faltam. Mas também é verdade que o governo da Noruega tem como política incentivar o investimento estrangeiro. E fá-lo com a lição bem estudada, com exigências claras e de um modo absolutamente previsível. Não há espaço para surpresas, para hoje ser uma coisa e amanhã as condições e os impostos serem outros. Como também ninguém trabalha nestas coisas com base em estudos feitos em cima do joelho.

Escrevo isto ao mesmo tempo que leio que o dono e senhor do Pingo Doce parece ter dito, segundo a imprensa portuguesa, que não gosta de investimentos chineses. Ora, os chineses são mais ou menos como todos os investidores de grande gabarito. Se têm pela frente um governo e um sector privado feito de amadores e de bonecos que só estão nos conselhos de administração por razões que nada têm que ver com a competência, tentam tirar proveito disso. O negócio deles é o de ganhar dinheiro, não se trata de andar por aí a fazer beneficência. Mas se do outro lado da mesa se sentarem negociadores a sério, os chineses também sabem ser sérios. E se o negócio vale a pena, avançam. Ganham assim ambos os lados.

Creio que não é demais repetir que nós não levamos os nossos interesses colectivos a sério. Somos uns improvisadores, nalguns casos não passamos de uns preguiçosos mentais, em muitos, temos uma grande propensão para a ingenuidade. É por isso que os chineses, os angolanos, os brasileiros, os árabes, e todos os que podem, se aproveitam de nós.

De quem é a culpa?

A França, a China e nós...

Laurent Fabius, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, está em Xangai com dois objectivos.

Primeiro, tentar convencer o patrão do gigante comercial chinês Alibaba a estabelecer em França a sua base logística para a Europa. Isto faz parte de um plano francês de atracção de novos e maiores investimentos vindos da China.

O segundo motivo da sua visita tem que ver com o turismo francês. A França quer ver o número de turistas chineses passar dos actuais 1,5 milhões por ano para 5 milhões. Cada visitante chinês gasta em média 1600 euros, durante a sua estada em França. Um aumento significativo do número de visitantes teria um impacto positivo enorme sobre a economia francesa.

Os macroeconomistas e os seus patetas

A experiência ensinou-me que só os tolos é que podem acreditar nos prognósticos feitos pelos corretores de bolsa e pelos macroeconomistas. Em geral estas duas profissões, que são bem pagas e que se consideram importantes, erram nas suas previsões.

 

Lembrei-me disto ao ver que um grupo de dez economistas, entrevistados em Londres e nos Estados Unidos, creio, disseram, com todo a certeza de quem está habituado a ser desmentido pelos factos mas que considera isso um pormenor, ou um erro da realidade, que não se quer submeter às doutas previsões, enfim, esses sábios acham que a economia portuguesa está numa via sustentável. Que sim, que será preciso mais austeridade, mas que estamos a caminho dos horizontes que cantam.

 

Nisto tudo, a única coisa certa que dizem é a relativa à austeridade. O resto é a bola de cristal do costume. Só que desta vez é mais desonesta. Falar da sustentabilidade da economia portuguesa quando se sabe que não há investimento que se veja, que o caso do BES vai ter um impacto negativo por muito tempo, que a Europa não está a crescer e por isso não nos compra as nabiças, que a Rússia nos boicota, e mais e mais, é conversa para patetas.

 

Altos e baixos

Quem for à Baixa de Lisboa vê as ruas cheias de turistas. E nota-se igualmente que o centro da cidade se renova pouco a pouco. Turismo e investimento são duas boas notícias. Mas precisamos de mais, noutros sectores da economia e noutras partes da cidade e do país. É na expansão da economia que está o futuro. Não é nem na burocracia administrativa nem na estatização da iniciativa nem nas discussões infindáveis entre compadres da política.

 

Mas a economia precisa de instituições que funcionem. Uma economia sem regulação, sem proteção dos mais fracos, sem justiça, é a lei dos Salgados que impera. Ganham sempre os que têm mais poder. E afasta-se muito investidor que estaria disposto a arriscar se o jogo fosse limpo e justo.

 

Ou seja, a Baixa da cidade não nos pode fazer esquecer um país que precisa de levar uma reviravolta profunda. 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D