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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Sobre a França e a Europa

 

"O resultado eleitoral obtido pela Frente Nacional (FN) no domingo passado, nas eleições regionais francesas, fez perder o equilíbrio a muita gente. Foram sobretudo os políticos tradicionais, do arco central, à esquerda e à direita, quem ficou mais destabilizado. E nestes dias, uma boa parte dos comentários e das declarações políticas vão no sentido de tentar perceber o que terá levado cerca de 30% dos eleitores a colocar a FN à cabeça do panorama partidário francês. Como também se procura entender qual poderá ser o impacto sobre outras partes da Europa de uma França que mostra agora um marcado pendor ultranacionalista, com profundos traços xenófobos.

            Responder as estas questões de modo politicamente correto seria um erro. A hora não é para palavras mansas. Mas também não chega dizer que se trata da extrema-direita, do fascismo e que Marine Le Pen é o diabo personificado. Esse tipo de acusações perdeu tração. Aparece como conversa do passado, de intelectuais de ideias vagas.

            É preciso sublinhar que uma votação deste tipo, que é antissistema, mostra que existe um mal-estar social de peso. "

 

(Extracto do meu texto "As penas de Le Pen", publicado hoje na Visão online)

Sobre os desafios de segurança

Segurança: mais um teste à unidade europeia

Victor Ângelo

 

 

Em Bruxelas, depois de vários dias de alerta máximo, a segurança é o tema que predomina. Quase não se fala noutra coisa, nas ruas e nos gabinetes das instituições. A presença de polícias e militares um pouco por toda a parte dá ainda maior visibilidade à questão. E a evidência é que há menos gente nas ruas e nos lugares públicos, sem contar que vários centros comerciais da capital continuam fechados, quatro dias depois do anúncio do estado de alerta máximo. No metropolitano, reina o silêncio. As pessoas olham-se e fecham-se no seu canto. O receio pode ter dado lugar à apreensão. A atmosfera da capital da Europa ficou mais cinzenta.

Do outro lado da fronteira, em França, temos agora uma situação de exceção, por um período incrivelmente longo de três meses. É, em certa medida, uma situação estranha, em que o excecional passou a ser a nova normalidade. Para além do excesso de exceção, fica a interrogação se três meses não querem dizer que o assunto é mais grave do que aquilo que nós, que não temos as informações todas, possamos imaginar. Ou será um golpe político, para mostrar que se é um bom cabo-de-guerra, um chefe que poderá assim ter mais hipóteses de ser reeleito? A verdade é que há homens armados por todos os lados. Dir-se-ia, se os tempos estivessem para ironias, que os uniformes de combate parecem ser o novo grito da moda francesa.

Mais a norte, no Reino Unido, acaba de ser aprovado um novo orçamento de defesa, que permitirá às forças armadas gastar em equipamento, nos próximos dez anos, 178 mil milhões de libras, uma enorme quantidade de dinheiro. A justificação dada pelo primeiro-ministro britânico assentou nos recentes acontecimentos em Paris e em Bruxelas, bem como nos atentados que têm ocorrido aqui e acolá, fora da Europa, enfim, na necessidade de reforçar a segurança nacional. Mas estará certo investir preferencialmente na defesa, quando o desafio parece ser, acima de tudo, uma matéria de polícia?

E um pouco por toda a parte, os extremistas xenófobos tentam ligar o islão e os fluxos migratórios ao clima atual de insegurança. Trata-se, como o leitor sabe, de uma ligação incorreta. Mas que dá frutos. Todos os analistas que estudam a opinião pública, sobretudo no centro e no norte da Europa, nos dizem que a rejeição dos cidadãos de fé islâmica e a recusa da aceitação de refugiados estão a ganhar terreno. Veremos que resultados sairão das próximas sondagens aos europeus. Em meados do ano, à volta de 40% dos cidadãos da Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Noruega, Reino Unido e Suécia tinham uma opinião negativa sobre os muçulmanos, um valor que só era ultrapassado pela perceção sobre os ciganos, que ultrapassava os 50% de negatividade. 

A verdade é que a UE está agora confrontada com novos desafios de segurança. E que é preciso que haja um debate coletivo sobre o assunto, e uma resposta comum. A segurança é uma das obrigações essenciais dos Estados de direito. Mas, no caso europeu e tendo em conta a interdependência entre os países, as respostas nacionais, país por país, só resultarão se estiverem integradas num conjunto coerente e aceite por todos os Estados membros. É preciso uma liderança europeia para uma questão que atinge a todos.

A liderança deve começar pela afirmação da primazia dos valores da liberdade, da tolerância, dos direitos humanos e da inclusão social. Salvaguardar esses valores, bem como a integridade física dos cidadãos e os seus bens, são os objetivos fundamentais de uma política integrada de segurança.

Haverá quem, no interior da UE e fora dela, procure sabotar esses objetivos e destruir a coesão europeia. Se o tentar fazer de modo violento, terá que se confrontar com a ação das forças e serviços que têm como função garantir a tranquilidade das pessoas. Mas esses serviços, para poderem ser mais eficazes, precisam de trabalhar num quadro de colaboração mais estreito e mais franco que o atual. É fundamental passar a um nível superior de cooperação entre os serviços nacionais de inteligência e de polícia. Em simultâneo, há que rever as funções da EUROPOL. Se assim acontecer, o que neste momento infelizmente ainda não é uma certeza, estaremos então a caminhar no sentido certo.

 

 (Publicado hoje na Visão online)

 

.

 

Coisas santas

Nesta Sexta-feira de Páscoa, lembrei-me da visita recente que fiz ao Buda Deitado (ou Reclinado) em Yangon, a capital económica da Birmânia. E na importância da religião nesse país, incomparavelmente mais crente do que nosso caso. E, nalguns casos, tão intolerante como nós. Nomeadamente em relação aos muçulmanos de certas regiões da Birmânia.

Ora, num dia como o de hoje, a tolerância e aceitação das diferenças são dimensões que convém sublinhar.

 

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Copyright V. Ângelo

 

 

A periferia

Transcrevo abaixo o texto que hoje publico na revista Visão.

 

Segregação, vidros partidos e cheiro a droga

            Victor Ângelo

 

 

 

            A edição mais recente do semanário Le Journal du Dimanche identifica 64 bairros franceses como sendo altamente problemáticos. Repartidos por 38 cidades, desenham uma mancha que mistura exclusão e violência. São bairros em que a média dos rendimentos declarados é baixa; a taxa de desemprego é elevada – 23%, quando a média nacional se situa nos 9,7%; e o desemprego dos jovens de menos de 25 anos ronda os 45%. Mais ainda: uma boa parte dos seus residentes é de origem estrangeira e uma proporção significativa das famílias é monoparental, desestruturada. Os dados mostram igualmente que a periferia de Paris forma uma constelação de aglomerados de alto risco, uma espécie de garrote pronto para asfixiar a capital.

            O estudo surgiu no seguimento de uma declaração pública de Manuel Valls, o primeiro-ministro, sobre o “apartheid territorial, social, étnico e religioso” que existiria em França. E serviu, em grande medida, para dar um conteúdo às palavras de Valls. Também não difere muito da análise feita pelos serviços nacionais de polícia, que trabalham na base do conceito de Zonas de Segurança Prioritárias. No entender da polícia, a França tem 80 áreas residenciais que devem ser objeto de uma atenção especial.

            Perante tudo isto é preciso, no entanto, uma certa prudência, em França e noutros países similares. Seria um erro amalgamar, sem melhor ponderação, imigração, etnicidade, pobreza, dificuldades de integração social, discriminação, por um lado, com focos de criminalidade ou de terrorismo, por outro. O desejo natural de cada pessoa é que tenha uma vida normal. As falhas na integração das populações estrangeiras, as dificuldades da vida e as desigualdades sociais, mesmo a marginalização racial e cultural, não são, nem só por si nem necessariamente, autoestradas para a violência. São questões políticas que exigem respostas políticas, quer ao nível local quer nacional. Respostas que deveriam começar por ser dadas nas escolas, no combate ao insucesso escolar – um problema muito sério para as crianças oriundas de famílias imigrantes –, na reforma do ensino público de modo a torná-lo mais adequado às exigências de um mundo em mutação contínua, passando igualmente pelo restabelecimento da autoridade dos professores e da disciplina nas escolas. Respostas que deveriam ser completadas pela promoção dos valores da tolerância, da aceitação da diversidade e do respeito pela dignidade e a liberdade de cada cidadão. E pela tomada de consciência dos desafios que resultam da presença nas nossas sociedades essencialmente agnósticas ou pouco praticantes de comunidades estrangeiras com uma cultura e um modo de vida muito marcados pela religião. Este é, aliás, uma contradição central de que mal se fala.

            A complexidade política não pode, no entanto, ser uma escusa. O clima de insegurança nesses bairros é inaceitável e precisa de ser resolvido com firmeza. As polícias têm que estar preparadas para o efeito e começar pelo princípio, ou seja, no viveiro e sustentáculo financeiro do resto, que é o tráfico de drogas. Tem que haver também uma maior presença nas ruas, uma ligação mais forte com os dirigentes comunitários, bem como uma admissão de agentes com raízes nos grupos sociais minoritários, sem esquecer um trabalho mais sistemático de recolha e análise da informação, incluindo a que aparece nas redes sociais. Passa igualmente por uma reestruturação das polícias, integrando serviços e unificando as cadeias de comando. Tudo isto deve ser feito com rapidez, discrição e afoiteza. Em política, oportunidade, bom senso e coragem são ingredientes indispensáveis para obter resultados.

           

           

           

As estimativas criativas e falsas

Explicava hoje a uma pessoa amiga, universitário atento aos acontecimentos do quotidiano, que os números que são citados sobre a percentagem de pessoas de religião muçulmana residentes em França ou na Bélgica, bem como noutras partes da União Europeia, são meras estimativas. Muitas vezes não têm qualquer base científica e não seriam aceites pelo mais comum dos técnicos estatísticos. Os recenseamentos da população há muito que deixaram de perguntar aos cidadãos a religião que praticam ou com que se identificam.

Convém, por isso, ser prudente com os “dados” que por aí surgem.

E não esquecer que existe uma tendência para inventar números que não se conhecem. Quando andei pelas coisas da estatística, vi muitos exemplos desses.

Também é verdade que a repetição, por várias personalidades públicas, da mesma estimativa inconsequente acaba por dar ao valor uma credibilidade que não se justifica.

Estamos numa época em que a repetição das mesmas ideias erradas por muitos acaba por dar a esses erros um cunho de verdade indiscutível.

Sobre o Mali

Convido-vos a ler o texto que escrevi, em parceria com Marc de Bernis, antigo representante residente do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) na Argélia. O objectivo é o de demonstrar que o Mali é diferente do Afeganistão.

 

Este é o link:
 

http://victorangeloviews.blogspot.be

 

Boa leitura!

Humanismo laico

Visitei o Centro de Acção Laica (CAL, secção francófona). Está instalado na ULB (Universidade Livre de Bruxelas), num edifício de três pisos, numas instalações modernas, bem desenhadas e amplas.

 

As actividades do CAL abarcam a capital e toda a Valónia. É financiado pelo estado federal belga, ao mesmo título que as confissões religiosas reconhecidas o são, e tem como função defender a liberdade de pensamento e as posições filosóficas da população não crente do país. Com uma vasta actividade editorial, um empenho muito grande na educação laica nas escolas públicas e uma participação muito activa no diálogo entre religiões e outras filosofias de vida, emprega mais de 160 pessoas, na sua sede nacional. Destacou-se, nos últimos anos, em virtude da sua campanha pelo reconhecimento do direito à eutanásia. Está, além disso, comprometido em fazer compreender aos líderes religiosos muçulmanos que ser ateu é uma opção respeitável. O conceito de ateu é algo de incompreensível para a quase totalidade dos crentes islâmicos. 

 

Sahel para fazer de conta

Participei numa discussão sobre a Estratégia da UE para a Região do Sahel.

 

Fiquei com a impressão que a estratégia não é estratégica, não entende as causas profundas da insegurança nessa parte de África, não inclui um estado fundamental, o Chade, e tem um número excessivo de objectivos. 

 

Pareceu-me, também, que os burocratas da UE estão, também neste caso, mais preocupados em mostrar aos estados membros que não se esquecem do Sahel do que em obter resultados duráveis. 

 

E os políticos europeus, como de costume, vivem na ilusão e num mundo que tem pouco que ver com a realidade. 

 

Boas novas

O Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, que tem a sua sede em Lisboa, organiza a 3 e 4 de Novembro uma conferência internacional sobre a Europa e a Primavera Árabe.

 

As situações internas de Marrocos, Tunísia e Egipto serão analisadas com candura. Além disso, será feito um ponto da situação dos diferentes processos de democratização no Norte de África, dos direitos humanos e do papel dos media e das redes sociais na consolidação da democracia. Haverá um segmento especial dedicado ao papel das mulheres.

 

Trata-se de uma iniciativa com muito mérito. Por outro lado, é bom saber que estas coisas se debatem em Lisboa. Portugal, apesar das dificuldades actuais, tem que desempenhar um papel mais activo no Norte de África.

 

Na mesma onda, saber que amanhã um C130 da nossa Força Aérea vai à Líbia buscar combatentes gravemente feridos, para que sejam tratados em Lisboa, é também uma boa notícia

Conflito Europa-África

As regiões africanas onde haverá, nas próximas décadas, uma explosão demográfica, estão perto da Europa, como ontem escrevia. Fazem parte da nossa área geo-estratégica mais imediata.

 

São, igualmente, constituídas por países onde a religião islâmica é predominante.  Com o tempo, o peso relativo do Islão, na política internacional, vai tornar-se muito mais evidente. Ou seja, para além do desafio migratório que a Europa deverá ter que gerir, haverá também a perspectiva de um enorme confronto civilizacional.

 

As populações europeias sentir-se-ão ameaçadas. Se esta questão não for tratada com tempo, com antecedência, teremos à nossa frente, num futuro que muitos de nós iremos testemunhar, uma cadeia de conflitos entre a Europa e a vizinha África.

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