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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Os nossos ficam em casa

Os Think Tanks e organismos similares – Policy Centres, escritórios de lóbis, institutos privados de investigação, plataformas de diálogo, representações de grupos de interesses, etc – definem uma boa parte da vida internacional de Bruxelas. Formam-se e vivem à volta das instituições da União Europeia e da NATO. Empregam milhares de universitários, das mais diversas nacionalidades. São também um viveiro de estagiários, jovens vindos dos vários cantos da Europa que nestas instituições privadas aprendem a mexer-se num ambiente internacional e acumulam contactos. Muitos desses jovens têm uma formação académica avançada, com cursos tirados em dois ou três países diferentes. Alguns falam várias línguas, incluindo idiomas menos habituais, nesta parte do mundo, como o russo, o mandarim, o coreano ou o árabe. Têm uma visão cosmopolita da vida e do emprego, grande mobilidade, sempre prontos a ir viver e trabalhar noutras paragens. Alguns são francamente brilhantes.

 

Nas minhas andanças por esta terra, tenho encontrado muitos deles. E notado uma grande ausência: a dos jovens portugueses. 

Caminhadas pausadas

Tentei, por volta das 17:00 horas, disparar umas fotografias, para ficar com umas imagens da zona mais antiga e do porto de Stavanger. Mas, nessa altura, a luminosidade já está fraca e as fotos terão que ficar para uma visita que não seja no pino do Inverno.

 

Stavanger é, na Noruega, a capital do petróleo. O que fora até há vinte ou trinta anos uma localidade minúscula, perdida num fiorde, apenas importante por causa do porto de águas profundas, é hoje um centro de grande actividade económica. Os arredores cresceram e encheram-se de carros e de engarrafamentos. A cidade, para além do porto, tem os hotéis e os restaurantes que servem os trabalhadores itinerantes, o vai e vem do petróleo. E algum pessoal militar, ligado às actividades da base da Aliança Atlântica.

 

As águas do fiorde oferecem abrigo a uma série de cisnes, patos e outras aves aquáticas, que migraram, com a chegada do gelo, do lago do centro da cidade para o mar. São cerca de duzentos metros de distância, ou seja, é uma migração que não dá para grandes voos.

 

De resto, há uma certa tranquilidade por toda a parte, que as receitas do petróleo foram postas num fundo público de longo prazo, a pensar nas gerações futuras. Aqui ninguém vive à custa do futuro. Os de hoje constroem o presente e o futuro.

 

Como seria bom dizer o mesmo noutras partes da Europa. Sobretudo hoje, com a publicação dos novos dados sobre o desemprego, estatísticas que mostram que 21,3% dos jovens da UE não têm emprego. Na Grécia (47,2%) ou em Espanha (48,7%), na Itália (31,0%), em Portugal (30,8%) e na Irlanda (29,0%), os dados são assustadores. Mas não só. Em França (23,8%), na Bélgica (20,7%), na Finlândia (19,9%), um pouco por muitos sítios, o futuro dos jovens está mal encaminhado. Essa questão deverá ser, na minha opinião, a prioridade das políticas governamentais. Tal como na Noruega, é preciso pensar no futuro transformando o presente.

O futuro

Almocei ontem em Aveiro, junto do Mercado do Peixe. O serviço do restaurante era feito por jovens estudantes, os chamados empregos de Verão, durante as férias escolares.

 

A rapariga que tinha a responsabilidade da minha mesa vive a uma hora de autocarro de Aveiro. Com 16 anos, sai de casa no transporte das 09:00, para começar a trabalhar às 11:00. Volta a casa no autocarro que sai da cidade às 23:30. Sem queixumes, que esta é gente nova e corajosa, que quer ganhar algum, para não ser um peso demasiado grande para os pais. 

 

Pensei que com muitos jovens como ela, se houver um bom acompahamento escolar, Portugal pode ter futuro.

Dois exemplos

Os meus companheiros de viagem mais imediatos foram dois jovens.

 

Um, libanês, 32 anos, diplomado pelo prestigiado INSEAD de Fontainebleau (MBA) e quadro internacional de um petrolífera americana. Trabalha em Genebra, onde se ocupa dos contratos com os parceiros europeus. Ganha uma pequena fortuna e acumula uma série de regalias. Fala várias línguas e é altamente móvel. Já trabalhou nos estados do Golfo e na América. 

 

O outro, português, 24 anos, terminou agora o segundo ano do curso de relojoeiro de topo de gama, na escola perto de Neuchatel. Falta-lhe um ano lectivo para receber o diploma profissional. Antes de ir para a Suíça viveu em Londres. Natural da zona de Lisboa, sabe que o seu futuro está nos países com grande poder de compra. 

Os caminhos do mundo

 

 

Copyright V. Angelo

 


 

Volto dentro de dias a Lisboa. É a migração do verão, como certas aves.

 

A verdade é que não nunca terá sido fácil ser um bicho migratório. Mas assim é a vida. 

 

A propósito, parece que muitos jovens portugueses estão, novamente, a encarar a emigração como uma saída para o futuro. É, de facto, uma saída. 

Ainda o Egipto

 

Na minha página da Visão que hoje foi posta à venda, volto a escrever sobre os acontecimentos no Egipto. Tinha que ser. O assunto continua a ocupar as grandes manchetes dos media. E tem havido, nos países ocidentais, quem tenha expresso profundas reservas e receios sobre o futuro do Egipto.

 

A minha tese principal defende que a mudança no Egipto deve ser encarada pela positiva. Não estamos em 1979, na situação que, na altura, prevalecia no Irão. Temos uma população bem informada, conectada com o mundo e com uma visão ampla das coisas da vida. É verdade que a Irmandade Muçulmana está bem organizada, tem uma vasta rede de serviços sociais, que toca a muita gente. Mas existem outras fatias da população que não se identificam com a Irmandade. A começar pelos militares.

 

Defendo também que esta é a última página da história colonial, no Médio Oriente. Depois da administração directa, pura e dura, tivemos várias décadas de controlo indirecto, à boa maneira anglo-saxónica. É essa fase que está, neste momento, em derrocada.

 

O meu texto pode ser lido no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/nao-ha-razao-para-pesadelos=f589462

 

Entretanto, Hosni Mubarak veio dizer-nos, esta noite, que não sai. Que vai continuar a ser o chefe, embora delegando poderes no Vice-Presidente.

 

Não se entende bem qual é a jogada em que esta cartada se insere, mas foi certamente uma mão terrivelmente arriscada. Amanhã, a rua vai estar cheia de gente. Com manifestações, por toda a parte, que não poderão deixar as Forças Armadas indecisas.

As redes sociais

Escrevi, para publicação, um texto sobre o Egipto, num dia em que ainda não se entende bem para que lado vão cair as coisas: reforma ou mais do mesmo?

 

Ao pesquisar a matéria, vi que alguém disse que as revoluções, nos tempos de agora, surgem quando os advogados estão a tiritar de frio, nos seus escritórios, já não têm dinheiro nem para comer um macdonald, mas continuam com acesso à internet.

 

As palavras não seriam bem estas. No entanto, a ideia é que, quando os diplomados deixam de ter perspectivas de futuro, e já não acreditam na classe política, começam a fazer a revolução através das redes sociais.

O Inverno da Tunísia

Ben Ali, que dirigiu a Tunísia durante mais de 23 anos, foi forçado a abandonar o poder e o país. Deve estar esta noite em Valeta, a capital de Malta, à espera de um destino final. Não saberá onde irá acabar, mas sabe que tem dinheiro investido na Europa e nos Estados do Golfo.

 

O Presidente interino, que era até hoje o primeiro-ministro, Mohamed Ghannouchi, é um velho senhor, que vai tentar salvar os móveis do regime. Deverá ser Sol de pouca dura, que a rua, que tem revelado uma coragem invulgar, quer mais do que uma simples continuação dos senhores que constituíam a clique de Ben Ali. Quer uma mudança total da classe dirigente. Quer democracia.

 

Falta perceber qual será o papel reservado aos militares, que constituem um dos pilares mais estruturados da sociedade tunisina.

 

Entretanto, o que se passa na Tunísia é o resultado de uma ditadura que não conseguiu resolver os problemas de emprego dos jovens nem reconhecer que a corrupção e as falcatruas dos actos eleitorais são artimanhas com pés de barro. Os jovens concluem mestrados em direito e noutras matérias e depois são vendedores ambulantes, ou pior ainda. A corrupção, que tinha na senhora do Presidente o expoente mais ávido, levou ao enriquecimento dos fiéis e ao empobrecimento dos outros.

 

Mas há outro problema, de que se virá a falar em breve. Os fundamentalistas têm estado a organizar-se, por vias clandestinas, ao longo dos últimos anos. Ben Ali não os deixava pôr o nariz fora de água. Agora, o contexto é diferente. Creio que em breve vão passar a contar a sério, no novo xadrez político. 

A UE é uma ilusão

O Presidente da Comissão Europeia discursou hoje perante o Parlamento Europeu - uma casa onde há de tudo - sobre o "Estado da União".

 

Este tipo de discursos, em que se procura fazer um balanço e apontar pistas para os próximos 12 meses, não são fáceis de escrever. O fundamental é terem três ou quatro frases curtas, que permitam aos media fazer títulos e focar as atenções do público. Embora o discurso estivesse bem escrito em inglês, este aspecto do "sound bite" não saiu como seria de esperar. Podia ter dito que uma União monetária sem uma politica económica comum é insustentável. Mas não foi tão directo, que o assunto não é pacífico entre os Estados membros. Ou poderia ter afirmado que sem políticas de emprego dos jovens -- um problema muito sério -- não há inovação. Sem inovação fica-se para trás.

 

Procurando ser positivo, sublinharia que JM Barroso nos lembrou que a burocracia está a asfixiar as PME. O que é bem verdade, quando toda a gente sabe que são as PME que geram emprego e que constituem o tecido económico que dá vida à economia.

 

Disse que Comissão tem cinco prioridades em cima da mesa: resolver a crise económica, o emprego, a liberdade e a segurança, um novo tipo de orçamento para a CE e, por último, uma política externa que corresponda ao peso económico da Europa.

 

Ninguém vai disputar a validade dessas prioridades. O que é objecto de dúvida é a capacidade de Bruxelas de levar avante acções coerentes nessas áreas. Bem como uma outra interrogação: será que certos Estados vão deixar a CE pegar nesses assuntos a sério? Há cada vez mais a convicção que a União é uma ilusão. 

Temos que estar atentos

Os adolescentes criativos que mencionei ontem, duas raparigas e um moço, a Elisa Tavares, a Mariana  Oliveira e o Mário Ferreira, ganhadores de uma competição europeia, estudam e vivem em Aveiro. A cidade e o distrito têm-se distinguido, nos últimos anos, por um dinamismo acima da média, incluindo nas áreas da multimédia e informática.

 

Ao escrever isto, lembro-me do caso de Bangalore, no Sul da Índia. Cerca de dois milhões de jovens trabalham em Bangalore na programação e nos serviços informáticos. Tem havido uma transferência de capacidades da Silicon Valley, na Califórnia, para esta cidade da Índia. Centenas de milhares são diplomados do ensino superior, engenheiros de todo o tipo. Outros, a trabalhar nos call centre, falam inglês com o sotaque mais apropriado aos ouvidos dos clientes, por esse mundo fora, a quem prestam informações. O segredo do sucesso é muito simples: um investimento na educação das novas gerações, de modo a prepará-las para um mundo global. 

 

 

 

 

 

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