Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Somos de vistas curtas

Quem sabe dessas coisas diz-me que, em média, o nível dos conhecimentos dos alunos que terminam o ensino secundário em Portugal tem vindo a baixar de ano para ano, na última década. Na maioria dos casos, limitam-se a estudar o necessário para passar nos exames. Fora disso, pouco ou nada sabem, nem lhes interessa. E também não sabem equacionar uma questão ou dar-lhe uma resposta estruturada.

Se assim é, estamos a preparar gerações futuras que serão muito pouco competitivas no mundo global a que irão pertencer. Ficarão para trás. Como tem aliás acontecido ao país nas últimas décadas. Na competição internacional, Portugal anda em marcha lenta.

O que é extraordinário nisto tudo é que ninguém parece de sobremaneira preocupado com este tipo de realidades. Olhamos para o futuro com olhos míopes.

 

Reflectir sobre a Tunísia

Cinco anos após a queda do antigo ditador Zine El Abidine Ben Ali, que fora o segundo Presidente do país a partir de 1987, os jovens tunisinos estão de novo nas ruas, há vários dias. A agitação tem-se alastrado e hoje o governo viu-se obrigado a decretar um recolher obrigatório nacional, que abrange o período das 20:00 horas até às 05:00.

A instabilidade actual permite que nos lembremos de várias questões. A Tunísia continua a ser um exemplo de transição democrática no mundo árabe, o único caso de sucesso numa série de revoltas que ficaram conhecidas genericamente como a Primavera Árabe. É igualmente o país onde há maior liberdade para as mulheres. Mas a crise de agora também nos lembra que o desemprego jovem e a falta de oportunidades económicas são as características determinantes no Norte de África e na generalidade do mundo árabe. Muitos jovens têm diplomas universitários mas não têm emprego. Uma boa parte desses diplomas correspondem à frequência de estudos que não têm nada que ver com as necessidades técnicas e científicas de hoje. A função pública é uma das poucas saídas, sobretudo agora que o turismo está de rastos, em virtude dos recentes golpes terroristas na Tunísia. É, no entanto, impossível construir uma economia moderna com base nos empregos na administração do Estado. É preciso investimento nos sectores produtivos e nos serviços privados. Na Tunísia não há investimento que se veja. A instabilidade afugenta os investidores mais sérios.

Existe, isso sim, um grande nível de corrupção na área pública. A democratização não foi acompanhada por uma reforma do Estado. As instituições funcionam com base no compadrio e estão politizadas. Essas são duas vias certas para o desastre.

A Europa, que se havia comprometido a ajudar a Tunísia, não conseguiu ir além das promessas. Ora, é do interesse europeu ter um Norte de África estável e em crescimento. Caso contrário, teremos mais imigração vinda dessa parte da nossa vizinhança e mais casos de radicalismo.

A França comprometeu-se hoje a dar uma ajuda excepcional nos próximos cinco anos. O Presidente Hollande falou de 200 milhões de euros por ano. É um exemplo que deveria ser seguido por outros, sem mais demoras.

 

 

 

Em Macau

Ando há dias de viagem pelo Oriente. O destino era Macau, onde vou ficar a maior parte da semana entrante. Para além das conferências que vou pronunciar, o que me parece interessante sublinhar é o dinamismo da comunidade portuguesa. Parece-me bem instalada e dinâmica. Tem muita gente jovem, bem formada do ponto de vista profissional, que veio encontrar em Macau oportunidades que não apareceram em Portugal. E a verdade é que a região tem um grande dinamismo económico.

Nem tudo serão rosas. O custo de vida, por exemplo, é alto. E o relacionamento com a população chinesa nem sempre é fácil: são culturas muito distintas e línguas bem estranhas uma à outra. Mas vale a pena ultrapassar as dificuldades. As hipóteses de uma vida melhor continuam a existir.

As escolas da violência

No seguimento da decisão anunciada sobre a possível presença de militares em situação de reserva nos recreios e outros recintos das escolas, é evidente que não cabe aos elementos das forças armadas prestar serviços de segurança interna, dentro da normalidade constitucional. Há pouco que discutir sobre isso.

O que me parece extremamente preocupante é a situação a que se chegou em muitas das escolas públicas. A indisciplina, a violência entre os alunos, a destruição de equipamentos, as ameaças à integridade física dos professores, dos trabalhadores escolares e dos colegas, tudo isto está mais ou menos fora de controlo. Só assim se compreende que tenha aparecido a ideia de trazer os reservistas para os estabelecimentos de ensino. Esta resposta, que não é nem pode ser solução, mostra bem que temos um enorme problema de respeito pelas pessoas e pelas práticas de cidadania nas escolas.

Um país que não consegue resolver este tipo de problemas é um país com um futuro muito triste. Ou estarei enganado?

Depois da conversa, fica tudo na mesma

A conferência organizada pelo Presidente da República sobre “Portugal e os Jovens” permitiu uma reflexão importante.

O estudo que encomendou ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sobre “EMPREGO, MOBILIDADE, POLÍTICA e LAZER: SITUAÇÕES E ATITUDES DOS JOVENS PORTUGUESES NUMA PERSPECTIVA COMPARADA” é particularmente elucidativo. Mostra, acima de tudo, uma juventude afastada da prática de cidadania, confusa e com pouca esperança, pronta, em grande medida, a emigrar e a procurar futuro noutros cantos da Europa.

A interrogação que fica, no final de acontecimentos deste género, é sempre a mesma: e agora?

Dito de outra maneira, que acções ou medidas vão ser tomadas? Quem toma a liderança? Quem deve ser responsabilizado para que as coisas comecem a mudar?

E, como noutros casos, a resposta é tristemente simples: as palavras esquecem-se, os diagnósticos não têm tradução prática, ninguém altera uma vírgula às políticas existentes, ninguém pega na bandeira.

Os jovens e a política

A taxa de desemprego da população belga francófona no grupo etário dos 18 aos 30 anos ronda os 18%. É, assim, mais elevado que a média nacional de 8,3%, que é a taxa geral do desemprego no país. Reflecte um problema que é comum a vários países europeus: uma economia com uma dinâmica insuficiente e que por isso tem dificuldades em proporcionar emprego aos mais jovens. Sem esquecer muito do emprego existente é de natureza precária.

Um inquérito agora divulgado diz-nos que um em cada dois desses jovens considera que o actual sistema de ensino é inadequado e não corresponde nem às necessidades do mercado do trabalho nem dá a agilidade mental que um mundo em mutação constante requer. Assim, não é de estranhar que mais de 60% dos inquiridos tenha uma visão pessimista sobre o futuro da sociedade a que pertencem. Na mesma lógica, 1/3 dos jovens sente-se depressivo ou manifesta algum grau de ansiedade psíquica.

Os dados do inquérito são um verdadeiro desafio político. O problema é que a política tradicional, tal como tem estado a ser praticada, não tem conseguido responder as estas inquietações. Há aqui espaço, por isso, para novas maneiras de fazer política. Como também há campo para as manobras dos populistas e dos irrealistas.

O Sapo é um exemplo

O Sapo mudou de aparência. Ficou com um ar que inspira modernidade e graça. Na minha opinião, foi uma alteração muito positiva que faz jus a uma equipa de gente nova e virada para a frente.

Este é um bom exemplo da nova geração de portugueses e da economia que se quer ver implantada em Portugal. Criadora, sempre pronta a renovar-se, capaz de sair da toca e ir à conquista dos mercados disponíveis. É a economia do conhecimento, das novas tecnologias, da inovação permanente, da confiança na capacidade dos que fazem parte da equipa e na inteligência dos utilizadores (consumidores).

O sucesso do Sapo precisa de ser melhor contado e de se tornar um exemplo nas escolas de negócios e de criação de empresas.

Sobre as migrações

Disse hoje a uma jovem minha conhecida que as migrações são e sempre foram uma opção para quem procura melhores oportunidades. E lembrei-lhe, em duas palavras, que não vale a pena estar a dar grandes lições aos jovens portugueses de hoje – estou cada vez mais convencido que muitos sabem bem o que querem – que, no meu caso, saí de Portugal aos 28 anos. E até tinha emprego, um trabalho que para a época, era relativamente bom e promissor. Não me arrependi da decisão dessa altura. É verdade que tudo tem os seus custos. Mas o custo maior é o de ficar parado, à espera que o céu nos caia aos pés. E hoje, já ninguém está longe. Quando eu saí, se queria telefonar à família tinha que marcar a chamada de véspera. Muitas vezes a linha era um caos e a conversa uma frustração, para ambos os lados da linha. Agora, com as redes sociais, é uma ligação instantânea e gratuita, com imagem e tudo. Emigrar é como estar apenas do outro lado do ecrã.

Conselho jovem

Se eu voltasse a ter vinte cinco anos hoje, que destino daria ao meu futuro?

 

Trata-se, claro, no meu caso, de uma pergunta absolutamente teórica. Os anos da juventude já passaram há muito tempo.

 

Mas, para quem é hoje jovem, a pergunta tem todo o cabimento. E mais ainda, para quem tem ambição, força de vontade e capacidade para fazer coisas.

 

A resposta dependerá de cada um, obviamente. Aqui não há respostas gerais, one size fits all, a mesma medida para todos. O meu conselho é, no entanto, muito simples: quando se é jovem, vale a pena pensar grande e sair da nossa zona de conforto. Ir mais além leva-nos longe.

 

 

 

Jovens globais

Passei a tarde a fazer de mentor a um grupo de jovens estagiários que estão a acabar os seus cursos de direito e em vésperas de obter o acesso à profissão de advogado. Uma vinha de Sevilha, os outros de Nova Iorque. Serão futuros especialistas em direito internacional. Estão a estagiar no SHAPE.

 

Em qualquer caso, para já, a preocupação desses jovens tem que ver com a procura de emprego. Mesmo para os provenientes dos Estados Unidos. A coisa não está fácil. Há, por toda a parte, um excesso de produção de diplomados em direito. A competição é enorme, mesmo para quem sai com boas notas e com diplomas de escolas reconhecidas.

 

Tinham ainda um outro ponto comum: estavam dispostos a aceitar trabalho em qualquer parte do mundo, desde que isso lhes desse experiência e tornasse mais fácil o início de carreira. Mobilidade é, para esta geração, a alma do negócio.

 

Lembrei-me, então, dos dados estatísticos que ontem foram divulgados, aqui em Bruxelas. Mostram que nos últimos anos tem havido uma aceleração de emigração dos jovens belgas. A grande maioria dos que saem é gente com diplomas universitários. Têm consciência que estamos numa economia globalizada e que convém estar disponível. Quem está disponível vai mais longe, no sentido próprio e no figurado. A França é o seu principal destino, seguida dos EUA, do Canadá, Austrália, China e países do Golfo Pérsico.

 

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2018
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2017
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2016
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2015
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2014
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2013
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2012
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2011
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2010
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2009
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2008
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D