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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A Europa tem que encarar a imigração a sério

O drama da imigração ilegal, por via marítima, conheceu hoje mais um pico de tragédia, com mais de 700 vidas perdidas nas águas do Mediterrâneo. Falar de outra coisa, num dia como este, seria um absurdo. O momento exige que se pense a sério numa solução para o vastíssimo – e extremamente complexo – problema que tudo isto representa. Essa seria a melhor homenagem que se poderia fazer à memória dos que hoje e quase todos os dias, continuam a perder a vida, num desespero sem fim.

Norte de África: depois da esperança?

Escrevo na minha coluna de hoje, na Visão, sobre a Primavera Árabe, com um foco muito especial no Norte de África. Escrevo para defender duas ou três teses e combater o pessimismo e a ausência de uma visão estratégica. 

 

Defendo que a prioridade política é, para todos, incluindo no que diz respeito à cooperação da comunidade internacional, consolidar a democracia. Isto passa pelo combate aos extremismos, embora reconheça a identidade cultural específica dos países da região e o peso relativo da religião na vida pública.

 

Quanto à economia, avanço a ideia que é preciso fomentar a integração económica no Norte de África. Esta será a via mais rápida para o crescimento, o bem-estar e a estabilidade dos países em causa. Defendo o estabelecimento de um mercado comum no Norte de África.

 

A região vai conhecer altos e baixos. Os desafios são imensos. Mas poderá ultrapassar muitas das dificuldades que existem, se mantiver uma política de respeito pelos direitos humanos e procurar incentivar um crescimento económico equilibrado.

 

Sei que muitos leitores pensarão que sou demasiado optimista. Talvez não seja bem assim...

 

O texto está disponível em:

  

http://aeiou.visao.pt/depois-da-primavera=f630103      

 

 

 

No deserto

No Sahel, quem está às portas de perder o poder, retira-se, com os seus combatentes mais fiéis e mais chegados, para uma zona do deserto, que seja de difícil acesso. Normalmente, perto da fronteira com um país amigo. Estabelece aí o seu quartel-general.

 

Com o tempo, que pode demorar anos, procura reagrupar os que ficaram dispersos, pelos vários cantos do país, e preparar-se para lançar um novo assalto ao poder.

 

Será que se irá passar o mesmo na Líbia?

A pedra no sapato

Voltando à questão da pedra, gosto do comentário que MG faz ao meu blog sobre o assunto. 

Falando de pedra no sapato, e esta é uma muito séria, a resistência que o Coronel Kadhafi teima em manter não é surpreendente. A sua maneira de ser e de ver as coisas vai levá-lo a cometer mais umas últimas loucuras. É preciso muito tacto, por parte dos líderes rebeldes, para que a tentativa de captura do ditador não leve à perda de mais vidas humanas.

 

Entretanto, certos dirigentes europeus estão ansiosos por tirar proveito da libertação da Líbia. Passaram, por isso, o dia a fazer declarações sobre os acontecimentos.

 

Creio que é altura de se ser moderado e de deixar a nova liderança líbia definir a agenda.

Em Tripoli

Grupos de rebeldes entraram esta noite em Tripoli. A capital poderá estar sob controlo da rebelião amanhã, mesmo antes do meio-dia.

 

Como irá reagir o Coronel e o último reduto dos seus fiéis? Esta é a questão, neste momento. Uma questão que deixa muita gente inquieta. A mistura do desespero e da loucura pode ser explosiva. Prevejo, no entanto, que haverá um golpe palaciano. E que o Coronel e os seus sejam postos de parte por alguns dos que compõem o seu círculo mais íntimo.

 

Veremos.

 

Entretanto, Sky News TV, está a marcar pontos em relação à concorrência, ao transmitir o avanço da coluna rebelde em directo. Sky está em Tripoli, com os rebeldes.

Uma crise militar nunca vem só

Robert Gates, o Secretário norte-americano da Defesa, veio a Bruxelas, para se despedir da NATO e da Europa. Em breve, Gates, que fez toda a sua carreira na CIA, deixará as funções governamentais, a seu pedido.

 

O discurso que proferiu ontem na Security and Defence Agenda, um lobby disfarçado de think tank, estabelecido em Bruxelas, revelou claramente as críticas que os Estados Unidos fazem aos países europeus, em matérias do foro militar. No essencial, a posição de Washington é de que os Europeus têm estado a fugir às suas responsabilidades em matéria de segurança. Os americanos, que há dez anos suportavam 50% dos orçamentos militares da Aliança Atlântica, despendem agora mais de 75%. Mais ainda. Os aliados, sem contar com os Estados Unidos,  têm mais de dois milhões de homens e mulheres vestidos com uniformes militares, mas quando se trata de mobilizar combatentes, não conseguem pôr no terreno mais do que quarenta a cinquenta mil, em cada dado momento. O resto ocupa-se de outras tarefas, de apoio, de treino e estudo, administração, honrarias e pouco mais. 

 

Gates explicou que a campanha contra a Líbia tem servido para expor a falta de operacionalidade das forças armadas europeias. 

 

É um retrato amargo sobre a Europa e a sua capacidade. Mas não diz tudo. Não fala, por exemplo, no mal-estar que se nota em vários países, com estruturas militares desmotivadas, muito ressentidas em relação ao poder político e envergonhadas, face à situação calamitosa em que as suas nações se encontram.

 

Fiquemos por aqui.

A retórica de Tordesilhas

O Presidente dos EUA e o Primeiro-ministro do Reino Unido falaram, hoje, da relação privilegiada entre ambos os países. Classificaram-na de essencial. 

 

Mencionaram as operações em que ambas as forças armadas cooperam, no Afeganistão, na Líbia e nos mares da Somália, contra a pirataria. Curiosamente, o Iraque não foi mencionado. Já saiu, a bem ou a mal, da lista das prioridades militares.

 

Referiram-se à cooperação diplomática e na área da inteligência e das informações de segurança. No combate ao terrorismo. O Sudão e o conflito israelo-palestiniano mereceram um lugar de destaque. O mesmo aconteceu com as transições democráticas no mundo árabe.

 

Não podiam deixar de discutir a situação económica. Nos seus países e de um modo mais lato. Da necessidade de criar empregos. De promover o investimento recíproco. De fazer avançar a investigação científica e tecnológica. 

 

A Líbia foi o grande tema. A campanha militar da NATO arrasta-se. Tem custos elevados. E uma legitimidade tenue, que precisa de ser lembrada a cada passo. Sem contar no impasse político que é cada vez mais evidente.

 

A relação entre Washington e Londres pode ser, na verdade, essencial. Mas talvez se tenham esquecido que não é suficiente. Precisa de uma aliança mais ampla. Como também precisa de um ou dois casos de sucesso, para que se torne mais real e menos retórica.

Aqui não há foleirices

Aqui, pela nossa terra, apareceram agora uns lobos vestidos de cordeiro. Falas mansas, que é com mel que se apanham as moscas. O único que saiu para fora do penico foi o que disse que não queria dizer "foleiro". O que lhe vale é que políticos do seu calibre estão muito habituados a meter os pés pelas mãos. São uns artistas.

 

Entretanto, o pessoal do FMI continua a fazer-nos a cama, sem que nós nos importemos por aí além. Estamos convencidos que a nossa habilidade de chico-espertos vai, uma vez mais, dar a volta ao pessoal de olhos azuis.

 

Lá fora, a Europa continua meio adormecida. A questão de Schengen parece ser um problema de Paris e Roma, tão somente. A situação na Síria, dramática que é, deixa os europeus sem fala ou voz que se oiça. Do lado da Líbia, ainda hoje se disse, e mal, que o tempo joga contra o Coronel. Não é verdade. O tempo, o impasse, a falta de uma estratégia clara do lado Ocidental, tudo isso tem um custo elevado para a rebelião. O Conselho Nacional de Transição continua sem apoios e sem capacidade de liderança.

 

O que nos vale é a semana ser curta e haver uma outra ponte dentro de dias. Dá para esquecer.

 

 

Sem moderação

O ditador da Síria, Bashar al-Assad, o Assad júnior, como gosto de lhe chamar, não quer entender o mundo de hoje. Continua a viver na ficção que o seu pai criou durante décadas, à custa da repressão, da intriga e do suborno de certas elites e dos líderes tribais. 

 

Agora, o júnior está a marcar o seu encontro com a história. Infelizmente, é cada vez mais claro que esse encontro passa por um tribunal internacional, que o julgue pelos crimes que está a cometer contra o povo sírio.

 

A par do drama que a Síria está a viver, e com os acontecimentos no Iémen e na Líbia a mostrar a força das ideias democráticas, em partes importantes do universo árabe, a Europa Ocidental fechou para férias. Que seja em Lisboa, Paris, Bruxelas ou em Berlim, em Oslo ou em Helsínquia, os europeus resolveram ir para a praia ou para longe. Até parece que não há crise. Mais. Fica-se com a impressão que de dois em dois meses partem todos de férias. 

Não haverá aqui alguma dose de exagero? 

 

É o que pensam, pelo menos, os chineses, outros indianos e os americanos, que tomam doses de férias com mais moderação. 

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