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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Andam loucos pelos montes...

Numa entrevista ao Financial Times, publicada na quarta-feira, Donald Tusk partilha o seu receio de que outros políticos europeus possam imitar David Cameron e organizar, também eles, referendos nacionais sobre a continuação ou não dos seus países na UE. O Presidente do Conselho Europeu acrescenta mesmo que tem ouvido uns zunzuns sobre essa possibilidade.

Se se tiver presente o clima de populismo que se vive actualmente na Europa, esse risco existe de facto. A França de Marine Le Pen poderia ser a primeira da lista. Mas, mesmo sem Le Pen e outro similares no poder, a coisa poderia acontecer. Bastaria que alguns cidadãos, no país A, B ou C, conseguissem reunir uns bons milhares de assinaturas numa petição pública. A partir daí o processo político entraria numa espiral difícil de conter.

Mesmo prevendo a derrota, caso a caso, das opiniões contrárias à continuação na UE, cada referendo traria um novo ciclo de incertezas e teria um enorme impacto nos investimentos, na competitividade e na credibilidade do projecto europeu.

Infelizmente, estamos numa época em que nada pode ser excluído. O absurdo está a ganhar, em vários sítios, direito de soberania.

Sobre a França e a Europa

 

"O resultado eleitoral obtido pela Frente Nacional (FN) no domingo passado, nas eleições regionais francesas, fez perder o equilíbrio a muita gente. Foram sobretudo os políticos tradicionais, do arco central, à esquerda e à direita, quem ficou mais destabilizado. E nestes dias, uma boa parte dos comentários e das declarações políticas vão no sentido de tentar perceber o que terá levado cerca de 30% dos eleitores a colocar a FN à cabeça do panorama partidário francês. Como também se procura entender qual poderá ser o impacto sobre outras partes da Europa de uma França que mostra agora um marcado pendor ultranacionalista, com profundos traços xenófobos.

            Responder as estas questões de modo politicamente correto seria um erro. A hora não é para palavras mansas. Mas também não chega dizer que se trata da extrema-direita, do fascismo e que Marine Le Pen é o diabo personificado. Esse tipo de acusações perdeu tração. Aparece como conversa do passado, de intelectuais de ideias vagas.

            É preciso sublinhar que uma votação deste tipo, que é antissistema, mostra que existe um mal-estar social de peso. "

 

(Extracto do meu texto "As penas de Le Pen", publicado hoje na Visão online)

As eleições numa Europa em crise

Em Portugal, os resultados das eleições europeias revelaram que é impossível, para já, fazer projecções prudentes sobre o que poderá acontecer dentro de um ano, quando as legislativas tiverem lugar.

 

A aliança que está no governo resistiu melhor do que se esperava. Digo isto tendo como elemento de comparação o que se passou em França. Seria acertado pensar que, depois de três anos de austeridade a sério, a coligação PSD-CDS acabaria por ter uma votação muito inferior à que teve.

 

Do lado do PS, o valor obtido é magro. Cabe à direcção do partido e aos militantes reflectir sobre as razões. Mas a continuar assim, o PS não terá, em 2015, as condições mínimas para levar a cabo a sua política governativa. Estará, se nada mudar, apenas em condições de liderar uma coligação coxa. Digo coxa porque em Portugal não há uma cultura política que seja favorável a alianças entre o centro-esquerda e o centro-direita.

 

A CDU fez uma campanha clara e ganhou com isso. Mas não é partido de governo.

 

O resto é paisagem, com ou sem votos, incluindo o “deputado acidental” que é Marinho Pinto.

 

Fora do nosso espaço, a extrema-direita ganhou peso no Parlamento Europeu. Em França, deixou os socialistas e a direita de Sarkozy em estado de choque. Na Grã-Bretanha, deu-se mais um passo, bem firme, para um confronto aberto entre esse país e a UE. E na pequena Dinamarca, que já foi um exemplo de tolerância e um modelo de cooperação internacional, os ultranacionalistas ficaram em primeiro lugar.

 

É importante sublinhar a vitória eleitoral do Partido Democrático do centro-esquerda na Itália. Matteo Renzi, o líder do partido e Primeiro-ministro de Itália, afirmou-se como um jovem que sabe fazer política nos tempos modernos.

 

Agora é preciso ver quem vai ser o Presidente da Comissão Europeia. Jean-Claude Juncker, o candidato que está à frente, não acredita que o deixem passar. Cameron ir-se-á aliar com Viktor Orban da Hungria, um homem ultranacionalista e habilidoso, para impedir que Juncker seja nomeado Presidente. Pensa Cameron que com esse golpe poderá ganhar alguns pontos junto do eleitorado inglês que votou contra a UE. O Primeiro-ministro britânico é uma das principais ameaças ao projecto comum.

 

Enfim, vai haver nos próximos tempos muita matéria para debater.

Os extremos

Um periódico francês, Le Journal du Dimanche, publica hoje uma sondagem relativa às próximas eleições europeias. Os dados mostram que o Front National, a extrema-direita chefiada por Marine Le Pen, poderia ser o partido mais votado, com 23% das intenções de votos. O partido de Sarkozy, UMP, viria em segundo lugar, com 21%. Em terceira posição, com 18% dos votos, estaria o Partido Socialista de François Hollande. Ou seja, 10 pontos abaixo do resultado obtido por Hollande, na primeira volta nas eleições presidenciais de 2012. Le Front de Gauche, na extrema-esquerda, teria 9%.

 

Estes dados são peculiares à França. Há, no entanto, um movimento ascendente de partidos extremistas, à direita, em vários países da UE. Os partidos do centro, de ambos os lados do centro, os partidos que se têm alternado na governação dos países europeus são, esses sim, os que perdem terreno eleitoral.

 

Embora ainda seja muito cedo para analisar a tendência – as eleições para o Parlamento Europeu só terão lugar em finais de Maio – há que estar atento. E que ter presente que uma Europa de extremos é sempre uma Europa em perigo.

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