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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Guiné-Bissau

A situação política na Guiné-Bissau está muito complicada e tensa. Parece-me fundamental – e urgente – organizar uma mediação exterior que possa ajudar os dirigentes políticos nacionais na procura de uma solução negociada. A resolução do confronto em curso pode ser facilitada por quem venha de fora e não tenha nenhuma sardinha no lume. Quem vai tomar a iniciativa?

A nova desordem internacional tem as suas regras

Voltámos à desordem, em matéria de relações internacionais. Cada Estado faz o que quer e pode, uns podendo pouco, mas mesmo assim tentando fazer o que lhes parece mais adequado para os interesses das suas elites.

Nesta breve introdução, incluo duas ideias. Por um lado, o retorno às relações de força em matéria internacional. Do outro, a constatação que a política de cada Estado tem em conta, acima de tudo, a salvaguarda das elites no poder e o reforço das suas bases de apoio.

A desordem é particularmente evidente na maneira como cada governo responde à questão da epidemia do coronavírus. A OMS tem regras estabelecidas para este tipo de crise de saúde pública. Fez o necessário para as a activar. Todavia, ninguém lhes presta atenção, cada um reagindo à sua maneira e ao favor das suas dinâmicas de política interna.

Aliás, uma das características da nova desordem internacional é a de ignorar o papel das organizações internacionais. As convenções, resoluções, princípios e valores, que a experiência adquirida nas décadas e mais décadas que se seguiram à Segunda Guerra Mundial construiu, estão a ser postos de lado. O Sistema das Nações Unidas foi relegado para um canto menor do mapa das relações entre os Estados. Ignora-se, pura e simplesmente. De quem é a culpa, seria tema para outro texto, mas o que interessa sublinhar, neste momento, é que ninguém ouve as vozes que falam de respostas multilaterais e da cooperação internacional.

Há quem diga que se trata de uma situação anárquica. Não partilho essa análise. A nova desordem internacional tem as suas regras. Qualquer analista nos centros de reflexão e de inteligência prospectiva que contam – e não vou mencionar nenhum em particular, por razões de recato profissional, mas temos hoje centros de análise que congregam dezenas e dezenas de especialistas, tendo um deles, cerca de duas centenas, a reflectir e a desenhar cenários a tempo inteiro – saberá reconhecer essas regras. A desordem, na realidade, é o que resulta da competição entre poderes e da maneira como essa competição se exerce. A primazia das decisões individuais de cada Estado é o que define a nova cena internacional.

Onde uns querem ver anarquia, ou não enxergam mais do que isso, o que existe é um novo e complexo sistema de relações de forças. É aí que se inserem os interesses de quem manda e de quem quer continuar a mandar. É igualmente no seio desse sistema que se joga à defesa ou ao ataque. E que se redefinem as velhas alianças, ou se fazem novas coligações, todas elas de conveniência, e muitas delas de subordinação mal disfarçada. Voltámos, aliás, ao tempo das potências e dos outros, dos Estados de segunda ou terceira grandeza.  

Este é o xadrez onde nos inserimos. Mas, no jogo de interesses, há inserções de vários tipos, umas mais activas e inteligentes do que outras. Neste novo mosaico, certas peças, por muito pequenas que possam ser tidas, poderão, apesar de tudo, contribuir para o colorido final do conjunto.  

 

Homenagem a Freitas do Amaral

Nunca estive com Diogo Freitas do Amaral. Nem mesmo no ano em que ele presidiu à Assembleia Geral das Nações Unidas. Eu era, na altura, Representante Residente da ONU na Tanzânia e os meus contactos profissionais faziam-se com o Secretariado-geral e com a Administração do PNUD e das Agências, tudo muito distante do que eram as funções de Freitas do Amaral. Segui, no entanto, de longe, a sua presidência, que decorreu com dignidade, equilíbrio e de maneira a honrar o nome de Portugal.

Também não tive qualquer tipo de afinidade social, ideológica ou política com ele.

Porém, hoje, no dia do seu falecimento, quero deixar aqui uma palavra de respeito pela contribuição excepcional que Freitas do Amaral deu à construção da diversidade democrática no nosso país. Sem esquecer, claro, o seu papel enquanto professor catedrático de direito, incluindo em matérias de doutrina e jurisprudência.

Obrigado é a palavra que se impõe, neste dia final.

António Guterres falou bem e claramente

O discurso de António Guterres marcou a abertura da Assembleia Geral. Foi, de longe, o discurso mais estratégico do dia. E o mais generoso, lembrando que para além dos Estados existem as pessoas. Falou dos progressos obtidos nos últimos doze meses e dos desafios que ficaram por resolver, dos direitos humanos, em todas as suas dimensões, da prevenção e da mediação de conflitos. Foi acima de tudo directo no que respeita aos perigos que poderão surgir de um mundo dividido entre dois rivais extremamente poderosos, os Estados Unidos, de um lado, e a China, do outro.

Dir-me-ão que poucos o ouvem. Que os principais líderes mundiais não estavam na sala. Responderei que, apesar de tudo, é fundamental que haja uma voz que nos lembre as nossas responsabilidades, que reafirme o valor das regras internacionais, que fale de cooperação e da resolução pacífica dos conflitos. É para isso que a ONU existe.

Pistas de reflexão em curso

Uma década de grandes transformações – 2010-2019:

  • Aceleração dos movimentos migratórios internos e internacionais
  • Acentuação do extremismo político
  • Retorno dos nacionalismos radicais
  • Desigualdades crescentes, precariedade e sentimento de insegurança
  • Entrelaçamento (emaranhar) de desafios complexos (ex: o clima, o terrorismo, a segurança humana, as mega-metrópoles urbanas, a robotização, etc )
  • Emergência da China como uma super potência
  • Marginalização da ONU; o regresso à política do poder - a razão da força.

 

 

Fundo Monetário Internacional e nós

Kristalina Georgieva é uma pessoa com muita experiência no que diz respeito às questões da economia internacional. É actualmente a directora executiva do Banco Mundial em Washington, ou seja, a número dois da instituição. Muitas vezes, nestas organizações, o “segundo comandante” tem pouco peso, servindo sobretudo para tratar de questões protocolares, assistir a casamentos e enterros, como se costuma dizer de muitos vice-presidentes. Não é o caso de KG. Ela tem poder efectivo.

Acaba agora de ser seleccionada como a candidata europeia para o lugar de cabeça do Fundo Monetário Internacional. A sua selecção revelou várias coisas.

Quem manda efectivamente na União Europeia é a França. Foi o ministro francês da Finanças quem coordenou e guiou todo o processo.

A Europa do Norte alinha-se cada vez mais por detrás das posições holandesas.

A UE apenas respeita as regras quando lhe convém. Neste caso, KG está fora do critério da idade – tem mais de 65 anos, o limite que até agora tem sido a regra. Esse critério serviu, no passado, para eliminar candidatos de valor. Neste momento, a UE quer mudar as regras de um jogo que já está a meio, porque a sua candidata não cabe nele.

A atribuição mais ou menos automática do cargo maior do Fundo a um Europeu é um anacronismo. A UE deveria mostrar modernidade e realismo, permitir que outros candidatos, de outras partes do mundo, pudessem igualmente entrar na corrida.

KG não se conformou com o insucesso da sua candidatura ao posto de Secretário-Geral da ONU. Na sua opinião, via-se com mais trunfos do que António Guterres. Vai, agora, receio bem, se for confirmada como Managing Director do FMI, mostrar alguma rivalidade em relação a Guterres. É verdade que essa rivalidade seria mais acentuada se ela tivesse sido nomeada para a cabeça do Banco Mundial, uma organização que tem na sua carga genética a competição com a ONU. Mas, mesmo assim…

No que respeita à nossa aldeia, o governo e os media andaram um par de semanas a tentar enganar-nos com as hipóteses que Centeno teria. Foi um misto de promoção política do governo de António Costa com a parvoíce habitual e patrioteira de certos jornalistas. Temos, na verdade, uma aldeia muito curiosa, de engana parolos e de fantasistas.

 

Umas notas sobre o G20 de Osaka

A minha apreciação da cimeira do G20, que acaba de ter lugar em Osaka, é positiva. Mesmo tendo presente que os Estados Unidos não aprovaram a parte do comunicado final que se referia às alterações climáticas. Em nota de pé de página, disseram, e isso já não é nada mau, que têm em conta, na sociedade americana, as questões do carbono e da poluição, acrescentando ainda que o país se preocupa com a qualidade do ambiente nas suas cidades. A verdade é que os municípios têm uma grande autonomia, nessa e noutras matérias.

É bom que os líderes se encontrem. O contacto pessoal facilita o diálogo. E o diálogo é a única via para a resolução pacífica dos conflitos de interesse.

Também é verdade que estamos numa situação internacional muito tensa e perigosa. Pelo que sei, os principais líderes reconheceram a complexidade da situação. Deram um grande enfoque às questões do comércio e da economia. Esses temas são como um paravento. Sabem que há outros por detrás, de ordem estratégica e securitária, que têm igualmente que ser tratados. Com urgência, acrescentaria.

Os encontros desta natureza permitem igualmente uma série de discussões bilaterais bem como várias conversas informais. Essas são duas das grandes vantagens das cimeiras. Osaka foi fértil nessa área. Veremos se o clima internacional reflecte, nos próximos tempos, algum desanuviamento.

As Nações Unidas estiveram representadas pelo Secretário-Geral, como já é costume. Mas os líderes não dão espaço à organização. Essa é uma preocupação que tem que ser posta em cima da mesa da opinião pública internacional.

Hormuz: os passos seguintes

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/06/hormuz-tensions.html

O meu post em língua inglesa sobre a situação no Estreito de Hormuz. As Nações Unidas devem tomar a iniciativa. Essa é a única maneira de fazer baixar a tensão, que neste momento é muito elevada.

A família e as regras

Nestes últimos tempos, tem-se falado muito sobre a família e a política. Ou, melhor dito, sobre as famílias que estão no governo. Assim, penso que poderia ser interessante partilhar uma história pessoal, que não sendo sobre a participação na política se relaciona com as relações entre a família e certas posições na praça pública.

Uma das minhas filhas trabalhou em várias missões internacionais de paz, no Kosovo, na R.D. do Congo e ainda no Haiti. A determinada altura foi-lhe oferecida a possibilidade de entrar para o quadro profissional da ONU. Era uma oferta muito interessante. Teve, no entanto, que indicar no formulário apropriado que o seu Pai – eu, sim, eu – era um alto funcionário de carreira das Nações Unidas. Pediu, no seguimento, uma excepção à regra que impede o recrutamento de quem tenha um familiar muito chegado já em funções na ONU. A razão que apresentou foi que não se antevia qualquer hipótese de influência do pai no trabalho futuro da filha. Ainda, que a função do pai não tinha influenciado, de modo algum, a decisão de lhe oferecer uma perspectiva de carreira. A resposta que veio do secretariado das Nações Unidas em Nova Iorque foi negativa. Não havia espaço para excepções, para desvios na interpretação da regra, apesar da candidata reunir todas as exigências requeridas e ter demonstrado, nas diferentes missões, um mérito profissional elevado.

As regras cumprem-se. E os princípios respeitam-se, mesmo quando não estão em letra de forma.

E na política ao mais alto nível, na governação do Estado, a sabedoria aconselha prudência, bom senso, respeito pela ética e pelas aparências, no sentido da imagem que se projecta. Caso contrário, abre-se flanco à crítica, fragiliza-se a liderança e dá-se espaço à desconfiança. A desconfiança acaba sempre por atingir muito seriamente o artista, por mais habilidoso que seja. Destabiliza-o, pelo menos.

 

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