Portugal é grande quando abre horizontes

29
Dez 12

A minha rua está hoje deserta. A maior parte das famílias que são minhas vizinhas estão fora de Bruxelas, algumas mesmo fora do país. Nesta altura do ano, vive-se a um ritmo lento e despreocupado. Ninguém está interessado em discutir coisas muito sérias. Do lado nas instituições europeias, é o vazio completo. A Europa fechou para férias, durante quase duas semanas. O mesmo aconteceu com a NATO: a “guerra” foi suspensa até ao Ano Novo.

 

No meio de tudo isto, dei comigo a estudar as últimas reflexões vindas dos EUA sobre estratégia. E a lembrar-me, então, que a principal função de um estrategista é a de dar significado aos factos que observa. Mesmo quando se trata de ruas desertas.

 

publicado por victorangelo às 21:34

28
Dez 12

Portugal produz um número excessivo de oportunistas e insuficiente, de corajosos. Quais serão as razões? 

 

publicado por victorangelo às 20:20

24
Dez 12

Falei há pouco com a directora do Público sobre o pretenso "coordenador de um observatório" do PNUD. Disse-lhe que esta historieta era, desde o princípio, desde que apareceu no Expresso há oito dias, que foi quando soube dela pela primeira vez, absurda e inacreditável. E lamentei não ter tido tempo para tratar dela antes, por ter estado muito ocupado com outros afazeres, fora e longe do país. Mas se me tivessem perguntado logo na altura o que pensava sobre o assunto, ter-se-ia evitado o embaraço em que alguns órgãos da comunicação social se encontram actualmente.

 

Quem poderia ter acreditado que a ONU --ou o PNUD, mais especificamente -- decidira criar uma unidade especial para seguir a situação de Portugal e da Europa do Sul? Essa região está inteiramente fora das preocupações centrais do sistema onusiano. Ainda não somos uma ameaça para a paz e a segurança internacionais...Por muito burros que alguns jornalistas possam ser, claro...

 

 

publicado por victorangelo às 00:53

12
Mai 12

A falta de inteligência é compensada, em muitos casos, com a certeza das opiniões emitidas. Quanto menos cérebro, mais opiniões definitivas. 

Ou estarei enganado? 

 

Pergunto, por que eu vivo de incertezas.

publicado por victorangelo às 20:58

04
Abr 12

De Tavira, queria lembrar que o meu novo texto, na Visão desta semana, esta disponível no sítio:

 

http://visao.sapo.pt/a-pequena-e-a-francesa=f656995

publicado por victorangelo às 23:13

19
Mar 12

Andamos, muitos de nós, um bocadinho confusos. A confusão só acarreta mais desgraças.

 

Ainda hoje, um amigo meu, homem especialmente inteligente, arguto e com boa formação académica, à qual se somam muitos anos de de prática das leis, me dizia, sem hesitações, "...que tem razão a corrente das forças armadas que vai dizendo que é preciso intervir."

 

Quando pessoas como ele pensam assim, e acham natural que os militares tomem conta das coisas, temos que nos interrogar sobre o ponto a que o país chegou. E também sobre o que o futuro nos vai trazer. 

 

 

publicado por victorangelo às 20:23

23
Fev 12

Podem ler, na Visao de hoje, uma breve reflexao sobre o Vaticano e o poder, incluindo o poder económico.

 

Está disponível em:

http://aeiou.visao.pt/whitney-e-os-cardeais=f647936

publicado por victorangelo às 21:01

11
Fev 12

Discutia esta tarde o tema central que é a crise grega.

 

Alguém me dizia que a situação está tão má que dificilmente poderá piorar. Respondi que não é assim. Infelizmente, a queda não tem limites. Num caso como este, existe o risco de ver entrar em colapso sectores importantes da economia: a produção de energia, por exemplo, por falta de dinheiro para as peças de substituição, os sobresselentes; ou os transportes públicos, por não haver dinheiro para o combustível; a saúde, sem meios para funcionar e prestar o mínimo de cuidados; e assim sucessivamente. 

 

Nestas situações, aprendi eu noutras terras, nunca se bate no fundo. Continuamos a perder recursos, a ver os serviços essenciais desaparecer e a miséria a agravar-se. É o caminho para a falência do Estado e da economia. Uma crise nacional.

 

 

publicado por victorangelo às 19:12

31
Jan 12

Na viagem para Stavanger, perdi o telemóvel no voo para Frankfurt. Estava já no autocarro de ligação ao terminal quando um homem de meia-idade começou a perguntar aos passageiros se o telefone era de algum deles. Era, sim, senhor!

 

No terminal, comi uma sandes e a rapariga que me serviu tentou enganar-me com o troco. Em vez de 10 euros, devolveu-me uma nota de 5, mais as moedas. Disse-lhe que estava errado. Esperta, pegou numa das moedas e trocou-a por outra. Tive que chamar a atenção para a falta.

 

Em ambos os casos, os incidentes aconteceram com gente vinda do Médio Oriente. A diferença de comportamento entre os dois foi no entanto clara. Ficaram os médio-orientais empatados na minha consideração de hoje.

 

Depois, falei com os colegas alemães que se juntaram à minha viagem. Estavam muito preocupados com as notícias mais recentes sobre a economia portuguesa. Nesta parte da Europa dizem todos que somos bem comportados mas que estamos a perder a batalha. Os mercados e os investidores tradicionais estão a fugir do nosso país. Já ninguém acredita que Portugal consiga superar a crise sem um programa de ajuda diferente.

 

Que pensa o governo?

 

E que opinam os nossos intelectuais, quando não estão a discutir as questiúnculas que os ocupam ou a dar as cacetadas do costume nos bombos habituais da festa política portuguesa?

 

publicado por victorangelo às 20:27

02
Jan 12

Li agora com atenção a mensagem de Ano Novo do Presidente Cavaco Silva. A palavra emprego é frequentemente referida. "Da marca dolorosa do desemprego" até à "promoção do crescimento económico e do emprego", a preocupação é repetida várias vezes. 

 

Partilho a mesma preocupação. Mais ainda, por não ver nenhuma medida concreta, no programa do governo para 2012 e anos seguintes, que possa ter um impacto significativo sobre uma maior oferta de emprego. Antes pelo contrário. Onde deveria haver um ministério com genica, como na agricultura, no mar ou na economia, vejo apenas rotina, ideias tontas e falta de experiência. Onde se esperava uma politica de promoção exterior a sério, enxergo apenas burocracia diplomática à antiga, funcionários incapazes de compreender como funcionam os investidores estrangeiros e um ministro que parece oco. Onde teria que haver uma campanha de levantamento da imagem de Portugal, saem à baila uns pacóvios que só se sentem bem quando passam despercebidos ou andam a fingir que a promoção do fado é que conta. Onde o ministério das finanças, das contas e das taxas, acaba por ser quem dita a política geral.

 

Claro que o Presidente não poderia dizer isto na sua alocução. Eu posso e digo. Fica claro?

publicado por victorangelo às 20:32

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