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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Olhar o Médio Oriente na paz da Suíça

 

Passei a tarde a discutir o fracasso que é o Quarteto do Médio Oriente, no que respeita à crise Palestiniana. O Quarteto não anda nem desanda. Não é apenas um impasse. Temos uma crise que é cada vez mais aguda, mais complexa e está, de facto, mais longe do que nunca de uma solução pacífica. As ocupações de terras palestinianas só complicam a situação e tornam a perspectiva da criação de dois estados cada vez mais inviável.

 

Estou, no entanto, num sítio que pouco tem que ver com as terras santas. Embora seja um sítio divino, nas colinas dos arredores de Vevey, com o Monte Branco à minha frente e o Lago Léman no sopé da encosta.

 

É verdade que os Suíços tentam desempenhar um papel mais activo em matéria de resolução de conflitos. Mas no caso em causa, não há hipóteses.

 

Só os Estados Unidos parecem ter a chave do problema...

Derivas europeias

Depois dos votos de bom ano, o primeiro dia de 2009  leva-nos, inevitavelmente, à crise na Palestina.

 
Após seis dias de bombardeamentos da Faixa de Gaza, e de muito sofrimento humano, as máquinas diplomáticas mantém-se emperradas e, por isso, incapazes, de tomar a iniciativa. Continuam a ser os militares e os falcões da guerra, quem fixa a agenda. Quando os diplomatas hesitam, os senhores das armas tomam a dianteira e os líderes fracos escondem-se por detrás de decisões bélicas, para fazer esquecer as suas incapacidades políticas.
 
Entretanto, os ministros dos negócios estrangeiros da União Europeia reuniram-se em Paris a 30 de Dezembro. A posição que aprovaram está teoricamente correcta. Exige um cessar-fogo imediato, uma ajuda humanitária sem entraves e um recomeço do processo político.
  
Mas falta a acção para além das palavras. Não se entende que perante uma crise grave, que exige acções imediatas, não se tenha despachado sem mais demoras o senhor Solana e mais um ou dois ministros para a região. Uma decisão deste tipo enviaria um sinal forte a Israel e ao Hamas,  bem como a outros protagonistas importantes na região. Seria apreciada pelo povo da Palestina e pelos Árabes, em geral. Significaria que a Europa leva a questão muito a sério e não se limita apenas a palavras sem consequências , que mais parecem escudos para esconder uma posição de preferência em relação a Israel.
 
Ficou, para além do comunicado dos ministros , a promessa de uma visita para a semana de uma delegação ministerial europeia. É uma decisão frouxa, que deixa espaço ao Presidente francês para se deslocar à região antes dessa visita e retirar uma vez mais todo o protagonismo a Bruxelas.
 
Para que serve então a máquina europeia de diplomacia que se construiu em Bruxelas à volta de Solana e na própria Comissão?
 
 
 

 

 

A Palestina precisa da Europa

Mais um dia dramático, na Faixa de Gaza. Apesar do apelo do Conselho de Segurança das Nações Unidas.  E das muitas vozes que se elevaram um pouco por toda a parte, a lembrar que não há uma solução militar para a Questão Palestiniana.

 

A situação actual, com o uso desproporcionado de força por parte de Israel, vai certamente levar a uma radicalização do lado palestiniano. A reacção israelita tem muito que ver com as próximas eleições gerais no país. É preciso mostrar aos eleitores que não se hesita. Que se tem a coragem de se ir para o fogo, desde que os mortes sejam na porta ao lado.

 

Mahmoud Abbas e a ala palestiniana moderada  vão sair ainda mais fracos desta crise. As acções extremas de Israel vão dar mais militantes ao Hamas, novos suicidas,  e a todo o tipo de terrorismos que proliferam na região do Médio Oriente e noutras áreas islâmicas que já estão hoje fora de controlo.

 

A Europa poderia desempenhar um papel fundamental de mediação na crise, mas não tem a coragem política que seria necessária, nem quer desagradar aos americanos. Javier Solana limitou-se a emitir um comunicado de algumas linhas, sem qualquer efeito prático. A Presidência da UE já entrou, entretanto, de férias, à espera da chegada dos Checos...

 

 

 

 

 

 

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