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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Comparar lideranças é uma boa ideia

Vale a pena ver com atenção a sondagem que o Correio da Manhã divulga na sua edição deste domingo e que compara a imagem pública de Passos Coelho com a de António Costa. Como é sabido, nestas coisas da liderança política e do combate eleitoral, a imagem projectada pelos líderes tem muito peso junto do eleitorado.

A comparação é, no seu todo, francamente vantajosa para o líder do Partido Socialista. Há, no entanto, um ou outro aspecto que António Costa terá que ter em consideração. Penso, sobretudo, na questão da indecisão. Esta percepção negativa pode muito facilmente ser explorada pelos seus oponentes.

Quanto a Passos Coelho, os resultados mostram que existe um grande risco de rejeição por desgaste de imagem após quatro anos de governação em clima de crise. Para além das políticas adoptadas, fica a certeza que a máquina de informação e propaganda do seu partido e da sua governação não funcionou bem. Fica ainda uma certeza maior que diz respeito à falta de sensibilidade do Primeiro-Ministro em relação a certos aspectos marcantes da opinião pública portuguesa – a recente menção ambígua de Dias Loureiro é apenas um exemplo ainda fresco. Não se pode tratar o eleitorado com opiniões ligeiras e superficialidade. Uma das principais funções de um líder político é a de manter o contacto e a sintonia com os cidadãos.

O líder deve passar uma boa parte do seu tempo a cultivar a ligação com as pessoas. Essa é, para além de dar direcção à acção política, a principal tarefa de um bom líder. É assim que se deve exercer a liderança no mundo de agora. Curiosamente, esta verdade tão óbvia não entra na cabeça dos nossos dirigentes.

 

Costa e Passos Coelho

Não é do domínio público a substância do que foi discutido na longa reunião de hoje entre António Costa e Passos Coelho. Mas o que ficou claro é que foi um encontro entre dois líderes que se sentem à vontade nos papéis que desempenham. Por isso, decorreu com cordialidade. A imagem que fica é positiva. Para além das diferenças, das opções políticas diferentes, os líderes devem mostrar, sobretudo nos momentos de crise e de incerteza, que são capazes de trocar pontos de vista com serenidade.

As machadadas de Machete na liderança do Primeiro-ministro

Não escrevi aqui sobre as recentes declarações do Ministro dos Negócios Estrangeiros, aquelas que abertamente violaram o que deve ser considerado segredo de Estado. Ou, dito de outro modo, o que qualquer um, na normalidade do seu juízo, teria reconhecido como matéria altamente confidencial, por tocar em questões ligadas ao terrorismo do ISIS, ou Estado Islâmico, e também por colocar em risco a integridade física dos visados. Não escrevi por considerar que no caso do ministro em questão não vale a pena estar a perder tempo. Já outrora falara sobre a sua falta de competência para o lugar que ocupa. Disse-o duas ou três vezes. Ninguém com autoridade ligou a essas observações. Alguns disseram mesmo que a crítica teria outras intenções. Se voltasse a escrever agora sobre a nova argolada monumental – e sancionável criminalmente, perante a lei que rege o Segredo de Estado – seria chover no molhado, voltar a frisar que o homem não sabe o que o que anda a fazer nas Necessidades. Nesta altura do ciclo político, já nem vale a pena estar a repetir o que todos sabem. Mas trato hoje do assunto para sublinhar que é um erro grave, mais um, o Primeiro-ministro não reconhecer que estas coisas têm importância. Passar por elas a fingir que não há problema é uma prova de falta de liderança. E quando a liderança falha ou não se assume, nas próximas eleições trata-se do assunto como deve ser.

Tempestades políticas no início do Outono

Este início de Outono está cheio de tempestades políticas.

 

No PS, vai cair um líder que as personalidades do partido nunca aceitaram e que tiveram agora a oportunidade de o dizer às claras. Seria interessante perceber as verdadeiras razões da antipatia, que é visceral, para além da retórica política do mais à esquerda ou mais à direita. Quem tiver tempo e queira fazer uma tese sobre isso, tem aqui um tema original.

 

Do outro lado, ao nível do governo, o Primeiro-ministro está profundamente fragilizado. Nunca o vi assim. Está preso por um fio. Depois das trapalhadas recentes nas áreas da Educação e da Justiça, sem que tenha havido qualquer tipo de consequência política – eu teria demitido os ministros, com elegância, dizendo em público que haviam pedido a demissão – temos agora um caso muito grave, que atinge a cabeça da governação. Com as dúvidas sobre o comportamento de Passos Coelho enquanto deputado, na segunda metade da década de noventa, o governo e a coligação que o apoia estão destabilizados. E o Primeiro-ministro está numa posição insustentável. Tem que dizer se sim ou sopas.

 

O recurso à Procuradoria-Geral da República é uma manobra de diversão. A PGR nada pode fazer em relação a um possível crime que já está prescrito. Nem a questão é um assunto de tribunais. Esse tempo já passou. Hoje, trata-se de uma matéria de alta relevância política. E deve ser resolvida, pelo PM, de modo político. Deve vir para a frente e dizer, se sim ou não. Se cometeu ou não aquilo de que é acusado.

Um governo low cost

O populismo simplista que se apoderou da vida política portuguesa e da opinião pública levou o primeiro-ministro a optar por uma low-cost, no sábado, quando se deslocou a Bruxelas. Chegou com três ou quatro horas de atraso à cimeira europeia.

 

O leitor mais malandreco dirá que isso não trouxe mal algum ao país. Que os nossos líderes pouco ou nada pesam em Bruxelas.

 

Não sei. Sei apenas que um primeiro-ministro não pode estar sujeito às vicissitudes dos voos comerciais, sobretudo dos low cost, quando se trata de representar o país. É assim que se faz política internacional. É assim, também assim, que um país se dá ao respeito.

Portugal na próxima Comissão Europeia

O nome do novo Comissário português em Bruxelas, na Comissão Europeia, continua a ser um segredo bem guardado. No nosso país, os segredos políticos são sol de pouca dura. Andam, rapidamente, nas bocas do mundo, passam, sem demoras, a ser conhecidos de todos. Com este Primeiro-Ministro não tem sido assim. E esse é um ponto positivo, que há que lhe conceder.

 

Entretanto, diz-se que será uma mulher. O que certamente diminui o leque das possíveis candidatas. Alguém muito próximo de Passos Coelho. E aqui o leque ainda fica mais reduzido. Talvez uma das mulheres do partido de entre as que estão na Assembleia da República. Se assim for, o círculo torna-se ainda mais estreito.

Credibilidade

Creio que já o disse aqui, mas volto a repetir que em matéria política a credibilidade é fundamental. O líder deve ter sempre presente que precisa de manter e salvaguardar a sua credibilidade. Essa é a questão que deve estar permanentemente no centro das suas preocupações.

 

Por outro lado, os cidadãos têm que manter a confiança no líder. Só assim se pode governar com um mínimo de sucesso. Só assim se consegue fazer avançar a agenda política. Só assim damos uma impressão de um país positivo, não de uma nação que está zangada consigo própria.

 

Que fique claro. Quando se perde a credibilidade é praticamente impossível recuperá-la. Essa foi uma das lições que aprendi na minha vida pública internacional. Uma vez perdida, as muitas tentativas que o líder faça, para a tentar recuperar, são meramente patéticas e sem resultados.

 

Ontem, a entrevista do primeiro-ministro, por muito bem que lhe possa ter corrido, fez-me pensar nisto.

 

Como também penso na questão da credibilidade quando vejo François Hollande tentar recuperar a imagem perdida. Parece-me, no seu caso, muito difícil. Mas, mesmo assim, talvez menos do que no caso que temos em Portugal.

 

A conclusão que deve ser tirada de tudo isto é muito clara.

A conferência dos massagistas do ego

Ontem teve lugar em Lisboa uma conferência de alto nível. Sim, o Presidente da República, o Primeiro-ministro, o Presidente da Comissão Europeia, mais oito, sim, oito Comissários europeus, mais tudo o que é ministro e gente importante na situação portuguesa de hoje estiveram presentes. Para discutir o futuro de Portugal, o emprego e outras coisas que são fundamentais para o futuro do país.

 

Interessante. Mas mais interessante ainda, é que não vi, na comunicação social, uma só ideia, nova ou reciclada, que tivesse saído desse encontro. Li, isso sim, uma série de elogios, sobretudo destinados ao chefe da Comissão Europeia. E mais uma breve referência ao primeiro-ministro, que terá dito, mais ou menos, que a utilização dos fundos europeus, no passado, foi feita sem ter em atenção as verdadeiras necessidades do país. Mas, que com ele, isso não se passa assim.

 

Valha-nos isso.

O nosso homem está de volta

Durão Barroso deu uma entrevista de primeira página ao Expresso. E o semanário selecionou, de entre tudo o que foi dito, uma frase mortífera: “Já disse várias vezes ao primeiro-ministro que há limites”. Uma verdadeira rajada de metralhadora, que mostra várias coisas: que Barroso trata o PM de um modo paternalista, de alto para baixo, de chefe para subordinado; que o PM não o ouve, donde se pode deduzir que é um casmurro, sem capacidade de entender uma verdade tão simples; que vários limites foram ultrapassados, sem que houvesse sensibilidade política nem qualquer tipo de consideração pelo bom senso que deve caracterizar um PM. Revela ainda que Barroso, que continua a ser Presidente da Comissão Europeia, se permite interferir nos assuntos da governação interna de Portugal, como se fizesse parte da vida partidária nacional, o que não é o caso, por muito patriota e bom português que seja. Mais ainda, demonstra que Barroso, que diz não querer ser candidato à sucessão de Cavaco Silva, já está a preparar o terreno para o ser e poder bater na tecla que ele até era mais sensato e moderado que o PM de agora.

 

E o Expresso, solícito, está já a oferecer-se para ser um dos seus veículos de reabilitação perante a opinião pública de Portugal e um dos seus canais de propaganda. A escolha de quem está por detrás do Expresso é clara.

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