Portugal é grande quando abre horizontes

10
Jul 13

Estamos num momento que exige atitudes positivas e construtivas. Deixo, por isso, a crítica negativa para outros.

 

A declaração feita pelo Presidente da República terá os seus adeptos e os seus detractores. Mas tem, pelo menos, o mérito de pôr em evidência a gravidade da situação económica e social em que nos encontramos e de mostrar que não existem soluções simples nem tradicionais para a crise. Os partidos devem, de facto, procurar chegar a um compromisso alargado, tão amplo quanto possível. Um compromisso histórico para um momento histórico. Sem ressentimentos, com os olhos postos no futuro, não no passado. Ao responderem ao apelo, os dirigentes políticos terão a oportunidade de mostrar por que bitola vão querer ser medidos: a partidária, das vantagens de grupo e de clientelas, ou a do interesse nacional.

 

Um compromisso que deve igualmente mobilizar as organizações representativas dos interesses económicos e sociais, incluindo os principais movimentos sindicais. 

publicado por victorangelo às 22:02

03
Jun 13

A sondagem, que a edição de hoje do jornal i revela, mostra-nos que 32,7% dos eleitores portugueses votariam agora pelo Partido Socialista. Este resultado seria insuficiente e não permitiria ao PS governar sozinho. Ou seja, a haver eleições agora, teríamos que enfrentar um período de incertezas, com Seguro a negociar à direita e à esquerda. Com o programa de ajuda financeira em execução, o mais provável seria o aparecimento de uma coligação PS-CDS, que reúne actualmente 9,5% das intenções de voto. Uma mistura deste tipo não seria novidade, mas teria certamente as suas fragilidades.

 

Poder-se-ia igualmente pensar numa aliança governativa PS-BE. O BE teria mais ou menos o mesmo número de votos (9,4%) que o CDS. No entanto, na cena europeia que hoje prevalece, um governo desse tipo encontraria sérias dificuldades no seu relacionamento com os países líderes da UE.

 

Na sondagem, a extrema-esquerda (CDU mais BE) soma 22% das preferências. É um valor alto, que mostra bem que a situação presente tem levado à radicalização de muitos portugueses.

publicado por victorangelo às 20:43

14
Abr 13

Continuo com a impressão que muita gente não entende ou talvez não queira entender que a situação em que Portugal se encontra – gravíssima – tem raízes profundas. Não vem de agora nem do passado recente, mas sim de um acumular, ao longo de décadas, de erros políticos e de fraquezas estruturais.

 

Por isso, quem pensa que a situação se resolve com mais do mesmo e sem modificações profundas na nossa maneira de organizar a vida pública, a economia e a sociedade, está bem enganado. Ou, simplesmente, não tem a coragem necessária para dizer a verdade.

 

Como também anda de olhos fechados quem pensa que isto se resolve em meia dúzia de anos, digamos, numa década. Convém, no entanto, começar a tratar das questões quanto antes…

 

É igualmente falacioso acreditar que a solidariedade europeia, se for restabelecida, será a solução dos problemas. É verdade que precisamos dos outros. Mas a história dos anos que se seguiram à adesão de Portugal à União Europeia mostra que a solidariedade, que nessa altura existiu, não é suficiente para resolver os nossos défices estruturais. É preciso um empenho nacional e uma direcção política esclarecida e patriótica.

 

Sem o nosso empenho a sério e sem uma classe política à altura, o atraso vai continuar a ganhar raízes mais vastas e mais profundas.  

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:33

06
Abr 13

No seguimento do que escrevi ontem, queria deixar claro que não compreendo a euforia politica que a decisão do Tribunal Constitucional tem criado, nalguns sectores da nossa opinião pública.

 

A decisão, cujos méritos não ponho em causa, tornou claro que existe uma profunda crise política em Portugal. O governo ficou com uma autoridade fortemente abalada. A oposição, por seu turno, e por si só, não parece ser alternativa. Mas, mais importante, vamos ter que encontrar argumentos de peso para que possamos ter uma negociação efectiva com os representantes dos nossos credores, numa altura em que a nossa economia não responde, a opinião pública não aceita as reformas do Estado que são necessárias, e as receitas fiscais ficam muito aquém das despesas que esperamos o governo faça.

 

Tudo isto num contexto europeu que é muito pouco flexível, numa altura francamente desfavorável, em que quem decide, na Europa, não está disposto a fazer concessões. Antes pelo contrário. Quem manda pensa que chegou a hora da verdade, das clarificações, da separação do trigo do joio, de refundação da Europa.

 

Ou seja, estamos, isso sim, a viver uma crise nacional profunda. Que não se compadece com euforias. Nem com ligeirezas. Nem clubismos. Nem ódios pessoais. Exige, sim, um vasto movimento de unidade e muita chama patriótica. Como também pede gente firme, que seja capaz de falar com a Europa de maneira que possamos ser ouvidos.

 

O oposto da euforia não é ansiedade. A verdadeira alternativa passa pela mobilização de todos nós. 

publicado por victorangelo às 20:47

27
Fev 13

Um senhor sargento no activo, líder da Associação Nacional de Sargentos (ANS), disse aos meios de comunicação social que “todos os cenários são possíveis e estão em cima da mesa”. Referia-se à contestação que ele e os seus associados – sargentos nas fileiras das Forças Armadas – estão a fazer à política de reforma do governo em matéria de defesa.

 

Isto, para mim, soa como uma ameaça de um militar contra o regime democrático. Ou pelo menos, é uma violação do estatuto especial que rege as forças armadas.  

 

Creio que a Chefia deste senhor não vai deixar passar estas afirmações em branco.

 

Caso contrário, estaríamos numa situação em que já nada teria sentido.

 

Também me parece ser contrário ao estatuto da condição militar, tantas vezes invocada pelos próprios, para que possam manter certas regalias, que a dita Associação bem como a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e a Associação de Praças (AP) tenham convocado, em conjunto, uma reunião, a ter lugar na semana que vem, “para definir formas de luta contra os cortes financeiros e de efectivos anunciados pelo ministro da Defesa”.

 

Estamos aonde?

 

publicado por victorangelo às 20:09

11
Jan 13

Continuam os ânimos a estar muito exaltados. A escreverem-se barbaridades e a expressarem-se, nos mais diversos programas das televisões, as ideias mais farfalhudas. O relatório do FMI veio incendiar uma casa que já estava em brasa.

 

Como disse há dois dias, o documento tem que ser estudado com muito cuidado. Só é possível discutir com base em argumentos sólidos. Sabendo o que essas casas gastam, esse é o meu conselho, pois não pode haver dúvidas que quer Bruxelas quer outros centros de poder vão utilizar o documento do FMI como quadro de referência, nas suas relações com o Estado português. Sobretudo se tivermos que prolongar o programa de assistência financeira.

 

De qualquer modo, vai ser preciso tomar medidas drásticas, nas próximas semanas, para reduzir em 4 mil milhões as despesas do Estado. Qualquer medida que venha a ser proposta pelo governo vai ser comparada com as que o FMI sugeriu.

 

Essas medidas terão que ter em conta que, em vários sectores, temos uma administração pública ineficiente, enviesada e insustentável. Não querer debater estas questões, resumir tudo a slogans e palavreado de pugilista, é um erro. Não me sentiria bem se me dissessem que os líderes políticos do meu país não são capazes de ter uma discussão serena sobre a reforma do Estado. Sobretudo, numa altura de crise, e em que parte da crise tem que ver com uma arquitectura de governação e de administração que é, em vários casos, inadequada e, em certa maneira, profundamente injusta para os que têm menos poder.

 

 

publicado por victorangelo às 20:53

09
Jan 13

Fiz uma primeira leitura do relatório do FMI sobre as Opções de Reforma da Política de Despesas Públicas. O relatório dá uma clara indicação do tipo de pressão política que se pode antecipar, vinda não só do Fundo como também da Comissão Europeia. Deve, por isso, ser estudado com muita atenção por todos os partidos políticos, para que a posição de cada um seja tão fundamentada quanto possível.

 

Na parte final do relatório há uma referência inequívoca ao modelo de forças de segurança que os nossos interlocutores estrangeiros irão recomendar. A escolha dos exemplos apresentados – Áustria, Bélgica, Grécia e Luxemburgo – é elucidativa do caminho que querem que optemos: a integração dos diversos serviços de polícia num serviço único nacional. Trata-se de uma posição que contraria frontalmente o que o chamado “grupo de sábios” que elaborou o Conceito Nacional de Defesa e Segurança Nacional sugeriu. Ou seja, também nesta área, vai ser interessante observar como os acontecimentos futuros se irão desenrolar.

 

 

publicado por victorangelo às 21:10

02
Dez 12

Ontem fui jantar às docas de Alcântara. Os restaurantes estavam vazios. Todos. E não havia ninguém a passear no cais. Os arrumadores estavam desesperados. Só a noite estava amena. 

 

Antes, havia lido e seguido o congresso do PCP. Toda aquela conversa com chavões que nada significam, uma linguagem que não mobiliza ninguém para além dos convertidos, o discurso sobre um governo "alternativo" sem o PS e BE, um choramingar sobre a queda dos regimes da Europa do Leste, que eram contra a natureza humana, e que levaram um lindo enterro, e pensei, isto é gente boa mas fora do seu tempo, presa a um passado que já não existe, a sonhar com o fracasso do que já foi à falência, que pena.

 

Para um Primeiro de Dezembro, que é um dia dos saudosistas e dos absurdos de outrora, foi uma viagem ao mundo das ilusões, genuínas, mas sem sentido.

 

E disse, Viva o Futuro!

publicado por victorangelo às 21:51

02
Nov 12

Há muita gente preocupada com a crise que Portugal está a viver. Só uma visão simplista do momento actual pode levar a acreditar que tudo se resolveria deixando tudo na mesma, sem sacrifícios e sem um amplo consenso nacional quanto ao futuro.

 

A construção do consenso político é a primeira tarefa a resolver.

 

Numa situação de grande complexidade, a criação do consenso nacional necessário para a resolução da crise passa pelo esforço patriótico de personalidades com sólida credibilidade política e uma visão moderna da sociedade e da economia. Onde estão essas pessoas? 

 

Vou estar ausente deste blog e da realidade nacional até 15 de Novembro. Parto com a impressão que quando voltar estaremos ainda mais afundados nas nossas contradições. Espero, no entanto, que assim não seja. Esperar faz parte da cura. 

 

 

publicado por victorangelo às 18:51

14
Out 11

Portugal está em estado de choque, após ter tomado conhecimento das medidas orçamentais que vão ser aplicadas em 2012.

 

Durante o dia foram feitas uma série de declarações, até bispos vieram dizer das suas, incluindo o das Forças Armadas, o que parece inaceitável, que mostraram que não há ainda consciência da extrema gravidade da situação em que se encontra o Estado português e a economia do país. Foram poucas as vozes serenas, e menos ainda os que mostraram entender o que se passa e o que nos pode acontecer no futuro próximo. 

 

Vi vários programas de ajustamento estrutural serem aplicados noutras terras. A designação não é inteiramente correcta, pois não se trata de ajustar, mas sim de modificar, de raiz, muitas das práticas que, por haver uma crise económica profunda, se tornaram insustentáveis, inviáveis, impossíveis de financiar. Nesses programas, como agora, o que sempre faltou foi uma linguagem clara, por parte dos que estão no poder, que explique, sem ambiguidades nem disfarces, as razões que justificam as medidas penosas que terão que ser postas em execução. 

 

Como também é importante explicar qual é o papel do sector privado e a importância de atrair investimento estrangeiro, quando a crise é desta profundidade. 

 

publicado por victorangelo às 21:41

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