Portugal é grande quando abre horizontes

31
Jul 19

Volto ao assunto da corrupção do poder político. Para pedir que não se aceite a ideia que corruptos, são eles todos. Na verdade, houve quem reagisse assim ao meu escrito precedente, quem pensasse que isto de se andar na política é sempre por mero interesse pessoal. E, com base nisso, desculpasse ou minimizasse o que se tem conhecido nos tempos recentes.

Não creio que essa seja uma maneira certa de ver a coisa pública. Mais. Penso que se deve combater a ideia. A liderança política, no país que queremos ter, deve ser impoluta e tem que estar acima de qualquer suspeita. Por outro lado, as instituições devem ter mecanismos de controlo e auditoria capazes de funcionar e de impedir possíveis desvios. Quando tal não acontecer, o sistema de responsabilização e de penalização tem que ser ágil e capaz de cortar a direito.

Há uma questão de valores em Portugal, de oportunismo, de abuso de poder e aproveitamento pessoal do que é de todos. Há, igualmente, um combate político possível, que tenha os valores da dedicação à causa pública, da probidade e do exemplo como estandartes. Quero acreditar nisso.

publicado por victorangelo às 22:14

29
Jul 19

Na governação de um país, abuso de poder e corrupção são dois males muito frequentes. O combate político deve dar uma atenção muito especial a essas duas questões, que minam a democracia e a moral cívica de uma nação. Fechar os olhos é um erro colossal. Dizer que roubam mas fazem, é burrice de quem não vê as consequências de um regime que apodrece.

publicado por victorangelo às 23:39

26
Jul 19

Recentemente, quando me preparava para discursar, numa reunião pública, o membro da mesa encarregado de fazer a minha apresentação teve a amabilidade de dizer umas coisas simpáticas sobre a minha pessoa. Ao fazê-lo, colocou uma parte do acento na minha condição de “estrangeirado”, de quem anda lá por fora, tem uma família híbrida, meio portuguesa meio outra coisa.

Foi um momento curioso, já que a audiência era muito patriótica. Depois percebi que se tratava de uma espécie de alerta, para que não houvesse surpresas face ao que eu iria dizer. Como quem avisa, ele tem umas ideias diferentes, mas terão que compreender, anda há décadas lá fora.

Que ando, ando. Que vejo certas coisas com outros olhos, os leitores habituais sabem que é assim. Que não percebo a política portuguesa, também é verdade e, por isso, pouco escrevo sobre ela. Não compreendo a falta de ambição de quem nos dirige, nem a incompetência que manifestam, como também não entendo que perante tal, não haja uma oposição bem mais forte.

Mas isso são outras histórias.

Penso, no entanto, que é importante dar uma visão diferente da corrente. As mentes brilhantes que por aqui andam, na nossa praça pública, saltitam pela rama das coisas, alimentam-se da zombaria, defendem capelinhas em vez de ideias, movimentam-se em círculos de compadres. Prevalece o habitat dos pensadores narcisos. Aí, quem está fora há muitos anos, não cabe nem se sente no seu ambiente, essa não é a sua selva de predilecção.

O grande problema é que o país é a capital, e pouco mais, e a capital é apenas uma aldeia grande, em termos de mercado e diversidade. Acaba, assim, por ser um terreno de caça guardada para poucos, atentamente protegida pelos druidas ao serviço dos nossos pequenos deuses.

Por isso, convém alertar quando os estrangeirados se aproximam da cerca.

O meu apresentador tinha razão.

 

publicado por victorangelo às 21:29

25
Jul 19

Não sou, de modo algum, um fã de Boris Johnson. Reconheço, no entanto, a habilidade que teve, em termos da conquista do poder. Criou uma imagem própria, inconfundível, meio séria meio divertida, definiu uma agenda simples e fácil de entender, repetiu sempre a mesma mensagem, falou do futuro de modo positivo e com grandes acentos históricos, foi implacável no ataque aos seus opositores e soube estabelecer um círculo de fieis discípulos e de seguidores atenciosos. Teve, além disso, a habilidade de conquistar uma parte da comunicação social, que lhe amplificou a voz e se bateu pela sua promoção.

Observar tudo isto faz parte do estudo das lideranças e do caminho que seguem até chegar ao poder.

Por outro lado, tomar Boris Johnson por parvo seria um erro. Tem certamente muitas fragilidades, como todos os líderes com um só ponto na agenda, e é por aí que deve ser atacado. Ele criou um personagem jocoso, a oposição deve transformar isso num comportamento de palhaço. Tem uma agenda superficial, que deve ser demolida, sublinhando que se trata de um engodo sem substância. E cada erro ou mentira que de si saia, deve ser exagerada e repetida à exaustão, mas dando-lhe a volta, de modo a que pareça inteiramente ridícula.

Não vai ser fácil, que ele sabe da música.

Mas assim se deve fazer oposição, num caso destes, numa época em que a imagem é tudo ou quase tudo.

E já agora, isto em Portugal também pode servir de fonte de inspiração.

 

publicado por victorangelo às 21:56

13
Jul 19

Numa sondagem de opinião que hoje veio para os jornais, fica claro que a direita tradicional portuguesa está em crise. Representada pelo PSD e CDS, não conseguiria hoje mais do que 28% dos votos. 23% para o PSD e o resto para o CDS, que sofre uma queda acentuada. A agremiação de A. Cristas anda mais às aranhas do que a de Rui Rio, o que é muito significativo.

Estes resultados mostram que não há uma mensagem política à direita que cative. Não há fôlego nem bandeiras.

É evidente que a responsabilidade cai, acima de tudo, nos ombros dos líderes primeiros desses dois partidos. Num mundo a sério, ambos deveriam reconhecer que não têm garras para a música que se lhes pede que toquem. Isto é ainda mais evidente se se tiver em conta o desgaste político que caracteriza o governo de António Costa.

Do outro lado, quem aproveita são o BE e PAN. As razões serão motivo para outra conversa.

publicado por victorangelo às 18:05

12
Jul 19

Ontem, alguém que gostou da minha apresentação sobre o papel da sociedade civil na resposta às questões da geopolítica, que era o cerne da palestra que fiz na Casa da Cidadania, perguntou-me por que razão não falo mais vezes em público em Portugal. Sabia que o faço frequentemente no estrangeiro e estava admirada por o mesmo não acontecer por aqui.

Respondi que não queria incomodar os fazedores de opinião que primam em Portugal. É que eu falo com base na experiência vivida ao longo de quatro décadas, em muitos teatros de crise e de decisão, e não com base na leitura de textos escritos por outros. Mais. Falo directo, quer seja politicamente correcto quer não.

Isso não passa bem. Em privado, contei a história de um ex-ministro que esteve, há uns anos, num painel em que participei e que se sentiu atacado pela minha franqueza. Ficou nervoso e incomodado. Depois da conferência, moveu portas e travessas, e todas as influências que tinha, para tentar atacar o meu bom nome. É verdade que o não conseguiu. Mas ensinou-me uma lição. Em Portugal, não se atiram pedras ao charco em que vivem os que têm influência política e espaço na comunicação social. É perigoso. Os nossos sapos opinativos são, na verdade, príncipes encantados. Temos que os respeitar, fazer vénia e beija-mão.

Assim, muito por opção, deixo-os andar e vou, de vez em quando, falando aos cidadãos do dia comum. Foi isso que aconteceu ontem e a sala apreciou.

publicado por victorangelo às 21:24

11
Jul 19

A minha palestra de hoje em Lisboa, na PASC-Casa da Cidadania, foi sobre “geopolítica, ameaças e resposta cidadã”.

Falei sobre a sociedade civil e a sua capacidade de influenciar a agenda política, dei várias exemplos concretos, do #ClimateStrike ao #UmbrellaMovement de Hong Kong, passando pelo Sudão e a Rússia. No essencial, nesta parte da conversa, o objectivo era demonstrar que muitas das grandes mudanças políticas tiveram na base movimentos cívicos.

Depois, referi os grandes acontecimentos da década em curso, acontecimentos que influenciaram de modo determinante a agenda internacional. Comecei pela Líbia de 2011 e acabei com o lançamento pelo Facebook e mais 26 parceiros da Libra, que teve lugar a 18 de junho passado.

Foi então altura de falar do reequilíbrio dos poderes mundiais e da natureza dos novos conflitos, incluindo o novo tipo de armamentos.

Para fechar o debate que se seguiu, pedi aos participantes que evitassem respostas simples e lineares a questões complexas. Estamos num momento em as fontes de poder são variadas, não se limitam apenas ao controlo do Estado, das redes sociais, da banca ou das indústrias de armamento. Dar uma resposta simples a um período particularmente complexo da nossa história humana seria fazer o jogo dos populistas.

 

 

publicado por victorangelo às 21:30

08
Jul 19

É mais fácil chegar ao poder do que fazer bom uso dele e conseguir mantê-lo nas nossas mãos.

publicado por victorangelo às 20:08

24
Jun 19

Temos estado a assistir, em vários países da União Europeia, a uma fragmentação da cena partidária. Os eleitores dividem o seu apoio por toda uma série de facções políticas. Por exemplo, na Holanda o maior partido tem 14% dos votos. Em Espanha, o partido mais votado nas últimas eleições gerais, o PSOE, ficou-se nos 28,7%. Em França, o movimento que apoia Emmanuel Macron faz frente a uma série de pequenos partidos, à excepção da formação de Marine Le Pen, que consegue cerca de 22% dos votos. Na Alemanha, as sondagens mostram um reequilíbrio político, com os votos a serem distribuídos por várias famílias políticas. Idem, na Dinamarca e noutras terras da UE.

A fragmentação também chegou ao Parlamento Europeu.

De um modo geral, a fragmentação faz-se à custa dos partidos tradicionais, do centro-direita, de inspiração democrata-cristã, ou, então, da social-democracia e do socialismo moderado.

O corolário da fragmentação é a coligação. Vários governos assentam hoje em coligações de partidos, algumas delas bem complexas, como é o caso belga. Sem coligação não haveria um governo viável. E as coligações nem sempre unem movimentos políticos próximos, da mesma área ideológica. Exigem, em alguns casos, uma ginástica política inabitual.

Aqui surge uma outra dimensão da vida política europeia de agora, a indefinição ideológica. A análise das ideologias dos partidos está a complicar-se. O velho esquema esquerda-direita já não funciona com a simplicidade de outrora. Certos partidos têm, ao mesmo tempo, propostas de direita e de esquerda, numa amálgama que mistura populismo com nacionalismo, reivindicações progressistas com conservadorismo, liberalismo com o reforço do Estado social, ambiente com radicalismos.

Precisamos de novos prismas de análise. Também, de compreender que a política de hoje já pouco ou nada tem que ver com a que se praticava nos anos oitenta ou noventa do século passado. Estamos num cenário muito diferente, com outros enredos.

 

 

publicado por victorangelo às 13:02

23
Jun 19

Perguntaram-me se queria sugerir um slogan que fizesse pensar no futuro do nosso país. Curto, capaz de criar esperança e optimismo, sonante e, ao mesmo tempo, fácil de entender e de decorar.

Era um desafio interessante.

Fica por resolver.

publicado por victorangelo às 19:48

twitter
Setembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
13

17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO