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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Tusk na Europa

Donald Tusk, o primeiro-ministro da Polónia, é uma boa escolha. Creio que fará um bom Presidente do Conselho Europeu. É um homem determinado, realista, com ideias claras, respeitado pelos seus pares. Ao mesmo tempo, poderá ser um bom interlocutor no diálogo com a Rússia de Putine. Por outro lado, enquanto líder do Conselho terá que adoptar uma posição relativamente moderada e de consenso, o que acabará por ter um impacto positivo no seu país, onde existe uma certa tendência para a radicalização, quando se trata do relacionamento com a Rússia.  

O homem e a máquina

Entrei na Polónia em direcção a Wroclaw e Cracóvia e o meu GPS ficou perdido, sem mapa nem indicação da posição. Os mapas da Europa em memória, apercebi-me então, são apenas os da parte Ocidental do Continente. A Polónia não entra nessa categoria. Mas a nova auto-estrada da fronteira até Cracóvia, que continua depois até ao ponto de passagem para a Ucrânia, torna a vida dos automobilistas incomparavelmente mais fácil. Caso contrário, como acontecia até recentemente, seriam horas e horas de trânsito lento, e milhares de oportunidades de acidentes, que os condutores polacos conduzem nas estradas nacionais de duas faixas como quem fecha os olhos perante o perigo e carrega, com raiva, no pedal...

 

Feito o percurso na auto-estrada, e pagas as três portagens, a grande questão era como encontrar o hotel em Cracóvia, sem o aparelho mágico e no emaranhado de ruas de sentido único que constituem o centro da segunda urbe do país?

 

Lá nos fomos dirigindo para o centro, até ter de parar para pedir ajuda. O homem que o acaso fez de minha vítima, pessoa da minha idade, tentou explicar-me, no inglês que lhe era possível, como proceder, mas entendeu de imediato, pela minha cara, que o meu destino seria passar a tarde às voltas na cidade. Meteu-se, então, no meu carro e, fazendo de GPS humano, levou-me, vire à esquerda vire agora à direita, repetidamente, ao objectivo!

 

Um GPS assim, não tem preço.

 

Da próxima vez, no entanto, é melhor verificar, antes da partida, que países estão na máquina...

Medalhas vindas de fora

Fui hoje condecorado pelo governo da Polónia com a medalha de ouro das Forças Armadas Polacas. A cerimónia decorreu na embaixada da Polónia em Lisboa. A decoração reconhece o apoio que prestei aos contingentes militares polacos que estiveram destacados no Chade em 2008 e 2009, no quadro da missão de paz da ONU -a MINURCAT - de que eu era o chefe máximo.

 

Faz justiça, como disseram as autoridades de Varsóvia, à minha direcção política das tropas polacas.

 

Foi interessante estar com os diplomatas polacos acreditados em Lisboa. Gostam de estar em Portugal, sentem-se bem com o nosso Sol, bebem o nosso vinho com muito gosto e falam um excelente português.

 

Não lhes disse que a Polónia fez o que Portugal ainda não fez.

 

Revelias

A Comissão Europeia está a atravessar uma fase de desnorte e desmotivação. As transferências de funcionários de um serviço para o outro e a falta de coragem perante as tropelias dos Estados membros - ninguém ousa dizer às capitais que certas decisões estão fora dos acordos comunitários - fazem aumentar a confusão.

 

Entretanto, Mário Soares publicou hoje mais umas linhas sobre a senhora Merkel e a Europa. Chavões, frases feitas, puro ácido e uma análise pela rama, tudo a revelar que não entende o que se passa actualmente na UE. Mas não está só. Ainda ontem li um artigo de Dominique Moisi sobre a Alemanha que se inspira em puro idealismo criativo e sem raízes na realidade que define a nova relação de forças na Europa. 

 

Não tive oportunidade de ler o que disse Chris Patten, que há dias falou, em Lisboa, sobre temas similares. Valerá a pena comparar.

 

Entretanto, os Estados Unidos estão de volta. Curiosamente, a Polónia é um dos aliados preferidos. Geopolítica e o peso das forças armadas polacas explicarão uma boa parte do interesse.

 

Jantar em Varsóvia

Jantei com o General APM, que representa Portugal no Comité Militar da NATO, numa esplanada da rua Nowy Swiat, no coração comercial e histórico de Varsóvia. Estava uma noite quente e os Polacos passeavam nas ruas e comiam nos muitos restaurantes ao ar livre do centro da cidade. Quer o General quer eu ficámos muito bem impressionados com a população, o seu nível de vida relativo, a maneira moderna de vestir e de estar, a alta percentagem de gente jovem, a disciplina, a limpeza e arranjo dos locais públicos.

 

Este é um país que acredita no futuro, que avança e que tem orgulho nacional.

 

Faz bem ver isto, ajuda a esquecer os países de uma outra Europa, terras de  trapalhões, de ruas sujas, urbanizações desordenadas, de gente desanimada e sem esperança no dia de amanhã.

Com respeito, em homenagem

 

Tentar aterrar por três vezes, e voltar para uma quarta tentativa, quando as condições em terra eram completamente adversas, mostra a pressão que foi exercida, de uma maneira ou de outra, pela comitiva do Presidente Lech Kaczynski, sobre o comandante do avião. As altas personalidades do Estado polaco queriam, a todo o custo, estar presentes para a cerimónia dos 70 anos do massacre de Katyn.

 

Vivi, duas ou três vezes, situações semelhantes, em que o programa exigia que se voasse ou aterrasse, mesmo quando as condições atmosféricas não eram as melhores. Tratava-se, sempre, de decisões difíceis. Mas a experiência ensinou-me que em matéria de aviões não há nenhuma personalidade mais importante do que o comandante de bordo. Ele que decida, sem qualquer tipo de pressões. Várias vezes tive que alterar o programa previsto ou dormir em sítios que não lembrariam ao mais santo dos diabos. Segurança, primeiro.

 

Conhecia bem o General Franciszek Gagor, o CEMGFA da Polónia, que hoje pereceu no desastre aéreo. Era um oficial de grande capacidade estratégica, muito requintado de maneiras e vivo de espírito. A primeira vez que me reuni com ele, bem como com o Ministro da Defesa polaco e vários outros generais e oficiais superiores, foi para preparar a participação da Polónia na missão de manutenção de paz no Chade. Varsóvia não tinha experiência de trabalho com a ONU. Tinha ainda menos, no que respeitava a missões militares em África. Foi uma reunião muito demorada, difícil, pois o outro lado da mesa não entendia o papel das autoridades políticas do Chade. Pensavam que, uma vez que a missão tivesse sido aprovada pelo Conselho de Segurança, eu tinha toda a autoridade do mundo para decidir o que fazer com as forças expedicionárias. Depois de muitas explicações, foi o Gen. Gagor quem entendeu primeiro e explicou a matéria aos seus compatriotas.

 

Mais tarde, as tropas da Polónia foram de um grande profissionalismo. O último contingente a deixar o teatro das operações, na zona desértica do Norte do Chade, teve que esperar mais tempo que o previsto. Os homens e as mulheres que integravam essa força, que visitei várias vezes, foram pacientes e souberam comportar-se, numa situação de incerteza quanto às datas. Mas tinham uma preocupação de peso: queriam poder sair antes do Natal (2009). A religião é um factor maior na vida polaca, incluindo nas forças armadas.

 

Hoje, as preces serão para os que perderam a vida esta manhã. A Polónia está de luto, profundamente.

 

Festa Nacional da Polónia

 

Dia Nacional da Polónia, que celebrei em Iriba, no Nordeste do Chade, com o contingente militar polaco. Os soldados estão em campanha há sete meses, sem férias, no Sol do deserto. São tropas de elite, é verdade. Já deviam estar de volta a casa. Mas a chegada dos homens da Mongólia, que os devem substituir, está muito atrasada. Na melhor das hipóteses, apenas 118 deverão estar na zona de operações, por alturas do fim do mês. Deveriam ser 800, mais o equipamento pesado, de combate e de logística.

 

É preciso começar a desmobilizar os polacos, para que possam chegar a casa antes das festas. Como são gente muito católica, este calendário é importante.

 

A tensão resultante da incerteza começa a fazer-se sentir. Stress e homens armados, mesmo quando são soldados excepcionais, não é uma boa combinação.

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