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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

As elites e o povo

Muitos dos nossos concidadãos sentem-se frustrados. É um facto que a frustração não é um sentimento novo. O que pode ser considerado novo é a expressão pública dessa sensibilidade, que através das plataformas sociais quer ainda na praça pública, nas manifestações de rua.

São sonhos que não se realizam, opiniões que ninguém parece querer ouvir, críticas e sugestões a que não se dá peso, mesmo, nalguns casos, invejas que não se sublimam. Sem esquecer o drama que muitos enfrentam, quando o mês parece ter chegado ao fim quando ainda faltam tantos dias para o completar.

Estes sentimentos explicam em boa medida os populismos, os radicalismos, os movimentos do tipo Coletes Amarelos.

A classe política não tem sabido responder a estas desilusões e às angústias que lhe estão associadas. Os políticos vivem em mundos à parte, nos círculos que as elites formam. Movem-se na órbita de outros políticos, de jornalistas e de gente das empresas. Todos têm vários interesses em comum, que se satisfazem em circuito fechado. E todos eles partilham a mesma falta de sintonia e de conexão com os cidadãos anónimos, bem como a convicção de que são mais inteligentes e mais vivos que o resto da população.

É isso que deve mudar.

Charles de Gaulle

Neste dia, há cinquenta anos, o General Charles de Gaulle demitiu-se do cargo de Presidente da República francesa. Retirou-se da vida pública e foi viver para uma pequena aldeia, Colombey-les-Deux-Églises, um sítio que mal aparecia nos mapas. Havia perdido, na véspera, um referendo sobre a reforma do Senado e da regionalização, depois de ter ganho as eleições gerais de 1968 por uma margem confortável. Não era homem para aceitar derrotas nem populismos.

Ideias ocas para o Parlamento Europeu

Agora, sobre as eleições europeias que se aproximam.

Na corrida para Estrasburgo, Manon Aubry é a cabeça de lista do partido esquerdista de Mélenchon, La France Insoumise. Jovem, combativa, estreia-se assim na política, depois de ter representado OXFAM nos corredores do Parlamento Europeu.

Claire Nouvian fundou, no ano passado, Place Publique – um partido do centro-esquerda francês, próximo dos ecologistas e de certas correntes do Partido Socialista. Igualmente jovem e candidata ao PE, tem sido uma activista em Estrasburgo e Bruxelas na área da protecção e da conservação dos mares.

Ambas representam a nova vaga de políticos em França e uma maneira de olhar para a Europa que se quer mais progressista.

Na edição de hoje do quotidiano parisiense Libération aparece publicado um debate entre ambas. Deixou-me desanimado, eu que acredito na necessidade de uma visão jovem do futuro da UE. As ideias que defendem são meras banalidades. Nada de profundo. Lugares comuns, ideias feitas e ocas, actos de fé, e mais nada. A política das palavras sem sentido, que não chegam às pessoas.

Fiquei mais uma vez convencido que assim não se pode pensar numa Europa com futuro. E que as eleições para o Parlamento Europeu continuam, em 2019, vazias de projectos. Fala-se e quere-se uma renovação e o que aparece é o eco de coisas já ditas e cansadas.

Que tristeza.

 

Compreender a precariedade social

Nas nossas sociedades europeias, não há uma compreensão política clara do que significa a precariedade, apesar de ser uma situação vivida quotidianamente por muitas famílias. A política vive num mundo à parte. Deixou de ter raízes nos problemas dos mais pobres. Perdeu o contacto com quem se sente profundamente inseguro.

Duas perguntas políticas

Na sua qualidade de dirigente do partido, o senhor – ou, a senhora – pode explicar-me, em três simples linhas, qual é a agenda política que propõe aos cidadãos?

E já agora, numa só frase curta e directa, diga-me por favor qual é a principal diferença entre essa sua agenda e as que parecem definir os partidos políticos vizinhos?

A senhora disse social-democrata?

Esta de apelidar o Bloco de Esquerda de “social-democrata” não lembraria a todos. Lembrou, no entanto, à editorialista do Público de hoje. Diz, em resumo, que “…o que Bloco quer fazer são reformas à boa maneira social-democrata…”

Deve ser por esse motivo que o mesmo Bloco quer a estatização de uma série actividades económicas, e outras coisas radicais, aqui em Portugal. E que na frente externa, se alinha com os extremistas da ultra-esquerda europeia, como o partido de Jean-Luc Mélanchon, em França, ou o Unidos Podemos de Pablo Iglesias, ou ainda Die Linke, na Alemanha, o partido que renasceu das cinzas do comunismo da antiga RDA.

Isto só dá para que a agenda social-democrata pareça ainda mais confusa.

Ou será que a intenção da editorialista é outra?

À deriva? Quem?

Dizer que a União Europeia está à deriva, é uma mentira política. Um slogan falso e barato, que cai bem nos círculos mal-informados e nas discussões entre radicais. É mais um engodo.

Não está. Apesar de ser uma união de Estados soberanos – e não é fácil concluir acordos entre Estados que sempre se guerrearam e que conheceram grandes rivalidades nacionais –, a verdade é que se continua a avançar em muitas áreas de interesse comum e que a UE é hoje um espaço de paz, de liberdade e direitos. E de prosperidade, apesar de tudo o que se diz sobre as dificuldades da classe média.

Quem anda à deriva, no sentido de tentar captar tudo o que possa vir à sua rede de pesca eleitoral, são os populistas. Da direita e da esquerda. E essa deriva, que para uns é uma ilusão e para outros, uma artimanha, é perigosa. Dá combustível aos desequilibrados da vida bem como aos que vêem a sociedade pelo prisma das televisões e dos jornais que só falam de futebol e de histórias do arco-da-velha.

 

As elites e o cidadão

O texto que ontem publiquei é mais uma prova da desconexão que existe, nas nossas democracias ocidentais, entre o cidadão comum e as elites. No caso referido, tratava-se das elites políticas. Mas poderiam ter sido outras, as intelectuais, as académicas, as económicas ou as que brilham nos media. O fosso também diz respeito a essas elites.

Um fosso crescente, por isso, preocupante.

Ao nível político, assistimos a um amplo desencontro entre as aspirações populares e a capacidade de resposta dos políticos. E não é apenas a resposta medíocre perante os desafios sociais. É a incompetência noutras áreas igualmente vitais, como a da gestão da macroeconomia, da educação para o Século XXI e, ainda, a segurança dos mais fracos e a justiça.

Tudo isto acaba por se traduzir numa agitação e num mal-estar sociais de proporções inéditas desde os tempos do pós-guerra. Quando 4 em cada 10 cidadãos dizem ser contra o sistema vigente, há que reflectir, há que tirar as necessárias conclusões.

Temos que forçar o debate público desta crise do nosso sistema. E defender, com toda a clareza, a argumentação contra as opções populistas ou as respostas legalistas e securitárias.

 

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