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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Quem gosta de engolir sapos gigantes?

O Presidente da República, ao indigitar como primeiro-ministro o líder do partido com maior número de deputados, tomou a decisão mais previsível, neste momento em que ainda não há acordo de legislatura entre o Partido Socialista e os outros partidos.


Foi, no entanto, mais longe, ao dizer claramente que os dois partidos que estão a negociar com o PS são estruturalmente contra alguns dos tratados fundamentais de que Portugal é subscritor. Esta afirmação deixa entender que só muito dificilmente viria a dar posse a um governo cuja base de sustentação dependesse de modo definitivo do apoio continuado desses partidos.


Estamos, assim, perante uma posição muito categórica que poderá, em breve, ser um sapo gigante que terá que ser engolido.

Há um elefante na política portuguesa

Há uns sete ou oito anos atrás, foi produzido um filme de animação com o título de “Elefante Azul”. A narrativa era simpática: um jovem elefante, bem azul e com olhos grandes, que ia dando os primeiros passos na vida e com eles, encontrava os primeiros desafios ligados à amizade, ao amor e ao dia-a-dia de quem anda pela floresta de todos nós. Foi um filme cativante, embora todos percebessem que não existem elefantes azuis e que o paraíso terrestre é um pouco mais complicado.


Lembrei-me do “Elefante Azul” e da fantasia a ele associada, ao pensar na atmosfera em que muitos dos nossos comentadores políticos resolveram agora passar a viver. Assim a política torna-se mais simples. E mesmo não sendo, no nosso caso, muito “azul”, dá, no entanto para muitas historietas e muita palavra. Seria, como a visão que temos, um “elefante a preto e branco”.

O Costa dos impossíveis

António Costa demonstrou ter uma capacidade rara para conseguir o que parece impossível em política. Veja-se. Qualquer observador imparcial diria que seria impossível ver o PS perder as eleições. António Costa conseguiu perdê-las. Agora, dir-se-ia que uma aliança de governo com o PCP seria pura e simplesmente impensável. Seria uma união da pequena burguesia que o PS representa com os órfãos de uma época que já não conta para o futuro.


Ora, António Costa acaba de passar uns bons momentos com os dirigentes do PCP e, no final, disse que talvez seja possível chegar a um acordo. O homem acredita, de facto, no impossível e tem jeito para perder tempo e procurar moinhos de vento. Ou então, anda lançado numa fuga para a frente, que a realidade que o rodeia é bem dolorosa.


Só que, nos tempos que correm, até o absurdo se torna possível. Não convém, por isso, nesta fase, dizer que dessa água não beberei.

Deixem-se de lengalengas

Cheguei a Riga já depois do fim do famoso debate nas televisões portuguesas. Mas, pelo que tenho ouvido, parece que António Costa passou melhor este importante teste. E acrescento que assim não poderia deixar de ser. Jogava ao ataque, não tinha contas de governação recente para prestar e à sua frente estava um oponente que não percebe o impacto nefasto das lengalengas, das explicações intermináveis que nada esclarecem. As pessoas querem respostas directas e claras. É assim que se faz política nos dias de hoje. Grandes conversas não levam água a nenhum moinho, não convencem. Nem dão a impressão de sinceridade. Só servem para aumentar a desconfiança e os anticorpos.

 

Alianças impossíveis

O debate político de ontem à noite, transmitido por um canal de televisão que faz parte dos pacotes pagos – e por isso de acesso reduzido –, lembrou-me uma vez um dos aspectos singulares de Portugal, enquanto Estado da UE. Em que outro país da Europa existe um partido comunista como o PCP e com o seu peso eleitoral?


Fora isso, o debate mostrou que o PCP e o Bloco de Esquerda têm políticas que não permitem pensar numa qualquer aliança com o PS. As discordâncias dizem respeito a questões fundamentais, nomeadamente em matéria de obrigações europeias e de política externa. No caso do PCP são inultrapassáveis. O Bloco pareceu-me ser ligeiramente mais flexível. Mas mesmo assim, não vejo qualquer possibilidade de acordo entre o BE e o PS.


A liderança socialista deveria ter essa impossibilidade em conta e falar claramente sobre o assunto, durante a campanha eleitoral.

Amadores

Voltando à questão dos cartazes eleitorais, e depois dos erros de palmatória que são conhecidos, julgo que insistir apenas no tema da “confiança” é pouco. Por muito importante que a confiança seja, a insistência dá a impressão de vazio de ideias, para além de ser repetitiva e uma mensagem pouco clara.


É verdade que as eleições não se ganham com cartazes, por muito inteligentes que sejam. Mas placares chochos dão espaço de crítica aos adversários, abrem as portas a todo o tipo de críticas. São indicadores de amadorismo e pequenez intelectual. E permitem que se diga que os seus autores e responsáveis não inspiram confiança, se amanhã vierem a ser governantes.


E aqui sim, voltamos ao ponto sobre a confiança…

Comparar lideranças é uma boa ideia

Vale a pena ver com atenção a sondagem que o Correio da Manhã divulga na sua edição deste domingo e que compara a imagem pública de Passos Coelho com a de António Costa. Como é sabido, nestas coisas da liderança política e do combate eleitoral, a imagem projectada pelos líderes tem muito peso junto do eleitorado.

A comparação é, no seu todo, francamente vantajosa para o líder do Partido Socialista. Há, no entanto, um ou outro aspecto que António Costa terá que ter em consideração. Penso, sobretudo, na questão da indecisão. Esta percepção negativa pode muito facilmente ser explorada pelos seus oponentes.

Quanto a Passos Coelho, os resultados mostram que existe um grande risco de rejeição por desgaste de imagem após quatro anos de governação em clima de crise. Para além das políticas adoptadas, fica a certeza que a máquina de informação e propaganda do seu partido e da sua governação não funcionou bem. Fica ainda uma certeza maior que diz respeito à falta de sensibilidade do Primeiro-Ministro em relação a certos aspectos marcantes da opinião pública portuguesa – a recente menção ambígua de Dias Loureiro é apenas um exemplo ainda fresco. Não se pode tratar o eleitorado com opiniões ligeiras e superficialidade. Uma das principais funções de um líder político é a de manter o contacto e a sintonia com os cidadãos.

O líder deve passar uma boa parte do seu tempo a cultivar a ligação com as pessoas. Essa é, para além de dar direcção à acção política, a principal tarefa de um bom líder. É assim que se deve exercer a liderança no mundo de agora. Curiosamente, esta verdade tão óbvia não entra na cabeça dos nossos dirigentes.

 

O "relatório" do PS

O Partido Socialista divulgou hoje o que alguns dizem ser um “programa de governo” mas que é apresentado, mais modestamente, como sendo “um relatório”. “Uma década para Portugal. Relatório”. É este o título oficial.

Não se entende bem a razão da modéstia do título. Nestas coisas convém ser mais assertivo, mostrar que a liderança está 100% de acordo com as sugestões feitas, com as hipóteses de trabalho, os cenários e as políticas enunciadas. Não o fazer é sinal de fraqueza. É como que andar a apalpar o terreno, para ver quais são as reacções e decidir depois.

O documento, lido à pressa, tem muitas coisas que merecem atenção. É, certamente, uma boa base de trabalho para uma discussão política a sério com outros partidos e forças sociais. Uma discussão que é indispensável, tendo em conta as dificuldades profundas que o país atravessa.

Tem lacunas, no entanto, sobretudo no domínio das medidas de crescimento económico e de transformação da economia portuguesa, para além de estar construído à volta das questões orçamentais e não das questões de desenvolvimento. Mas contém igualmente propostas válidas e diferentes das políticas que estão em vigor.

Mais especificamente, pode ser acusado de optimismo, ingénuo ou não, no que respeita ao impacto fiscal positivo das projecções que faz do crescimento económico, projecções que assentam em expectativas demasiado cor-de-rosa, e que provavelmente não virão a acontecer, por faltarem as políticas de transformação do tecido produtivo português. Mas tudo isso deve ser analisado com mais atenção.

O documento tem a grande vantagem de clarificar, em grande medida, o que se poderá esperar de um governo socialista em Portugal, nos próximos anos. Alguns gostarão, outros menos e outros ainda, muito menos. Assim é a política.

 

 

Guterres com os olhos postos em Nova Iorque

Anda por aí gente a queixar-se de António Guterres, que não se define, que não diz se sim ou sopas, no que respeita às eleições presidenciais de 2016.

Mas a verdade é que Guterres está a jogar claro. Gostaria de ser o próximo Secretário-geral da ONU. Esta função é incomparavelmente mais interessante que a de Presidente da República portuguesa, mesmo escrevendo presidente com um P grande. Enquanto ele pensar que tem hipóteses, ao nível das Nações Unidas, não vai mostrar nenhum outro interesse que possa pôr em causa as suas chances. E, para já, Guterres tem algumas probabilidades a seu favor. É um nome possível.

Não haverá clareza em relação às candidaturas a Secretário-geral nos próximos tempos, excepto no caso de um acontecimento que desagrade profundamente a um dos cinco países permanentes do Conselho de Segurança e que tenha Guterres como protagonista. Ora, ele é prudente e sabe bem quais são as regras e contornos da corrida. Isto significa que Guterres não estará disponível, nem pouco mais ou menos, para ser candidato em Portugal. Mais ainda. É provável que nos próximos meses tenha um cuidado muito especial, uma espécie de afastamento, para que ninguém pense que ainda alimenta, lá no fundo do seu peito, alguma ambição relacionada com o início do ano de 2016 em Portugal.

 

 

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