Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Parabéns à GNR

No dia em que a GNR celebra os seus 104 anos de existência, é importante escrever a palavra reconhecimento. Na verdade, essa força de polícia merece uma apreciação positiva e um agradecimento, por parte de todos nós.

Também me parece importante voltar a afirmar que o poder político, à direita e à esquerda, continua sem ter a coragem necessária para pedir à GNR e à PSP que, em conjunto, apresentem uma proposta de reforma da maneira como se deve reorganizar, de modo mais eficaz e coordenado, a manutenção da ordem pública e a segurança dos cidadãos, no país moderno que Portugal pretende ser.

Um português exemplar

O Superintendente da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Portugal, Luís Carrilho, tem feito uma carreira internacional com as Nações Unidas de grande exemplaridade. É uma estrela no firmamento da Polícia da ONU (UNPOL), um quadro de topo. Depois de ter comandado a UNPOL em Timor no Haiti, acaba de ser nomeado Comissário – quer dizer, comandante-geral – da força de 200 polícias e gendarmes que irão ser destacados para a República Centro-africana, no âmbito da nova missão de paz nesse país.

 

 É uma grande distinção pessoal e, ao mesmo tempo, uma honra para a nossa PSP. Desejo-lhe o maior sucesso, num país que conheço bem e que sei que não é nada fácil.

Distúrbios em Lisboa

Dizem-nos as notícias que houve pandemónio no Centro Comercial Vasco da Gama, esta tarde, em Lisboa. Centenas de jovens de origem africana causaram distúrbios e pânico.

 

Este tipo de acontecimentos não é único. Não foi a primeira vez. E não será a última, tendo em conta a diversidade étnica que caracteriza uma cidade como Lisboa.

 

O controlo destas manifestações é fundamental. Como também o é a responsabilização criminal dos elementos mais violentos. Não deve, no entanto, ser vista sob o prisma do racismo. Jovens de grupos étnicos minoritários vão continuar a sentir-se discriminados. É a natureza das sociedades complexas de agora. Mas devem também entender, de modo claro, que essas manifestações terão sempre uma resposta enérgica. No que respeita à PSP não tenho dúvidas. Mas já não digo o mesmo no que respeita à justiça.  

A imagem da polícia

Os polícias que encontramos nas ruas de Lisboa andam fardados com uma camisa azul, de um escuro desbotado, que nos diz ser de tecido de má qualidade. Ficam com um aspecto de polícia pobre, que é de facto o que são. E para acentuar ainda mais a imagem, uma boa parte, tudo gente muito jovem, passa o tempo de patrulha encostado às paredes da cidade, a falar ao telemóvel. Garbo profissional deve ser um conceito que ficou esquecido nos manuais do passado.

 

Eu, que tenho todo o respeito pela dedicação dos nossos polícias, fico à espera de mais, que isto da imagem, em matéria de segurança pública, vale muito.

Paz e segurança

Um dos agentes que se ocupava da minha segurança pessoal na Serra Leoa, um funcionário local ao serviço da missão das Nações Unidas, B. V. são as iniciais do seu nome, escreveu-me hoje. Para informar que acabara de ser transferido para a Líbia, para integrar a secção de segurança da missão onusiana nesse país. Anteriormente, havia estado comigo no Chade, depois de Freetown, e nos últimos anos tem feito parte do grupo de segurança pessoal da Representante Especial do Secretário-geral em Abidjan.

 

A mensagem que dele recebi lembrou-me de várias coisas.

 

Da lealdade que este antigo e simples funcionário local sempre demonstrou para comigo. Na Serra Leoa, a minha intervenção fez com que o candidato presidencial do regime não tivesse a oportunidade de roubar as eleições. Ora, B. V. era apoiante desse candidato e da mesma origem tribal. Mas sempre acreditou que eu sabia o que estava a fazer e nunca me atraiçoou.

 

Da africanização das missões de paz da ONU. Hoje essas missões têm um elevado número de funcionários de origem africana. B.V. é um exemplo. Um bom exemplo. E ainda bem que assim acontece.

 

Do peso que as questões de segurança passaram a ter. A segurança é a preocupação absoluta numa missão. Depois vem o resto, a política, o humanitário, o desenvolvimento.

 

Do facto que existem actualmente vários portugueses, normalmente originários da PSP, em funções de segurança na ONU. No Mali, em Bissau, no Haiti, até mesmo em Genebra. E que há muita gente na PSP e na GNR que gostaria de partir e juntar-se aos que já foram recrutados.

 

As coisas da manutenção da paz são, na verdade, um mundo novo.

A vida das pessoas

Um casal amigo, que mora na zona, dizia-me ontem que a estrada nacional entre a Quinta do Conde e Azeitão mete respeito, a partir das 10:00 horas da noite. Parar nos sinais, por exemplo, faz-se com o coração na boca. Ser seguido de perto por um outro carro é uma ansiedade. Existe medo, na estrada, medo dos assaltos e do carjacking.

 

Há dois ou três anos atrás não era assim. Agora é. E é tema de conversa, quando as pessoas se encontram. Pena que o ministro da Administração Interna não faça parte dos serões destas pessoas, onde estes medos são partilhados.

Felicidades no comando da GNR e mais umas questões

No dia da sua tomada de posse, parece-me importante desejar os maiores sucessos ao novo Comandante-geral da Guarda Nacional Republicana (GNR). A instituição tem oficiais, sargentos e praças de grande valor. Com um bom comando, tudo deverá correr pela melhor.

 

Já ao nível político, as questões são outras.

 

A instituição continua a ser liderada por oficiais generais provenientes do Exército. Já será altura de promover a prata que cresceu na casa, e dar a oportunidade a um, dois ou três dos coronéis que subiram nas fileiras de chegar ao generalato da GNR.

 

Por outro lado, é altura de pensar a sério no futuro da instituição. Será que ainda se justifica, numa democracia madura, ter toda uma força de polícia com uma cariz militar?

 

Como também é altura de pensar na relação funcional entre a GNR e os outros serviços de polícia, em particular a Polícia de Segurança Pública (PSP) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). A matriz moderna das polícias, que é civil, a eficiência do combate ao crime e a proteção efectiva dos cidadãos pedem que se pense a sério na convergência de todas estas instituições num serviço nacional unificado de polícia.

 

Note-se o uso, na frase anterior, da palavra “convergência”. Tem que ser um processo gradual. Tem que respeitar as tradições de cada força e serviço. Mas precisa de ser encarado. E tem que haver a coragem política de o iniciar.

As velhas rivalidades na área da segurança interna

Nos últimos dias surgiram, de novo, informações sobre a rivalidade institucional entre a PSP e a GNR. Foram mencionados casos concretos, mas que na realidade são reveladores de tensões profundas.

 

Várias vezes tive a ocasião de dizer que é preciso encarar a questão da organização da segurança interna com objectividade e coragem política. Aqui, como no resto, não existem monstros sagrados, intocáveis. Existem, isso sim, instituições que têm um passado histórico que é preciso respeitar, mas que devem ser vistas à luz das realidades de hoje. Essas realidades exigem que se racionalize o sector, que se integre o que deve ser unificado e que se defina um plano para o médio prazo, que racionalize o sector da segurança interna e permita obter ganhos de eficiência.

 

As rivalidades institucionais revelam várias coisas: um ministério de tutela fraco; interesses pessoais, dos dirigentes das instituições, a sobreporem-se ao interesse nacional; nivelamento por baixo; maior preocupação com questões de imagem do que com o combate efectivo à criminalidade; e, para rematar, uma concepção da segurança e da ordem pública que tem mais que ver com uma dicotomia campo-cidade que já não existe do que com a evolução da criminalidade e dos desafios e ameaças.

 

Há aqui um debate por fazer.  

Vigilância popular

No Reino Unido existem cerca de 165 000 comités de segurança de bairro, criados pelos residentes. São os chamados Neighbourhood Watch, ou seja, grupos de voluntários que vigiam o bairro em que vivem, em estreita ligação com a esquadra de polícia da zona. A polícia encoraja a criação desses grupos e dá-lhes o apoio necessário para que funcionem com eficácia.

 

Deste modo, o Reino Unido é, de longe, o país europeu em que a ligação da comunidade à polícia é a mais forte. É, também, o país com o maior número de câmaras de videovigilância instaladas em locais públicos. Incluindo câmaras par controlo do trânsito.

 

Tudo isto dá um sentimento de segurança aos cidadãos. Nos outros estados membros da UE a experiência não tem o mesmo tipo de sucesso. Na Bélgica, por exemplo, tem alguma expansão na parte flamenga do país, mas não na capital nem na zona francófona. Muitos dos chefes locais de polícia têm-se oposto à ideia.

 

A PSP, o Ministro e a borboleta

Tenho que voltar à situação agora criada na PSP. Vista donde eu me situo, a coisa parece grave.

 

O ministro da Administração Interna e acima dele, o primeiro-ministro, dão-me a impressão que não souberam gerir o incidente das escadarias da Assembleia da República com a necessária serenidade e sabedoria. É verdade que o incidente não deveria ter acontecido. Que, por ter ocorrido, exigia uma resposta clara e forte. Um apuramento das circunstâncias e das responsabilidades, acompanhado por um par de declarações públicas, que confirmassem que o mesmo fora um erro táctico ao nível do comando operacional da PSP, teria sido a resposta proporcional e acertada.

 

O que me parece exagerado foi o forçar a saída do director nacional. Valente Gomes havia demonstrado ser um dirigente equilibrado, o líder que a Polícia precisava numa altura de grande complexidade e de crise social profunda. Ao exigir a saída do director nacional, o ministro esqueceu-se que este havia constituído uma equipa muito coesa e de grande qualidade. Uma equipa que já havia demonstrado que era de facto uma equipa, capaz de funcionar como tal e com coerência. A saída do chefe implicaria a saída dos outros dirigentes.

 

E foi isso que aconteceu. De repente, a PSP ficou decapitada, em termos de liderança estratégica, de alguns dos seus melhores profissionais. As implicações serão várias. Mas uma delas é certamente um aumento do mal-estar na instituição, sobretudo ao nível dos seus quadros superiores. Ora, sendo a PSP uma força hierarquizada, o que acontece em cima tem certamente repercussões através dos diferentes escalões de comando.   

 

Temos aqui matéria que convirá manter sob observação.

 

Entretanto, conviria explicar ao ministro e a outros políticos que o que acontece ao nível táctico deve ser responsabilizado a esse nível e ao nível intermédio, o operacional. Passar imediatamente para a responsabilização ao nível do comando-geral estratégico, como se diz, é um erro de palmatória.

 

Mas quando falta experiência e capacidade para tratar destas coisas políticas, tomam-se as decisões erradas. E por isso se diz, muitas vezes, que quando a borboleta bate as asas os políticos transformam isso num vendaval.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D