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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A Europa é uma questão política

A União Europeia é acima de tudo um projecto político. Muito complexo, na medida em que engloba vários Estados, que têm particularidades próprias, diferentes identidades culturais e um sentimento nacionalista com profundas raízes históricas. Têm, igualmente, níveis de desenvolvimento económico distintos. Mas o projecto político existe e deverá continuar vivo, com o apoio de uma grande parte das populações europeias.

O objectivo fundamental é o de consolidar um espaço comum de segurança, direitos e prosperidade. É nessas três áreas que cabem muitas das iniciativas que têm sido levadas a cabo, ao longo dos tempos. Será, ainda, sobre essas áreas que se tem que dar exemplos do que já foi conseguido e do que se procura fazer no futuro.

Perante a complexidade e ambição do que se pretende construir em conjunto, seria um erro reduzir o discurso político sobre a União Europeia a uma dimensão só. Continua-se, no entanto, a assistir a esse tipo de reduções, que limitam o projecto à Europa Social, ou à Europa do Capital, ou à transferência de poderes das capitais nacionais para as instituições europeias.

Esses discursos só podem ter como explicação uma de duas coisas: ou se trata de uma simplificação ingénua do que é a UE ou estamos perante uma perspectiva de combate ideológico, um ataque que na realidade se destina a minar a prossecução do plano que nos une e faz mais fortes.

 

Sobre as eleições europeias

As eleições europeias são uma ilusão perigosa. Na maioria dos países, os eleitores votarão por razões de política interna. Muitos dos votos serão actos de protesto contra o presidente, o primeiro-ministro ou o governo no poder. A escolha pouco ou nada terá que ver nem com o projecto comum nem com os grandes desafios que a UE deverá enfrentar nos próximos cinco anos. Talvez os populistas anti-Europa e os liberais federalistas sejam os únicos a votar por um motivo europeu, uns com o objectivo de destruir a União Europeia, outros porque acreditam na força do destino comum.

O resultado é claro, mesmo antes da votação. O Parlamento Europeu vai estar mais fracturado do que nunca. E ainda mais preocupado com as agendas nacionais do que o Parlamento que agora cessa funções.

Nada disto é de bom agoiro. E não se vê liderança capaz de se erguer acima deste panorama fragmentado e de vistas curtas. A grande esperança era Emmanuel Macron. Mas o movimento Coletes Amarelos criou uma clima de oposição e de desconfiança que o enfraqueceu. Os outros partidos franceses vão aproveitar a onda para a tentar surfar a seu favor. É um jogo oportunista e irresponsável, mas assim é a política, de um modo geral.

Mesmo assim, a família centrista que Macron representa vai conhecer um acréscimo do seu número de deputados no Parlamento Europeu. Não será suficiente para fazer inflectir as grandes escolhas. Poderá, todavia, ter um impacto na escolha das personalidades que irão ocupar os cargos de importância. Na Comissão Europeia, no Conselho, na sucessão de Federica Mogherini, como também no que respeita a Mário Draghi.

 

A crise da democracia

Fala-se muito na crise da democracia. Inventa-se toda uma série de explicações. Escreve-se peças académicas sobre o assunto. E, sobretudo, esquece-se que a raiz dessa crise está na maneira como os partidos políticos funcionam. Em muitos deles, tudo é decidido de cima para baixo. Manda o chefe e os outros não têm outro papel que o de obedecer. Não há democracia interna, não há debate para além do dizer que sim ao chefe e aos seus.

A crise da democracia resulta de partidos que deixaram de a praticar nas suas fileiras, que perderam a representatividade política que deveriam ter e que não permitem às novas elites e às ideias frescas que vinguem.

As elites e o povo

Muitos dos nossos concidadãos sentem-se frustrados. É um facto que a frustração não é um sentimento novo. O que pode ser considerado novo é a expressão pública dessa sensibilidade, que através das plataformas sociais quer ainda na praça pública, nas manifestações de rua.

São sonhos que não se realizam, opiniões que ninguém parece querer ouvir, críticas e sugestões a que não se dá peso, mesmo, nalguns casos, invejas que não se sublimam. Sem esquecer o drama que muitos enfrentam, quando o mês parece ter chegado ao fim quando ainda faltam tantos dias para o completar.

Estes sentimentos explicam em boa medida os populismos, os radicalismos, os movimentos do tipo Coletes Amarelos.

A classe política não tem sabido responder a estas desilusões e às angústias que lhe estão associadas. Os políticos vivem em mundos à parte, nos círculos que as elites formam. Movem-se na órbita de outros políticos, de jornalistas e de gente das empresas. Todos têm vários interesses em comum, que se satisfazem em circuito fechado. E todos eles partilham a mesma falta de sintonia e de conexão com os cidadãos anónimos, bem como a convicção de que são mais inteligentes e mais vivos que o resto da população.

É isso que deve mudar.

Espanha: extremistas marginais

Nas eleições gerais espanholas de hoje, a extrema-direita representada por VOX pouco mais teve que 10% dos votos. Ou seja, não assistimos a nenhum terramoto, nem a um renascimento significativo do franquismo. A percentagem conseguida faz de VOX um partido nas margens da democracia. Sem mais. Marine Le Pen, a parente extremista do outro lado da fronteira, tem muito mais peso eleitoral. É um perigo bem maior.

Somos muito vivos da cabeça

É tudo a disparar primeiro e a reflectir, quando reflectem, depois. Ou seja, continuamos a discutir o percurso de vida e a personalidade do mensageiro, em vez de nos interrogarmos sobre a mensagem, o seu conteúdo, alcance e implicações.

Os supremacistas são um perigo

A Nova Zelândia é um país muito diverso. A população tem raízes em vários pontos do globo, para além das locais, que são as de quem pertence ao povo Maori. Um bom exemplo dessa diversidade pode ser comprovado pela diversidade dos meios de comunicação social. Há de tudo, incluindo os destinados às comunidades filipinas, chinesas, indianas, etc.

É igualmente um país muito pacífico e tolerante. Um país que aprendeu a viver em harmonia consigo próprio e com a natureza.

Os ataques terroristas de ontem foram, por isso, uma grande surpresa. Vieram lembrar-nos, entre outras coisas, que o extremismo racista, as ideias supremacistas de ultra-radicais brancos são, como outras, uma ameaça muito séria. Incluindo onde menos se espera.

As forças de segurança não chegam para tudo, é verdade. Mas não podem de modo algum deixar de vigiar quem faz do ódio étnico ou religioso uma bandeira de combate e de propaganda violenta. Na Nova Zelândia, em Portugal, e noutros cantos do mundo.

Macron precisa de aliados

Cerca de 55% dos franceses considera que a mensagem do Presidente Emmanuel Macron sobre o futuro da União Europeia se justifica e importa. Este apoio é significativo, sobretudo na fase actual em que se encontra a França, quando a fragmentação e a hostilidade são os principais traços da paisagem política.

Uma das razões por detrás deste nível de aprovação assenta na visão idealista do papel da França na Europa. Muitos, nacionalistas e não só, querem que a França seja o motor do projecto europeu, o país que deve puxar a UE para a frente. A iniciativa do Presidente alimenta esse tipo de ambição. Uma ambição que outros apelidariam de ilusão, também é verdade.

De qualquer modo, vontade, capacidade, empenho ou quimera, o problema é o de encontrar aliados noutras nações europeias. Esse é o grande desafio que o plano de Emmanuel Macron tem pela frente. É uma dificuldade de monta. Sem a resolver – e eu não vejo, neste momento, saída para essa questão –, as ideias europeias de Macron não terão um impacto verdadeiramente transformador. Poderão mesmo ficar num canto da história dos próximos anos.

Em política, nada se faz sozinho. E, no caso da construção europeia, isso é ainda mais verdade.   

 

 

Sobre a crise

Certos intelectuais continuam a tentar explicar as mudanças políticas que se vivem nalguns países europeus com uma longa referência à “crise dos sistemas financeiros”. Mas, não se percebe bem que crise é essa.

Sim, assistimos, nalguns países, incluindo no nosso, a graves problemas relacionados com a dívida pública e o impacto que tiveram sobre a situação económica, a doméstica e a da vizinhança. Sim, vimos vários bancos em dificuldades, aqui, na Grécia, em Itália, Chipre, etc, mesmo no Reino Unido. Sabemos, todavia, que na base desses problemas estavam más decisões de gestão, créditos atribuídos por razões políticas e amizades corruptas, para além dos desafios resultantes de um crescimento económico negativo ou anémico. Sim, fomos testemunhas da expansão e da globalização dos mercados financeiros, de uma penetração muito significativa de capitais estrangeiros nas economias europeias, de uma concorrência de um novo tipo, de proporções nunca vistas.

Tudo isso provocou e continua a causar instabilidade e, nalguns casos, grandes rupturas nos sistemas financeiros. E temos mais tempestades à vista: o Brexit sem acordo, a confrontação comercial entre os Estados Unidos e outras grandes economias, a dívida pública italiana, ou ainda, o possível colapso de um par de grandes bancos bem como a revolução que a Inteligência Artificial irá ocasionar. Com a internacionalização dos mercados de capitais e a rapidez dos fluxos financeiros, uma gripe num sítio pode facilmente transformar-se numa pneumonia mais além, nas economias frágeis e dependentes do exterior.

É evidente que estes fenómenos criam insegurança e grandes receios. Muitos cidadãos têm medo e sentem-se impotentes . E quando olham para o poder político, para o funcionamento das instituições, não ficam tranquilos. Em muitos casos, os mais fracos não vêem na liderança política quem se interesse verdadeiramente pelas suas preocupações. Antes pelo contrário. Os políticos parecem andar num outro planeta. E quando se aproximam, soam a falso, dir-se-ia que lhes falta a sinceridade. O empenho.

É aí que encontramos as chamadas crises políticas. Os movimentos de radicalização. O baralhar das cartas e o aparecimento de outros ases, nem sempre da melhor cepa. E assim, o edifício político, que as nossas democracias europeias foram construindo, passa a enfrentar grandes tremores e parece estar prestes a desabar. Por isso se fala tanto de crise política.

Na verdade, é a questão da representatividade que está em jogo. O debate deve começar por essa questão. Quem nos representa e como?

 

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