Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Viagens e conflitos

 

A visita de Luís Amado ao Chade, prevista para amanhã e Segunda-feira, incluía uma volta por um campo de refugiados, o maior e numa zona perto da fronteira com El Geneina, um importante centro urbano, no Sudão.

 

Por razões de última hora, completamente justificadas, o Ministro não pode fazer a viagem. Terá que ser em Janeiro.

 

Entretanto, está em preparação a minha viagem a Sam Ouandja, uma localidade 200 quilómetros ao Sul de Birao. É a ponta Sul da área de intervenção das tropas da MINURCAT. Uma região de refugiados sudaneses e de homens armados, pertencentes ao grupo rebelde centro-africano conhecido como UFDR. As duas partes estão em conflito. Com violência e com casos de morte. É uma terra com diamantes e caça grossa. São dois recursos naturais que levam a grandes disputas. Não há segredo. Trata-se de ver quem controla as riquezas. Lá como por cá. 

 

 

Violências

 

A ameaça de represálias contra os refugiados do campo de Sam Ouandja continou a ocupar as atenções de todos: governo, Nações Unidas, agências humanitárias. Os rebeldes exigem que o campo seja mudado para uma outra região da República Centro-Africana. Dizem que vão bloquear os acessos ao campo, impedir a passagem dos camiões do Programa Mundial de Alimentos. Na verdade, não querem estes refugiados nas suas terras, por razões tribais. É o problema das identidades e das diferenças. Quando há instabilidade, gente diferente faz medo.

 

Tive que enviar 18 militares para a zona. Amanhã irão mais. São tropas de elite, mas não tenho muitas, que o Conselho de Segurança só me autorizou um pequeno número de soldados nesta região, vasta e abundante em problemas. Um dia terei que contar as razões desta decisão do Conselho.

 

Tornei público um comunicado, para lembrar que todas as acções de violência contra os refugiados e os agentes das ONGs e da ONU caiem no âmbito da lei humanitária internacional e das violações dos direitos do homem.

 

Veremos.

 

Entretanto, mal tive tempo de ver a tragédia em que a Grécia se encontra. Os jornais falam já dos países da zona euro que estão com problemas fiscais semelhantes. Portugal aparece na lista. Estes factos vão ter um impacto sobre o euro. Mostram, por outro lado, que a disciplina macroeconómica da área do euro está de pantanas. Quando esta disciplina falha, o que se pode seguir é ainda pior.

 

Vi, no entanto, o drama pessoal que Berlusconi está a viver. As imagens foram repetidas por toda a parte. Uma vez mais, convém reafirmar que nada justifica a violência contra as pessoas. Nem em Sam Ouandja, no meio das florestas mais fechadas, na fronteira com o Darfur, num mundo que continua embrutecido, nem em Milão, às portas da moda e das catedrais que nos esmagam.

A guerra está aberta aos Domingos

 

Uma coluna rebelde, de cerca quarenta homens, está a movimentar-se, em direcção ao campo de refugiados sudaneses de Sam Ouandja, situado a cerca de duzentos quilómetros ao Sul de Birao. Dois combatentes foram assassinados ontem no campo. Receia-se que este movimento tenha que ver com uma possível retaliação contra os refugiados, a quem acusam de ter morto os seus camaradas.

 

Entretanto, o chefe desta rebelião, Damane, foi contactado hoje. A mensagem que lhe fizemos chegar é que qualquer violência contra os refugiados é inaceitável e não resolve o problema da justiça que precisa de ser exercida.

 

O grupo de Damane, o UFDR, é um aliado do governo de Bangui. Por isso, pedimos ao governo que passasse a mensagem.

 

Amanhã teremos cerca de vinte capacetes azuis junto ao campo. Militares de elite togoleses. Com ordens claras para que não deixem espaço para nenhuma acção violenta por parte de grupos irregulares.

 

Esquecemos de lembrar aos rebeldes que hoje é Domingo. É verdade que não há tradição de combater de noite, aqui nestas paragens. Diz um dos meus conselheiros que a guerra fecha às seis da tarde, para a oração do fim do dia e para descanso. Mas não fecha aos Domingos.

 

Investigações

 

 A investigação sobre os raptos de Birao já levou à detenção de cinco suspeitos e a uma melhor compreensão de qual possa ser o grupo armado com responsabilidades na matéria.

 

Em questões de polícia e de justiça, é preciso andar a bom ritmo.

 

Também foi possível dar exemplos de liderança. Liderar é tomar a iniciativa, seguir uma linha de actuação coerente, não ter medo de assumir riscos, surpreender e determinar a agenda.

 

 

 

 

As organizações humanitárias face à insegurança

 

O tema do meu escrito de hoje na revista Visão centra-se nas questões de segurança nas terras hostis do Sahel, incluindo na fronteira com o Darfur.

 

A minha tese é que certas organizações não-governamentais não estão a perceber a natureza dos riscos que existem nessa região. Agem como se a insegurança tivesse motivação política. E falam, a torto e a direito, da neutralidade que é preciso manter.

 

Mas a verdade é que não se trata de conflitos políticos. São actos de banditismo, de criminalidade pura e dura. Ameaças concretas contra as populações e contra os agentes humanitários. As Nações Unidas têm duas grandes operações de segurança na zona, a MINUAD. no Darfur, e a MINURCAT, no Chade e na República Centro-africana. Ambas têm como mandato proteger as organizações humanitárias, os refugiados e deslocados, bem como as populações locais, que são presas fáceis dos homens armados.

 

Ser protegido pela ONU não faz perder a neutralidade nem a independência das organizações. E permite continuar o trabalho de assistência, salvando muitas vidas em perigo.

 

O texto está disponível no sítio da Visão:

 

http://aeiou.visao.pt/preocupacoes-desabafos-e-recados=f537366

 

Muito agradecido fico pela leitura. E por um ou outro comentário que queiram fazer. Não há medo das polémicas, nesta maneira de estar na vida.

 

 

Sem hesitações, nem espaço para folgas

 

As questões de segurança continuam a estar no centro das preocupações.

 

Depois de três artigos na Visão sobre os riscos que uma segunda volta das eleições poderiam acarretar, eis que os peritos da ONU em matéria eleitoral são vítimas de um ataque muito sério. Seis colegas mortos esta manhã, em Cabul. Um drama. Uma tristeza. A lista de nomes ainda não foi revelada, mas tenho receio que alguns deles tenham trabalhado comigo, noutras eleições.

 

Já fiz várias, por esse mundo.

 

Entretanto, o polícia que foi ferido no ataque contra uma das nossas esquadras, na Segunda-feira, continua entre a vida e a morte. Mais de um lado do que do outro. A bala, de uma kalashnikov, atravessou o addomen, destrui parte dos intestinos, o grosso e o delgado, e outros orgãos. Amanhã será operado pela segunda vez, pela equipa norueguesa, no nosso hospital de campanha ultra-equipado. Um jovem. Um homem jovem.

 

Na Sexta, vai ser preciso fazer um prognóstico muito sério da sua situação.

 

Muito sério. Uma decisão.

 

No seguimento destes acontecimentos, tive que dar ordens que diminuam os riscos para o nosso pessoal. Em caso de ataque, a resposta tem que ser certeira. Sem hesitações. É uma decisão grave, mas nestas terras, não há muita folga para erros, nem para estados de alma.

 

Também tive de decidir sobre as escoltas das colunas humanitárias. Sem mais conversas.

 

 

Os loucos do Senhor

 

Há, neste momento, uma paranóia na região. Diz-se que os guerrilheiros do Lord's Resistance Army (LRA), o Exército da Resistência do Senhor (Deus), conhecidos pelo número de crianças que raptaram até hoje, andam por estas paragens.

 

Os meus serviços de informação e análise de dados confirmam apenas a presença de pequenos grupos dispersos, fugidos do Norte do Uganda. Actualmente, estarão nas florestas do Sudeste da RCA, longe da capital centro-africana. Comportam-se como loucos de Deus, são violentos e primitivos. Mas não representam uma força a sério. São, no entanto, uma ameaça para os habitantes das aldeias da zona.

 

É preciso combatê-los. Como raptam crianças e escravizam mulheres, são alvo de uma atenção especial. São procurados sob a perspectiva da prática de crimes contra humanidade.

 

O chefe é Joseph Kony. Um iluminado. Um antigo menino de coro. Um inimigo jurado de Museveni. Que quer ver os dez mandamentos como base da governação política. O homem tem amigos em Cartum. Amigos muçulmanos. Parece que é apoiado pela liderança sudanesa, tendo em conta a sua capacidade para criar instabilidade no Sul do Sudão, uma região que se quer separar do resto do país.

 

 

Um homem digno

 

Ontem decorei com a medalha de honra das Nações Unidas um agente da polícia do Chade. Havia sido alvo de uma emboscada, com quatro outros agentes, quando protegiam uma coluna humanitária, que se deslocava na região de Guereda, no Leste do País, perto da fronteira com o Darfur Norte.

 

Guereda é uma das áreas mais perigosas. Tem bandidos armados, milícias étnicas e rebeldes. Bem como muitos homens da secreta e outros, com uniformes. Trata-se de um cocktail explosivo.

 

Uma bala de calibre 7.62, na perna direita. Apesar de todos os esforcos, a nossa equipa médica norueguesa teve que amputar.

 

Ontem, na minha frente, estava um homem novo, com cerca de 30 anos. Alto, bem feito, com a vida cheia de promessas. Mas as promessas foram modificadas para sempre. Num país pobre, em que é preciso lutar por cada milímetro que se queira obter, um handicap deste tipo torna tudo extraordinariamente mais difícil. Em casa, 15 pessoas dependem do seu ganha pão. Assim acontece um pouco por toda a parte, em Africa.

 

Um homem digno.

 

Fiquei impressionado.

 

Que vale uma medalha?

Mulheres deslocadas, vítimas de conflitos armados

 

 

Copyright V. Ângelo

 

Mulheres e crianças de Birao, acampadas no sector mais protegido da localidade, depois do seu bairro, noutro canto da cidade, ter sido atacado por rebeldes, pilhado e queimado. São refugiadas na sua própria cidade.

As mulheres e as crianças são as principais vítimas dos conflitos armados. A violência é um prato quotidiano, um risco sempre presente.

Os restos de uma cidade debaixo de fogo

 

 

Copyright V. Ângelo

 

Estas imagens de Birao mostram a violência dos dois ataques sofridos em Junho.

 

Amanhã, o governo, com o nosso apoio, envia uma missão, a partir de Bangui, de 12 personalidades. Vão tentar negociar com os líderes dos dois grupos rebeldes mais importantes. E com os chefes tradicionais. É um exercício de mediação que temos que apoiar.

 

Na Quinta-feira, despachamos um pequeno grupo de diplomatas para que passem o dia em Birao. Lado a lado com um repórter da BBC e outro de Al-Jazeera. Procuramos aumentar a visibilidade do conflito, que é meio caminho andado para a sua resolução. Antes que se torne um verdadeiro problema político. Para já, é apenas uma confrontação armada entre etnias.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D