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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Não podemos esquecer a área da cultura

O sector da cultura não pode ser o grande esquecido, quando se põem em marcha os planos de recuperação da economia. A cultura é um sector importante da actividade económica e, em simultâneo, uma factor indispensável no nosso processo de enriquecimento emocional. Tem que estar activa. Não pode ser posta no fim da lista, como se fosse apenas um apêndice dispensável ou um luxo, para as horas vagas.

Uma parte dos subsídios que o governo está a conceder às televisões deveria ter como condição o compromisso de difundirem – e pagarem – espectáculos culturais, peças de teatro, representações artísticas, e não apenas as maluqueiras dos que passam horas a encher emissões de entretenimento sem substância.

Uma questão estratégica

Fico surpreendido quando vejo que não se entende a gravidade da situação que temos pela frente. E mais ainda, quando não se entende a urgência da resposta e se pensa que os problemas serão resolvidos fazendo chover milhões e milhões sobre eles. Milhões que não passam, para já, de meras promessas, sem que se saiba como serão desembolsados, que mecanismos serão utilizados, quais serão os critérios de acesso e como serão definidas as prioridades.

Perante uma perspectiva assim, não podemos continuar a fazer política de grupinhos. É preciso uma estratégia nacional e europeia, uma comunhão de esforços e acção imediata.

O papel da Comissão Europeia

Ursula von der Leyen presidiu a uma conferência internacional de mobilização de fundos destinados ao financiamento da investigação científica de combate à Covid-19. Também foram recolhidas contribuições para ajudar as nações mais frágeis a fazer frente à pandemia. As somas prometidas ultrapassam os 7 mil milhões de euros. Foi um sucesso e a Presidente da Comissão ficou numa posição mais forte. Deve agora aproveitar a embalagem e tomar as rédeas de uma resposta europeia coordenada para o período que agora se inicia, o desconfinamento. O desconfinamento tem várias dimensões, para além da questão sanitária. Deve ser feito de modo harmonioso, tendo em conta a interdependência que existe entre as economias e as sociedades europeias. Cabe à Comissão propor as linhas mestras que deveriam ser seguidas. Depois, cada país fará as adaptações que achar necessárias.

As linhas orientadoras têm que ser realistas e por etapas. Não é prova de bom senso fazer declarações com horizontes temporais muito amplos. Por exemplo, declarar, como foi dito em Bruxelas, que as ligações aéreas da União Europeia com o resto do mundo não deverão ser restabelecidas senão em inícios de 2021, é um exagero. Sem contar que a recuperação económica exige abertura, espaços e facilidades de movimento, trocas com o resto do mundo. As videoconferências são muito úteis, mas não são suficientes. O contacto pessoal, com líderes e gentes de toda a parte, faz parte da recuperação, do progresso e da modernidade.

Maio com algum optimismo

Temos o mês de Maio à nossa frente. Depois de dois meses extraordinariamente difíceis, e de fragmentação, no que respeita à União Europeia, o voto mais sincero que posso emitir é que maio seja um período em que a coordenação política volte a ser a prática comum na nossa Europa. É altura de dizer não às decisões avulsas, tomadas ao nível nacional, sem vistas mais largas do que as fronteiras do passado. Precisamos de respostas comuns, integradas, que respeitem as profundas ligações que existem, ao nível económico e humano, entre as diferentes nações do espaço europeu. Só assim se atenuará o muito que se perdeu em Março e Abril, só assim se iniciará o caminho da recuperação. Que deverá ser percorrido em conjunto.

 

 

Um 1º de Maio muito estranho

Este é um 1º de Maio de grande precariedade. Aqui e por toda a parte. Um 1º de Maio que só nos pode deixar preocupados. Temos agora um mundo mais pobre e mais frágil. E não sabemos por quanto tempo. Ao princípio, os optimistas diziam-nos que a recuperação se faria em V. Batíamos no fundo, depois voltava tudo ao lugar. Era como se a economia fosse um interruptor. Desligado, ficávamos todos às escuras. Uma vez ligado, teríamos novamente a luz habitual e seria só voltar a ligar as máquinas e os sistemas. Nunca acreditei nesse optimismo. Quando o sistema económico entra em curto-circuito, a engrenagem sai dos gonzos e rompem-se os circuitos. Pôr novamente as coisas em andamento não é tarefa de um dia. Perante estas reservas, disseram-me que talvez seja em W, a anunciada recuperação. Ou em U. Continuo a não acreditar. As rupturas são demasiado grandes e o recuo para detrás das fronteiras nacionais excessivamente preocupante, para que se possa prever uma retomada rápida do que entretanto foi perdido.

O melhor é deixar as letras do alfabeto em paz. Porque o alfabeto também tem as letras I e L.

O fundamental é, neste 1º de Maio de um ano estranho, continuar a ter esperança. Mas um esperança realista, sem ilusões e sem radicalismos malucos. Prometer mundos e fundos, que não estão disponíveis, é um engodo.

Acreditar é a melhor solução

Dizem-me que não se deve falar de austeridade, que não será com austeridade que a economia se irá levantar. Não sei como responder. Vejo a economia de rastos, com quase todos os sectores parados e a acumular dívidas, com excepção do que se relaciona com a comercialização de alimentos, vejo os governos a falar em milhares de milhões que não estão ainda disponíveis nem sei quando e em que condições o estarão, percebo que há um empobrecimento acentuado ao nível de muitas famílias, mas quero acreditar que tudo se recomporá. É um acto de fé, que é o que resta quando não se vê uma outra solução. Ou, então, fala-se de fé, para não se falar de coisas tristes ou que estão fora do alcance.

De qualquer modo, ganha-se mais sendo-se optimista. 

Para além da quarentena

Ficará para a história que os governos dos países mais desenvolvidos foram apanhados de surpresa pelo novo coronavírus. Para além de outras falhas em equipamentos e materiais sanitários, não havia reservas estratégicas de máscaras, que pudessem ser distribuídas às populações, para evitar a propagação da epidemia. Ora, isso haveria feito toda a diferença. Uma reserva desse tipo teria custado alguns milhões de euros, poucos. Uma ninharia, quando comparada com os custos que agora estão em causa. Por outro lado, não existia capacidade para as produzir em quantidades maciças. Dizia-se que se estava em guerra, mas a economia não foi reorientada para combater essa guerra, ou seja, para produzir de imediato os meios de protecção necessários para evitar a expansão do “inimigo”. Guerras passadas, incluindo a Segunda Grande Guerra, haviam-nos ensinado a mobilizar todos os recursos para o esforço de combate. Esquecemo-nos, entretanto, dessa lição.

Recorreu-se, assim, à velha opção medieval, que era a da quarentena, do recolher obrigatório e do fecho de fronteiras. Exactamente como os nossos antepassados fizeram várias vezes, por não disporem de outros meios. E enquanto se procedia, com unhas e dentes e muitos polícias, a essa medida drástica, não se mexia na indústria, nem na produção das “armas” que este inimigo exigia. Vários países europeus vão sair do período de quarentena timidamente, por saberem que os meios de combate continuam a ser fracos. Prometem, entretanto, injectar na economia somas astronómicas, que ainda não existem e para as quais não se definiram as modalidades de desembolso. Nalguns casos, naqueles em que o dinheiro vai de facto circular, estar-se-á a tapar buracos, mas sem perspectivas de continuidade, sem que esses fundos representem um investimento produtivo.

Ainda não se pode prever qual será a situação dentro de algum tempo. Mas posso dizer que continuaremos com os mesmos políticos, bons palradores mas curtinhos de vistas, que se esqueceram da velha máxima que governar é prever e precaver. E acrescentarei que estaremos mais pobres, sobretudo os que vivem da economia privada, das pequenas empresas, das profissões liberais, dos empregos precários, bem como dos serviços de hotelaria, restauração e turismo, dos transportes e da aviação, da comunicação social e das pequenas lojas de comércio não-alimentar.

A pobreza é má conselheira. E a nova pobreza vai ser certamente aproveitada por todos os extremistas e populistas, para tentarem marcar pontos. Vão jogar com o medo e os traumas que se acrescentarão às dificuldades económicas. E acenar as bandeiras do nacionalismo.

Vamos ter que dizer que não a essas gentes.

Uma cimeira animadora

A cimeira da União Europeia correu bem. Foi bem preparada, a todos os níveis. E houve um entendimento claro da gravidade da situação, do enorme impacto, sobretudo nos países mais afectados pela pandemia. Dois ou três líderes tiveram uma influência decisiva no desfecho da reunião de hoje. Um foi certamente o Primeiro-Ministro de Espanha. Muito do que foi aprovado havia sido proposto pelo seu governo. Emmanuel Macron também manteve uma posição firme. A sua linha de argumentação foi clara: queremos uma Europa que é apenas um grande mercado, ou uma Europa política, estrategicamente forte perante outras potências rivais. É a escolha entre uma Europa dos sovinas e uma Europa que protege, um espaço político de valores e ideais.

Não ficou resolvida a questão da natureza das transferências e dos apoios. Serão subvenções ou empréstimos a título perpétuo? Ou uma mistura de ambos? A resposta virá em breve, com base no trabalho que a Comissão Europeia vai fazer. Mas, de qualquer modo, será um esforço comum e solidário.

A grande dúvida diz respeito ao calendário. A crise é enorme e tem um efeito de dominó implacável. Por isso, o fundo de recuperação deverá estar disponível no mais breve espaço de tempo. Dizer que há urgência não chega. Há mais do que isso. Aqui, como na área da covid-19, é preciso muito oxigénio tão rapidamente quanto possível. Ou seja, muitos euros, frescos e sonantes.

Uma parte importante dos cidadãos europeus já sente essa urgência. Estão desempregados, estão em situações precárias, têm os seus negócios parados, estão a acumular dívidas. Precisam de voltar à vida económica. Sem demoras.

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