Portugal é grande quando abre horizontes

03
Abr 15

Nesta Sexta-feira de Páscoa, lembrei-me da visita recente que fiz ao Buda Deitado (ou Reclinado) em Yangon, a capital económica da Birmânia. E na importância da religião nesse país, incomparavelmente mais crente do que nosso caso. E, nalguns casos, tão intolerante como nós. Nomeadamente em relação aos muçulmanos de certas regiões da Birmânia.

Ora, num dia como o de hoje, a tolerância e aceitação das diferenças são dimensões que convém sublinhar.

 

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Copyright V. Ângelo

 

 

publicado por victorangelo às 16:27

09
Jan 15

Foi novamente um dia dramático. Em várias partes do mundo, na Síria, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, no Nordeste da Nigéria, na África Central e em França. O caso francês, com o desfecho do drama à volta de Charlie Hebdo, foi o único que mereceu atenção mediática, um relevo extraordinário, na verdade. Porquê? Porque se trata de um caso ao pé da porta ou mesmo dentro da casa comum que é hoje a UE. Toca-nos directamente, o que não acontece com os outros incidentes e as outras violências em terras afastadas do nosso quotidiano. Há que ter isso em conta.

Também convém ter em conta um certo número de interrogações que estes actos terroristas levantam. São questões na área da segurança, da cooperação europeia, da prevenção, da inevitabilidade da insegurança nas sociedades abertas em que vivemos, mas também questões relacionadas com a integração dos jovens, com o impacto da imigração de pessoas de culturas diferentes das nossas, com os nacionalismos exagerados, com a intolerância como arma política, com a religião como pretexto para excluir os outros.

Há aqui matéria para muita reflexão. Mas o que não devemos perder de vista é claro: a democracia, a liberdade, o respeito pelos outros, são valores fundamentais que nenhum tipo de extremismo deveria pôr em causa. Mesmo que o preço a pagar seja, como desta vez, bem elevado.

publicado por victorangelo às 19:31

23
Mai 12

Visitei o Centro de Acção Laica (CAL, secção francófona). Está instalado na ULB (Universidade Livre de Bruxelas), num edifício de três pisos, numas instalações modernas, bem desenhadas e amplas.

 

As actividades do CAL abarcam a capital e toda a Valónia. É financiado pelo estado federal belga, ao mesmo título que as confissões religiosas reconhecidas o são, e tem como função defender a liberdade de pensamento e as posições filosóficas da população não crente do país. Com uma vasta actividade editorial, um empenho muito grande na educação laica nas escolas públicas e uma participação muito activa no diálogo entre religiões e outras filosofias de vida, emprega mais de 160 pessoas, na sua sede nacional. Destacou-se, nos últimos anos, em virtude da sua campanha pelo reconhecimento do direito à eutanásia. Está, além disso, comprometido em fazer compreender aos líderes religiosos muçulmanos que ser ateu é uma opção respeitável. O conceito de ateu é algo de incompreensível para a quase totalidade dos crentes islâmicos. 

 

publicado por victorangelo às 21:23

28
Dez 11

Este blog não toma posição em matérias de fé, nem mesmo quando sacerdotes ortodoxos gregos se envolvem numa cena de pauladas e vassouradas com os colegas da vizinha igreja arménia, como aconteceu hoje em Belém, na Palestina, às portas da igreja da Natividade. Nem comenta o facto dos padres que andavam a limpar a igreja tenham que atar sacos de plástico à volta dos sapatos, para não molharem os pés. 

 

Em matéria de religião, cada um agarra-se à vassoura que lhe parece mais justa. 

publicado por victorangelo às 20:13

31
Jul 11

Durante três dias, de Sexta até hoje, milhares de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, encheram o estádio do Belenenses. Gente bem posta, com uma paciência evangélica, chegaram, cada dia, por volta das 08:30, para deixar o local cerca das 18:00 horas. Vinham às famílias, quase todos em carros particulares em bom estado.

 

As entradas do estádio eram controladas pela segurança da Igreja, tudo muito certinho e sem falhas aparentes. 

 

Foram meus vizinhos temporários. De vez em quando, olhava da minha varanda e lá estavam eles todos sentados, muitos ao Sol, cheios de fé e de calor. Eram uma paisagem humana interessante, uma curiosidade, num bairro de Lisboa que não tem grande animação de rua. O que fizeram, durante tantas horas, não sei dizer.

 

Aliás, eu nada sei sobre esta seita, para além do que é público. Mas nota-se que têm dinheiro, embora não creio que tenham poder. 

publicado por victorangelo às 22:29

10
Fev 11

 

Na minha página da Visão que hoje foi posta à venda, volto a escrever sobre os acontecimentos no Egipto. Tinha que ser. O assunto continua a ocupar as grandes manchetes dos media. E tem havido, nos países ocidentais, quem tenha expresso profundas reservas e receios sobre o futuro do Egipto.

 

A minha tese principal defende que a mudança no Egipto deve ser encarada pela positiva. Não estamos em 1979, na situação que, na altura, prevalecia no Irão. Temos uma população bem informada, conectada com o mundo e com uma visão ampla das coisas da vida. É verdade que a Irmandade Muçulmana está bem organizada, tem uma vasta rede de serviços sociais, que toca a muita gente. Mas existem outras fatias da população que não se identificam com a Irmandade. A começar pelos militares.

 

Defendo também que esta é a última página da história colonial, no Médio Oriente. Depois da administração directa, pura e dura, tivemos várias décadas de controlo indirecto, à boa maneira anglo-saxónica. É essa fase que está, neste momento, em derrocada.

 

O meu texto pode ser lido no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/nao-ha-razao-para-pesadelos=f589462

 

Entretanto, Hosni Mubarak veio dizer-nos, esta noite, que não sai. Que vai continuar a ser o chefe, embora delegando poderes no Vice-Presidente.

 

Não se entende bem qual é a jogada em que esta cartada se insere, mas foi certamente uma mão terrivelmente arriscada. Amanhã, a rua vai estar cheia de gente. Com manifestações, por toda a parte, que não poderão deixar as Forças Armadas indecisas.

publicado por victorangelo às 21:40

02
Nov 10

A diversidade religiosa e étnica na Europa, eis o tema que me vai ocupar os próximos dias. Uma matéria complexa, com dimensões políticas a juntarem-se aos direitos humanos, aos valores que cada sociedade deve partilhar, e com aspectos económicos e sociais. Sem contar com a definição de valores absolutos, como a igualdade entre os homens e as mulheres, e a maneira como esses valores são encarados por diferentes culturas.

 

Não são meras questões filosóficas. É a estabilidade da Europa que está em jogo.

publicado por victorangelo às 11:09

19
Ago 10

O projecto de construção de uma mesquita e de um centro islâmico a uma distância de dois quarteirões do Ground Zero, na baixa da cidade de Nova Iorque, continua a ser o principal tema político nos Estados Unidos. Parece incrível mas é verdade. Uma grande maioria dos habitantes da cidade, e dos americanos, opõem-se ao projecto. Gente conhecida pela sua abertura de espírito, pela sua modernidade e pelo vanguardismo das suas ideias, tem feito campanha contra.

 

É um caso paradigmático da intolerância americana em relação a tudo o que possa ter um cheirinho muçulmano. Isto num país que foi construído com base na liberdade religiosa.

 

 

publicado por victorangelo às 22:54

28
Mai 10

O Cardeal-Patriarca, envergando a sua mitra de líder religioso, falou hoje sobre uma decisão política recente do Presidente da República. O homem da Igreja criticou o Chefe do Estado, através da Rádio Renascença, uma emissora católica portuguesa, por este ter homologado a lei que autoriza os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. As suas palavras tiveram um impacto político de alguma relevância. Podem, amanhã, ser exploradas ainda mais a fundo.

 

Nestas coisas de fé e de política, a melhor solução é a separação. Quando os políticos se metem na religião e os padres se perdem na política, estão ambos a contribuir para aumentar a confusão, que no nosso País, neste momento, já é bem grande.

publicado por victorangelo às 21:35

17
Mai 10

Quantos portugueses terão pensado no que faz o Centro Ismaelita, ali mesmo ao lado da Loja do Cidadão, nas Laranjeiras, em S. Domingos de Benfica? Quantos terão imaginado a beleza do recinto, o bom gosto das instalações, a funcionalidade das salas de reuniões, o tipo de cursos de formação, as iniciativas, as actividades humanitárias que aí decorrem?

 

A Comunidade Aga Khan de Portugal é composta por gente muito comprometida com projectos sociais, com obras que visam o desenvolvimento humano. São portugueses, diferentes de nós, na cor da pele, na origem étnica, mas que muito contribuem, sem grande ruído, para uma sociedade mais harmoniosa e uma visão humanista das relações entre gentes de culturas diferentes.

 

Há muitos anos tive um primeiro encontro com representantes da Fundação Aga Khan, foi na África Oriental, vi o que faziam ao nível da educação e dos cuidados primários de saúde num contexto africano. Um dos meus grandes amigos data dessa época. Hoje, ao visitar o Centro de Lisboa, lembrei-me do Karim, da elegância que punha em tudo em que se empenhava, da vida ascética que vivia, para que o contraste entre o seu nível de vida e o das populações locais fosse o mais esbatido possível.

 

Faz pensar.

 

publicado por victorangelo às 22:03

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