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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

É preciso estar à altura

Um debate eleitoral recente, transmitido em directo pela televisão, surpreendeu-me. No final, ainda perante as câmaras, os políticos, líderes dos quatro maiores partidos, trocaram presentes entre si, coisas muito simples, como uma gravata ou flores, e terminaram a discussão num ambiente de camaradagem. Mesmo depois de umas trocas acesas, muito estava em jogo, que votar num deles ou no seu partido significava tirar votos aos outros. Foi na Bélgica, nas vésperas das eleições parlamentares que há pouco tiveram lugar.

 

Pensei nisso ontem à noite, ao ver a fúria do candidato Manuel. Discursava Alegre num jantar de apoiantes, tudo gente muito bem instalada e com pouco entusiasmo, sem falar da mandatária nacional, que ali estava a fazer figura de corpo presente, ocupadissima com o envio de mensagens por telefone. O discurso saiu mal, pois mais não foi do que uma série de frases de ataque ao actual Presidente da República, só bílis e slogans, nada subtil, parecia ter sido escrito por um miúdo radical, sem propostas nem serenidade.

 

É evidente que Alegre precisa de mudar de conselheiros de campanha. A continuar assim, faltar-lhe-á a atitude de estado que um candidato com as suas hipóteses deveria cultivar.

 

A entrevista que dera recentemente à RTP fora bem melhor.

 

Interrogações

Dez minutos de televisão, às 20:00 horas, valem uma fortuna. Em todos os sentidos. É horário nobre. A televisão oficial portuguesa, a RTP1, passou os primeiros 10 minutos do telejornal da noite, a falar do novo treinador de um clube de futebol de Madrid.

 

No mesmo dia em que os soldados de Israel tomaram de assalto um barco de ajuda humanitária, em águas internacionais. Uma acção militar contra civis que causou a morte de pelo menos 9 pessoas. Um incidente que motivou uma reunião de urgência do Conselho de Segurança, em Nova Iorque, num dia em que a ONU estava encerrada por motivo de feriado americano. Que fez reagir as principais chancelarias da UE, sem mencionar os países fora da União.

 

O acontecimento foi notícia de abertura em todos os telejornais da Europa que consegui monitorizar.

 

Que pensar sobre tudo isto?

 

 

Emboscadas de Natal

 

O Natal já chegou a estas terras. Nesta altura do ano, os bandidos andam mais activos. É preciso comprar roupas para as crianças, panos para as mulheres e ter algum para mandar às famílias. Sem contar o preço das cervejas, que o fim do ano não é para brincadeiras. Tem que ser bem regado.

 

Assim, logo de manhã, uma das nossas colunas civis foi atacada por dois homens armados. Como nestas coisas, a fazer é que se aprende, havia mais dois adolescentes, de AK 47 na mão. Rapazes novos, mas cheios de de fogo.

 

A viatura da polícia, a força chadiana com quem trabalhamos e que estamos a formar, ia à cabeça da coluna. Como de costume, a todo o gás, apesar de toda a formação que lhes vamos dando para que moderem a velocidade. Parecem aqueles carros oficiais portugueses em excesso de velocidade, pela Avenida da Liberdade acima.

 

Os três veículos civis foram parados pelos bandidos. O último dos três conseguiu dar meia volta e ir à base, quinze quilómetros a Norte, procurar socorro. Os dois outros foram assaltados a preceito. Entretanto, a viatura da polícia, ao aperceber-se que o resto não estava a seguir,  voltou para trás. Foi um tiroteio de espantar a passarada toda. Os assaltantes acabaram por perceber que era melhor fugir. Lá desapareceram no mato. O carro da polícia e os dois outros ficaram um bocado esburacados, pois as balas das kalashnikov atravessam a chapa como se fosse manteiga. É a tecnologia soviética, e pós-comunista, contra a indústria automóvel japonesa.

 

Um dos polícias levou um tiro numa perna.

 

Mais tarde, chegaram os nossos militares, mais uns polícias. Os quatro assaltantes não deixaram rasto. Mas levaram algumas prendas.

 

Entretanto, as compras de Natal vão continuando. Até foi curioso ver a televisão portuguesa, no noticiário da tarde, a dizer que havia muita gente às compras. As imagens mostravam, em pano de fundo, dois ou três indivíduos, com o ar de quem anda à deriva. Ou melhor, com o ar de quem anda a ver se compra qualquer coisa. Nada mais. Um vazio, que a RTP via cheio.

 

Ainda bem que há televisão. Enquanto houver televisão oficiosa não haverá crise.

Um dia como tantos outros

 

Depois de uma noite bem curta, passada a batalhar com grilos barulhentos -- estamos novamente na estação destes bichinhos bem vocais --, mais o acordar com o estrondo de uns trovões secos, segui para Abéché. Um voo matinal, que queria estar de volta ainda durante a hora do almoço. Uma hora e meia para cada lado, que o nosso Learjet está em Nairobi, para manutenção.

 

Em Abéché, o prato forte era uma reunião com a coordenação das ONGs humanitárias. Queriam apresentar-me um documento que deveria definir a sua posição face à MINURCAT, a missão de manutenção da paz da ONU nestas paragens. A preocupação das ONGs é a de manter a sua independência, neutralidade e imparcialidade. No nosso caso, não deveria ser muito difícil, até porque a Missão não é parte em nenhum conflito. Não estamos entre o governo e, do outro lado, os rebeldes. Estamos aqui para proteger o trabalho humanitário, contra os bandidos e outros salteadores de estradas. E proteger os direitos dos refugiados e deslocados.

 

Mas o fundamentalismo de certas ONGs é tal que, mesmo no nosso caso, acham que devem manter uma distância que se note. Não querem botas perto das portas das suas sedes. Pois muito bem, disse-lhes. Continuaremos a fazer o nosso trabalho de segurança. Quem não quiser beneficiar das nossas escoltas, tem toda a liberdade para o fazer. Pode, no entanto, estar certo que em certas áreas da fronteira com o Darfur, andar só é o mesmo que andar à procura de problemas.

 

É um debate que vai continuar. Penso que não devo deixar de chamar a atenção das ONGs para os riscos que correm.

 

Estive de seguida com o novo Governador da Região do Ouaddai, de que Abéché é a capital.

 

Disse-me que o Presidente lhe confiara três grandes tarefas. Combater o crime violento na cidade. Resolver o problema da falta de água. Controlar os refugiados.  Nada fácil, enquanto agenda de trabalho. A criminalidade é um grande desafio à autoridade do Estado. Há gente armada por todos os cantos, e muitos cantos escuros. A polícia local não ganha para o petróleo e não tem dinheiro para o gasóleo. O abastecimento de água, numa cidade do deserto que vê a sua população crescer todos os dias, é feito a partir de furos situados a dezenas de quilómetros da cidade, por canalizações que já não existem. A água é bombeada, mas não chega ao destino, o depósito central da cidade. Os refugiados são gente viva e difícil de controlar. De vez em quando, um ou outro cai nas malhas, mas as razões da detenção acabam por ser difíceis de explicar. Mais um espião ao serviço do Sudão, dir-se-ia...

 

Voltei para a capital a tempo de conseguir fazer libertar um avião de carga com 89 toneladas de material de furagem. Havia chegado de manhã, directamente de Oslo. As autoridades aeroportuárias não queriam aceitar os nossos documentos de isenção de taxas. Pediam 90 mil dólares de impostos vários, a serem pagos cash, no momento, antes de deixar o cargueiro  prosseguir o seu rumo. Metemos uns ministros ao barulho, ameaçámos chamar a Noruega para a rixa, e finalmente, tudo ficou como seria de esperar. Vamos ter o material, que terá agora que ser transferido para o Leste. E o avião vai poder voltar à Europa.

 

Já ao fim do dia, foi a vez de uma série de reuniões sobre a situação na República Centro-africana. Desmobilizações e eleições. Mais umas chamadas para Nova Iorque. A sede não havia lido o nosso último telegrama sobre as relações entre o Chade e o Sudão, e estava a preparar-se para fazer umas declarações incorrectas, no Conselho de Segurança. Teria sido mau.

 

A vantagem de dias assim é que não dão para ver o telejornal da RTP.

 

 

 

 

Humildades, cambalhotas e desastres

 

Em política, é fundamental ser-se humilde. A política é um serviço. A política é um pacto de confiança entre o eleitor e o agente político. Precrário, que precisa de ser renovado de vez em quando. ´Por vezes, não o é.

 

A falsa humildade é um erro que sai caro. É um teatro mal representado. Termina em pateadas.

 

O espectáculo do senhor das Novas Fronteiras, ontem, a tentar fazer humor com a necessidade de se ser humilde, foi uma cena triste, captada pelas televisões. O pobre homem, que nos confunde todas as Segundas na TV do Estado, meteu os pés pelas mãos e saiu-se mal da cambalhota.

 

A carruagem continua por mau caminho. Creio que a surpresa que vão ter nas legislativas vai se ainda maior do que a de 7 de Junho.

 

Santos a mais

A entrevista do Rodrigues dos Santos ao Santos das Finanças, hoje na RTP, foi surrealista. Uma espécie de pugilato no mundo da fantasia.

 

O Santos da TV, uma instituição falida que vive 'a custa dos impostos dos cidadãos, quando já devia ter sido declarada em falência financeira e substantiva, atirava-se 'as canelas do Santos "O pior Ministro das Finanças da Europa', com a fúria habitual do cão que morde a mão de quem lhe dá o osso. E o enjaulado cavalheiro das finanças lá ia repetindo que a crise anda mais depressa que os pobres ministros e e', por isso, difícil de prever.

 

O entrevistador em fúria contra o governante sem pedalada para a situação.

 

 

Estamos de facto cada vez mais patéticos.

 

Com Santos assim, nem uma nova aparição nos salva.

 

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