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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Aos murros

A ligeireza dos nossos analistas políticos, alguns deles meros infantes que da vida pouca experiência têm, leva a imprensa nacional e as televisões a ver os debates como exercícios de pugilismo. Nesta óptica, tem que haver um vencedor e um vencido. Mais. Os líderes vão para os debates preparados para o murro. As ideias não contam. O que vale é o saber bater, passar rasteiras, parecer mais teso que o outro.

 

Somos, de facto, um povo de guerreiros. 

O nosso jardim zoológico

O leitor amigo MG, autor do blog Nação Valente, comentou o meu texto de ontem. A escrita em que eu criticava os que andam a bater no peito e a gabar-se de que o nosso pacote é mais suave do que o dos outros. Pergunta MG se o oportunismo político de quem se vangloria de uma coisa dessas não será útil para os Irlandeses. E se o for, tanto melhor. Terá sido justificado.

 

É uma pergunta com alguma razão de ser.

 

Mas creio que há mais.

 

Para começar, não é certo que o nosso pacote seja mais suave. Quem o diz está, na minha opinião, a lançar poeira para os olhos dos Portugueses. As medidas que vamos ter que aplicar, num espaço de tempo relativamente curto, são muitas, profundas e de grande alcance. Mexem com muita coisa. Existe um sério risco de não poderem ser levadas a cabo nos prazos previstos, o que terá como efeito colocar o nosso país numa nova onda de crise financeira e de deterioração da sua imagem internacional.

 

Por outro lado, são medidas diferentes das da Irlanda e mais parecidas com as da Grécia. No caso da Irlanda, as reformas estruturais não são em grande número. Há muito, no programa deles, que é de curto prazo e conjuntural. No nosso caso, trata-se de reformas que mexem com muita inércia que se foi estabelecendo ao longo de quase três décadas. Ou seja, são bem mais difíceis de levar a cabo.

 

Mesmo que as condições do empréstimo português fossem mais generosas, o que não é o caso, são diferentes, não seria de boa política falar muito nisso. Referir a pretensa suavidade das medidas só faz aumentar a oposição, na Finlândia, no Reino Unido e noutros Estados membros, ao programa português. Isto pode ter uma de duas consequências. Ou o pacote não é aprovado, o que seria catastrófico para Portugal, ou então, esses países mais relutantes exigem mais condições, o que seria igualmente muito mau para nós.

 

Nestas coisas, bater no peito como os chimpanzés gostam de fazer, é oportunismo imediato, para convencer o eleitor português. Também mostra muita falta de caco.

 

Ora, Portugal não precisa nem de mais oportunistas nem de chimpanzés falantes.

O grito da vitória provoca ondas de choque

O mal-estar entre os ministros das finanças europeus mais importantes é evidente. Vem no seguimento das declarações do PM Sócrates, ao dizer que as condições do programa de ajuda financeira eram mais favoráveis, no caso de Portugal. 

 

A Grécia e a Irlanda também não acharam graça a essas declarações de "vitória". Aproveitaram, no entanto, a boleia. Sobretudo, a Irlanda. Pediu, ontem, uma revisão das taxas de juros que lhe são aplicadas.

 

O oportunismo e a má-fé políticas, mesmo ocorrendo num canto perdido da Europa, acabam por fazer mossa noutras terras também.

Abrir os olhos

Para quem ainda não o tinha notado, ficou hoje claro que Sócrates não vai ser derrotado por amadores políticos. Nem por partidos da oposição que dão uma imagem pública de grandes divisões internas, de lideranças indecisas, de liberalismo excessivo.

 

A prestação televisiva desta noite deverá fazer pensar muita gente. 

Onde está o assessor de imprensa?

A impressão que o PM deixou, hoje, em Bruxelas, após a conferência de imprensa, foi negativa. Mostrou-se com os nervos à flor da pele, intempestivo, arrogante e agressivo, incapaz de respeitar os jornalistas, ou seja, quem estava numa posição mais fraca. As respostas dadas pareciam farpas de combate, como se os profissionais dos média fossem inimigos pessoais, ou conspiradores a agir contra o que o PM pensa ser o futuro e o bem de Portugal. Foi uma má exibição junto de um grupo de jornalistas de grande qualidade. Gente que não tem medo de caras feias nem se deixa impressionar por olhares ferozes.

 

A boa liderança requer autocontrolo, serenidade, capacidade de empatia, respeito pelos outros, disponibilidade para compreender as posições que possam parecer diferentes. Faz-se com um sorriso amistoso, com graça e sentido de elevação. Com educação e sofisticação.

 

A crispação e agressividade têm que desaparecer da política portuguesa. Para o bem de todos.

O verdadeiro debate

A questão de fundo, nesta Lisboa de fim de ano, não é sobre o FMI, saber se é preciso ter ou não um programa de ajustamento com o Fundo. Sem ter sido preciso bater à porta do FMI, já existe um programa de cortes na despesa pública. Aprovado pela Assembleia da República, cabe ao governo proceder à sua execução. É o orçamento geral do Estado para 2011.

 

Será suficiente para equilibrar, num prazo não muito distante, as contas públicas? Ou serão precisas mais reduções de despesa e mais entradas de impostos? Se sim, não seremos capazes de chegar a um acordo sobre esses cortes, sobre o pacote de novas medidas, sem ter que fazer apelo ao FMI ou ao fundo de emergência da UE?

 

Creio que sim. Penso que há compreensão suficiente entre a classe política portuguesa para que se possa chegar a novos acordos, caso seja necessário.

 

Mas, e é aí que está o centro da questão, os fundos e as instituições estrangeiras, que nos emprestam dinheiro -- as fontes donde virão os 20 mil milhões que o Estado português vai pedir emprestado em 2011, mais os outros grupos financeiros internacionais, que terão que emprestar dinheiro aos bancos e à economia portuguesa -- têm confiança suficiente na nossa capacidade de gestão da nossa própria crise? Essa é, neste momento, a questão mais premente.

 

Há ou não confiança internacional em nós? Se a resposta for de dúvida, teremos então que perguntar, a nós próprios, que deverá ser feito para reconquistar essa confiança. Sem ela, não há saída para a crise. Esse parece-me ser o verdadeiro debate. O resto é populismo e asneira pegada.

 

Sucesso exemplar

Agora com as cimeiras, que houve várias, não apenas a da NATO, por detrás das costas, pode-se respirar fundo e ter um Domingo mais descansado.

 

O governo, através do gabinete do Primeiro-Ministro, dos Negócios Estrangeiros,  da Administração Interna, da Defesa, foi exemplar na maneira como organizou todos os aspectos relacionadas com a presença em Lisboa de gente muito poderosa. Tudo isto numa situação de alto risco. As forças de segurança, o protocolo de Estado, os diplomatas, os militares, os profissionais civis que apoiaram os participantes, enfim, todos os que estiverem, de perto e de longe, empenhados nas cimeiras de ontem e hoje, contribuíram para dar uma imagem eficiente e moderna de Portugal.

 

Ainda bem que assim foi. Até deu para esquecer as nossas politiquices quotidianas. Pelo menos, até Segunda-feira. Depois, descemos à terra.

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