Portugal é grande quando abre horizontes

18
Set 13

Como já havia deixado explícito neste mesmo blogue, há uns dias, a credibilidade financeira de Portugal está a perder terreno, na arena internacional. Está a atingir um patamar a partir do qual qualquer saída do buraco é extremamente penosa. Quem decide sobre estas coisas de emprestar dinheiro aos Estados pensa que a deriva política nacional, quer do lado do governo quer da oposição, vai levar ao agravamento da nossa situação de desequilíbrio orçamental. Irá mesmo provocar uma ruptura de pagamentos e do reembolso da dívida e dos juros.   

 

O momento exige uma liderança clara, inteligente e determinada. Infelizmente, do lado do governo, Paulo Portas e Maria Albuquerque não têm condições nem experiência para lidar com estas coisas. Não estão, de modo algum, à altura. Portas é um político especializado na politiquice e na intriga que definem a política nacional. Albuquerque é uma técnica sem perfil internacional. Não tem o calo necessário para estas coisas. Do lado da oposição, para além da algazarra dos extremistas, de vários bordos, mas unidos pelas mesmas ilusões e ideias irrealistas, temos um Partido Socialista que não percebe em que mundo nos encontramos e passa o tempo a falar do IVA da restauração e de uma Europa que virá por aí abaixo, cheia de solidariedade e de flexibilidade, pronta para nos salvar. É um partido dirigido por escriturários e advogados de província.

 

Que nos resta? Mobilizar os melhores, reinventar a política e tratar do país a sério. Com os pés assentes na terra, e os olhos virados para um mundo que é o de hoje e de amanhã, e não o Portugal do passado.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:45

13
Set 13

Os juros a 10 anos chegaram hoje aos 7,235%.

 

Este é valor que Portugal terá que pagar, se for aos mercados neste momento. É uma mensagem forte sobre a falta de confiança da comunidade internacional na nossa capacidade em sair da crise financeira em que nos encontramos.

 

Diz-nos, também, que um segundo resgate, com condições duras, é, para já, considerado inevitável.

 

Junte-se a isto a posição do Eurogrupo e de Bruxelas. Ambos disseram claramente que a meta dos 4% para o défice das finanças públicas, em 2014, é para cumprir.

 

As indicações não podem ser mais claras. Do lado de fora, não haverá grandes folgas nem contemplações.

 

Este é, pois, um assunto de importância estratégica, que deveria estar no centro do debate nacional, na mira dos dirigentes políticos.

 

Mas, não está.

 

Uns fingem que não vêem. Outros, são de facto, tapados e não enxergam mesmo.

 

publicado por victorangelo às 15:43

20
Jul 13

Vossas Excelências propõem a criação de um “Banco de Fomento”? Do tipo Caixa Geral de Depósitos, para financiar projectos sem asas nem hipóteses de serem rentáveis? Projectos dos amigos do partido e das cliques que vos rodeiam, como foi o hábito nos últimos vinte anos, em relação aos vários partidos de governo?

 

Projectos nos quais o sector privado não quer arriscar o seu próprio capital? Projectos que não conseguem financiamento nos mercados, por serem ideias coxas?

 

Disseram “Banco de Fomento”? Numa altura em que o imperativo é reduzir o número de bancos? E tirar o Estado dos negócios, que devem ser a responsabilidade do sector privado, nos momentos de ganho e também nos de perdas?

 

E o capital para constituir esse “Banco” virá donde? Dos impostos? De obrigações públicas?

 

Não acham que é uma ideia de outros tempos, quando o Estado era considerado um actor metido em negócios? Não se tratará de uma visão virada para trás e não para o futuro?

 

Quem vos anda a meter estas coisas na tola? 

publicado por victorangelo às 17:25

19
Jul 13

A conclusão a que chego esta noite é muito simples: os dirigentes políticos que temos não estão à altura do desafio, num momento da História de Portugal tão grave como o presente. 

publicado por victorangelo às 22:20

10
Jul 13

Estamos num momento que exige atitudes positivas e construtivas. Deixo, por isso, a crítica negativa para outros.

 

A declaração feita pelo Presidente da República terá os seus adeptos e os seus detractores. Mas tem, pelo menos, o mérito de pôr em evidência a gravidade da situação económica e social em que nos encontramos e de mostrar que não existem soluções simples nem tradicionais para a crise. Os partidos devem, de facto, procurar chegar a um compromisso alargado, tão amplo quanto possível. Um compromisso histórico para um momento histórico. Sem ressentimentos, com os olhos postos no futuro, não no passado. Ao responderem ao apelo, os dirigentes políticos terão a oportunidade de mostrar por que bitola vão querer ser medidos: a partidária, das vantagens de grupo e de clientelas, ou a do interesse nacional.

 

Um compromisso que deve igualmente mobilizar as organizações representativas dos interesses económicos e sociais, incluindo os principais movimentos sindicais. 

publicado por victorangelo às 22:02

07
Jul 13

Objectivamente, não dá para acreditar. Por outro lado, baixar os braços não é solução. Como também o não é partir a loiça. Que se saiba, no entanto, que não se tem fé na coisa nem nas gentes que a personalizam.

 

Lá fora, dá apenas para fingir que não há problema de maior. Assim se vive hoje na Europa, nomeadamente em relação aos que sendo um problema duradoiro não têm muito peso e podem ser mais ou menos ignorados. 

publicado por victorangelo às 21:17

06
Jul 13

Em matéria de teatro, acabar a peça no final do primeiro acto seria um desapontamento. Antes do intervalo, há sempre drama. Depois, cai a cortina. Volta, agora, a subir, para o acto seguinte. Ou seja, o espectáculo, para grande alívio nosso, vai continuar. É verdade que isto é um teatro de província e que, por isso, os actores são de segunda escolha. Mas mesmo assim, vale a pena ver como se vai desenrolar a segunda parte, que cenas trágicas vão ser encenadas, e que vai acontecer aos vilãos do enredo.

 

O encenador será fraco, mas será que temos meios para mais?

publicado por victorangelo às 21:26

10
Jun 13

A visita da Presidente do Brasil a Portugal num dia de feriado nacional como o de hoje, em que as mais altas autoridades do Estado português estavam comprometidas com tarefas oficiais inadiáveis, só poderia dar azo, como deu, a equívocos políticos e a erros protocolares. Por exemplo, como aceitar que um Chefe de Estado estrangeiro se reúna primeiro com a oposição antes de ter encontrado o seu homólogo?

 

Andamos, de facto, todos às avessas…

 

Foi uma maneira surrealista de comemorar o 10 de Junho.

publicado por victorangelo às 21:16

17
Abr 13

O encontro de hoje entre a direcção do governo português e o secretário-geral do Partido Socialista durou mais de noventa minutos. Pode não ter havido qualquer concordância de pontos de vista. Mas que houve muita conversa, isso ninguém pode negar. Em noventa minutos discute-se muita coisa. E, mais cedo ou mais tarde, terá que ser a falar que nos entenderemos. O país precisa de mais encontros deste tipo. O diálogo não conduz de imediato a acordos. Mas é o caminho do futuro. 

publicado por victorangelo às 21:34

07
Abr 13

A comunicação do primeiro-ministro ao país era esperada com grande interesse. Que iria ser anunciado, depois da decisão do Tribunal Constitucional, e das reuniões extraordinárias – do Conselho de Ministros e com o Presidente da República – que se lhe seguiram? Que medidas políticas, a começar pela composição do governo, e que ajustamentos orçamentais seriam propostos?

 

Ou seja, que iria mudar, depois das circunstâncias da governação terem sido postas em causa pelo acórdão do Tribunal Constitucional e por outros acontecimentos recentes?

 

A resposta ficou por dar. A expectativa não teve resposta suficiente.

 

Dizer que haverá maiores restrições nas despesas públicas, em particular na Saúde, Educação, Segurança Social e nas empresas públicas, não chega, é apenas vago e gerador de oposição.

 

Mas acima de tudo faltou uma resposta política aceitável. Apontar o dedo ao Tribunal Constitucional é um erro pesado, é a má resposta política. O Tribunal fez o que tinha que fazer e nada mais. Há que respeitar o julgamento a que chegou. Reconhece-se isso e passa-se em frente. E foi o passar em frente, o olhar para as alternativas que faltou neste fim de dia.

 

Vamos ter que continuar a aguardar. A crise continua. 

publicado por victorangelo às 21:32

twitter
Dezembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10

16
17
18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30
31


subscrever feeds
<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO