Portugal é grande quando abre horizontes

02
Jan 10

 

O dia primeiro do ano novo acabou mal. Estava a entrar no cerne da questão, numa matéria de muita importância nesta nova vida, quando todos os sistemas de comunicação se foram abaixo. Deixou de haver net, a rede telefónica de segurança desapareceu, fiquei com aquele sentimento que os galãs dos filmes de outrora deverão ter sentido, quando, prestes a beijar a donzela, depois de uma cena de grande intensidade dramática, acontece uma catástrofe qualquer e tudo fica de pantanas. E não há beijo.

 

Neste caso, não houve muita coisa, inclusive blog. Começar o ano assim é de ficar com os ossos todos frustrados.

 

O plano era partilhar estas flores de uma zona árida. Flores que encontrei à saída de Guéréda, uma terra de muita violência, num sítio onde o Sahel se finda e surge a paisagem do Sahara.

 

Aqui estão as flores:

 

 

Copyright V. Ângelo

 

Com estes arbustos e pedregulhos, mesmo à beira da picada que sai da localidade para o Oeste, a área tem sido local de muitas emboscadas e ataques contra os trabalhadores humanitários e os funcionários internacionais. O último caso foi o de delegado do governo para a ligação com os refugiados. Foi assassinado a uns metros desta árvore tão linda.

publicado por victorangelo às 12:31

01
Nov 09

 

Depois de uma viagem que me levou, na Sexta a Birao, nos confins do centro de África, no Sábado a Abéché, depois Guéréda, terra das rebeliões, seguida de Gaga, onde o nosso posto de polícia foi atacado por Jenjaweeds, mais o regresso a N´Djaména, passei horas a tentar evacuar o agente que foi gravemente ferido na Segunda-feira.

 

Está em condições de ser evacuado, depois de duas operações de várias horas no nosso hospital militar de Abéché. Neste momento, necessita de 50% dos nossos recursos hospitalares, para se manter vivo. Tem que ser transferido para um hospital maior, com mais especialistas. Se assim acontecer, safa-se.

Estamos a tentar a África do Sul. O hospital militar de Pretória é do melhor que há. E também a Líbia.

 

Como não é funcionário da ONU, é mais complicado. Trata-se de um polícia chadiano a trabalhar lado a lado com as forças das Nações Unidas, na protecção de refugiados. Um homem com coragem, que teve azar.

 

O avião ambulância já está pronto.

 

Tem sido uma canseira, para ultrapassar a burocracia. Horas e horas ao telefone. Em reuniões. Mas lá iremos.

 

Com uma grande fadiga às costas.

publicado por victorangelo às 20:34

22
Jul 09

 

Por todo o país, há presentemente uma azáfama nas cozinhas políticas dos principais partidos políticos. É tempo de preparar as listas de candidatos a deputados, para as eleições de Setembro. Os chefes reúnem-se para decidir dos nomes. Tudo muito bem cozinhado, em círculos bem restritos e pouco claros, com nomes a aparecer pela ordem que os manda-chuvas dos partidos bem entendem. 

 

O povo só tem que por a cruzinha no lugar que lhe apetecer, no dia do voto. É o nosso tipo de democracia, em que os chefões do momento decidem para os próximos quatro anos.

publicado por victorangelo às 17:29

24
Jun 09

 

A estupidez humana não tem limites. As provas desta verdade são visíveis todos os dias. 

 

A falta de previsão e de capacidade de antecipação também não conhecem linhas de demarcação. Tudo é possível. 

 

Hoje, por exemplo, o avião que tínhamos de prevenção em Abéché, estava com o depósito vazio. Em plena zona operacional, muito longe da capital. Como era urgente, perderam-se duas horas, até que estivesse pronto para voar. Quando o estava, já não era preciso.  A oportunidade tinha sido perdida.

 

Ontem, uma das nossas colunas, no deserto do Norte, bem junto à fronteira com o Sudão, viajava do campo de refugiados de Oure Cassoni para Bahai. Vejam no Google. Várias viaturas de agências humanitárias. A viatura da frente fazia a protecção armada. Como já haviam feito o trajecto umas quinze vezes sem que houvesse qualquer ataque, iam descontraídos. Não havia viatura de protecção armada no final da coluna.

 

Ora, o local é uma zona de movimentação das guerrilhas sudanesas. Ontem, a décima sexta vez, os rebeldes atacaram. Concentraram-se, evidentemente, na última viatura da coluna. Um 4X4 do Comité Internacional da Cruz Vermelha.  Adeus, carro meu.

 

A escolta, na primeira viatura, ainda tentou uma perseguição. Inútil. Os rebeldes entraram imediatamente em território sudanês. No passado, a escolta teria ido no seu encalço, independentemente da linha de fronteira. Mas comigo, não. Imaginem que eram interceptados pelos guardas fronteiriços do Sudão...

 

Afinal a guerra do Raul Solnado existe.

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:47

23
Jun 09

 

As informações parecem revelar que os senhores armados se preparam para uma ofensiva diferente. Não aqui. Do outro lado da linha de fronteira, na região mais a Norte do Darfur, em aliança com as tropas de Khartoum. Contra os homens do Justice and Equality Movement (JEM). 

 

Lutar pelo controlo das areias. É uma maneira de marcar pontos, tendo em vista as negociações de paz que decorrem em Doha. De um lado, o governo do Sudão. Do outro, o JEM.

 

É normal lançar ofensivas guerreiras quando se está a negociar a paz. Faz aumentar a parada. Um período de maior perigo é exactamente quando a paz começa a ser possível. Às armas, cidadãos!

 

Assim se faz diplomacia. Embora me pareça triste morrer quando se está à beira de acordo de paz.

 

publicado por victorangelo às 22:19

21
Jun 09

 

Copyright V. Ângelo

 

O pássaro das penas grandes anda muito circunspecto pelas terras que já deram fruto.

publicado por victorangelo às 19:42

20
Jun 09

 

 

Copyright V. Ângelo

 

Uma vida sempre a lutar. Sobretudo para quem anda pelos desertos da vida. Quando aparece uma poça de água, é preciso aproveitar. Com elegância, que tudo deve ser feito com graça e a calma dos sábios.

 

 

publicado por victorangelo às 08:37

17
Mai 09

 

Estive recentemente com um dos líderes da cena internacional que há anos que não via. O homem lembrou-me, uma vez mais, todos os tiques e defeitos de uma liderança fraca:

 

   -Incapacidade de ouvir;

 

   -Enjaulado no seu próprio discurso, que repetia até aborrecer a audiência;

 

    -Falar como quem dispara uma metralhadora, sem que o discurso tome a forma de uma conversa e de um diálogo;

   

    -É tudo muito mecânico;

 

    -Muito formal; e quando se torna informal, dá a impressão que é por razões de temor, de medo do interlocutor;

 

    -Rodeado de servilismo;

 

    -Atraindo os oportunistas; os que não são subservientes, estão no jogo por motivos de promoção pessoal.

 

O que faz ainda mais pena é que o homem, se estivesse aconselhado como deveria, até poderia sair-se bem da festa. Mas estes fracassos que aparentam sucesso gostam de se fechar em círculos bajuladores imbecis. 

publicado por victorangelo às 12:11

11
Abr 09

 

Espera-se dos líderes que dêem significado aos acontecimentos sociais. Liderar é compreender o sentido da vida e propor soluções.

publicado por victorangelo às 08:41

27
Mar 09

 

Um malabarista do comentário político torce-se hoje no DN, para explicar que a questão da segurança tem muito que ver com a falta de investimentos em prisões, por parte dos vários governos que nos têm regido. É uma maneira de nos passear por questões que pouco têm que ver com o problema central da insegurança e com o facto de que a situação se agravou de modo muito acentuado nos últimos dois anos.

 

A segurança é uma tarefa fundamental da governação, nas suas múltiplas facetas de prevenção, informação, resposta, repressão e administração de justiça. Quando os indicadores de segurança entram em quebra é a competência do governo, no seu conjunto, que está em jogo. Sejamos claros.

publicado por victorangelo às 18:29

twitter
Outubro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
14
15
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO