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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Sobre as migrações

Disse hoje a uma jovem minha conhecida que as migrações são e sempre foram uma opção para quem procura melhores oportunidades. E lembrei-lhe, em duas palavras, que não vale a pena estar a dar grandes lições aos jovens portugueses de hoje – estou cada vez mais convencido que muitos sabem bem o que querem – que, no meu caso, saí de Portugal aos 28 anos. E até tinha emprego, um trabalho que para a época, era relativamente bom e promissor. Não me arrependi da decisão dessa altura. É verdade que tudo tem os seus custos. Mas o custo maior é o de ficar parado, à espera que o céu nos caia aos pés. E hoje, já ninguém está longe. Quando eu saí, se queria telefonar à família tinha que marcar a chamada de véspera. Muitas vezes a linha era um caos e a conversa uma frustração, para ambos os lados da linha. Agora, com as redes sociais, é uma ligação instantânea e gratuita, com imagem e tudo. Emigrar é como estar apenas do outro lado do ecrã.

Primeiro de Maio

O Primeiro de Maio foi comemorado no Cambójia com manifestações contra os salários baixos e a favor da independência do sistema judicial. Não terão sido mais de 700 os que ousaram trazer essas reivindicações para a praça pública, na capital, Phnom Penh. Diferentes serviços de polícia intervieram sem demoras e sem dó nem piedade, batendo em tudo e todos.

 

Falo de um país longínquo para que nos lembremos que existem muitos trabalhadores, por esse mundo fora, que estão longe de ter uma vida minimamente decente e de poder usufruir de liberdade. Mesmo num país como o Cambójia, que está a crescer economicamente a taxas anuais superiores a 7%. Um país com uma indústria têxtil baseada numa mão-de-obra que trabalha ao preço da miséria. 91% dos trabalhadores desse sector são mulheres. E os têxteis representam 80% das exportações do país.

 

Creio que lembrar estas coisas é uma maneira de celebrar o dia dos trabalhadores tão válida como outras. Tem, além disso, a vantagem de nos ajudar onde nos situamos no mundo de hoje. 

Imigração

Dia feriado em Bruxelas, como aliás numa grande parte dos países da UE. As ruas dos bairros residenciais estão desertas e os comércios fechados. Com excepção, claro, das ruas e praças onde se concentram os homens imigrantes. Passar por lá é uma oportunidade de ver grupos de indivíduos na cavaqueira, a aproveitar o feriado. É, igualmente, uma maneira de constatar quanto pesa a imigração numa cidade como esta. Pesa bastante.

 

Por outro lado, se havia alguma loja aberta, era certamente propriedade de imigrantes. Esses não fecham. Estão aqui para trabalhar e ganhar o futuro. Não há, por isso disposição para dias feriados.

 

Como vou viajar no domingo, tentei ver se encontrava uma barbearia aberta, nas ruas da imigração, não muito longe de casa, que me pudesse dar um jeito ao cabelo. Sim, as da imigração, de gentes originárias de fora da Europa estavam a trabalhar. As belgas e as dos outros europeus, essas estavam encerradas. O meu barbeiro habitual, um italiano de idade respeitável que corta o pelo a gente fina, como ele diz, e que só aceita clientes com marcação prévia, tinhas as portas bem trancadas. Leva 16 euros por cada corte. O preço nas barbearias dos “árabes”, como por aqui se diz, varia entre os 5 ou 7 euros, podendo chegar aos 9. Só que o tempo de espera é grande. Hoje, como sempre estavam a abarrotar. Que isto de ser barbeiro é um bom negócio.

 

Não tive paciência para ir para a fila. E assim escrevo este blog com o cabelo por aparar.

O emprego

Alguém me dizia hoje que as economias europeias têm que se habituar a viver com um nível de desemprego estrutural elevado. Acrescentava que a competição entre os países europeus e entre a Europa e o resto do mundo implica mais deslocalizações de unidades económicas e mais perdas de postos de trabalho pouco ou nada especializados. E rematava dizendo que os novos níveis de desemprego serão insustentáveis, do ponto de vista da segurança social e dos subsídios.

 

Ou seja, a mensagem era que estamos a viver um processo de transformação radical e não damos suficiente atenção aos indicadores de tendência, nem somos capazes de repensar o nosso modelo económico de maneira a poder responder aos desafios de um mundo cada vez mais global.

 

Retorqui apenas o que já tenho dito várias vezes: se estivesse no poder, a minha preocupação número um seria a do emprego. Sem cair na asneira de dizer que cabe aos governos criar emprego, diria, no entanto, que é da responsabilidade primeira de quem governa criar as condições para que sejam criados postos de trabalho. Acrescentando, em seguida, que o emprego é um desafio que diz respeito a todos. E que começa por um sistema educativo moderno, eficiente e disciplinado. 

Salários: para uma política acertada

A experiência empírica mostra várias coisas, no que respeita a uma política de salários:

 

- Que a prática generalizada de salários baixos não aumenta a competitividade da economia; o que de facto contribui para uma melhor competitividade é o grau de motivação dos trabalhadores, o seu empenho cívico, o nível de educação geral e profissional, a tecnologia, a modernidade e as técnicas dos meios de produção, a qualidade da organização das empresas, bem como a simplicidade burocrática da administração pública, os custos energéticos, etc.

 

- Que o custo do trabalho representa, numa economia moderna, cerca de apenas um terço do custo total do bem ou serviço produzido.

 

- Que elevar a média dos salários tem um impacto positivo em termos da economia nacional, da aplicação ao trabalho e da paz social.

 

- Que o salário continua a ser o melhor instrumento de redistribuição de riqueza. 

Estas pontes levam a Europa para onde?

Ontem foi feriado, Ascensão, neste país que é a Bélgica. Hoje, dia de trabalho, e véspera de fim-de-semana, uma parte da cidade está deserta. Mais uma ponte.

 

As pontes, este ano, têm sido umas atrás das outras. Sempre que ocorrem, a minha rua, num bairro residencial de Bruxelas, fica sem vida. Os vizinhos, da frente, do lado, na casa mais à esquerda ou mais à direita, ou mais abaixo, todos desaparecem por vários dias. Uns vão para a beira-mar, a maioria muda-se para propriedades rurais que possuem nas Ardenas.

 

Na minha solidão, fico a pensar que os europeus passam o tempo a gozar feriados, convenço-me que a ânsia de cada um é que a próxima ponte venha tão cedo quando possível.

 

Vistas do lago

Fim da tarde em Lausanne, com o Lago Léman e o Monte Branco frente à varanda do meu quarto.

 

A Suíça francesa trabalha no dia Primeiro de Maio, enquanto a parte germânica faz feriado. Curioso. Mais curioso ainda, o mercado bolsista está fechado, no dia dos trabalhadores, por se encontrar baseado em Zurique. Os bancos que estão abertos, em Genebra, funcionam ao ralenti. Creio que os capitalistas foram jogar golfe...

 

Os portugueses à procura de emprego continuam a chegar, e estão prontos para tudo, dia dos trabalhadores ou não. Só que os hotéis já não são o que eram até recentemente: querem gente que fale várias línguas, sobretudo alemão, e com formação profissional. No hotel onde estou, surgiram há pouco duas vagas na recepção. Os candidatos eram quase duzentos...

 

Até na área das limpezas se tornou difícil encontrar emprego. E a competição entre os pequenos empresários do sector está a fazer baixar os salários.

 

Onde continua a haver trabalho para os que vão chegando é na enfermagem e profissões afins, bem como na construção civil. Os empregos na construção são, no entanto, precários, com contratos de curta duração.

 

Estaremos a aproximarmo-nos do momento de saturação, com este país a deixar de poder empregar emigrantes portugueses em larga escala?

Temos o caldo entornado?

A nova direcção da CGTP-Intersindical decidiu hoje convocar uma greve geral para 22 de Marco. A outra central sindical não foi consultada nem está de acordo.

 

Na minha opinião, a decisão da CGTP é um erro táctico, com repercussões económicas e de imagem para o nosso país importantes. Parece, no entanto, fazer parte de uma estratégia de instrumentalização da Intersindical, como uma mera extensão de um partido político que tenta obter na rua o poder que não consegue nas urnas. 

 

Se enveredarmos por essa via, não chegamos longe. 

Nota positiva

De manhã levei o carro à inspecção. A fila de espera era longa, mas os serviços estavam bem organizados e despachavam quatro veículos de cada vez. Em meia hora ficou o assunto arrumado. Sem conversas, sem alaridos, tudo feito com a preocupação de fazer o trabalho como deve ser e sem demoras. Dá gosto ver um serviço público a funcionar com eficiência. E a tratar as pessoas com respeito. 

 

 

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