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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Os tolos e os criminosos

Voltando ao tema de ontem, o da loucura perigosa que diz “não pagaremos!”, queria acrescentar uma nota mais. Sobre uma falácia perigosa, que é a da “ida ao mercado”, à procura de fundos, fora dos empréstimos da Tróica.

 

Com a dívida pública portuguesa classificada como “especulativa” – “lixo” na linguagem mais comum – pelas agências de notação, os únicos a ir ao mercado connosco, para adquirir títulos do Estado português, serão os investidores de fundos especulativos, do tipo comprar hoje para vender amanhã.

 

Os investidores institucionais, de longo prazo, como os fundos de pensões e os bancos não estão autorizados por norma a comprar dívida pública como a nossa, tipo “lixo”. E não o fazem, sobretudo depois das experiências da Grécia e de Chipre. Mais. Estatutariamente, pelas regras dos investimentos institucionais, têm que se desfazer rapidamente dos títulos de dívida portuguesa de que ainda possam ser detentores. É isso que têm estado a fazer nos últimos tempos. Chama-se a isso deixar de estar exposto ao risco que Portugal representa. Que é considerado enorme.

 

Ou seja, a ida aos mercados, enquanto as coisas não mudarem, fará pouco sentido. Pode ser apresentada pelo governo como um sucesso. Mas não o será, se não for acompanhada por uma revisão da nossa notação. Estranho que ninguém responda isso ao governo.

 

Que fique bem claro, então, que as nossas necessidades de financiamento de médio e longo prazo estão dependentes da nossa relação com a Tróica. Que deve ser firme e, ao mesmo tempo, previsível e feita com seriedade.

 

Quem diz, “não pagaremos!”, não sabe o que diz ou então, como disse ontem e repito hoje, é um incendiário. E todos os incendiários são criminosos.

 

 

Na imprensa internacional, mas de modo incompleto

As manifestações de rua que marcaram a tarde deste Sábado em Portugal foram assunto importante nas notícias europeias. A imprensa internacional sublinhou o grande número de participantes e as razões que levaram as pessoas à rua. Deviam também ter posto em evidência o civismo com que tudo decorreu.  

Todo o cuidado é pouco

Continuo a acreditar que é um erro culpar os outros, o estrangeiro, pelas nossas fraquezas. No final do século XX e no começo deste milénio, o que fizemos foi feito por vontade ou aceitação  - ou cegueira - nossa. Quando um povo não quer, ninguém de fora o consegue impor. Essa era a nossa situação na altura.

 

Agora é diferente. Estamos financeiramente dependentes dos empréstimos que nos fazem. Ora, cada euro emprestado tem as suas condições. Que aceitámos, ao assinar o acordo internacional que é o pacto com a Troika. E sabemos que um acordo internacional tem obrigações que se sobrepõem às leis nacionais, sempre o aprendi assim. Está, juridicamente, noutro patamar.

 

Se achamos que as obrigações do acordo com a Troika não nos convêm, e considerando como excluída a possibilidade da renegociação, que a outra parte diz estar fora de causa, resta-nos a hipótese de denunciar esse acordo e prescindir dos dinheiros vindos de fora a juros inferiores aos dos mercados de capitais.

 

Só que romper o acordo terá custos sociais muito elevados. A independência nacional, quando a economia é fraca, fica muito cara. Há, por isso, que debater estas questões com muito cuidado.

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