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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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As chamadas medidas restritivas

A decisão de adiar a entrada em vigor da nova onda de sanções económicas e financeiras – aquilo que a Comissão Europeia chama “medidas restritivas” – contra a Rússia foi a mais apropriada. Foi tomada a pedido da Finlândia. Ou seja, de um país que tem uma ligação comercial estreita com a Rússia e que compreende que, nesta fase, há que esperar e ver o que vai acontecer com o cessar-fogo na Ucrânia.

 

Em diplomacia é preciso seguir o princípio da prudência. Pensar e agir com prudência é importante. Não se pode cair numa espiral de medidas e contramedidas. Quando há uma janela de oportunidade, como poderá ser agora o caso, a prudência aconselha-nos a aproveitá-la. Deitar água na fervura é melhor, nalguns momentos, que acrescentar achas à fogueira.   

Putine e os seus rebeldes

 

Putine depois dos estilhaços: Este é título do texto que hoje publico na Visão.

 

Passo a transcrever, a partir do meu manuscrito:

 

Putine depois dos estilhaços

Victor Ângelo

 

 

No seguimento do derrube do avião malaio, despenhou-se muito do apoio internacional a Vladimir Putine. O presidente russo, um líder que sabe quanto vale a opinião pública, passara meses na frente de guerra da informação sobre a Ucrânia, na Europa e noutras paragens. Tinha conseguido marcar pontos. Perdeu-os agora, com um tiro mal calculado. A força das imagens dos destroços, das vítimas e da angústia indescritível dos que perderam familiares por causa de um míssil que todos associam ao suporte militar que o Kremlin fornece aos homens armados que operam no Leste da Ucrânia, desestabilizou a estratégia de Moscovo. Putine vê-se agora forçado a jogar à defesa, pela primeira vez em muitos meses de crise. Tal como o local onde caiu a aeronave, o seu relacionamento com o mundo exterior assemelha-se a um campo de estilhaços.

 

Cabe agora ao nosso lado da Europa jogar as cartas mais apropriadas. Ou seja, definir com inteligência uma política europeia que saiba dosear de modo estratégico o pau e a cenoura. Sanções e diálogo político são as duas faces da moeda a pôr em jogo.

 

Primeiro, é fundamental que todos entendamos, sem hesitações, a ameaça permanente que representa para a UE ter um vizinho, grande e poderoso, que revela pouco respeito pelas normas internacionais, incluindo pelos velhos princípios do Acordo de Helsínquia de 1975 sobre a cooperação e a segurança na Europa. Devemos lembrar a Moscovo que a resolução pacífica dos conflitos e a não-intervenção nos assuntos internos de outros estados são dois dos pilares da estabilidade no nosso continente. Ingerências, por muito encobertas que possam acontecer, como é o caso na Ucrânia, com oficiais dos serviços especiais russos a dirigir, mascarados de rebeldes, as operações contra o governo de Kiev, são inadmissíveis. Hoje, com os meios de inteligência existentes, qualquer gato por muito bem escondido que esteja acaba sempre por ter o rabo de fora.

 

Segundo, convém ter presente os interesses comuns da UE e da Rússia. O diálogo político com o Kremlin deve sublinhar, com firmeza e clareza, que a paz e o desenvolvimento da Rússia passam, em grande medida, pela cooperação política e económica com a Europa. Sobretudo nas áreas do comércio, da energia e dos investimentos, na exploração do Ártico, na proteção do ambiente, incluindo no Mar Báltico, no domínio espacial, e nas questões mais imediatas relacionadas com o Irão, o Afeganistão, a luta contra o terrorismo e a proliferação de armas de vários tipos. As imensas riquezas da Sibéria e da parte asiática da Rússia só poderão ser valorizadas se existir uma conjugação dos esforços científicos, tecnológicos e de investimento entre ambas as partes, a ocidental e a russa. A alternativa – e esse é o grande desafio que a Rússia tem pela frente – é ver os chineses a invadir esses enormes espaços que continuam por explorar e a entrar, mais tarde ou mais cedo, em conflito aberto com Moscovo. No último ano, Putine e, em grande medida, Obama têm-se deixado enlear numa lógica de choque. Cabe aos líderes europeus romper essa espiral de confrontação e falar do futuro.

 

É possível que Putine não capte a magnitude da indignação que resultou do crime praticado pelos seus rebeldes. Como talvez também lhe custe aceitar que a OTAN e a UE não são as verdadeiras ameaças estratégicas para o seu país. E que continue, assim, na trajetória que tem seguido até hoje. Nesse caso, e este é o meu terceiro ponto, o regime de sanções contra os dirigentes russos tem que ser reforçado. Não se procura desestabilizar o poder a partir do interior. Trata-se, isso sim, de fazer ver que não se pode aceitar uma política externa como a que vem sendo praticada por Putine. Assim, e depois de se deixar claro que a porta do entendimento político continuará sempre aberta, haverá que tomar medidas muito concretas e fáceis de supervisionar. Estas passam pelo adiamento do fornecimento dos dois navios de combate porta-helicópteros da classe Mistral que a França deveria entregar à Rússia, o primeiro já em Outubro deste ano. E devem também incluir cláusulas que impeçam o acesso aos mercados financeiros da UE à companhia estatal de petróleos Rosneft e a outras empresas de relevo. Além disso, o grupo armado que opera no Leste da Ucrânia deve ser classificado como uma organização criminosa e os seus principais líderes objeto de mandatos de captura ao nível europeu.

 

Veremos o que será decidido esta semana em Bruxelas. Não sei se a União vai estar à altura dos acontecimentos. Ora, nestas coisas, a indecisão aumenta os riscos futuros.

A Ucrânia de hoje

Regressado há umas horas de Gloucester, no Reino Unido, fui surpreendido com a notícia chocante relativa ao voo da Malaysia Airlines, abatido, segundo todos os indícios, pelos separatistas que a Rússia apoia na Ucrânia.

 

Agora, esses indivíduos, conscientes que devem estar da barbaridade que cometeram, dizem que na mesma altura, no momento em que o avião comercial foi abatido, eles haviam lançado um míssil antiaéreo contra uma nave militar ucraniana. Ou seja, procuraram assim esconder-se por detrás de uma mentira, pois os seus amigos devem ter-lhes dito que hoje em dia há tecnologia suficiente para determinar quando um míssil de longo alcance foi disparado e a partir de que local.

 

A tragédia de hoje vem lembrar-nos que as guerras assimétricas - Estados contra grupos rebeldes - em solo europeu são sempre de uma grande violência.

 

Recorda-nos, também, que a violência armada é algo que deve ser tratado sem demoras, utilizando todos os meios disponíveis: políticos, diplomáticos, mediáticos e a força. No caso da Ucrânia, se o governo actual não tem condições para resolver a crise sem demoras deve pedir ajuda externa. A lei internacional permite-o.  

Em matéria de defesa, prima a política

 

 

A confrontação com a Rússia em torno da Ucrânia traz-nos novos elementos de reflexão sobre a política de defesa da União Europeia. Não se trata de discutir quem tem razão, se nós ou eles. Esse é outro debate, uma discussão sem fim, receio. Deve-se refletir, isso sim, sobre a estratégia de proteção do nosso espaço político, tendo em conta os ensinamentos que se podem desde já retirar do que tem estado a acontecer. Ou seja, a maneira como tem decorrido o confronto permite ponderar sobre os ajustes que convém introduzir na nossa estratégia coletiva, na Aliança Atlântica e no quadro mais estrito do projeto europeu. Dá-nos, igualmente, a possibilidade de identificar os acertos de segurança nacional que cada um dos nossos Estados, incluindo Portugal, precisa de ter em conta.

 

Por detrás destas palavras fica claro que os conceitos estratégicos em vigor estão, no geral, corretos e continuam válidos. Aqui, discordo do que se tem escrito recentemente em Portugal, e que se pode resumir numa frase do género “a Rússia torna obsoletos os atuais conceitos de defesa nacional”. Obsoletos, inadequados, fora de jogo, tudo isso me parece exagerado e trazer água no bico, ter outras intenções, como por exemplo tentar pôr de novo os gastos militares no centro dos orçamentos públicos. Mas estou de acordo que os conceitos devem ser interpretados e operacionalizados com base num olhar mais realista no que diz respeito ao nosso relacionamento com o grande vizinho que é a Rússia. A Rússia de Putin e do seu círculo, que a Rússia da geração seguinte já não será assim.

 

Acrescente-se que numa situação de conflito é fundamental defender, de modo razoável, os interesses próprios e chegar a um entendimento adequado com a parte contrária. Estas duas premissas são essencialmente políticas. Só quem tem legitimidade política é que pode definir os interesses que temos em jogo e, por outro lado, as condições de um acordo, melhor ou pior, com a parte contrária. O resto, as forças armadas, os serviços de inteligência, a diplomacia, a informação e a comunicação, a economia e as finanças, são instrumentos do poder político. A crise atual mostra que podem ser combinados de vários modos, na resolução de um conflito. Assim se faz, nos tempos de agora, uma política de defesa abrangente e sagaz.

 

 

 

(Original do texto que hoje publico no Diário de Notícias)

Putine e Medvedev

Tive hoje uma reunião com uma alemã, uma personalidade reconhecida nos círculos internacionais e que trabalhou directamente com Dmitri Medvedev em São Petersburgo na primeira metade dos anos 90. Fazia parte das suas funções, então, ter um encontro semanal com Vladimir Putine, na altura o responsável, na região de São Petersburgo, pelas relações com as instituições estrangeiras com projectos nessa parte da Rússia.

 

Achou, nesses tempos, e continua a achar, que ambos são encantadores, mas também profundamente estratégicos. São gente que sabe embalar as mensagens, mas sem perder de vista os objectivos que têm em vista. São líderes que sabem trabalhar a forma e manter uma visão clara sobre a substância. Ou seja, gente que há que tratar com muita atenção, sem amadorismos nem espontaneidades.

...

Volto a escrever sobre Vladimir Putine na Visão que hoje foi posta à venda. O link para o artigo, cujo leitura recomendo, é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/qd5fkyz

 

 

Para facilitar, transcrevo o texto de seguida.

 

 

 

 

 

Putine, Um conservador demasiado amigo da onça

Victor Ângelo

 

 

Escrevi, na Visão de 2 de janeiro, que em 2014 Vladimir Putine haveria de estar no centro da cena internacional. Convido o leitor a voltar a ler o que então publiquei, sob o título "Putine: o homem que quer ditar o futuro". Entretanto, permito-me citar um parágrafo desse texto, por me parecer fundamental, na altura como agora, para a compreensão das linhas de força que animam o líder russo:

 

"...Putine gosta de estar no foco das atenções. [...] Acredita que a sua missão é a de fazer renascer o país dos escombros que resultaram da desintegração da União Soviética. Consequente com a tradição ultranacionalista, pensa que o país precisa de um líder forte, determinado, escorado nos valores da Igreja Ortodoxa e na superioridade da cultura russa, capaz de resistir às conspirações do Ocidente. A ambição é fazer regressar a Rússia ao estatuto de grande potência, em paridade com os Estados Unidos. Para o conseguir, Putine julga que o caminho passa pela imposição de respeito a todo o custo, pela intimidação dos vizinhos e por uma política de confrontação com a Europa." (Edição 1087 da Visão). 

 

Putine é, de facto, um político inspirado por valores conservadores. Tem uma visão tradicional da autoridade, que deve ser forte, formal, respeitada e centralizada; da sociedade, que deve ser guiada por princípios morais rígidos e estar subordinada aos interesses do Estado; e das relações internacionais, que são vistas como um jogo de forças e uma competição entre potências. Em Portugal, seria um líder da direita pura e dura. Acrescente-se a isso a convicção de que tem uma missão histórica para cumprir, como os heróis do passado. Tem-se, ao mesmo tempo, como um grande estratega, da estirpe que a União Soviética produzia com eficácia. E, no que nos diz diretamente respeito, a sua estratégia visa dois objetivos: o enfraquecimento da UE e a contenção da NATO.

 

O aprofundamento da UE aumentaria a capacidade negocial externa do bloco dos Estados membros, da política à economia. Daqui resultaria, segundo Putine, uma situação desfavorável à Rússia, que deixaria de poder beneficiar de uma relação desigual com cada um dos países da UE, do tipo grande Estado, pequeno Estado, para ter que se inserir num quadro de vizinhança mais equilibrado. Putine procura, por isso, tecer uma teia de contradições que possa abalar a coesão e fragilizar a imagem da UE. Faz parte da estratégia o apoio, subtil mas real, dado pelo Kremlin a Marine Le Pen e a outros dirigentes ultranacionalistas, em diferentes países europeus. Sobretudo agora, em vésperas de eleições para o Parlamento Europeu. Quanto mais inimigos do projecto comum entrarem em Estrasburgo mais reconfortado se sentirá o Kremlin. É a política do amigo da onça. Na mesma lógica, e para além de outras considerações nacionalistas russas, a crise ucraniana é uma excelente oportunidade para mostrar as fraquezas e incongruências da UE.

 

Tudo isto é conjugado com uma sanha visceral contra a NATO. Putine vem de uma escola de pensamento que petrificou durante a Guerra Fria e continua a considerar a Aliança Atlântica como uma ameaça militar permanente. A decisão ocidental de instalar um escudo antimísseis na Polónia e na República Checa agravou esses temores. Transformou-se, mesmo, num ponto de não-retorno, a partir do qual a tentativa de aproximação entre a NATO e a Rússia ficou sem gás. Em resultado, muito do que se passa na Ucrânia está intimamente ligado à preocupação de travar a expansão da NATO para Leste.

 

Estas opções políticas têm custos elevados. Mas se um dia a Europa entrasse em roda livre e a NATO perdesse a capacidade de dissuasão, Putine acharia que teriam valido bem a pena.

 

 

 

 

 

 

O bom-senso é um dos pilares da paz

Dizer que estamos a atravessar um momento de alto risco seria esquecer que o risco é o quotidiano de muitos, em várias partes do globo. Assim acontece em diversos cantos de África, do Darfur ao Leste do Congo, da Guiné-Bissau à Somália, em muitas terras da América Central, com Honduras a ter a taxa de homicídios mais elevada do mundo, na Ásia, do mundo do trabalho quase escravo do Bangladesh até ao tráfico de crianças no Cambójia, e assim sucessivamente.

 

Mas ignorar que a escalada de confrontação entre o Ocidente e a Rússia não augura nada de bom seria um erro.

 

E estamos, de novo, hoje, numa lógica de intensificação da crise. A visita do Secretário-geral da ONU a Moscovo e amanhã à Ucrânia mostra o nível de preocupação de quem sabe quais são os riscos.

 

É preciso pôr um travão ao conflito.

 

Mesmo assim, já se foi longe demais. Reparar a confiança perdida vai demorar muito tempo.

 

Continuar a perdê-la levaria a prejuízos muito grandes para ambas as partes.

A Rússia e nós

https://docs.google.com/file/d/0B7Mx3TqxEDLpM3JiRktJRVdjNG8/edit

 

O link acima leva-nos ao texto que hoje publico na Visão sobre as relações da União Europeia com a Rússia.

 

Para facilitar a leitura, passo a citar esse meu escrito:

Um parceiro chamado Putin

Victor Ângelo

 

Nas vésperas do referendo sobre a integração da Crimeia na Rússia, seria fundamental que os dirigentes europeus se exprimissem de modo coerente, a partir de uma posição comum. O ideal seria que se pronunciassem a uma só voz, com o Presidente do Conselho Europeu, Van Rompuy, a falar em nome de todos. Mas isso implicaria uma Europa diferente, não a que temos agora com as instituições comunitárias reduzidas a um grau inédito de irrelevância.

 

Trata-se de reconhecer que estamos perante um momento particularmente crítico para a segurança e a credibilidade externas da UE. O bom relacionamento político com a Rússia, o grande vizinho da nossa comunidade de nações, é fundamental. Tem que ser construído com base na confiança mútua, na cooperação e no respeito pelos interesses das partes. Não pode assentar numa mera relação de forças, com cada lado a contar os canhões de que dispõe. Nem deve apoiar-se na prática do facto consumado, no partir da loiça primeiro, para depois se tentar colar os cacos. Dito isto, convém lembrar que a única linguagem que Vladimir Putin entende bem, em matéria de relações internacionais, é a da diplomacia musculada. Quero dizer, uma diplomacia sem ambiguidades, que não deixe espaço para divisões ao nível dos protagonistas europeus e que seja clara em matéria de objectivos e, ainda mais, em termos de consequências.

 

Putin pode ser um produto dos tempos da Guerra Fria, mas não ignora onde estão os interesses da Rússia de hoje. Terá certamente como inspiração a ideia de uma Rússia forte e influente na cena mundial, mas estará consciente que a prosperidade do seu país depende, em grande medida, do fortalecimento das relações comerciais com a UE. Sabe, mais ainda, que a sua continuação no poder, que é, em última instância, a ambição que o anima, tem mais que ver com o incremento do bem-estar e da segurança económica dos seus concidadãos do que com o nacionalismo arcaico que ainda alimenta o sonho de uma Grande Rússia.

 

Nesse contexto, e se a posição europeia se mantiver firme, Putin acabará por aceitar que a Crimeia pesa pouco, no grande jogo das relações com o Ocidente. A Crimeia não vale uma guerra, nem mesmo um conflito a frio. Putin precisa, no entanto, de receber certas garantias, que tenham a caução da UE e lhe permitam salvar a face perante os seus. Isto significa, primeiro, a certeza que o acordo relativo à base naval de Sebastopol continuará em vigor, nos termos actuais. Segundo, que Kiev respeitará a autonomia política e administrativa da península bem como um relacionamento especial com Moscovo. Terceiro, que a nova constituição ucraniana voltará a considerar o russo como uma das duas línguas oficiais do país.

 

Mas o que é uma posição firme? Apesar dos europeus terem perdido o hábito da firmeza de vistas largas e adquirido o gosto pela navegação costeira, em que cada país pensa apenas em si, sem ter uma visão de conjunto, a resposta é simples. Passa, primeiro, pela não-aceitação do referendo na Crimeia, nos moldes em que está previsto. Depois, por um acordo tripartido, entre europeus, russos e ucranianos, sobre o processo de transição política que Kiev deve seguir. Esse processo deverá ser acompanhado por um plano de recuperação económica e financeira, financiado conjuntamente pela UE, a Rússia e outros parceiros internacionais. Terá igualmente que incluir um acordo de revisão constitucional que proteja os direitos das diferentes comunidades linguísticas e salvaguarde a soberania da Ucrânia. Firmeza não significa ostracizar a Rússia. Nem apoiar uns contra os outros. Requer, isso sim, visão, equilíbrio, bom senso e imaginação.  

 

 

 

 

 

Ao rubro

A crise na Ucrânia tem despertado toda uma série de reacções emocionais. Os colunistas que escrevem sobre o assunto fazem-no, em geral, de forma exaltada, cem por cento a favor de uns e cem por cento contra os outros. Os intelectuais de esquerda, por exemplo, esquecem-se dos interesses em jogo e passam o tempo a demonizar os novos dirigentes e a defender a Rússia. Como se a Rússia de Putin fosse a Rússia dos sovietes, a Europa a vanguarda do imperialismo internacional e os líderes ucranianos uns rebentos tardios do nazismo de outrora. A direita, por seu turno, procura humilhar os russos a qualquer custo e fazer de Putin o derrotado desta história.

 

Estas visões estreitas e sectárias de uma realidade bem complexa acham que a confrontação deve ser a chave do problema. Assim se cria uma atmosfera favorável à violência. Por isso, a posição mais correcta, neste momento, é a que procura acalmar o jogo e sublinhar que a falar é que todos se entendem.

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