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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Eleger o Presidente da Europa

A possibilidade de uma eleição directa pelos cidadãos europeus do Presidente da Comissão Europeia é uma ideia que faz medo a muitos chefes de Estado e de governo. Terá, mais tarde ou mais cedo e se o projecto europeu quiser avançar, que ser discutida um dia.

E essa discussão deverá também considerar a fusão dos dois cargos de topo: juntar as funções de Presidente da Comissão às de Presidente do Conselho Europeu. Passaria a haver um só número de telefone, quando o Presidente russo ou americano quissesse telefonar para Bruxelas.

Isso sim, daria um sentimento de maior unidade ao projecto comum. Aumentaria a visibilidade da União, dar-lhe uma cara, uma personalidade. Significaria mais força.

A Europa é uma questão política

A União Europeia é acima de tudo um projecto político. Muito complexo, na medida em que engloba vários Estados, que têm particularidades próprias, diferentes identidades culturais e um sentimento nacionalista com profundas raízes históricas. Têm, igualmente, níveis de desenvolvimento económico distintos. Mas o projecto político existe e deverá continuar vivo, com o apoio de uma grande parte das populações europeias.

O objectivo fundamental é o de consolidar um espaço comum de segurança, direitos e prosperidade. É nessas três áreas que cabem muitas das iniciativas que têm sido levadas a cabo, ao longo dos tempos. Será, ainda, sobre essas áreas que se tem que dar exemplos do que já foi conseguido e do que se procura fazer no futuro.

Perante a complexidade e ambição do que se pretende construir em conjunto, seria um erro reduzir o discurso político sobre a União Europeia a uma dimensão só. Continua-se, no entanto, a assistir a esse tipo de reduções, que limitam o projecto à Europa Social, ou à Europa do Capital, ou à transferência de poderes das capitais nacionais para as instituições europeias.

Esses discursos só podem ter como explicação uma de duas coisas: ou se trata de uma simplificação ingénua do que é a UE ou estamos perante uma perspectiva de combate ideológico, um ataque que na realidade se destina a minar a prossecução do plano que nos une e faz mais fortes.

 

Um cartão de cidadão único

Na parte francófona da Bélgica, 53% dos inquiridos responderam que seriam a favor de um cartão de cidadão europeu, em vez do nacional. Contra, pronunciaram-se 42%.

Esta questão faz parte de um conjunto mais vasto de interrogações e de reflexões sobre a promoção da cidadania europeia. Pessoalmente, penso que se trata de um debate saudável. O futuro da Europa só fará sentido se for vivido, no essencial, de modo partilhado. E debater estas coisas não retira nada da personalidade cultural e histórica de cada nação. O passado conta e fez de cada país europeu o que ele hoje é. Mas o futuro conta ainda mais e esse tem toda a vantagem em ser construído em cooperação.

A campanha para as europeias

A campanha eleitoral para as eleições europeias é, uma vez mais, uma desgraça. Por toda a parte, não apenas em Portugal.

Os candidatos são, de um modo geral, políticos de segunda escolha. Não voam muito alto. E quando o fazem, é para dizer umas banalidades sobre a Europa e para falar da política interna dos seus países de origem.

Não aparece ninguém, para além de Emmanuel Macron, que é um candidato indirecto, que fale do projecto europeu, do futuro da segurança comum, da nossa autonomia política perante as grandes potências, da economia de amanhã, digital, neutra em matéria de carbono, independente no que respeita à energia, da reforma das instituições europeias e de muitas outras dimensões que deveriam ser tidas em conta para reequilibrar os diferentes estados membros.

Que lástima!

Dia da Europa, mas falta contar a história

Neste dia em que se celebra a União Europeia, reconheço os enormes progressos que o projecto comum já conseguiu realizar. Não é uma questão de querer ser convenientemente positivo ou politicamente correcto. É saber ver.

Não será entendido assim por muitos. Os dirigentes europeus não têm sabido explicar o trabalho, os grandes projectos e os sucessos da UE. Incluindo, os grandes constrangimentos, que a medalha tem sempre duas faces.

A Comissão Europeia não têm uma estratégia clara de comunicação. Confunde porta-vozes e conferências de imprensa com comunicação estratégica. Toma os meios e as técnicas como se fossem os resultados. Como se houvesse uma correlação entre comunicados e comunicação política.

Se há algo que precisa de levar uma grande volta, é esta área da comunicação com os cidadãos europeus. Para começar, deveria haver um Comissário com uma pasta dedicada à comunicação estratégica e à informação dos cidadãos europeus.

Forças Armadas Europeias

O diário belga “La Libre” é um jornal moderado e respeitado. Organiza frequentemente inquéritos de opinião junto dos seus leitores. Os resultados desses inquéritos são vistos com atenção pela classe política e por quem se ocupa de seguir a opinião pública belga.

Levou agora a cabo um sobre a questão da criação de umas forças armadas europeias. A pergunta era muito clara : deve-se criar um corpo militar europeu comum em substituição das forças nacionais?

Responderam cerca de 8000 leitores. Destes, 49% disse que sim, sem mais, sem hesitação. Também disseram que sim, mas sem pôr termo ou acabar com as forças armadas nacionais, 35% dos inquiridos. Apenas 13,3% por cento se opôs, disse que não à ideia de um “exército europeu”.

Curiosamente, os sem-opinião foram apenas 3%.

Em simultâneo, noto que é no Partido Socialista, nos Ecologistas e em outros movimentos do centro-esquerda da Bélgica que encontro uma posição clara de apoio a um projecto comum de defesa.

Convém reflectir sobre estes números. E lembrar que a questão de defesa é antes de tudo uma questão de opinião pública, ou seja, um tema essencialmente político.

Theresa May e Jeremy Corbyn: entendam-se, por favor!

Existem razões políticas suficientes para justificar a realização de um segundo referendo sobre o Brexit. Se acontecesse, o resultado desta nova votação poderia aparecer como uma confirmação da maioria obtida em 2016, ou ir no sentido oposto. Seria, em qualquer dos casos, um referendo com base numa melhor compreensão do que está em jogo.

Poderá vir a acontecer.

Penso, no entanto, que os dirigentes europeus não devem ficar à espera por muito tempo que os britânicos decidam se realizam ou não uma nova consulta popular. Por isso, defendo que se deve dar um prazo definitivo aos políticos que estão no governo de Theresa May e no Parlamento de Westminster. Uma data final e nada mais.

A participação britânica nas eleições europeias de finais de Maio é uma aberração política. Estou hoje convencido que a Primeira Ministra e o Líder da Oposição, Jeremy Corbyn, se apercebem desse absurdo e dos custos políticos que daí decorrem. Assim, acredito que estão cientes que as discussões entre eles têm que chegar a uma conclusão em breve, não muito depois da Páscoa.

Esperemos que sim.

 

Brexit hoje

Os líderes europeus decidirão, dentro de horas, que resposta dar ao pedido de Theresa May, que solicitou um breve adiamento da data de saída do seu país da União Europeia. O pedido formal da Primeira Ministra propõe 30 de Junho como o novo prazo para o Brexit.

Reconheço, como muitos outros, que esta é uma questão profundamente complexa. Aconselho, no entanto, que não se complique ainda mais o que já está desesperadamente enrolado.

Também, para evitar novas acusações de humilhação, os líderes deveriam aceitar a proposta britânica. É verdade que a Primeira Ministra está numa situação de grande fraqueza política. Não aceitar o seu pedido aumentará a sua fragilidade.

Uma extensão longa – que tem muitas hipóteses de ser a resposta que a noite irá dar –, e flexível, não me parece ser a mais acertada. Multiplica de modo significativo os riscos de instabilidade, do lado da UE. Só deveria ser aceite se do lado britânico houvesse abertura para um novo referendo.

A reunião do Conselho Europeu

A reunião do Conselho Europeu de ontem e de hoje mostrou maturidade e equilíbrio. Uma boa notícia, para quem se interessa pela saúde política da Europa. O tema mais complexo da agenda tinha que ver com a resposta a dar a Theresa May.

Os 27 Chefes de Estado e de Governo discutiram exaustivamente as várias opções relativas à data final de saída do Reino Unido da União Europeia. A Primeira Ministra queria um prolongamento até finais de junho. Não tinha uma justificação concreta para esse pedido, a não ser que precisava de mais três meses para resolver o que não conseguira fazer aprovar nos últimos quatro meses. Como estratégia, sabia a nada.

Na tomada de decisão, o processo teve em conta três aspectos.

Primeiro, evitar a ratoeira do ultimato. Ou seja, não dar a oportunidade nem aos deputados britânicos nem à opinião pública do país de dizer que a decisão do Conselho Europeu era uma ingerência, uma intimação. Nesta fase muito crítica do processo, a questão é um problema interno do Reino Unido. Os líderes europeus devem definir os limites, mas, simultaneamente, deixar espaço de manobra aos britânicos.

Segundo, voltar a reconhecer que uma saída negociada é, de longe, a opção preferida. Um Brexit sem acordo será sempre um péssimo Brexit.

Terceiro, respeitar a integridade das eleições europeias. Isto que dizer que tudo terá que estar claro aquando do início do processo eleitoral que levará às eleições marcadas para finais de maio.

Assim, a bola voltou a estar no campo britânico. E as balizas do jogo ficaram definidas com mais rigor. É verdade que ainda não se sabe bem como vai terminar a partida. Mas o Conselho Europeu já olha para o futuro a 27, sem contar com a presença e a participação do Reino Unido. Ninguém acredita que possa surgir uma reviravolta de todo o tamanho, que leve à anulação do Brexit. Por isso, a preocupação é a de gerir a saída com todo o cuidado possível.

 

 

 

 

O discurso errado

O discurso que Theresa May fez à nação esta noite foi absolutamente desastroso. A ideia central da sua mensagem pode resumir-se assim: a culpa é dos outros, dos deputados e dos procedimentos constitucionais.

Really?

Um erro absoluto.

Não sei quem a aconselhou a falar assim. Mas, a verdade é bem evidente: a Primeira-Ministra já não está à altura do desafio que é o Brexit. O seu prazo de validade terminou. Chegou ao fim.

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