Portugal é grande quando abre horizontes

08
Jun 14

A questão da presidência da Comissão Europeia deve ser aclarada esta semana.

 

As hipóteses de Juncker ser nomeado como candidato são cada vez menores. Era fundamental que tivesse conseguido um acordo público com a família socialista europeia, para poder entrar nesta semana decisiva com mais força. Tentou fazê-lo, não sei se com a genica suficiente, mas a verdade é que o não conseguiu. Creio que a razão para o fracasso reside no facto de Angela Merkel se opor à nomeação de Martin Schulz, o líder socialista, para um qualquer cargo na futura Comissão. Assim, Juncker não tinha nada de bom para oferecer aos socialistas.

 

Entretanto, a campanha inglesa contra Juncker continua. Para Londres, é fundamental que que a escolha recaia sobre um político morno, no que respeita à construção europeia. Estão a olhar para os primeiros-ministros e mesmo, para um ou dois presidentes da república, em exercício de funções e tentar fazer o que Blair fez em 2004, propor um deles. Mas terá que ser alguém que venha de um país que tenha o euro como moeda.

 

Veremos que coelho vai sair desta cartola.

publicado por victorangelo às 21:39

18
Mai 14

 

 

 

 

 

Copyright V. Ângelo

 

A minha caminhada de hoje, pela manhã, passou por estes tons de verde. Assim acontece todas as manhãs, quando estou por aqui.

 

E agora os coelhos estão de volta. Não são numerosos, este ano, pois tem havido muita agitação no parque, corvos, cães e pessoas, e os coelhos não se sentem bem com tanta azáfama.

 

Há também um bando de papagaios de um verde intenso, que, apesar de exóticos, conseguiram um visto dourado e vieram viver para este lado do mundo. Até nos tempos de inverno se avistam.

 

 

publicado por victorangelo às 16:00

15
Mai 14

http://tinyurl.com/kc3a37b

 

http://tinyurl.com/mjqyc4e

 

 

 

Estes são os links para o meu texto de hoje na Visão.

 

Escrevo sobre a União Europeia, as próximas eleições e sobre as fragilidades actuais. Sublinho que o único caminho inteligente é o que passa pelo aprofundamento, à medida do possível, da união política.

 

O problema é, no entanto, outro: poucos são os políticos com coragem de dizer o que deve ser tido. A grande maioria, a ver como estão as coisas, vai optar pela negativa, pelo populismo bacoco.

 

Para facilitar a leitura do texto transcrevo-o aqui também.

 

Boa leitura.

 

 

Tempestades europeias

Victor Ângelo

 

 

 

 

A dois passos das eleições para o Parlamento Europeu, é importante falar da Europa de modo positivo e reafirmar a relevância do projecto comum. A opinião pública é um pilar indispensável da construção europeia. Sobretudo numa altura de grande fragilidade, em que a UE é alvo de ataques internos e externos muito sérios, capazes de causar divisões e pôr em causa o futuro.

 

 A nível interno, verifica-se uma convergência de investidas provenientes de vários quadrantes, nomeadamente de forças políticas radicais, extremistas de direita e de esquerda, ultranacionalistas e populistas. As linhas políticas com que se cosem são, aliás, praticamente as mesmas: a demonização do euro e do sistema financeiro; a culpabilização dos outros, do estrangeiro, e outras ficções identitárias que alimentam a xenofobia; o apoucamento dos dirigentes das instituições comuns e dos líderes políticos no poder; a idealização do passado, o mítico em vez do real; a ilusão do regresso às fronteiras nacionais bem como a rejeição de uma visão mais ampla da cidadania europeia. Cria-se assim uma Europa em risco de colapso graças a uma coligação informal de oportunistas, de retrógrados de vários calibres e de iluminados políticos. São gente que procura tirar partido das dificuldades e frustrações dos cidadãos erradamente deixados para trás, dos que não foram ajudados nem preparados para os desafios de uma Europa e de um mundo em mutação acelerada. Em tempos de crise e de incertezas, a política do bota-abaixo e do tribalismo nacional aproveita-se dos medos colectivos e dos desapontamentos sociais. Faz parte das artimanhas dos extremistas saber criar fantasmas e sentimentos de insegurança, para depois tirar os dividendos que daí possam advir. O populismo dá votos, como deu aos ditadores do passado europeu, na primeira metade do século XX. Mas convém lembrar que leva igualmente ao desastre, como a história nos mostra.

 

Ao nível externo, há os que pensam que uma Europa unida é uma ameaça para os seus interesses geoestratégicos e económicos. Não tenhamos ilusões nem sejamos ingénuos. Quem vê a UE assim, quem olha para nós a partir do prisma do antagonismo e da competição negativa, tudo fará para tirar vantagem das vulnerabilidades actuais e sapar a unidade europeia.

 

A verdade é que a batalha da opinião pública não está ganha. Há oposição e há indiferença. Por várias razões, a informação e o esclarecimento não chegam aos cidadãos, não atraem o interesse popular. Neste quadro, o texto que François Hollande publicou, a 8 de maio, no diário Le Monde, deve merecer atenção e ser divulgado. Trata-se de uma reflexão construtiva, bem argumentada, realista e equilibrada sobre o que está em jogo nas eleições de 25 de maio. O presidente francês reconhece que a UE está em perigo de desintegração. Lembra-nos que uma Europa fragmentada abriria o caminho a confrontações violentas entre os estados. Seria uma Europa a contracorrente da tendência actual, que visa criar grandes espaços políticos e económicos. Defende, por isso, o reforço político da UE bem como a ideia – controversa mas que merece ser debatida – que esse aprofundamento se possa fazer mais rapidamente entre os estados dispostos a integrar o pelotão da linha da frente.

 

Penso que o debate nos próximos tempos deve ter em conta esse texto de Hollande. Ao qual juntaria o livro de reflexões que Herman Van Rompuy acaba de publicar – “Europa na Tempestade”. Entre muitas coisas, o Presidente do Conselho Europeu diz-nos que a gestão da crise europeia tem sido inspirada pela determinação de manter a união. É essa vontade que precisa de ser partilhada pelo maior número possível de cidadãos.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:17

05
Abr 14

 

 

 

Copyright V. Ângelo

 

Comecei o passeio matinal de hoje de câmara na mão. Aqui, a dois passos de casa.

 

E lembrei-me da senhora deputada ao Parlamento Europeu (PE) que publicou uma foto da vista para o lago, de sua casa, e que lamentou ter que abandonar Bruxelas em breve. O líder do seu partido, que em política quem manda são os líderes dos partidos, não a seleccionou como candidata para a próxima volta no PE.

 

Na verdade, Bruxelas, para quem pode, é uma cidade muito confortável. Com bons parques e uma tranquilidade de vida que não se compara com muitos outros sítios.

 

Mas a política é assim. Manda quem manda, o resto é paisagem.

 

 

publicado por victorangelo às 13:07

12
Mar 14

De regresso aos círculos europeus, depois de uma longa viagem, noto que o pouco de boa vontade que ainda restava, no que diz respeito à crise económica que define a situação nalguns dos países da UE, Portugal incluído, mirrou bastante nas últimas semanas. Há hoje menos paciência para tentar compreender o que se passa em Portugal, por exemplo, e ainda menos quando se tenta falar de novos pacotes, de medidas de ajuda, de reestruturações, de coesão europeia.

 

Na véspera de eleições, os cidadãos do centro da Europa não querem ouvir falar de solidariedade para com os “países periféricos”. Quando muito, haverá algum interesse pela Ucrânia e a sua possível associação à UE. Esse interesse terá que ver com duas coisas: uma certa admiração pela coragem dos que passaram muitas semanas na praça Maidan; e um certo desagrado em relação a Putin, ao que ele poderá representar como vestígio da Guerra Fria e da ameaça que as memórias colectivas ainda associam à Rússia.

publicado por victorangelo às 20:19

29
Dez 13

O centro de Bruxelas, várias ruas e galerias comerciais, não apenas a Grand´Place, estava apinhado de gente hoje ao fim da tarde. O último passeio de domingo, nas vésperas da passagem do ano. Havia gente de todo o tipo e origens, muitos com as marcas que definem os turistas.

 

Até o tempo estava ameno.

 

Havia descontração. Cada um, cada família, cada par de namorados, cada grupo de jovens, aproveitava as luzes da cidade e as decorações de fim de ano como muito bem entendia.

 

Pensei que a tranquilidade é um ingrediente fundamental do bem-estar.

 

Depois, voltei para casa. E vi as imagens de Lisboa. Do lixo por recolher. E outras, que a cidade está triste, insegura e agitada. Comparar não é boa ideia. Mas há coisas que são mais fortes que o querer. Que dão para pensar.

 

Lisboa está a tornar-se numa cidade em que os pombos voam baixinho e os corvos se sentem bem.

publicado por victorangelo às 20:40

25
Nov 13

 

Copyright V. Ângelo

 

Esta manhã, à porta de casa, durante o passeio diário, as cores e o sentido do Outono.

 

A grande cidade fica à volta do parque. Mas não entra na fotografia nem se faz ouvir, a não ser que passe uma ambulância no boulevard que define o extremo leste do parque.

publicado por victorangelo às 21:13

01
Nov 13

Dia feriado em Bruxelas, como aliás numa grande parte dos países da UE. As ruas dos bairros residenciais estão desertas e os comércios fechados. Com excepção, claro, das ruas e praças onde se concentram os homens imigrantes. Passar por lá é uma oportunidade de ver grupos de indivíduos na cavaqueira, a aproveitar o feriado. É, igualmente, uma maneira de constatar quanto pesa a imigração numa cidade como esta. Pesa bastante.

 

Por outro lado, se havia alguma loja aberta, era certamente propriedade de imigrantes. Esses não fecham. Estão aqui para trabalhar e ganhar o futuro. Não há, por isso disposição para dias feriados.

 

Como vou viajar no domingo, tentei ver se encontrava uma barbearia aberta, nas ruas da imigração, não muito longe de casa, que me pudesse dar um jeito ao cabelo. Sim, as da imigração, de gentes originárias de fora da Europa estavam a trabalhar. As belgas e as dos outros europeus, essas estavam encerradas. O meu barbeiro habitual, um italiano de idade respeitável que corta o pelo a gente fina, como ele diz, e que só aceita clientes com marcação prévia, tinhas as portas bem trancadas. Leva 16 euros por cada corte. O preço nas barbearias dos “árabes”, como por aqui se diz, varia entre os 5 ou 7 euros, podendo chegar aos 9. Só que o tempo de espera é grande. Hoje, como sempre estavam a abarrotar. Que isto de ser barbeiro é um bom negócio.

 

Não tive paciência para ir para a fila. E assim escrevo este blog com o cabelo por aparar.

publicado por victorangelo às 21:45

25
Jul 13

O torpor e as divisões no seio da União Europeia constituem a substância de meu texto de hoje na revista Visão.

 

O link para o artigo é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/nxkcvga


publicado por victorangelo às 17:38

29
Mar 13

Passei uma boa parte do dia em Lovaina.

 

A cidade, situada a cerca de 30 quilómetros a Leste de Bruxelas, tem crescido muito na última década, em termos populacionais. Lovaina é hoje, para além da universidade e dos centros de investigação que a ela estão ligados, uma aglomeração com uma economia diversificada. Tem, por exemplo, uma das melhores redes de pesquisa biomédica. É, igualmente, uma atracção turística importante, que tem sabido explorar o património cultural e fazer das actividades ligadas à cultura uma fonte de emprego e de rendimentos. Por outro lado, uma percentagem significativa dos seus habitantes trabalha em Bruxelas ou nos arredores da capital. Não é apenas uma questão de proximidade. Lovaina tem sabido apostar na promoção do bilinguismo – flamengo e francês –, o que é um trunfo vital para se conseguir alguns dos melhores empregos na região. Sem contar, claro, com a fluência de muitos em inglês e de vários em alemão.

 

Lovaina tem também uma das mais densas redes de radares de controlo de velocidade e de passagem por sinais vermelhos. A disciplina cívica é, aliás, uma das marcas da cidade. É uma aposta política.

 

Olhar para Portugal a partir de uma cidade com sucesso é inspirador. Lembra-nos o que faz – e como se faz – a riqueza de uma população: através do investimento nas indústrias do conhecimento, na investigação científica ligada às indústrias de ponta, nos serviços de qualidade, no turismo que sabe valorizar o passado e criar manifestações culturais viradas para os gostos do presente, nas línguas estrangeiras e numa cidadania responsável.  

 

O fulano que diz que a solução dos nossos problemas se resume “a deixar de escavar o buraco em que nos encontramos” ganharia em passar uns dias em Lovaina, como estudioso de política. Entenderia, então, uma filosofia política do desenvolvimento que dá frutos. Haverá outras, claro. Mas esta já nos ajuda a pensar em muitas coisas que nos poderiam dar jeito. 

publicado por victorangelo às 20:42

twitter
Outubro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

13
14
15
17
19

22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO