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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

A preparar a passagem para 2016

Em pano de fundo, oiço repetidamente, este serão, o barulho de sirenes. A polícia anda atarefada, em buscas que garantam uma passagem do ano tranquila.

O acesso ao coração da cidade, onde terá lugar a festa popular da chegada do novo ano, vai estar bastante condicionado e ser filtrado de modo sistemático. Os carros particulares terão que ficar estacionados bem longe do centro. Mas as pessoas irão à festa. A segurança apertada, nestes momentos de grandes concentrações de cidadãos, já faz parte da normalidade. Aceita-se sem pestanejar.

A resposta a estas novas ameaças tem sido feita de modo coordenado. Aqui só há uma polícia encarregue da segurança interna. Não há competições nem preocupações de protagonismo. É verdade que nem sempre houve uma ligação correcta entre a polícia federal e as polícias locais. Esse problema está agora resolvido.

Por outro lado, a análise das ameaças é feita por um órgão independente, sem qualquer interferência do poder político. É uma apreciação técnica, com base nas informações provenientes da polícia, da inteligência militar e da Segurança do Estado (Sûreté de l´État). Tudo o que se sabe é posto em cima da mesa e analisado com muita atenção. O resultado é então transmitido ao Primeiro-ministro e aos ministros competentes, para que as decisões estratégicas sejam tomadas.

Entretanto, as responsabilidades individuais e institucionais em matéria de identificação de casos de radicalização estão a ser melhor definidas. Essa é uma das etapas mais urgentes e, ao mesmo tempo, das mais delicadas. Exige, além disso, meios de investigação que neste momento parecem ser insuficientes.

E assim se vão organizando as coisas. É uma questão de eficiência, mas sem pânico.

O nosso lixo

As festas do Natal já passaram. Como de costume, houve embrulhos e papel de prendas por todos os lados. Nestas paragens não há Natal sem grandes manifestações de consumo. Mas o que mais me agrada é poder andar nas ruas do meu bairro e não ver lixo amontoado, caixas vazias das prendas recebidas, embalagens de todo o tipo, espalhadas por tudo o que possa ser sítio próximo de contentores. As ruas estão limpas, não há nenhum sinal da orgia de compras que definiram os últimos dias. Não existem, aliás, contentores nas ruas.

No bairro onde vivo, o papel é recolhido todos os quinze dias. São duas sextas-feiras por mês. Enquanto não chega o dia, o papel e o cartão é guardado em casa, fica à espera. Chama-se a isto civismo. Educação cidadã.

Imagino que os apartamentos e as casas estarão cheios de papel à espera do camião, no dia certo.

Ir ao parque infantil em Bruxelas

Esta tarde, o tempo estava frio. Mesmo assim, a minha neta levou-me ao parque infantil perto de casa, um parque que ela conhece bem. No meio da brincadeira, perguntou-me por que razão o parque estava vazio. Notou que, desta vez, não havia crianças. Perguntou e voltou a perguntar, um pouco mais tarde. De cada vez disse-lhe que olhasse bem, porque lá mais à frente estava uma outra menina, também a brincar. Não me pareceu muito convencida. Acabei por mencionar o tempo, o frio, como razão. Não sei se aceitou a explicação, até porque o frio é coisa do quotidiano, nesta altura do ano, em Bruxelas.

No regresso a casa, quis saber, assim de repente, o que é um terrorista. Ouvira a palavra, mas para quem ainda não completou seis anos de idade, a palavra soava fora de jogo. Expliquei-lhe e fiz a ponte com as sirenes que iam passando e que nos entravam pelos ouvidos.

Mais tarde ficou a saber que amanhã a escola não vai abrir. Terá que ficar em casa. Perguntou se era por causa dos terroristas. Claro que não. Os terroristas não gostam de ir à escola, são avessos aos estudos e contra a educação moderna. São, sobretudo, contra o ensino destinado às meninas como ela.

Mas isso passa-se muito longe daqui. Em Bruxelas, as escolas só deverão fechar por um dia. Assim se espera.

Bruxelas em estado de alerta

Acordei esta manhã numa cidade diferente. Saí de casa cedo, para ir buscar os croissants do pequeno-almoço, e notei, de imediato, que os acessos ao metropolitano estavam encerrados. O resto veio pouco depois. Fiquei a saber que o governo havia decretado um estado de alerta elevado para a região de Bruxelas. E, com o passar da manhã, que muitas lojas estavam desertas, os centros comerciais fechados, os espectáculos cancelados. Polícia e militares, havia-os por vários sítios e em número bem visível. As viaturas de polícia circulavam por toda a parte, muitas vezes com as sirenes a tocar. Notava-se o nervosismo ambiente.

Amanhã será de novo assim, segundo nos dizem. Pode ser um excesso de prudência, mas ninguém, ao nível do poder político, quer ser acusado de negligência. Mas, nestas coisas, há que saber encontrar o ponto de equilíbrio entre o risco e a normalidade.

É preciso ter coragem. A excepção não pode ser a “nova normalidade”.

Reflexões à volta de um corte de cabelo

Cortei o cabelo esta manhã. Nos últimos anos, havia utilizado os serviços de um velho – tem a minha idade – barbeiro italiano. Um homem que já teve sucesso mas que se deixou ultrapassar pela vida e pela concorrência. Para começar, pelo preço que pede: €16, quando todos à sua volta pedem menos. Depois, porque só aceita cortes com marcação. Várias vezes fui lá, estava sem ninguém, como agora sempre está, e disse-me que não, que era preciso marcar primeiro. E mais, por não ter percebido que o bairro mudara. Os clientes tradicionais foram desaparecendo da vizinhança, uns com destino ao cemitério, outros por terem mudado de zona de residência. Ficaram os emigrantes de vários tipos, mas acima de tudo os chamados “árabes”, uma designação imprecisa que abarca tudo o que vem do Norte de África e de outros sítios muçulmanos. Gente que corta a guedelha nas lojas dos compatriotas, por €7 e sempre cheias de clientes.

Este é apenas um pequeno exemplo da dinâmica de uma cidade em mutação. Quem não se adapta fica às moscas.

O meu barbeiro de hoje – e já é a terceira vez que lá vou – é um jovem kosovar. Abriu as portas há pouco tempo. Tudo muito moderno, com música de fundo e um serviço cuidado. Oferece um serviço mais refinado que “os árabes”, por um preço ligeiramente superior: €10. Percebeu que há aqui uma secção do mercado que acha que que o meu italiano está fora de moda e caro mas que também não quer ir fazer bicha na barbearia dos €7.

Nos negócios, mesmo nestes do cabelo, é preciso ter a cabeça no lugar e a mente atenta ao que se vai passando à nossa volta. Não serve de nada chorar por tempos que já não voltam nem tentar competir com que tem um mercado cativo, por razões de etnicidade.

 

 

A Grécia abriu um período interessante

Os resultados das eleições gregas não tiveram impacto nos mercados bolsistas europeus. Em termos da economia europeia, a Grécia tem agora um peso marginal. Já não estamos em 2011. Nessa altura, muitos dos grandes bancos privados da Europa tinham níveis de exposição elevados à dívida pública grega. As coisas mudaram.

Ao nível do impacto político, o discurso oficial foi hoje muito prudente, nas principais capitais da UE. Ninguém quer ser acusado de extremismo, perante um resultado eleitoral claro. Mas, mais, ninguém quer abrir o jogo e revelar as cartas, para já. Assim, as palavras que vão surgindo, em Bruxelas e noutras cidades, deixam a porta aberta à iniciativa do novo governo em Atenas. Ou seja, esperam que este mostre até onde quer ir. As velhas raposas europeias sabem que esconder o jogo é meio caminho andado.

Entretanto, irão surgir certas vozes inabituais ou menos conhecidas que terão como tarefa dar uma indicação do sentido que as coisas podem tomar. A Eslováquia, por exemplo, que já disse que não pode aceitar um incremento do salário mínimo na Grécia para os 700 euros, a ser pago com o dinheiro dos outros, quando os eslovacos ganham muito menos que isso.

Vai ser um período interessante. Nada está ganho à partida.

O comércio anda frouxo

Almocei hoje num restaurante vietnamita, aqui no bairro, a dois passos donde resido. Foi a primeira vez, apesar da proximidade. Quando telefonei para marcar uma mesa para sete pessoas, a senhora, que mais tarde soube ser a mulher do cozinheiro e dona, com o marido, do restaurante, disse-me que tinham pensado estar fechados hoje. Haviam tido muito trabalho na passagem do ano e estavam a precisar de um dia de repouso. Mas quando soube que seríamos sete e que éramos vizinhos – um vizinho é sempre uma oportunidade de negócio que se pode repetir no futuro – disse-me que sim, que a porta estaria aberta e a mesa confirmada. Descansariam na segunda-feira.

E assim foi.

Mais ainda, como a sala estava a funcionar, surgiram outros cinco clientes. Nada mau, como negócio, num sábado apagado, depois das festas e com tanta gente ainda fora da cidade. E estes imigrantes vietnamitas deram-nos uma lição de flexibilidade e de saber fazer comercial. Os tempos não estão de feição, mesmo por aqui, nesta cidade onde há gente com um nível de salários elevado. Os restaurantes de bairro conhecem, nos dias de hoje, uma quebra importante de actividade. Os almoços de negócios são cada vez menos, incluindo por razões de aperto fiscal, e as famílias, com a vida cara como está, preferem ficar por casa. Por isso, há que tentar apanhar as oportunidades, mesmo as mais pequenas.

E a verdade é, no que me diz respeito, que a senhora e o marido ganharam um cliente e alguém que vai dizer bem da casa.

O futuro Presidente da Comissão Europeia

A questão da presidência da Comissão Europeia deve ser aclarada esta semana.

 

As hipóteses de Juncker ser nomeado como candidato são cada vez menores. Era fundamental que tivesse conseguido um acordo público com a família socialista europeia, para poder entrar nesta semana decisiva com mais força. Tentou fazê-lo, não sei se com a genica suficiente, mas a verdade é que o não conseguiu. Creio que a razão para o fracasso reside no facto de Angela Merkel se opor à nomeação de Martin Schulz, o líder socialista, para um qualquer cargo na futura Comissão. Assim, Juncker não tinha nada de bom para oferecer aos socialistas.

 

Entretanto, a campanha inglesa contra Juncker continua. Para Londres, é fundamental que que a escolha recaia sobre um político morno, no que respeita à construção europeia. Estão a olhar para os primeiros-ministros e mesmo, para um ou dois presidentes da república, em exercício de funções e tentar fazer o que Blair fez em 2004, propor um deles. Mas terá que ser alguém que venha de um país que tenha o euro como moeda.

 

Veremos que coelho vai sair desta cartola.

Os verdes dos meus dias

 

 

 

 

 

Copyright V. Ângelo

 

A minha caminhada de hoje, pela manhã, passou por estes tons de verde. Assim acontece todas as manhãs, quando estou por aqui.

 

E agora os coelhos estão de volta. Não são numerosos, este ano, pois tem havido muita agitação no parque, corvos, cães e pessoas, e os coelhos não se sentem bem com tanta azáfama.

 

Há também um bando de papagaios de um verde intenso, que, apesar de exóticos, conseguiram um visto dourado e vieram viver para este lado do mundo. Até nos tempos de inverno se avistam.

 

 

A Europa pela positiva

http://tinyurl.com/kc3a37b

 

http://tinyurl.com/mjqyc4e

 

 

 

Estes são os links para o meu texto de hoje na Visão.

 

Escrevo sobre a União Europeia, as próximas eleições e sobre as fragilidades actuais. Sublinho que o único caminho inteligente é o que passa pelo aprofundamento, à medida do possível, da união política.

 

O problema é, no entanto, outro: poucos são os políticos com coragem de dizer o que deve ser tido. A grande maioria, a ver como estão as coisas, vai optar pela negativa, pelo populismo bacoco.

 

Para facilitar a leitura do texto transcrevo-o aqui também.

 

Boa leitura.

 

 

Tempestades europeias

Victor Ângelo

 

 

 

 

A dois passos das eleições para o Parlamento Europeu, é importante falar da Europa de modo positivo e reafirmar a relevância do projecto comum. A opinião pública é um pilar indispensável da construção europeia. Sobretudo numa altura de grande fragilidade, em que a UE é alvo de ataques internos e externos muito sérios, capazes de causar divisões e pôr em causa o futuro.

 

 A nível interno, verifica-se uma convergência de investidas provenientes de vários quadrantes, nomeadamente de forças políticas radicais, extremistas de direita e de esquerda, ultranacionalistas e populistas. As linhas políticas com que se cosem são, aliás, praticamente as mesmas: a demonização do euro e do sistema financeiro; a culpabilização dos outros, do estrangeiro, e outras ficções identitárias que alimentam a xenofobia; o apoucamento dos dirigentes das instituições comuns e dos líderes políticos no poder; a idealização do passado, o mítico em vez do real; a ilusão do regresso às fronteiras nacionais bem como a rejeição de uma visão mais ampla da cidadania europeia. Cria-se assim uma Europa em risco de colapso graças a uma coligação informal de oportunistas, de retrógrados de vários calibres e de iluminados políticos. São gente que procura tirar partido das dificuldades e frustrações dos cidadãos erradamente deixados para trás, dos que não foram ajudados nem preparados para os desafios de uma Europa e de um mundo em mutação acelerada. Em tempos de crise e de incertezas, a política do bota-abaixo e do tribalismo nacional aproveita-se dos medos colectivos e dos desapontamentos sociais. Faz parte das artimanhas dos extremistas saber criar fantasmas e sentimentos de insegurança, para depois tirar os dividendos que daí possam advir. O populismo dá votos, como deu aos ditadores do passado europeu, na primeira metade do século XX. Mas convém lembrar que leva igualmente ao desastre, como a história nos mostra.

 

Ao nível externo, há os que pensam que uma Europa unida é uma ameaça para os seus interesses geoestratégicos e económicos. Não tenhamos ilusões nem sejamos ingénuos. Quem vê a UE assim, quem olha para nós a partir do prisma do antagonismo e da competição negativa, tudo fará para tirar vantagem das vulnerabilidades actuais e sapar a unidade europeia.

 

A verdade é que a batalha da opinião pública não está ganha. Há oposição e há indiferença. Por várias razões, a informação e o esclarecimento não chegam aos cidadãos, não atraem o interesse popular. Neste quadro, o texto que François Hollande publicou, a 8 de maio, no diário Le Monde, deve merecer atenção e ser divulgado. Trata-se de uma reflexão construtiva, bem argumentada, realista e equilibrada sobre o que está em jogo nas eleições de 25 de maio. O presidente francês reconhece que a UE está em perigo de desintegração. Lembra-nos que uma Europa fragmentada abriria o caminho a confrontações violentas entre os estados. Seria uma Europa a contracorrente da tendência actual, que visa criar grandes espaços políticos e económicos. Defende, por isso, o reforço político da UE bem como a ideia – controversa mas que merece ser debatida – que esse aprofundamento se possa fazer mais rapidamente entre os estados dispostos a integrar o pelotão da linha da frente.

 

Penso que o debate nos próximos tempos deve ter em conta esse texto de Hollande. Ao qual juntaria o livro de reflexões que Herman Van Rompuy acaba de publicar – “Europa na Tempestade”. Entre muitas coisas, o Presidente do Conselho Europeu diz-nos que a gestão da crise europeia tem sido inspirada pela determinação de manter a união. É essa vontade que precisa de ser partilhada pelo maior número possível de cidadãos.

 

 

 

 

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