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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Grandes fragilidades e muito silêncio

O post que publiquei ontem atraiu, em 24 horas, cerca de 8400 visitas. E dezenas de comentários, muitos deles, escritos por leitores bem informados. Agradeço a todos.

 

Queria lembrar, no entanto, que há cerca de 800 bancos na UE que recorreram, nos últimos seis meses, ao financiamento, a juros baratos, do Banco Central Europeu. Muito do capital que pediram emprestado, melhor, a quase totalidade do bilião (um milhão de milhões) de euros obtidos junto do BCE foram investidos na compra de dívida soberana dos estados membros da UE. Ou seja, os bancos foram apenas uma conduta, entre o BCE e os Estados. Uma conduta que tentou passar despercebida aos olhos dos eleitores europeus, que ganhou muitos milhões, entretanto, mas que está, neste momento, em muitos casos, descapitalizada de novo. Muitos bancos estão à beira da falência. O que significa que à fragilidade dos estados europeus se deve acrescentar a fragilidade dos sistemas bancários. Tudo isto é muito perigoso, para o funcionamento da economia, da sociedade e para a salvaguarda da democracia, sobretudo no caso dos países que têm uma "má imagem" internacional. 

 

Onde iremos parar? A que nos vai levar uma complicação tão grande como esta? Que líderes europeus terão a coragem de falar destas coisas e apresentar as soluções que se impõem? Onde encontraremos o sentido de urgência que se impõe? 

É preciso saber contar a nossa história

Tentei explicar a gente das finanças internacionais que Portugal não é forçosamente o próximo...Não consegui, devo confessá-lo. Terão ouvido, por uma questão de educação, mas em círculos de poder, aqui no centro da Europa, a opinião parece estar formada. Joga contra o nosso futuro. 

 

Penso que é importante continuar a bater na mesma tecla. Portugal, por muitas dificuldades que tenha, é um país que funciona e que se está a reorganizar. É ou não é assim?

Em crise

Passei o dia num país imaginário, foram 11 horas a discutir, com gente muito viva, como resolver uma crise nacional e regional profunda.

 

Para mim, o exercício começou ontem, vai continuar nos próximos dias em Oeiras, depois sigo para Stavanger, no litoral da Noruega, para continuar a mesma tarefa, volto mais tarde a Lisboa, para ver as outras facetas do problema, mas na realidade estou a viver, nestes dias, numa outra parte do mundo. Mal tenho tempo para ver o que por aqui vai acontecendo.

 

Assim se prepara a resolução de crises, com muita planificação, muito conhecimento, com grande número de especialistas, muita ligação aos mais diversos actores, muita repetição e muita prática,  pois cada crise é sempre muito complexa. 

 

O resto, é para os amadores.

O país anda fora de jogo e a brincar às moedinhas

Não há nada como os números para acalmar os espíritos. 

 

Perante a agitação e a insanidade pública dos que pesam na opinião portuguesa, que se resumem numa espécie de loucura colectiva, de que a comunicação social tem sido o espelho nestes últimos dias, pensei que seria bom lembrar qual é o spread actual de Portugal, nos empréstimos a 10 anos. Em relação às taxas alemãs, que estão a 1.976%, Portugal acrescenta 12,923 pontos. Tudo somado dá para perceber que não estamos bem. 

 

Ou não dá?

 

 

 

 

 

10-year spreads

 

 

 

 

 

 

 

Previous day

Yesterday

This Morning

France

1.170

1.175

1.179

Italy

4.342

4.252

4.256

Spain

3.313

3.219

3.267

Portugal

12.663

12.518

12.923

Greece

32.847

32.562

40.18

Ireland

5.611

5.569

5.778

Belgium

2.156

2.071

2.149

Bund Yield

1.925

1.98

1.976

Ao Sábado é assim

Dizem-nos, no seguimento da baixa da nota de crédito francesa,  que não há razoes para pânico. De facto, o pânico é um mau conselheiro. Mas a verdade é que os governos, lá como cá, precisam de se empenhar muito mais na promoção da economia, na facilitação do empreendimento, na criação de condições para que apareça investimento que crie riqueza e emprego. 

 

Em França, a quebra da nota vai beneficiar a Frente Nacional de Marine Le Pen. Ou seja, muita gente confundida e desanimada com a crise vai votar FN. Se esta tendência se verificar, a questão já não será sobre as chances de reeleição de Sarkozy. Será mais imediata: com Marine Le Pen a subir, é possível que Sarkozy nem à segunda volta vá, pois ficará, nesse cenário, em terceira posição. 

 

Ora, o debate político, a escolha que os franceses deverão decidir deve ser entre Hollande e Sarkozy. Hollande e Le Pen levará Hollande ao poder, por ser o mal menor. A França precisa de um presidente com legitimidade reconhecida, Hollande ou Sarkozy, e não de um político eleito por ser o mal menor. 

 

Entretanto, em Portugal, a discussão política passa ao lado de tudo isto. Fixa-se numa catrogada de asneiras e numa maçonaria de oportunistas. E na defesa dos interesses instalados nos media. Quer uns quer os outros não têm nada que ver com as preocupações do cidadão comum. São umas anedotas para entreter, meros verbos de encher...o bolso. O deles, claro. 

Mais uma vez, a serenidade

Esta escrita fechou para um fim-de-semana prolongado numa das aldeias do Xisto. Vale a pena fazer um retiro na aldeia da Pena, entre a Serra da Lousã e os penedos de Góis. 

 

Mas voltaremos a falar disso. Das serras e das gentes, dos que ficaram, que bem poucos são e do potencial que existe em terras de grande beleza natural.

 

Regressar ao quotidiano significa voltar a ter que reflectir sobre a crise das economias mais avançadas e o risco sistémico de colapso. 

 

Espero que tenha trazido algum capital de serenidade, adquirido nas terras altas. É que, como muitas vezes o digo, sem um mínimo de serenidade não haverá saída para esta crise.

O próximo passo na Líbia

Defendo que o Secretário-geral da ONU deveria fazer o possível para que uma missão de avaliação humanitária pudesse fazer uma visita de terreno à Líbia.

 

A visita deveria ter lugar amanhã ou depois, sem mais demoras. Ban Ki-moon terá que entrar em contacto com as partes em conflito, governo de Kadhafi e comité de coordenação da rebelião, e obter o acordo de ambos os lados. 

 

Esta iniciativa servirá para reduzir o nível de tensão e mostrar que a comunidade internacional está pronta para encarar outras opções, para além das militares. Na verdade, com a criação das condições militares para que uma no-fly zone seja possível, o que já está conseguido, é o momento de deixar a diplomacia tomar a iniciativa.

Um hitlerzinho nacional

Embora possa parecer que está a brincar com o fogo, um político que jogue com a crise que Portugal atravessa não é um pirómano. É um hitlerzinho nacional, um chefe de hostes que lança umas faíscas para ver se o incêndio do nosso Reichstag pode ser atribuído aos do outro partido.

 

Só que o país não precisa de pequenos aprendizes de ditador, de pseudo-patrioteiros que se crêem imprescindíveis. Indispensável, isso sim, é quem promova consensos que sirvam de plataformas para a mudança.

 

O deus da Europa é Janus

Muita gente importante, por essa Europa fora, está de tal modo preocupada com o petróleo e o gás da Líbia, que fica sem coragem para uma tomada de posição clara. Impera o silêncio, que o Cão Raivoso de Trípoli interpreta como uma licença para matar.

 

É verdade que os popós da malta não funcionam com base em declarações de princípio. Mas, sem princípios, a Europa deixa de ter autoridade moral. Não pode ser pela democracia no Zimbabwe, onde não tem interesses estratégicos, e pela estabilidade da ditadura na Líbia, onde uns barris de petróleo falam mais alto.

Valores fundamentais na política internacional

O ministro britânico dos Negócios Estrangeiros, William Hague, disse, com clareza, ao fim da tarde, que o uso de violência, pelo governo da Líbia, contra manifestantes pacíficos, é inaceitável. Tem que cessar e que haver quem pague por isso.

 

É de acreditar que outras vozes se juntem à sua. Sem mais demoras, que a gravidade dos acontecimentos assim o exige.

 

Mal andaria o mundo ocidental se assim não fosse... Se os valores deixassem de orientar o labirinto internacional. Se os crimes contra as pessoas fossem, apenas, avaliados pela bitola dos interesses dos Estados.

 

Mas será que haverá por aí gente dirigente com coragem para o fazer?

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