Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Direitos humanos

“Deixem-nos tranquilos, por favor!”

Victor Ângelo

 

 

            Há dias, no Quénia, o Presidente Obama voltou a insistir no respeito pelos direitos humanos. Para além de condenar a discriminação e perseguição contra os homossexuais, apelou para que a luta contra o terrorismo não seja utilizada como um pretexto para acossar a oposição e cercear a democracia. Esse apelo tem que ser repetido em vários países de África e noutros cantos do mundo, incluindo na Europa.

            Vamos por partes. O meu percurso de décadas levou-me a ser confrontado com inúmeros dramas: pobreza extrema, falta de acesso a água potável ou a um mínimo de cuidados primários de saúde, analfabetismo, migrações forçadas, arbitrariedades e violências de várias dimensões. Se tivesse que reduzir as minhas experiências a uma prioridade absoluta, focar-me-ia nos direitos humanos. A raiz dos problemas está aí. Quando não se respeita as pessoas, abre-se a porta a todo o tipo de abusos, crises, desastres humanitários e atrocidades. Do fundo do desespero absoluto, ouvi muitas vezes um brado muito claro sobre a má governação: «por favor, diga aos que mandam que nos deixem em paz, que da nossa vida, tratamos nós».

            A política externa dos europeus tem preferido varrer a problemática dos direitos humanos para debaixo do tapete. Nas relações entre os Estados, a dignidade das pessoas é um assunto incómodo. Teme-se que prejudique as trocas comerciais, os investimentos, as alianças de segurança. Preferimos o recurso a gestos simbólicos. Na semana passada, por iniciativa da Alta Representante para os Negócios Estrangeiros, a UE aprovou um novo plano de ação sobre direitos humanos. Tem como mote: “manter os direitos humanos no centro da agenda da UE”. A verdade é que ninguém fez um balanço do primeiro plano, iniciado em 2012. E esta semana, Federica Mogherini esteve na Arábia Saudita e no Irão, dois péssimos exemplos em matérias de liberdade e de tolerância. Para além das palavras de circunstância, haverá seguimento da questão?

            Cai-se facilmente na duplicidade de critérios. É-se exigente quando o interlocutor é fraco, fecha-se os olhos quando se trata de uma parceria que nos possa ser proveitosa. Alguns dirão que o realismo da diplomacia assim o exige. Obama, no Quénia, mostrou que é possível ser franco e lembrar princípios que fazem parte de convenções internacionais, mesmo quando há importantes interesses económicos em jogo.

            A outra parte deste tema relaciona-se com o dilema que alguns enxergam entre as liberdades individuais e a segurança nacional. É um assunto atual e não apenas em Nairobi. A resposta ao terrorismo tem levado um certo número de governos a apertar a vigilância dos cidadãos. Na Europa, nomeadamente. A França, por exemplo, acaba de aprovar uma lei que aumenta de forma considerável o poder das suas agências de espionagem. O novo diploma permite um nível de intromissão nas comunicações e na vida de cada um que roça o inaceitável numa democracia avançada. Também recentemente, países como Reino Unido e Portugal, entre outros, procederam ao alargamento do campo de ação dos respetivos serviços secretos. Sem esquecer o que se pratica nos EUA. Ou seja, o mundo ocidental está neste momento a resvalar para uma psicose de medo que pode pôr em causa as liberdades cívicas bem como a serenidade de todos nós. Se a tendência se acentuar, ficarão a ganhar os que promovem o terror e a perder os que vêem nos direitos humanos e nas liberdades os fundamentos da decência e do progresso.

 

(Texto que hoje publico no semanário Visão)

Os sapateiros e as questões internacionais

Depois de ouvir umas banalidades sobre política externa, num programa de domingo que tem uma grande audiência, fiquei a pensar que há por aí uns sapateiros que gostam de ir além do chinelo. Esses mestres sabem das intrigas da política interna portuguesa. Quanto ao mundo exterior, andam, tantas vezes, pela rama das coisas. E inventam umas teorias conspirativas, para convencer o povo que estão dentro dos segredos dos deuses.

Um dos comentários era sobre o acordo nuclear que acaba de ser assinado com o Irão e que deverá ser aprovado amanhã, no Conselho de Segurança da ONU. Um acordo bastante complexo, que tem várias facetas e outras tantas maneiras de ser visto. Mas, no fundo, um bom acordo, que demorou nove anos a ser negociado.

Uma das provas da importância do acordo reside na maneira como foi recebido pelas organizações iranianas dos direitos humanos e pelas principais associações da sociedade civil. Trata-se, em ambos os casos, de organizações que são sistematicamente perseguidas pelo regime de Teerão. Essas ONGs receberam a notícia do entendimento nuclear com grande entusiasmo. Têm dito e repetido que o acordo abre espaço aos que lutam pela democracia e pela modernidade no Irão.

Seria um erro não ter em conta essas opiniões. Como é lamentável que isto não seja referido quando as nossas estrelas do comentário político andam aos pulinhos por assuntos tão sensíveis e centrais como este.

 

 

 

Irão

O Irão acaba de anunciar a descoberta de um novo jazigo de gás no Sudeste do país, perto da cidade portuária de Bandar Abbas. O valor estimado das reservas é de 70 mil milhões de metros cúbicos. 

 

Este anúncio oficial vem no seguimento de uma outra declaração, feita há poucos dias, sobre as reservas de petróleo. Segundo o governo, os campos petrolíferos do Irão teriam uma capacidade produtiva total, por explorar, de 150 mil milhões de barris. Se assim for, o país passa a ocupar o terceiro lugar mundial em termos de potencial petrolífero, seguido do Iraque, que deve possuir cerca de 143 mil milhões de barris.

 

Tudo isto faz do Irão e da região uma área de alto interesse estratégico. Instabilidade em Teerão será uma ameaça para toda a região, incluindo os países do Golfo e da Península Arábica.

 

A política internacional das grandes potências está atenta a estas informações. A Europa, estará? 

 

Entretanto, e no horizonte mais imediato, o Irão vai presidir à OPEC em 2011. Há uma certa ansiedade sobre a maneira como esta presidência se irá desenrolar.

 

 

As novas guerras

Com o mundo cada vez mais computorizado, uma situação que torna a vida moderna totalmente dependente do bom funcionamento dos sistemas informáticos, as guerras do futuro passar-se-ão nas salas de programação software, com centenas de jovens na casa dos vinte anos a desenhar emaranhados complexos de vírus destinados a atacar os sistemas informáticos inimigos.

 

É a guerra cibernética. Uma guerra sem uniformes, de gente vestida com jeans e t-shirts, alimentada a hambúrgueres e coca-colas. Estas serão as rações dos combatentes dos tempos que se aproximam. As trincheiras serão as mesas dos computadores, as armas, a matemática, a programação, a engenharia de sistemas, as ligações em rede, os fire walls e a sofisticação das senhas de acesso aos programas. Os novos combatentes não vão precisar de se ausentar de casa. Continuarão a ter uma vida de família normal, a entrar para o emprego a horas regulares, a ir ao cinema à noite e aos dancings ao fim-de-semana. Saem da guerra a horas certas e desligam, psicologicamente falando.

  

Esta nova frente de conflito, este novo tipo de ataques preventivos, defensivos ou malignos obrigará a repensar por completo os sistemas de defesa. Os meios clássicos passarão a ter menos peso. Serão ainda necessários, como é óbvio. Mas estarão, muito provavelmente, mais voltados para o combate contra as rebeliões e os grupos terroristas ou piratas. Para fazer frente às ameaças assimétricas, ou seja, provenientes de combatentes irregulares, estruturados de maneira simples e constituídos em pequeno grupos. No entanto, mesmo este tipo de intervenções estará cada vez mais informatizado. Basta ver o que se passa com os pequenos aviões sem piloto - os UAV - para entender que se pode ter um centro de comando dessas máquinas no Algarve, à beira da praia, e fazer voar os ditos objectos, mesmo se estacionados no pólo oposto. E, assim, atacar com uma precisão cada vez maior os alvos seleccionados.

 

Bombardear uma central nuclear, num país hostil, por exemplo, terá um outro significado. Não serão mobilizados aviões e mísseis. Nem comandos especiais. Serão bombardeados com programas de computação que criem o caos nos sistemas de gestão informática da central.

 

Dizem que é o que já está a acontecer no caso concreto do Irão. Penso que é cedo para tirar conclusões sobre o que se está a passar numa das centrais desse país. Mas a notícia mostra claramente que já estivemos mais longe de uma ofensiva desse tipo.

Armas e desenvolvimento

Enquanto se discutia em Nova Iorque como combater a pobreza e atingir os objectivos de desenvolvimento aprovados no início do milénio, chegaram-nos notícias de outro tipo. Sobre o comércio de armas.

 

A Rússia decidiu gastar 466 mil milhões de euros, nos próximos dez anos, em equipamento militar. O objectivo central é o de aumentar a capacidade de combate das forcas armadas, com uma atenção especial a ser dada às armas nucleares. Que conflitos possíveis estarão na base desta decisão altamente estratégica? Fica a pergunta. Sem que se saiba qual é a resposta.

 

Ao mesmo tempo, um certo número de países do Golfo Pérsico anunciou uma encomenda de 123 mil milhões de dólares em armamento. O fornecedor será os EUA. Desses Estados, a maior compra será feita pela Arábia Saudita - 67 mil milhões. Os outros compradores incluem os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e Oman. Neste caso, o inimigo declarado é o Irão. O objectivo é ter uma capacidade aérea que dissuada os iranianos. 

 

O comércio de armas está de vento em popa. O mesmo não se poderá dizer das questões do desenvolvimento.  

Viagens nas terras do vento seco

Nos próximos dias estarei em N'Djaména, Bangui e Abéché, na fronteira com o Darfur. 

 

É cada vez mais claro que a crise no Darfur, que muitos dizem ser de primeira ordem, só ganha interesse e atenção quando a UE e os EUA não estão preocupados com a Geórgia, ou com o Irão ou o Médio Oriente. Ou com créditos mal parados.

 

É uma crise que permanece no pano de fundo, para quando não há mais nada de importante para assinalar.  

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D