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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Da incerteza

A incerteza, na política, na justiça, na economia, na vida, é um factor regressivo, mina a confiança, o entusiasmo e o progresso. A incerteza revela que quem nos dirige não lidera, navega apenas ao sabor do vento que lhe é de feição. A incerteza leva ao desastre. Quando um povo não sabe para onde vai, acaba por ir para parte incerta.  

 

 

Portugal, Zimbabwe e Chade

Continuo a minha descoberta de um lado e do outro da fronteira. Como também continua, em Portugal, a saga triste da acusação pública, a procuradoria da república, que tem elementos que estão mais preocupados com questões de protagonismo e de imagem nos media do que com a isenção da justiça. São procuradores mais políticos do que objectivos. Disponíveis para fazer favores a quem manda.

 

Estão no sítio errado. Deveriam ser obrigados a sair da justiça e bater-se na frente partidária. A agir abertamente nos partidos de quem são tão amigos.

 

E os senhores do governo continuam a fingir que não vêem. A manter uma serenidade de estátua de pedra de granito perante uma problemática que diz respeito a uma função essencial do exercício do poder do Estado.

 

Convém-lhes. É que muitos anos de poder da mesma matiz deram para fazer entender aos senhores da acusação pública que é conveniente ser dócil para com o poder estabelecido. Faz bem às carreiras e à tranquilidade das suas vidas.

 

No Zimbabwe e no Chade, por exemplo, também é assim.

A elegância política

Sempre considerei a diplomacia de qualidade, activa, baseada em princípios, orientada para a obtenção de resultados, como uma forma de fazer política com elegância e com os olhos postos na resolução de conflitos. Trata-se de levar o outro lado a reconhecer o mérito, o valor, da posição que defendemos. A diplomacia é uma construção incessante de consensos. Assim deveria ser a política.

Pontes e passagens

 

Copyright V. Ângelo

 

Foram três dias de discussões, com gente vinda de diversas partes do mundo, sobre como abrir pontes onde apenas existe conflito, insegurança e destruição. Um debate esclarecido, esclarecedor e inteligente.

 

Foi particularmente notória a preocupação com a situação na Guine'-Bissau. Uma situação política que e' má e perigosa. E que causa muitas dúvidas sobre a estabilidade daquele país e o que podera' acontecer nos tempos mais próximos.

 

Também discutimos o anacronismo que da' pelo nome de Conselho de Segurança das Nações Unidas. O embaixador da Índia em Nova Iorque, um homem culto e muito arguto, disse, sem papas na língua, que mundo e' este, que deixa o direito de veto nas mãos de países como a Grã-Bretanha e que ignora o peso de Estados como o seu?

 

Portugal, que organizou este encontro de representantes de Estados, ganhou alguns pontos, na cena internacional. A imagem externa de um país e' algo de importante e que precisa de ser cultivado. Assim aconteceu.

 

 

Morrer no exílio

José Saramago deixou-nos hoje. Sentimo-nos mais pobres. Foi um português que não teve medo de abrir novas frentes, ao desafiar constantemente a nossa maneira tradicional de pensar. Com ele, com as suas frases intermináveis e as suas alegorias, muitos de nós aprenderam a pensar sem barreiras. A deixar voar o olhar crítico sobre nós próprios. A saber que todas as interrogações são legítimas. 

 

Gente assim cabe dificilmente no Portugal que temos. Por isso, foi viver para a porta ao lado. É melhor para os nervos. E envia um sinal que poucos entendem, mas que deveria voltar à baila, neste momento da sua viagem definitiva para o espaço das memórias. A mensagem que continuamos a fechar os nossos horizontes, a viver agarrados à sotaina das ideias de outrora, num círculo de vistas estreitas, que acaba por excluir as mentes livres e criadoras.

 

Por isso, alguns continuam a morrer no exílio.

O derrame do conflito

Na Visão, publico um texto sobre a BP, o derrame de petróleo no Golfo do México, as repercussões políticas, domésticas e externas, desta crise, partilho uma experiência de trabalho com as grandes multinacionais do petróleo, até falo mesmo de futebol...

 

O artigo está disponível no sítio da revista:

 

http://aeiou.visao.pt/para-desempatar=f562542

 

Agradeço a leitura e os comentários.

Crises e desafios

Depois de uma volta ao mundo dos conflitos, hoje foi altura de rever alguns dos traços mais salientes da economia internacional. No curto prazo, os elos fracos da cadeia, na UE -- a Espanha, em primeiro lugar, Portugal logo a seguir, por razões próprias e pelo efeito dominó da crise espanhola, da Grécia não vale a pena falar -- continuam a ser a preocupação mais premente. A prazo, temos os défices orçamentais de países importantes, uma nova crise do dólar, mais tarde ou mais cedo, e o impacto das crises sobre a estabilidade dos mercados e sobre os sistemas financeiros, os bancos, os fundos de pensão, as seguradoras, etc.

 

No caso da UE e dos EUA, a questão do modelo de desenvolvimento continua por resolver. Qual deverá ser o novo paradigma económico? Como também não há resposta para a questão da interacção entre o crescimento económico, as variáveis populacionais, o aumento do consumo per capita e os recursos naturais e ambientais. O problema do património ambiental é, aliás, um tema que tem que interpelar os filósofos, não apenas os cientistas e os economistas.

 

São toda uma série de variáveis que exigem que se faça uma reflexão estratégica muito aprofundada. Há aqui muito pano para mangas. Muitas interrogações sobre o futuro.

 

Entretanto, até deu para ver o desafio entre Portugal e a Costa do Marfim. Foi no aeroporto de Genebra. Eu viajava para um lado, que rumar para outros lados tem sido o meu destino, muitos portugueses viajavam para Lisboa. E o acaso fez bem as coisas. Primeiro, o instrumento de tortura, a televisão, encontrava-se ao lado da porta de embarque para Portugal. Muito cómodo. Segundo, os controladores aéreos franceses estavam, uma vez mais, em greve. Não querem mudanças, numa altura em que várias coisas são constantemente postas em causa. O que atrasou o voo e deu para ver a partida até ao fim. Só que uma das equipas andava no campo um pouco ao acaso das bolas e das artes de cada um. Não chega. Faltava uma linha orientadora. Um sentido, uma mobilização do grupo. Uma direcção clara. Uma vez mais pensei que o futebol e a política andam, de facto, de mãos dadas. Com uma liderança que ninguém entende e que alguns desafiam, a deixar recados que só fazem aumentar a confusão. A propor soluções que nada adiantam. Por isso, o resultado é que andamos todos muito empatados. 

Um dia dramático, insustentável

Dizer "insustentável", num discurso que levou muitos dias a preparar, é assumir uma grande responsabilidade. Só aceito que a palavra tenha sido dita, numa ocasião tão solene e importante como é o Dia de Portugal, se o seu autor estiver sinceramente convencido da gravidade da situação.

 

Creio que é o caso do Presidente da República. Cavaco Silva, na minha opinião, está muito preocupado. Não disse o que disse por razões eleitorais, como alguns bacocos concluíram em cima do joelho, ou para tornar a vida mais difícil seja a que político for. É uma visão genuína, acrescento, dos tempos que o nosso país atravessa.

 

Como conhece bem o que se passa, e como é um homem sério, com sentido nacional -- assim o penso, independentemente das suas opções políticas e de estar ou não de acordo com o quadro de valores em que acredita --, não podemos ignorar a sua opinião.

 

Isto parece estar mesmo feio.

Não me falem da crise!

Certos senhores, aqui entre nós, pensam que não se deve falar todos os dias da crise. Que nos estamos a transformar num muro de lamentações, a cultivar a crítica e o pessimismo, a não pensar no lado positivo das coisas. Que não vemos o valor que cada décima estatistíca tem, em termos de crescimento da economia e de boa política.

 

Esses senhores não conhecem, de facto, a crise. Ocupam posições sólidas, vivem com desafogo, gostam do que é bom e bonito.

 

Compreendo que os incomode que se fale de quem sofre, do desemprego, das dificuldades dramáticas em que muitas famílias se encontram, dos pequenos empresários que já nem sabem por que razão mantêm as portas abertas, do pavor que representa uma taxa de juro em alta.

 

Em África e noutros países de grande miséria encontrei, igualmente, gente assim. Achavam mal quando se lhes falava da luta contra a pobreza, da falta de condições em que viviam a maioria das famílias. Do estado alarmante da saúde pública. Acusavam-nos de navegar e pescar nas águas do pessimismo. De termos uma postura estruturalmente negativa. De viver à custa de relatórios alarmistas. Nalguns casos, chegavam a acusar-nos de falta de respeito pelo país em causa. (São senhores que gostam de cavalgar no patriotismo arrebatado).

 

Mas a crise não precisa de vuvuzelas para se fazer ouvir.

 

 

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